A peça do Expresso de hoje sobre a Educação em 2012 contém diversos quadros estatísticos interessantes.
Vejamos três deles de forma muito sumária:
Ao contrário do que muita gente diz, Portugal não gasta muito na Educação, estando muito, muito abaixo da média do investimento por aluno da média europeia (nem é bom falar dos países que mais investem). No 1º ciclo, o desfasamento em relação á média europeia vem desde 2003 e está a agravar-se a um ritmo assustador.
Ao mesmo tempo que se pretende alargar a escolaridade e combater o abandono escolar precoce, desinveste-se abruptamente na Educação. A consequência será óbvia: por muito que se legisle, esta escolaridade obrigatória, nestes termos, será uma escolaridade esquelética, em que cada ciclo de escolaridade se vai tornar quase no ciclo anterior, algo que já se notava crescentemente à chegada ao Secundário, mas agora vai ser ainda mais grave se avançarem as teorias infantilizadoras do currículo até ao 9º ano.
A breve prazo, um aluno entrará no Secundário com as aprendizagens que deveria ter à entrada no 3º ciclo. E não adianta reforçar a Matemática e o Português para iludir alguma coisa nos testes PISA. O balanço será catastrófico daqui a uma década. Como de costume, os responsáveis estarão algures a perorar de cadeirão sobre o que deverá ser feito, então, para solucionar os problemas que eles próprios criaram.
Por fim a questão quase central desde 2005: os professores ganham muito, em especial no topo da carreira. Apesar destes dados serem de 2009 e, este ano e no próximo a queda comparativamente à UE ser brutal (com os cortes deste ano e a amputação de dois meses no próximo), o que se verifica é que a meio da carreira (15 anos de serviço normalmente equivalem a 40 anos de idade para quem terminou uma licenciatura e um Ramo de Formação Educacional) os professores portugueses ganham muito menos do nque a média e é aí que os querem fazer estacionar. Numa fase crítica das suas vidas familiares.
O bicho-papão do topo da carreira onde ninguém está (o actual índice 370 do 10º escalão) tornou-se um mito útil. Depois da engenharia colocada a travar as progressões e o enorme número de aposentações, cada vez há menos docentes nos dois escalões outrora mais altos (actuais 8º e 9º), pelo que a acelerada proletarização salarial dos professores dos últimos anos será ainda mais grave com esta classe a tornar-se a mais sacrificada das que têm maior qualificação no país, tornando-se progressivamente menos atractiva e levando a situações como as que se passaram em diversos países europeus, o seja, a necessidade de recrutar cada vez mais os docentes em quem menos garantias dá de qualidade. E não é um exame de acesso que permite escolher os melhores. Apenas escolherá os menos maus.



Novembro 12, 2011 at 7:32 pm
Não deixar cair a ideia de o aumento do nº de alunos se dever quase única e exclusivamente à contabilização dos “adultos” do processo RVCC básico e secundário… Andam perto de 1 milhão… desde 2008, pelo menos, até agora.
Novembro 12, 2011 at 7:46 pm
O Professor Hermano está na RTP2 a falar, também, de ensino.
Novembro 12, 2011 at 7:54 pm
Estes indicadores são uma vergonha nacional e internacional. Se cá estivesse um enviado germânico Merkozyano com poder executivo(não os troikistas hipócritas que apenas “aconselham” ou “memorandam”), acharia isto um crime à Pátria. E os culpados teriam que pagar bem a sério.
Novembro 12, 2011 at 8:20 pm
Dias ácidos aguardam-nos…
http://bulimunda.wordpress.com/2011/11/12/buli-olhares-pelo-sul-lemon-days-are-coming/
Novembro 12, 2011 at 8:21 pm
e depois dizem-nos que temos de funcionar como um bom rebanho…talvez sem moral..mas rebanho…
http://bulimunda.wordpress.com/2011/11/12/buli-olhares-pelo-sul-lemon-days-are-coming/
Novembro 12, 2011 at 8:22 pm
Porque no fim é isto que nos vão fazer..sem piedade..sem remorsos…
http://bulimunda.wordpress.com/2011/11/12/the-kills-fuck-the-people-adequado-aos-dias-que-correm-nos-ate-gostamos/
Novembro 12, 2011 at 8:25 pm
Porque estes vampiros que nos governam. são seres.capazes de todas as patifarias ..pois no fundo o que eles pretendem mesmo é…
. “Tornar anódino o quotidiano, para que a mais pequena coisa seja uma distracção. No meio do meu trabalho de todos os dias, baço, igual e inútil, surgem-me visões de fuga, vestígios sonhados de ilhas longínquas, festas em áleas de parques de outras eras, outras paisagens, outros sentimentos, outro eu.
