Catarse
Hoje é o meu terceiro dia como aposentada.
Acordei à hora habitual e lembrei-me que, pelo menos hoje, os meus alunos não teriam tantas substituições; a sexta-feira era o único dia em que não tinham aulas comigo.
Até à última semana tinha com eles: 6 tempos de Língua Portuguesa, 3 de Língua Inglesa, 2 de Atividades de Apoio ao Estudo, 1 de Formação Cívica, 1 de Oficina de Leitura e Escrita e 2 de apoio a Língua Inglesa. Muitas horas, ao longo de um ano e dois meses… uma ligação profunda interrompida abruptamente. Sinto-lhes a falta e, de acordo com alguns emails recebidos, eles também sentem a minha, mesmo os mais complicados.
Então por que saí? Limite de idade? Incapacidade física comprovada? Reforma compulsiva?
Nada disso. Fui mesmo eu que pedi a aposentação antecipada. Tenho 57 anos e meio, 36 anos de serviço efetivo, todos na escola pública, sem licenças nem destacamentos. Saí com 24% de penalização e com a noção clara que ainda tinha muito para dar à profissão que segui por vocação, a que me dediquei em regime de exclusividade, seguindo o lema “I’m a teacher, I touch the future!”.
Então o que me levou a pedir a aposentação em Dezembro último? É preciso recuar uns anos, lembrar o ano em que começaram a transformar a profissão docente numa doença terminal.
Em 2005, cheguei de férias em setembro e tomei o primeiro contato com as grandes reformas da então Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Surgiram as famosas OTEs- ocupação de tempos escolares, acabaram os chamados “feriados” e os meninos deixaram de poder libertar energias nos recreios quando um professor faltava e passaram a ficar na sala com outro professor, a fazer… . Eu, que nunca tinha problemas disciplinares (a partir de outubro de cada ano letivo estavam sempre resolvidos) passei por algumas situações bem desagradáveis. O mais curioso é que, lá no pequeno mundo onde me movia, quem faltava muito continuou e continua a fazê-lo, quem não faltava começou a ficar exausto e a adoecer. Infelizmente são vários os colegas que se encontram afastados por doença, principalmente a partir do ano passado. Até concordo com as OTEs, mas com professores específicos, com tarefas próprias e a crise não deixa…
Depois vieram mais pérolas: o Estatuto do Aluno com as célebres Provas de Recuperação (os atuais PITs –Plano Individual de Trabalho também não são muito diferentes ), as alterações ao Estatuto da Carreira Docente e a Avaliação de Desempenho Docente. Divulgou-se a mentira da ausência de avaliação e da progressão automática. Estávamos em 2007: exigiam a definição de objetivos individuais e eu defini apenas um: chegar à aposentação em pleno uso das minhas faculdades mentais. Não entreguei os ditos objetivos individuais, fui notificada por incumprimento. Até foi interessante. Nessa altura ainda sentia fôlego para estas lutas e até me davam algum gozo. Maior ainda foi o que me deu ver que as ameaças deram em nada, como seria de esperar.
Em 2008, criaram-se os professores titulares. Eu que sempre quis ser apenas professora, uma professora significativa mas nada mais do que isso, tornei-me titular. A escola partiu-se completamente. Ainda por cima, o mundo burocrático desabou sobre os ditos titulares. Sempre desempenhei cargos, não existe no meu registo biográfico um ano em que tivesse apenas dado aulas, mas ter de desempenhar dois e três cargos por ser titular e ter a redução máxima do art.º 79.º era muito pesado. Existiam muitos formulários, muitas siglas, muitas reuniões; escasseava o tempo para fazer o importante, para preparar aulas a sério e não de memória, para fazer avaliação diferenciada ou remediação ativa. Comecei a sentir-me deprimida. Não me deixavam cumprir a meu gosto o conteúdo funcional da minha profissão.
Ainda por cima os titulares eram prisioneiros, não podiam concorrer, eram “propriedade” dos quadros dos respetivos agrupamentos. Vi colegas serem ultrapassados por outros com menores qualificações. Conheço alguns que continuam a fazer muitos quilómetros por dia graças a serem titulares.
