Se há algo que se continua a notar muito é que o mandato de Sócrates/MLR na área da Educação não nasceu do nada em termos de preconceitos os quais, por seu lado, aproveitou para multiplicar.
O desconhecimento sobre muitas questões concretas do quotidiano escolar acontecem a partir de fora mas igualmente a partir de dentro, assim como nas zonas de fronteira.
É estranho ouvir formadores de professores criticar acesamente essa formação, mas não apresentarem soluções. É estranho ouvir professores de diferentes níveis de ensino desconhecerem o que se passa fora do seu raio de acção diário.
É estranho que professores de certos ambientes sociais não compreendam que existem outros ambientes sociais e educacionais, por vezes bem perto, com quotidianos bem diversos.
É estranho o estado de auto-flagelação +profissional em que caíram muitos docentes. Embora sempre com justificações individuais para as cápsulas defensivas e quase estanques em que se encerraram.
Percebe-se que se ergam muralhas mentais, quando as físicas não são possíveis, para manter o errado do lado de fora. Mas há limites para a desculpabilização pessoal, enquanto se flagela a própria profissão, corporizando nos outros (seja níveis de ensino, seja grupos disciplinares, seja percursos profissionais) tudo o que não está bem. Como se a sua profissão, por um qualquer fenómeno estranho de dissociação, fosse outra que não aquela que se observa e sobre a qual se lançam anátemas.
A distribuição dos erros e da responsabilidade por eles não é equitativa, ou melhor, é equitativa da forma como o actual primeiro-ministro define o conceito: todos são sacrificados teoricamente, mas na prática sabemos que há quem tenha mais culpas. Mas não isso não impede que quem se sinta menos responsável – até por isso mesmo - considere que está liberto de qualquer obrigação para mudar o que está mal ali mesmo ao lado e muito menos que se recuse a conhecer uma realidade que não comprove os seus preconceitos.
Muito menos que erga esses mesmos preconceitos como regra única da sua visão do mundo ou,. pior, que a tente impor aos outros como única. Que vida em monólogo baseado nos seus feitos particulares. No seu sucesso. Que ignore a sua quota-parte no insucesso global, mesmo que seja ínfima.
Novembro 28, 2011 at 11:18 am
“The Chinese foreign minister recently gave a speech in which he reminded the nations of South-East Asia that they are small, while China is very big.” http://psicanalises.blogspot.com/
Os tugas – sobretudo os corruptos que levaram o país à falência e que num estado de Direito a sério estariam já detidos e não a passear-se por Paris – que andaram a lamber o … à China mereciam… A China só está interessada em ajudar em troca de posições estratégicas, não percebem? (percebem claro mas o que lhes interessa é safarem-se)
Novembro 28, 2011 at 11:24 am
“É estranho que professores de certos ambientes sociais não compreendam que existem outros ambientes sociais e educacionais, por vezes bem perto, com quotidianos bem diversos.”
Não é por mal. Um dia eu contei coisas que se passam nas escolas de ensino básico a um amigo de infância prof de matemática do 10ª, 11º e 12º anos, e ele não acreditou. E o que eu lhe contei até nem foi das coisas mais escandalosas e violentas que acontecem nas escólas básicas portuguesas.
Novembro 28, 2011 at 11:26 am
por exemplo ele não acreditou que fosse possível um prof andar a ser insultado anos seguidos sem que a escola e os colegas agissem. Agora todos temos consciência que estas coisas não só acontecem nas escolas básicas portuguesas como têm sido sistematica e deliberadamente escondidas.
Novembro 28, 2011 at 11:28 am
Eu sou dos tempos em que se faziam 4 anos de licenciatura e depois se faziam mais dois anos para as cadeiras “pedagógicas”. O que me lembro desses tempos é que os professores eram fracos (ao contrário dos que tinha apanhado na licenciatura) e também me lembro de uma das professoras universitárias passar o tempo a dizer que os professores do secundário eram horríveis: só diziam mal dos alunos deles – sem se apreceber, claro, que era isso que ela fazia o tempo inteiro…
Novembro 28, 2011 at 11:32 am
obviamente que agora o assunto já não é dos “pedagogos” – que um dia tenho confiança em que venham a ser responsabilizados por as barbaridades que as suas teorias causaram – mas é um problema do PM e do ministro da economia. O país não tem produtividade, não vai ter porque esta gente formada pelos “pedagogos” é intriseca e naturalmente improdutiva e corrosiva, e vai ser necessária uma solução, para eles e para o país que já não consegue atrair os imigrantes para trabalhar. Na minha opinião a solução passa pelas FA’s que se não servem para nada – tirando aquelas missõezitas internacionais que podem ser desempenhadas pela GNR – têm de passar a servir dando formação disciplinada e compulsiva a esses milhares de insultadores, violentos e broncos que o ensino básico português criou. De todas as idades pois há-os com 40 anos que continuam iguais, manipuladores, agressivos e parasitas, a quando sairam do ensino básico.
Novembro 28, 2011 at 11:35 am
e se não fôr o governo português a tomar estas medidas por vontade (ainda que fraca) própria, alguém o há-de obrigar a isso, podem anotar.