Mas reconheço, entre dois lançamentos, que se tivesse tudo isso, nada disso seria meu.”
FERNANDO PESSOA
Novembro 12, 2011 at 8:36 pm
Paul Krugman
Lendas do fracasso
Devemos ter cuidado com ideólogos que aproveitam a crise europeia para promover suas agendas
É assim que o euro termina -não com uma explosão, mas com bunga bunga. Não muito tempo atrás, os líderes europeus insistiam em que a Grécia podia continuar na zona do euro e pagar suas dívidas na íntegra. Agora, com a Itália caindo em um precipício, é difícil imaginar de que modo o euro poderia sobreviver.
Mas qual é o significado do fiasco do euro? Que lições extrair?
Ouço duas alegações, ambas falsas: os problemas da Europa refletem o fracasso dos Estados de bem-estar social como um todo, e a crise europeia confirma a necessidade de austeridade imediata nos EUA.
A primeira alegação está sendo feita por republicanos como Mitt Romney, que acusou Obama de se inspirar nos “socialistas democratas” europeus e disse que “a Europa não está funcionando nem na Europa”. A ideia é que os países em crise enfrentam problemas devido ao peso dos gastos governamentais.
Mas os fatos dizem o oposto.
É verdade que toda a Europa oferece benefícios sociais mais generosos -entre os quais serviços universais de saúde- e registra gastos governamentais mais altos que os EUA. Mas os países hoje em crise não oferecem mais bem-estar social do que os que estão se saindo bem.
Na verdade, a correlação indica o oposto. A Suécia, famosa por benefícios generosos, tem ótimo desempenho e é um dos poucos países cujo PIB atual é maior que o de antes da turbulência. E o “gasto social” em todos os países hoje em crise era menor do que na Alemanha.
A crise do euro, portanto, nada diz sobre a sustentabilidade dos Estados de bem-estar social. Mas justifica a necessidade de apertar os cintos numa economia já deprimida? Dizem-nos que os EUA têm de cortar gastos agora ou poderemos terminar como a Grécia. Os fatos também contam história diferente.
Primeiro, o fator determinante para os juros não é a dívida do governo, mas sim se a captação é feita em moeda nacional ou não. O Japão tem dívida bem maior que a italiana, mas os juros sobre os títulos japoneses de longo prazo são de cerca de 1%, ante 6% na Itália. As perspectivas fiscais britânicas parecem piores que as espanholas, mas o Reino Unido pode captar pagando 2% de juros; a Espanha paga quase 6%.
Na prática, ao adotar o euro, Espanha e Itália se reduziram à situação de países do Terceiro Mundo que precisam tomar empréstimos na moeda alheia, com toda a perda de flexibilidade que isso implica.
Por não poderem imprimir mais dinheiro em situações de emergência, os países da zona do euro ficam sujeitos a perturbações em sua captação que não afligem países capazes de tomar empréstimos em suas próprias moedas, como os EUA.
A austeridade, por sua vez, fracassou em todo lugar no qual foi tentada. Nenhum país com dívidas significativas conseguiu cortar gastos a ponto de recuperar o apreço dos mercados. A Irlanda, por exemplo, é o bom menino da Europa: respondeu à crise com medidas ferozes, que levaram o desemprego a mais de 14%. Mas os juros pagos pelos títulos irlandeses ainda superam os 8% -mais altos que os italianos.
Moral da história: devemos ter cuidado com ideólogos que tentam aproveitar a crise europeia para promover suas agendas. Se ouvirmos o que eles dizem, agravaremos ainda mais os nossos problemas.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/8460-lendas-do-fracasso.shtml
Novembro 12, 2011 at 8:39 pm
The end in 2012…?