Depois chegou a Drª Isabel Alçada e pensei que as coisas podiam melhorar. Puro engano. Escreveu uma aventura suicida, envolta em sorrisos e mensagens pueris, como aquela de votos de bom ano letivo, que passou em todos os blogues. O novo modelo da Avaliação de Desempenho Docente, a reformulação do Estatuto do Aluno com os tais Planos Individuais de Trabalho, a requalificação das escolas que deixou ao país uma dívida incomensurável (para não falar das dificuldades das ditas para pagarem a conta da luz e outras) e, finalmente, a reorganização da rede com a criação dos Mega-agrupamentos.
Em setembro de 2009, regressei de férias com a sensação de não ter reposto as energias, como já vinha sucedendo desde 2006. Mal entrei, informaram-me que tinha de ir apresentar-me noutra escola, a escola sede do Mega-agrupamento. Fiquei siderada. Então nós éramos Agrupamento TEIP e agora íamos ficar na dependência de uma escola secundária, sem a mínima experiência do que é ser agrupamento, até porque as secundárias eram não-agrupadas? A resposta foi afirmativa.
Ainda em choque, dirigi-me à nova Direção. Fui muito bem recebida. Na reunião geral ouvi falar de uma fusão não desejada, de um processo doloroso que teríamos de digerir, encarar como um desafio e transformar num caso de sucesso. A economia manda! Vamos a isso!
Ah, mas esta não era a única novidade: em 2009/10 eu seria Diretora de Turma, Coordenadora dos Diretores de Turma do 2.º ciclo, Gestora de Disciplina e Professora Relatora. Por último seria professora das áreas já referidas. A função de Relatora era a que mais me custava. Tentei escusar-me. Nada feito. Em nome da senioridade, de acordo com os critérios legais, tinha mesmo de ser eu.
Em dezembro deixei de ser Gestora de Disciplina, pois finalmente perceberam que a minha redução estava há muito ultrapassada. O resto continuou igual. Reuniões infindáveis, deslocações quase diárias entre escolas, às vezes três idas e vindas por dia. As reuniões de avaliação seriam também na escola sede, pois o programa informático estava lá sediado ( onde mais poderia estar?). Lá iríamos com os dossiers, todos ao monte a lançar níveis, faltas e observações. Isto não estava a acontecer!
Mas ainda aconteceu pior. A escola onde trabalhei desde 1987/88 tinha uma boa avaliação externa, estava cotada como das melhores a nível nacional, nos famosos rankings aparecia colocada bem acima das que não eram Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Tudo isto era fruto de muito, muito trabalho. Mas afinal comecei a ouvir que era tudo engano. Expressões veladas anunciavam que não era assim, frases em que ninguém era nomeado ( por razões éticas, dizia-se) afirmavam que a escola era um monte de dívidas e compadrios. Até a um sindicato chegaram estas informações. Foi talvez a gota de água. Comecei a ter perturbações de sono, dores de cabeça inexplicáveis, perdas de memória ( até do local onde estacionara o carro, ou, durante a noite, onde era a minha própria casa de banho, num T2 minúsculo). O médico avisou-me do perigo que corria, aumentou-me a medicação, quis que ficasse em casa. Não obedeci ao último conselho. Em vez disso, entreguei o meu pedido de aposentação antecipada em dezembro. Calculava sair em julho/agosto, de acordo com os prazos previstos.
Até ao fim do ano letivo desenvolvi todas as funções com o máximo profissionalismo, mas sem nunca me subjugar às fações que se foram criando, sem me calar sobre a paulatina destruição de tudo o que estava construído e fora avaliado positivamente, para ser substituído pelo que se considera agora um bom trabalho e não passa de um conjunto de números, grelhas, estatísticas e documentos. A minha escola descaracterizou-se completamente: os Serviços Administrativos estão desertos, as assistentes operacionais são deslocadas conforme as “necessidades”, ainda não há mediador/a social, os concursos arrastam-se, o número de professores ausentes continua alto…
Senti e sinto o Mega-agrupamento como uma anexação hitleriana. Conheci pessoas admiráveis, é certo, mas perdeu-se a articulação que existia dentro da própria escola; com o primeiro ciclo nem se fala.
