Se há algo que se continua a notar muito é que o mandato de Sócrates/MLR na área da Educação não nasceu do nada em termos de preconceitos os quais, por seu lado, aproveitou para multiplicar.

O desconhecimento sobre muitas questões concretas do quotidiano escolar acontecem a partir de fora mas igualmente a partir de dentro, assim como nas zonas de fronteira.

É estranho ouvir formadores de professores criticar acesamente essa formação, mas não apresentarem soluções. É estranho ouvir professores de diferentes níveis de ensino desconhecerem o que se passa fora do seu raio de acção diário.

É estranho que professores de certos ambientes sociais não compreendam que existem outros ambientes sociais e educacionais, por vezes bem perto, com quotidianos bem diversos.

É estranho o estado de auto-flagelação +profissional em que caíram muitos docentes. Embora sempre com justificações individuais para as cápsulas defensivas e quase estanques em que se encerraram.

Percebe-se que se ergam muralhas mentais, quando as físicas não são possíveis, para manter o errado do lado de fora. Mas há limites para a desculpabilização pessoal, enquanto se flagela a própria profissão, corporizando nos outros (seja níveis de ensino, seja grupos disciplinares, seja percursos profissionais) tudo o que não está bem. Como se a sua profissão, por um qualquer fenómeno estranho de dissociação, fosse outra que não aquela que se observa e sobre a qual se lançam anátemas.

A distribuição dos erros e da responsabilidade por eles não é equitativa, ou melhor, é equitativa da forma como o actual primeiro-ministro define o conceito: todos são sacrificados teoricamente, mas na prática sabemos que há quem tenha mais culpas. Mas não isso não impede que quem se sinta menos responsável – até por isso mesmo - considere que está liberto de qualquer obrigação para mudar o que está mal ali mesmo ao lado e muito menos que se recuse a conhecer uma realidade que não comprove os seus preconceitos.

Muito menos que erga esses mesmos preconceitos como regra única da sua visão do mundo ou,. pior, que a tente impor aos outros como única. Que vida em monólogo baseado nos seus feitos particulares. No seu sucesso. Que ignore a sua quota-parte no insucesso global, mesmo que seja ínfima.