O operador turístico alemão Tui está a exigir renegociar os contratos com o sector hoteleiro na Grécia, perante a possibilidade de o país sair da zona euro e adoptar novamente a sua moeda nacional, o dracma.
De acordo com as agências EFE e France Presse, a notícia foi avançada pelo diário alemão ‘Bild’ e já confirmada pelo porta-voz da empresa.
A empresa enviou cartas às cadeias hoteleiras com uma cláusula que menciona o uso do dracma.
De acordo com o porta-voz da Tui, Robin Zimmermann, a medida salvaguarda também o interesse dos turistas.
«No caso do euro deixar de ser moeda, a Tui está no direito de pagar os montantes na nova moeda, nas condições de câmbio estabelecidas pelo governo», lê-se num extracto da carta enviada pela empresa aos hotéis gregos.
De acordo com Zimmermann, «todas as filiais devem velar por garantir a sua segurança, perante possíveis variações no câmbio», já que, o novo dracma poderia valer até menos 60 por cento do que o euro.
A associação de hoteleiros grega respondeu com indignação às exigências da Tui.
«Vários hotéis receberam o requerimento para assinar, mas nenhum o vai fazer e já nos dirigimos ao Ministério do Turismo», disse a presidente da associação, Andreas Andreadis.
De acordo com a responsável, o operador alemão «não pode obrigar os hotéis a assinar algo assim».
O novo primeiro-ministro grego vai ser hoje designado depois de uma semana de convulsões, na sequência do anúncio do actual chefe do Executivo sobre um referendo, que pôs em causa a permanência da Grécia na zona euro.
O novo governo grego foi acordado no domingo pelo primeiro-ministro e o líder da oposição conservadora, Antonis Samaras e será responsável pela «execução do plano europeu anti-crise» até às próximas eleições, que serão imediatamente convocadas após a ratificação do acordo europeu de 26 de Outubro em Bruxela
Novembro 12, 2011 at 8:55 pm
Estes indicadores confirmam aquilo que já é notório há bastante tempo e que tem sido obnubilado por sucessivas manobras propagandísticas: está a consumar-se um projecto político ideológico que visa a desarticulação da Escola Pública.
Esse projecto já é visível desde os tempos de MLR, através, designadamente, da sua menorização (NO, facilitismo…), e do condicionamento dos seus agentes perante a opinião pública (ADD, mitos do absentismo e das altas remunerações…).
Passa agora pela drenagem dos seus meios de financiamento que ultrapassa o exigido pela troika, depauperando do mesmo passo os seus recursos humanos para além de qualquer razoabilidade (escondida pelo estribilho demagógico: “fazer muito com pouco”) .
E é rematada, por agora…, pela anunciada “reforma curricular” do básico que se prepara para inaugurar a fase seguinte, a estender decerto até ao secundário: um ensino em regime de forçada indigência estrutural e cultural, ou não se encontrasse ele instrumentalizado ao serviço de um mercado de trabalho em que a qualificação parece ter deixado de ser um eixo estratégico.
Novembro 12, 2011 at 9:22 pm
Fim da zona €uro? Ou a zona Protestante e a outra…, a Católica?
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/alemanha-grecia-zona-euro-austeridade-falencia-agencia-financeira/1298200-1730.html
Novembro 12, 2011 at 9:29 pm
Com 15 anos de carreira, ganham-se 32 mil euros anuais?
Eu tenho 20 e não chego aos 28 mil!!!
Novembro 12, 2011 at 9:47 pm
#12
Parece que a coisa é em notinhas verdes.
Novembro 12, 2011 at 9:55 pm
Em que escalão estão os “nossos” sindicalistas isentados há décadas de aulas? Quanto pouparíamos deserdando-os?
Além disso chateia-me cada vez mais ter de dar mais aulas, a piores turmas e ganhar menos do que os velhos da escola.
Novembro 12, 2011 at 10:04 pm
#15: A sério? E que tal uma greve ou uma acção de protesto mais eficaz, para tirar esses empecilhos dos mais velhos do seu caminho. ficavam todos a ganhar: você com as turmas deles; eles sem turmas em casa. Eles agradecem. O problema será daqui a uns anos quando você for dos velhos! O que dirão so mais novos?