A 10 de outubro, chegou a comunicação oficial da minha aposentação. Trabalhei conforme o previsto até ao fim do mês, fiz os primeiros testes, a reunião intercalar do conselho de turma, o preenchimento das 44 páginas de dados para estatística do modelo de Projeto Curricular de Turma, orientei as planificações da disciplina de Inglês e a grelha de propostas para o Plano Anual de Atividades do Agrupamento e a primeira grande atividade: um concurso de chapéus para celebrar o Halloween. Tudo direitinho.
No dia 31, entreguei os prémios do referido concurso, sorridente e vestida a preceito. Consegui suster as lágrimas na minha última aula, cantando Ghostbusters com os meus alunos.
Quando tocou saltaram das cadeiras num abraço em cacho, que me projetou contra a parede, fizeram-me prometer que os iria visitar. Passei o bloco à colega de História e Geografia de Portugal, pedindo-lhes que se concentrassem, pois até iam ter teste na aula seguinte.
Já tinha entregue as chaves do cacifo e o computador da equipa PTE que integrei desde início.
Saí de cena.
Não irei para o ensino privado, fui sempre escola pública. Não irei ocupar vagas ou postos de trabalho nesta ou noutra qualquer profissão, muito menos numa altura destas. Além disso, eu só sei educar e ensinar. Encontrarei uma ocupação válida. Partirei para uma coisa nova, ainda não sei bem o quê.
Empurraram-me para a aposentação, que a paguem muitos anos.
4 de novembro de 2011, Maria Amélia Ribeiro Vieira, professora aposentada
Novembro 5, 2011 at 6:29 pm
Parabéns colega, missão cumprida. Lamentável que tantos colegas com tanta experiência se aposentem… infelizmente desde 2005 os professores foram sacrificados como bode expiatório de interesses políticos. As maiores felicidades.
Novembro 5, 2011 at 6:48 pm
Uma texto belíssimo com um testemunho sofrido e de uma lucidez extraordinária escrito por uma Professora que sai prematuramente e fortemente penalizada. Mesmo sem a conhecer, tenho a certeza que a sua verticalidade e coerência deixaram marcas junto daqueles com quem trabalhou.
Lamentável e revoltante é que a Escola Pública vá perdendo pessoas assim!
Mas acredito que vai encontrar actividades compensadoras e que não se deixará abater!
Novembro 5, 2011 at 6:59 pm
Plagiando o AJSeguro, “fiquei em estado de choque”…
É um testemunho muito realista e comovente.
Acredito que a colega há de “encontrar a coisa nova” onde, de forma excelente, continuará a sua missão.
Entretanto, reforço os votos para que paguem por muitos anos a sua aposentação.
Novembro 5, 2011 at 7:09 pm
Excelente texto, sofrido e dorido, escrito por quem amou/ama a sua profissão. Será que o posso publicar no meu blogue?
Novembro 5, 2011 at 7:13 pm
#4,
Penso que sim…
Novembro 5, 2011 at 7:14 pm
Afortunados os seus alunos. Eles reconhecer-lhe-ão o enorme valor. Desejo-lhe muita tranquilidade e que continue a lutar pelos seus ideais como uma pessoa livre.
Novembro 5, 2011 at 7:15 pm
Parabéns.
Novembro 5, 2011 at 7:21 pm
As maiores felicidades para a colega Maria Vieira.
Se a lei não mudar, penso fazer o mesmo daqui a 4 anos. Estou cansada disto tudo! Só com medicação é que me vou aguentando.
Novembro 5, 2011 at 7:39 pm
# 8 Idem (daqui a 6 ou 7 anos), se, entretanto, não enlouquecer de vez.
Cara Amélia, obrigada por ter exercido de forma tão digna a sua/nossa profissão. Pelo excelente relato que nos fez, é uma honra ser sua colega.
E agora aproveite bem o seu tempo. Há tantos livros para ler, tantos para escrever (porque não?), viagens, família, amigos, namorados, causas solidárias a que se dedicar! Usufrua de tudo com muita paixão e saúde, com a graça de Deus. Um forte abraço.
