Novembro 2011


Estado não pode devolver carros

O Estado não pode devolver os 19 carros de luxo das marcas Audi, BMW, Mercedes, Volvo, Renault e Volkswagen adquiridos, em regime de aluguer operacional de veículo, já em 2011, pelo anterior governo. Isto porque os contratos, alvo de concurso público, estão blindados: fonte do Governo diz que a forma como foram celebrados impede a troca de um carro caro por dois mais baratos.

Uma pergunta que deve ser respondida: quem assinou tais contratos em nome do Estado?

Sendo em período já de declarada austeridade, parece-me evidente que – se existe tal blindagem – os interesses do Estado foram lesados.

Não chega desculparem-se com a herança do anterior Governo.

Quem, especificamente?

E, já agora, publicitem os contratos.

Sem conhecermos os detalhes, a palavra de uma fonte do Governo vale muito pouco ou mesmo nada.

Quando os salários dos funcionários públicos são tábua rasa em termos de blindagem, como explicar essa tal blindagem?

É que isto de falar muito precisa de ter um pensamento articulado por trás e não ir dizendo o que calha a cada momento, conforme os públicos. Pode ser clintoniano, terceira ou quarta via esvaziada de conteúdo mas é isso mesmo, vazio de um conteúdo que valha a pena reter.

Ontem queria acabar-se, hoje elogia-se, amanhã estende-se no quintal.

Miguel Relvas: Qualidade da RTP “dá muito medo à concorrência”

Só falta dizer que a qualidade resulta da sua acção frenética de incentivo.

… isto são apenas amendoins…

Juízes pedem aos deputados que não “suspendam” a Constituição

The Style Council, Shout to the Top

… não!

Artigo não muito recente, mas pioneiro na forma como chama a tenção para a desvalorização dos imóveis para habitação quando a rede escolar sofre perturbações.

Nada que não se saiba, em especial em zonas com menor densidade populacional e com maior vulnerabilidade à falta de serviços públicos:

How Much Is a Neighborhood School Worth?

This paper presents evidence of the effect on house values of a school redistricting in Shaker Heights, Ohio in 1987. As a result of redistricting, neighborhood schools are disrupted, bus transportation is introduced, and school racial composition changes. The data include all arms-length sales of houses in Shaker Heights between 1983 and 1994. We find, using a difference-in-difference estimator, that disruption of neighborhood schools reduces house values by 9.9%, or $5738 at the mean house value. This result is robust to a variety of alternative specifications, including repeat-sales analysis and within-neighborhood analysis.

“The Price You Pay”: The Impact of State-Funded Secondary School Performance on Residential Property Values in England

(…)

We suggest that GCSE examination results will be the measure of school performance that parental choice will be most closely correlated with. Therefore, secondary schools with good GCSE examination results will be “oversubscribed” in that more students will wish to attend these schools than there are places available. Schools will then have to develop mechanisms for rationing the available places – central to rationing strategies in English schools at the moment is geographical proximity of the family home to the school of choice. Parents will thus have a strong incentive to purchase houses in the “catchment” area of high performing schools. Our results suggest that this is the case, with high performing schools stimulating a price premium in local residential property markets of between 1% and 3% for each additional 10% point improvement in the pass rate in GCSE examinations.

Resta saber se, de alguma forma, também é o facto de serem zonas residenciais mais caras que levam a que os agregados familiares também tenham maior capital cultural e aspirações para o percurso escolar dos seus educandos…

When do Better Schools Raise Housing Prices? Evidence from Paris Public and Private Schools

Algumas conclusões curiosas…

Ranking the Schools: How Quality Information Affects School Choice in the Netherlands

This paper analyzes whether information on high school quality published by a national newspaper affects school choice in the Netherlands. For this purpose, we use both school level and individual student level data. First, we study the causal effect of quality scores on the influx of new high school students using a longitudinal school dataset. We find that negative (positive) school quality scores decrease (increase) the number of students choosing a school after the year of publication. The positive effects are particularly large for the academic school track. An academic school track receiving the most positive score sees its inflow of students rise by 15 to 20 students. Second, we study individual school choice behaviour to address the relative importance of the quality scores, as well as potential differences in the quality response between socio-economic groups. Although the probability of attending a school is affected by its quality score, it is mainly driven by the travelling distance. Students are only willing to travel about 200 meters more in order to attend a wellperforming rather than an average school. In contrast to equity concerns that are often raised, we cannot find differences in information responses between socio-economic groups.

Raios, raios, raios… então não é que um sistema universal de financiamento (público) da rede escolar (de gestão pública ou privada) deu nisto? E dizem-nos o contrário? Que é tudo um sucesso?

Não, não é.

Parental Choice in the Netherlands: Growing Concerns about Segregation

A finalizar, o problema: que valor privilegiar? A liberdade de escolha para alguns em troca de segregação e guetização educacional para muitos?

The longstanding tradition of freedom of education is by no means the only determinant of the high levels of segregation in the Netherlands. Our comparison of school and residential trends suggests that residential segregation is also a contributing factor. Whatever their role in creating the problem, however, the twin aspects of freedomof education – the right of parents to choose their child’s school and the operational autonomy afforded to schools – make it is very difficult for the Dutch to do anything about their high levels of school segregation. Any proposal to reduce segregation, whether through voluntary agreements among schools or governmental policies, willinevitably involve a trade-off with a deeply held Dutch value.