Novembro 12, 2011 at 10:23 pm
Paulo, 25000€ para professores contratdos em inicio de carreira, é no minimo para rir….
Novembro 12, 2011 at 10:33 pm
Tudo isto transmite a autêntica indiferença e desprezo com que os políticos atuais vêem a educação.
Nada do que tem acontecido até aqui tem a ver com uma aposta na qualidade do ensino na escola pública. Nada do que está a ser apresentado, tem como objetivo melhorar seja o que for. Tudo o que aí vem é para piorar e transformar certas escolas num autêntico inferno.
O que vai acontecer é que uma grande parte das escolas portuguesas, vão ser centros de depósitos de alunos, despejados em turmas enormes, para que cada professor das mais variadas áreas faça deles o que puder.
É aguentar e cara alegre.
Um dos objetivos do atual governo, e o anterior também assim pensava, é fazer do professor um mero funcionário público.
São muitas as pessoas a verem assim os professores. Simplesmente a diferença é abismal. Eu quando vou a uma repartição pública, sou atendida, com toda a calma e aguardo a minha vez. Apenas uma pessoa para cada empregado. Isto não se passa na escola.
Não sei qual o incentivo que os jovens terão em escolher a carreira de professor, mas os que o fizerem pensem bem antes de o fazer.
O 1º ciclo está cada vez pior.
Este ano tenho um 1º ano. Neste momento 40% da turma não tem competências para trabalhar os conteúdos do 1º ano de escolaridade. Tenho mais dois colegas no agrupamento que se queixam do mesmo. Alunos que chegam à escola sem terem frequentado uma pré primária.
Há que fazer todo um trabalho de estimulação, trabalho este que deveria ser feito antes de chegarem ao 1º ciclo. Tudo isto é ignorado por todos os ministros da educação. Apoios para estas turmas onde estão?
Ao que parece este ano veio uma informação em que eram contemplados com apoios em primeiro lugar as turmas de 1º, 2º 3 4º anos. Mas contemplados como, se não há apoios? E estou eu a falar de um agrupamento TEIP.
É uma hipocrisia, ouvir estas mentes coroadas, apregoar que se vai fazer melhor com menos.
Isto é gozar com a classe docente!..
Novembro 12, 2011 at 10:39 pm
Hoje foi um dia histórico e só faltaram mesmo os Chaimites para o cortejo revivalista da Aliança Povo-MFA ter aquele encanto carnavalesco que faz as delícias dos românticos incorrigíveis.
As múmias dinâmicas animaram os discursos e os apelos à luta, embora sejam todos burocratas bem pagos pelo Estado, encarregados de levantar a válvula de segurança do regime, de forma a manter tudo sob controlo.
EhEhEh
Novembro 12, 2011 at 10:41 pm
Grande país em que um professor com dez e mais anos de serviço pode ser um contratado com remunerações de “início de carreira”…
Novembro 12, 2011 at 10:47 pm
#18, “burocratas bem pagos pelo Estado”
Partindo do princípio de que é um professor pago pelo Estado, como eu sou, com que mais palavras da sua expressão é que se identifica?
Considera-se um burocrata?…
Acha-se bem pago?…
Novembro 12, 2011 at 11:41 pm
Burocratas bem pagos pelo estado são boys.Alguns andam a mandar bocas nos blogues.
Novembro 12, 2011 at 11:53 pm
[...] Fonte: http://educar.wordpress.com/ Gostar disto:GostoBe the first to like this post. Deixe um Comentário [...]
Novembro 13, 2011 at 5:48 pm
«E não adianta reforçar a Matemática e o Português para iludir alguma coisa nos testes PISA.»
Caro colega, isto fica-lhe muito mal. Momento de infelicidade. Se assim não é, se pensa mesmo assim, é mais um dos que dizia que não podia cumprir o NPPEB por falta de tempo. Agora que lho deram… Não merecem metade do que ganham no final do mês. Lá chegaremos.
Dezembro 7, 2011 at 10:42 pm
[...] Fonte: http://educar.wordpress.com/ Gostar disto:GostoBe the first to like this post. Deixe um Comentário [...]