Novembro 5, 2011 at 7:42 pm
Parabéns e solidariedade à colega. Aproiveite para um merecido descanso! Não se aflija mais que este “novo” sistema não o merece.
Novembro 5, 2011 at 7:42 pm
Belo e sentido testemunho que toca a muitos.
Que goze por muitos e bons anos a merecida e antecipadamente injusta (também para os miúdos) reforma compulsiva.
A escola pública vai perdendo os professores por vocação que ainda teriam muito para dar a este país. E já se nota na análise dos resultados, embora não tenha ouvido/lido qualquer menção a relacionar estes 2 factos.
Daqui a uns anos, que será de nós, como nação? Cada vez mais mão de obra barata, característica dum pequeno (cada vez mais pequenino) país periférico.
A não ser que…
Novembro 5, 2011 at 7:53 pm
Como me tocou este testemunho!
Porque vê-se que é sentido, que relata e de que maneira o que nos aconteceu desde 2005.
Como é possível que tivéssemos deixado que isto acontecesse? Como é possível que meia dúzia de seres que nos (des)governaram desde 2005 conseguissem afastar do ensino profissionais empenhados e que dedicaram uma vida a ajudar os seus alunos?
Porque deixá mos que tal tivesse acontecido se somos tantos e com tantas qualidades?
MUITAS FELICIDADES, colega!
Aproveite bem a aposentação, embora sinta que transparece na sua mensagem, um certo “nó no estômago”.
Tudo de bom e parabéns pelo belíssimo texto.
Novembro 5, 2011 at 7:56 pm
Maria Amélia Ribeiro Vieira que tenhas ainda muitos anos de vida com saúde pela frente.
Obrigado.
Novembro 5, 2011 at 7:58 pm
Gostei do testemunho da Maria Amélia.
Existem muitas considerações..
.Agora encontro um aspecto interessante e que nunca é debatido: Foi professora Titular como eu fui,com publicação da nomeação, mas deixamos de o ser sem suporte legal,embora eu pense que isso não preste para nada,como não prestam essas pontuações,classificações desse monte de esterco que dá pelo nome de ADD…
Não lhe fartará que fazer como aposentada…
Desejo-lhe o melhor do mundo.
Novembro 5, 2011 at 7:59 pm
Colega Maria Amélia, a sua catarse comoveu-me. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Novembro 5, 2011 at 8:07 pm
Colega Maria Amélia,
Tudo o que descreve corresponde ao que eu tenho sentido nestes últimos anos em que a loucura se apoderou do nosso ME e do nosso país.
O meu percurso, também sou ” an English teacher” é em tudo semelhante ao seu. O meu desespero é semelhante ao seu. Estou a atingir essa fase perigosa em que para mim, o meu principal objectivo é chegar ao fim do ano lectivo ainda detentora das minhas capacidades físicas e mentais. Cada dia cumprido é um passo de resistência e de sobrevivência. Tenho 55 anos de idade e 34 de serviço. Quero acreditar que dentro de três anos, com os filhos independentes, me será possível aposentar… se resistir!
Muitas felicidades e obrigada pela partilha do seu testemunho. Ajuda saber que não sou a única!
Novembro 5, 2011 at 8:12 pm
É verdade que a partir de 2005 se iniciou um processo de destruição das escolas e dos professores. Compreendo bem as razões da colega Maria Amélia.
As maiores felicidades para si.
Novembro 5, 2011 at 8:25 pm
Maria Amélia, felicidades!
Goze bem essa aposentação.
A escola não a merece…tivesse eu mais 6 anos e faria o mesmo!
Novembro 5, 2011 at 8:25 pm
POEMA
“As grandes misérias cabem num pequeno barril”
The draft dated July 2011,
obtained by Reuters
ahead of the publication’s launch next week,
assumes nominal oil prices
of $114 a barrel in 2015
and $212 in 2035.