Novembro 28, 2011 at 12:36 pm
Para tentarmos de algum modo compreender o comportamento dos zecos nos dias que correm, talvez possamos analisá-lo à luz do conhecido modelo da perda/luto de Kubler-Ross. Negação e isolamento, cólera, negociação, depressão e aceitação constituem, segundo aquela psiquiatra, os estádios pelos quais passa o sujeito quando tem de enfrentar uma grave perda ou uma tragédia. Convém notar que aqueles estádios não se articulam segundo uma sequência linear, podendo a ordem variar consoante as circunstâncias e os indivíduos ou coexistirem alguns em diferentes fases.
Desde o afrontoso consulado socretino-lurdiano, os zecos têm-se medido com uma profunda alteração dos pressupostos e orientações pelos quais perspectivavam a sua vida profissional. A par disso, a pressão societal sobre a escolas e os seus agentes não pára de crescer, exigindo-se aos zecos aquilo que a sociedade e famílias não logram alcançar.
Desde reações negacionistas e de isolamento, que são muitas vezes contíguos a estados depressivos, a mnifestações de cólera direccionada ou indiscriminada (que abrange desde a tutela aos outros colegas ou grupos profissionais…), até a adopção de formas de luta ou de negociação (a título individual ou grupal), passando pela aceitação resignada, seja da humilhação e da impotência ou então da sua forma mais (re)activa (implicando já a preparaçãom para uma resposta adaptativa), é todo um conjunto de manifestações que tem sido possível observar no corpo docente, embora – na minha opinião – convirjam para um ponto comum: a pulverização da classe, o apagamento do seu sentido identitário, com a perda do seu “poder de choque e, consequentemente, de capacidade reinvindicativa consistente.
A recomposição da classe, o sarar das feridas, a recuperação de um saudável sentido corporativo (não corporativista), a reposição do seu estatuto e a reconfiguração do seu papel afiguram-se tarefas difíceis, a que porventura só o tempo poderá dar resposta. Entretanto, penso que o fundamental é ir, pelo menos, mantendo canais de diálogo abertos entre a classe, espaços de encontro e de partilha, a nível local e em foruns como é este nosso “Umbigo”.
(Paulo, se achares que vale a pena postar, estás à vontade).
Novembro 28, 2011 at 12:52 pm
para acompanhar a leitura do post e do coment do farpas a preceito..
http://bulimunda.wordpress.com/2011/11/28/radiohead-where-i-end-and-you-begin-live-from-the-basement/
Novembro 28, 2011 at 12:57 pm
7
Muito bem visto, Farpas.
Novembro 28, 2011 at 1:05 pm
#0
Não fui eu, não fui eu…
Agora a sério. Quem se acusem os que participaram, alguns de dentro do próprio governo e da AR, na caça ao professor iniciada pela MLR. E que, se não se acusarem, que alguém os acuse.
Eu, que sei muito, muito, pouco, posso apontar 2 ou 3 nomes de gente de direcções escolares que, em 2004/2005, esteve com toda a certeza>/b> na origem deste exercício de acicatagem de invejas e raivas contra os docentes. Como se não fizessem parte da classe, e faziam, estupidamente pensando que podiam sair limpos depois de sujar os seus pares.
Novembro 28, 2011 at 1:17 pm
#7
“modelo de perda/luto”? “pressão societal”? Societal?
Parece conversa “iscteana”. Vade retro.
Novembro 28, 2011 at 1:57 pm
#11
Olhe que não, olhe que não…
As iludências aparudem…
Novembro 28, 2011 at 2:28 pm
Tal como socializam os prejuízos, os banqueiros – e os governos subservientes ao seu poder – procuram desresponsabilizar-se, culpando toda a sociedade. A solução não está na psiquiatria, mas na compreensão do modus operandi de uma classe parasitária e sem escrúpulos. Os governos, ainda que eleitos e exceptuando honrosas excepções, não têm defendido os instrumentos de soberania nacional que salvaguardem as condições para uma economia saudável, confiando em instâncias internacionais. É altura de pensar local, principalmente quando se trata da alimentação.
Novembro 28, 2011 at 3:32 pm
Este post é estranho, parece uma Crítica geral da Existência Docente, e um convite a uma nova ética comunitária (já se ouvem os assobios corporativistas). Só que o consenso, para o ser, deve esmagar a heterogeneidade, e isso também é pouco interessante.
De resto, parece-me que a força cega das massas não regressará, essa é uma virtude do individualismo actual (com muitos defeitos também). Resta-nos ser consistentes e coerentes na nossa micro-política, começar por cumprimentar toda a gente e exigir aos mais idosos e afortunados que façam o mesmo (já estou a dividir a classe, mas não resisto a denunciar a injustiça na diferença de ordenados e condições de trabalho entre os idosos e os novos / meia-idade).
Novembro 28, 2011 at 3:43 pm
#14
O parêntesis final denunciou-o(a).
Já demos para esse peditório…
Novembro 28, 2011 at 3:46 pm
NEM MAIS FARPAS TAMBÉM SERÁ QUE A DITA OU DITO ACHA QUE A DIFERENCIAÇÃO SALARIAL PODE TER A VER COM ISTO???FUI..
http://2.bp.blogspot.com/_4UDv4RfED2M/TJZ00wHiIeI/AAAAAAAAA5A/oNoZTue3Qos/s1600/tfrds.png
Novembro 28, 2011 at 6:18 pm
14,
Eu até acho que o governo faz muito bem em cortar salários e subsídios só a quem ganha mais, para nivelar tudo por baixo. É o chamado comunismo de direita ou neo-liberal. Não demorá a que os profes ganhem tanto como os trolhas, como na ex-US. O ocidente derrubou o muro porque queria copiar os bons hábitos de lá.