Mas não é isto que têm tentado dizer-nos… mas é a realidade estudada em países como a Suécia e a Holanda, em que a liberdade de escolha, financiada pelo Estado, foi levada a extremos que conduziram a fenómenos de profunda segregação. Em países com índices de desigualdade nbem menores do que o nosso.

É isso que queremos?

É isso que pretende este Governo e o MEC?

Raios, as conclusões são… ao contrário do que nos querem fazer crer… a competição não leva a melhoria global do sistema, apenas agrava as diferenças criando uma espécie de sistema a duas velocidades…

School choice and competition: Evidence from the Netherlands

The literature suggests that competition among schools might increase quality.
However, not much empirical evidence is present as only a few countries allow competition at a large scale. One exception is the Netherlands. Free parental choice is the leading principle of the Dutch education system since the beginning of the 20th century. Based on panel data for the Netherlands we show that there is a relation between competition and student achievement in upper secondary education, but that it is negative. In addition, private schools have higher quality levels.

Estado gastou mil milhões em 14 empresas públicas

(…)

As empresas mais endividadas pertencem ao grupo Parque Expo, continua a entidade liderada por Oliveira Martins, “ela própria [Parque Expo] com cerca de 237,440 milhões de Euros, que, por si, representa 54% da dívida total, a GIL, cuja dívida contraída atingiu o montante cerca de 86,892 milhões de Euros (20% da dívida total) e a Marina do Parque das Nações, que apresenta uma dívida no montante de 19,975 Milhões de Euros, significando aproximadamente 4% da dívida total. No seu conjunto, perfazem cerca de 80% do montante de dívida global”, segundo o TC.

Segue-se a empresa Viana Polis, com um endividamento de 35,78 milhões de euros, cerca de 8% da dívida total. As restantes dez empresas representam cerca de 14% da dívida total.

O TC analisou neste trabalho a Edab – Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja, a Naer – Novo Aeroporto, a Rave – Rede Ferroviária de Alta Velocidade, a Parque Expo98, a CostaPolis – Sociedade para o Desenvolvimento do Programa Polis na Costa da Caparica, a Viana Polis – Sociedade para o Desenvolvimento do Programa Polis em Viana do Castelo, a Frente Tejo, a Polis Litoral Ria Formosa, Polis Litoral Norte, a Polis Litoral Ria de Aveiro, a Porto Vivo SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense, a Coimbra Vivo SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana, a GIL – Gare Intermodal de Lisboa, e a Marina Parque das Nações – Sociedade Concessionária da Marina do Parque das Nações.

João Proença: “Todas as esmolas são bem-vindas”

As palavras para qualificar este lutador nunca são devidamente expressivas.

Juros, dividendos e mais-valias tributados a 25% para compensar menos cortes nos subsídios

(mas deve existir qualquer alçapão para os grandes escaparem…)

IVA na cultura escapa à taxa máxima e sobe para 13%

Norte e Centro continuam a ser as regiões com menos chumbos

A percentagem de alunos do ensino básico e secundário que chumbou no ano lectivo de 2009/2010 continua a ser menor no Norte e Centro e maior nas regiões autónomas e na zona de Lisboa. Os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística confirmam a existência de fortes disparidades regionais no que respeita ao sucesso escolar dos alunos.

A honra perdida do jornalismo

A notícia de primeira página do “Expresso” de sábado (“Deputado do BE João Semedo foi sócio do BPN numa clínica do Porto”) é das mais inaceitáveis infâmias jornalísticas que vi em 40 anos de profissão.

Os factos são os seguintes: Semedo (hoje deputado do BE) e outros médicos criaram em 1994 uma clínica no Porto, tendo com sócio minoritário uma companhia de seguros, a Real Vida; cinco anos depois, em 1999, essa seguradora foi comprada pelo BPN, então apenas mais um banco; oito anos mais tarde, em 2007, soube-se que o BPN não era, afinal, apenas mais um banco e que os seus dirigentes se haviam envolvido numa gigantesca fraude que custou milhões aos contribuintes; Semedo já estava entretanto desligado da clínica desde 2000.

Em “O mundo a seus pés”, de Orson Welles, Kane explica ao chefe de Redacção de um dos seus jornais que os factos podem não ter a mínima importância que o que torna uma notícia importante é o facto de ela vir na primeira página. Foi o que fez o “Expresso”: pôs a notícia na primeira página e deu-lhe grande destaque no interior, fazendo com que os inócuos factos referidos se tornassem relevantes e lançando subliminarmente uma difusa suspeita (que suspeita?) sobre um homem honrado.

Quem nos rouba a honra, diz Shakespeare em “Othelo”, não fica mais rico e deixa-nos irremediavelmente pobres. A notícia do “Expresso” rouba não só a honra de João Semedo mas a honra do próprio jornalismo.

Tanto mais curioso quanto foi o Expresso que decidiu abafar os materiais da Wikileaks entre nós, com o argumento que muitos materiais não mereciam divulgação jornalística.

OCDE antecipa a pior recessão e desemprego para Portugal em 2012

Ó faxavor, alguém informe o ministro Álvaro!

Ou será que, como no governo anterior, a OCDE ora vale (elogios na Educação), ora não vale (previsões económicas)?

Subsídios entre 600 e 1100 euros

Cortes graduais nos subsídios aprovados com a abstenção do PS

… aprovaram-no nos Açores.

Já sei… a autonomia…

Estatuto do Aluno com multas para pais e reforço da autoridade dos professores já em vigor

 

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