Last year’s report assume
prices of $104 and $204 by those dates.
in: Colectânea Poemática para o Fim dos Tempos
http://www.reuters.com/article/2011/11/04/us-energy-iea-idUSTRE7A32A620111104
Novembro 5, 2011 at 8:26 pm
Conheço a realidade em que trabalhou a professora Maria Amélia Vieira.
Os megas são o culminar da destruição das escolas públicas (mas há quem concorde com eles)…
O Crato, muito preocupado com os professores e com a qualidade da educação, devia colar este texto na gabinete das Laranjeiras, antes de despachar mais do mesmo…
Novembro 5, 2011 at 8:31 pm
”The Expendables 2”
Todos somos dispensáveis. Mas por vezes a realidade imita a arte em demasia. Foi o que aconteceu aqui.
http://www.reuters.com/video/2011/10/31/stallone-stuntman-dies-on-set?videoId=224061009
Novembro 5, 2011 at 8:41 pm
Impressionante!! Fiquei siderado!!
Novembro 5, 2011 at 8:42 pm
Maria Amélia,
o seu texto é muito bonito!
E, já agora, se me permite, não falte ao prometido!… Porque os seus meninos merecem (“Quando tocou saltaram das cadeiras num abraço em cacho, que me projetou contra a parede, fizeram-me prometer que os iria visitar.”).
Novembro 5, 2011 at 8:44 pm
Uma abordagem cronológica rigorosa e uma descrição lúcida do grande desalento que percorre todos aqueles que têm paixão por esta nobre profissão. Revejo-me nas suas palavras. Nesse sentido, creio que não me levará a mal se postar o seu excelente texto na minha página do Facebook.
Para si, Maria Amélia, desejo-lhe tudo de bom.
Novembro 5, 2011 at 8:57 pm
Parabéns!
Que a saúde seja o seu maior bem!
Os portugueses nem imaginam a quantidade de Pessoas Fantásticas que há entre os Professores e que estão sendo empurradas para estas situações…
Espero que Professores desta qualidade não sejam esquecidos e os mias novos façam deles e delas modelos de generosidade, de dedicação e de profissionalismo.
Novembro 5, 2011 at 9:07 pm
Cara colega, seja feliz.
Eu bem precisava também estar longe deste ambiente que nos consome.
Com quase 64 anos e 8 meses, pensava eu que teria que suportar apenas looooongos 4 meses pela frente… mas… devido à lentidão da CGA, tudo indica que terei que continuar em serviço um ano a mais no mínimo… pois disseram-me que, no meu caso, só após completar os 65 anos, posso pedir a aposentação… há que aguardar o tempo que a CGA quiser…
Haja saúde, que começa a dar lugar a uma imensa exaustão…
Novembro 5, 2011 at 9:18 pm
BOA SORTE!
Novembro 5, 2011 at 9:18 pm
Chorei…
Novembro 5, 2011 at 9:22 pm
Tantos que eu já vi sair. Fico feliz por eles.
Fiquei feliz por ti e não te conheço.
Agora leve, liberta, que vivas feliz muitos anos e não te arrependas.
Os senhores políticos não nos merecem.
O país, tal como está, não nos merece.
Eu não me esqueço e não lhe perdoo.
Novembro 5, 2011 at 9:25 pm
#29
Luis,
assino todas as suas palavras, em especial as últimas 3 linhas!!!!!
Novembro 5, 2011 at 9:29 pm
Por testemunhos como este, que representam tantos de nós, é qu NUNCA esquecerei e NUNCA lhes perdoarei.
Para a colega Maria Amélia, que seja muito feliz e que aproveite tudo o que de bom a vida ainda tem, de certeza absoluta, para lhe dar.
Novembro 5, 2011 at 9:36 pm
Este texto traduz bem o sentimento generalizado dos professores: a vontade de se “pirarem”. Não é admissível que as escolas continuem com tralha burocrática, que prejudica a educação. E assim se vão afastando os professores experientes…
Novembro 5, 2011 at 9:43 pm
Revejo-me em todo o texto.
Desejo-lhe as maiores felicidades, colega!
“Os senhores políticos não nos merecem.
Eu jamais esquecerei e também não lhes perdoo.”
Lamento pela escola pública, lamento pelos alunos de amanhã. Lamento a imbecilidade de quem tem mandado no sistema educativo de Portugal.
Novembro 5, 2011 at 9:48 pm
Li e fiquei comovida e representa bem o espelho actual .
desejo~lhe muitos anos de reforma!
Novembro 5, 2011 at 9:53 pm
Colega Maria Vieira,como eu a compreendo!
E questiono , quantas “Maria Vieiras” já sairam com a mesma desilusão?
E o que mais enerva, é que todo este “percurso”foi conduzido de forma intencional por quem nos tem “governado”.
Único objectivo:PAGAR MENOS,o ensino que tanto apregoam defender QUE SE LIXE !
Lamento e envio-lhe um beijinho.
Novembro 5, 2011 at 9:57 pm
Parabéns, colega, pelo texto tão lúcido e que retrata na perfeição o que se passa nas escolas desde 2005.
Goze a sua aposentação o melhor que puder e com muita saúde!
Novembro 5, 2011 at 9:59 pm
enjoy it.
Novembro 5, 2011 at 10:12 pm
Parabéns pelo seu testemunho, que tem um pouco (ou talvez muito) de todos nós.
Desejo-lhe as maiores felicidades nesta nova caminhada.
Novembro 5, 2011 at 10:12 pm
As maiores felicidades à Colega!
Que sinta realização e, de novo, prazer no que decidir fazer.
Novembro 5, 2011 at 10:28 pm
É impossível ficar indiferente a este texto, pela transparência da escrita, dos sentimentos, dos factos…
Se não me parecesse demasiada presunção, diria que me revejo totalmente nestas palavras. Pena só ter 47 anos e meio e vinte e seis anos de serviço!
Desejo as maiores felicidades à colega.
Novembro 5, 2011 at 10:35 pm
“Before you diagnose yourself with depression or low sel-esteem,first make sure you are not, in fact, just surrounded by assholes”
by ???
Novembro 5, 2011 at 10:42 pm
Como eu a entendo!
Seja feliz, colega.
Novembro 5, 2011 at 10:46 pm
[...] Fonte: http://educar.wordpress.com Gostar disto:GostoBe the first to like this post. Deixe um Comentário [...]
Novembro 5, 2011 at 10:51 pm
O fim de um ciclo…onde a escola era um lugar para estar e ensinar…agora é um longo manto negro de um povo que talha por lá as tábuas do seu caixão para uma geração sem futuro algum…carpe diem colega…
Ser
Cansada expectativa tão ansiosa
que ser só eu na minha vida espalha!
Na longa noite em que se tece a malha
do que não serei nunca, fervorosa
minha presença rútila e curiosa
arde sombria como um arder de palha,
curiosa apenas de saber se goza
o voar das cinzas quando o vento calha
lá onde o levantá-las é verdade.
Inutilmente se mistura tudo,
que a mesma ansiedade, já esquecida,
de novo recomeça. Mas quem há-de
contrariá-la? Eu não, que não me iludo:
Viver é isto, quando se é só vida.
Jorge de Sena, in ‘Post-Scriptum’
Novembro 5, 2011 at 10:52 pm
Maria Amélia:
Fiquei emocionado ao ler o seu testemunho. Por várias razões (muitas delas coincidentes com as que apresenta no seu texto), em junho passado apresentei também o meu pedido de aposentação antecipada, exatamente três meses antes de completar 55 anos (de acordo com o que a lei permite). Compreendo perfeitamente o que sente e espero que esta nova fase da sua lhe permita recuperar a saúde e a tranquilidade.
Abraço solidário.
António Pereira
Novembro 5, 2011 at 10:53 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2011/11/05/a-forma-justa-apenas-no-papel-em-branco/
Novembro 5, 2011 at 10:58 pm
Novembro 5, 2011 at 10:59 pm
Novembro 5, 2011 at 11:06 pm
Li, revendo a minha historia na sua historia. Tenho 58 anos, 33 deles ao serviço da escola publica, desde o Alentejo ao Minho. Vou pedir agora a reforma, certamente com pesada penalizaçao. Tudo e preferivel a enfrentar um AVC num destes dias tristes de inverno, num corredor humido e turbulento, mal iluminado pela campanha de poupança em curso. Deu-me força, fazendo-me antever o que sera o mega que silenciosamente se prepara para me engolir, e o 79, que se preparam para abolir, e as insonias que nao abrandam, e…, e…, e…. Obrigado colega!
(retençao de acentos na fonte)
Novembro 5, 2011 at 11:07 pm
Tirando alguns pormenores, que logicamente são diferentes, faço minhas as palavras da Maria Amélia.
Novembro 5, 2011 at 11:17 pm
http://zebedeudor.blogspot.com/2011/11/duplex-neil-younghurricane-and-keep.html
Novembro 5, 2011 at 11:19 pm
Como é que nos deixámos chegar a isto???
Quem escreve um texto como este, dentro de pouco tempo verá que as horas de cada dia são cada vez mais curtas para fazer tanta coisa interessante.
Delicie-se com a vida que tem pela frente. Merece!
Novembro 5, 2011 at 11:32 pm
Um testemunho prodigioso e magnífico.
Sinto as suas palavras e com elas relembro o cansaço e o esgotamento, dói-me a inutilidade de tanto mal, abomino a abjecta “menorização” e depreciação do conhecimento, do ensinar e do aprender, da autoridade e da disciplina, da responsabilidade e da ética. Revolta-me aquilo em que transformaram a profissão e a escola, …,
Não há véspera de dia de trabalho em que a minha alma não se angustie por ir e… não quero… não quero… já não desejo, já não sinto prazer, já nada me motiva para ir… mas acabo por me forçar todos os dias que não me posso deixar ir mais abaixo… nunca pensei vir a sentir-me assim… só já me resta a revolta e um ódio crescente.
Não se entristeça por sair (se pudesse, eu iria já atrás) que isto ainda não bateu no fundo.
Empurraram-na para a aposentação: que lha paguem por muitos e muitos saudáveis anos.
Novembro 5, 2011 at 11:35 pm
E olhe maria amélia, lá seja o que for, lá faça o que faça, eu já saí antes, trate é de levar umas férias douradas .
Novembro 5, 2011 at 11:47 pm
Vou levar, Paulo.
Novembro 6, 2011 at 12:01 am
Acabei de ler o seu texto com lágrimas nos olhos.
Conheci algumas colegas muito queridas que partiram assim…
O que escreve é tão honesto, tão sentido que pode ter a certeza que nos toca a todos: os que já partiram e os que continuam.
Só lamento que as escolas tenham ficado muito mais pobres com a saída de colegas como a Maria Vieira. Os que chegam de novo, não conhecem a escola como nós a conhecemos.
Um grande abraço!
Novembro 6, 2011 at 12:20 am
Ring the bells that still can ring
Forget your perfect offering
There is a crack, a crack in everything
That’s how the light gets in
Novembro 6, 2011 at 12:24 am
Maria Vieira
a simplicidade e clareza com que descreve os motivos da sua desistência (porque é de desistência que fala) obriga-me, por merecimento seu, a entregar-lhe, sem reserva, estas poucas palavras coladas com a solidariedade de quem sentiu e continua a sentir o mesmo:
a mais pesada penalização é ser obrigado a desistir do que amamos.
abraço
Novembro 6, 2011 at 12:31 am
parabens!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
revejo-me nas suas palavras.
muitos e lOOOOOOOOOOOOngos anos de excelente reforma:))))))))))))))))))
eu tenho 23 anos de serviço e 45 de idade e se pudesse ia-me embora hoje. foi no que tornaram a escola.
alunos insurretos e malcriados turmas de 28 alunos na maioria malandros e preguiçosos, enfim…..
para isto claro que contribuiu acho a força que os pais têm na escola. é simplesmente ridiculo, fazer-se uma intercalar por exemplo que só serve para o representate de pais estar presente e controlar-nos, o que faz com que nem se discutam as coisas como deve ser entre nós pois todos evitamos falar para não ferir ninguém “pais” claro…
sou EE e não concordo com pais na escola de forma nenhuma. é vergonhoso.
gostava que fizessem o mesmo para os tribunais, correios, hospitais e afins….
Novembro 6, 2011 at 1:20 am
Senti na pele cada letra do texto. Simples e directo ao coração.
Emoções que quase se podem tocar; privilégio de quem viveu a escola antes dos abutres tomarem os campos e as cidades.
Um abraço.
Novembro 6, 2011 at 1:39 am
Não devia, mas vou dizer: não consigo deixar de sentir um pouco de inveja de quem se aposenta. Fico a pensar que, quase com 30 anos de serviço, ainda vou ter que andar por cá uma série de anos e não prevejo que isto esteja para melhorar nadinha…
E pensar que, há meia dúzia de anos atrás, dizia que só me reformaria à força, depois de atingir o limite de idade…
Novembro 6, 2011 at 1:43 am
#61 Armanda
Faço minhas as tuas palavras. Um abraço!
Novembro 6, 2011 at 1:55 am
em nome dos que ficamos (ainda) – até sempre
http://youtu.be/g8VqIFSrFUU
Regina Bronze
Novembro 6, 2011 at 2:23 am
Senti cada palavra, como se de mim se tratasse, de lágrimas que ainda me correm cara baixo.
Tenho 52 e 28 de serviço, ainda me falta muito, mas o psiquiatra, para onde tudo isto me atirou ajuda-me em cada sessão a pensar que tenho de me habituar a uma escola que que deprime, valem os alunos!
Pudera eu já me tinha vindo embora ontem,o que fizeram à escola pública nada tem a ver comigo!
Um grande abraço e Hasta siempre!
Novembro 6, 2011 at 2:39 am
Tudo isto é muito triste nesta extraordinária e lúcida carta da colega Maria Amélia Vieira. Triste porque a sociedade portuguesa, assim como as suas elites, permite, é passiva, é conivente, é culpada de todas as causas que levam e este desabafar verdadeiro. Muito triste ter professores com este sentimento e esta descrença. Muito triste! Mas muito verdadeiro!
A minha solidariedade para a colega Maria Vieira. Como todos nós que cá andamos sentimos tudo isso.
Sei que há muita gente que lê este blog. Muitos inclusive jornalistas, opinadores e até políticos. Que este texto sirva para envergonhar muita gente e para esclarecer outra!!
Que tenham todos vergonha, muita vergonha do país que ajudaram a destruir!
E à senhora dona Maria de Lurdes Rodrigues, ao senhor José Sócrates, à senhora Isabel Alçada e a todos os seus apoiantes e correligionários que fique a memória…
Novembro 6, 2011 at 8:22 am
É isso, exactamente que desde 2005 tem acontecido na Escola, que era um lugar onde se vivia e se tornou num lugar onde, em cada dia se sobrevive.
Apesar da dor e do desencanto das suas palavras, apesar disso, não sabe como invejo a sua sorte de já estar fora deste inferno. A sua história é a minha história, é a história de quase todos nós. Também tenho 57 anos. Todos os meses vejo partir os colegas com quem partilhei a vida anos e anos. Já não reconheço mem me reconheço na escola que foi minha, mas os 33 anos de serviço ainda não me dixam partir,e isso está a tornar-se-me insuportável. Por ser das mais velhas e mais antigas da escola, sou indicada para todas as tarefas burocráticas. Nas horas de redução do artigo 79 cabe tudo. Chego a casa todos os dias exausta e sem energia. Mas no dia seguinte é forçoso sobrevivier a cada bloco de 90 minutos, sabendo que os alunos só nos respeitam pelo que fizermos dentro da sala de aula. É uma questão de sobrevivência que nos leva a extrair energia até às perdas de memória, às insónias, às vertigens…
Parabéns a si e a todos os que já estão a salvo.
Novembro 6, 2011 at 8:42 am
Comovente.
Parabéns pelo belíssimo texto.
E por tudo o que conseguiu nos fazer sentir ao ler estas palavras.
Tudo de bom para si, Maria Amélia.
Novembro 6, 2011 at 10:04 am
Um relato lúcido e comovente de quem vive a missão para além da profissão. Fica bem clara a inversão de valores em que cairam as escolas: os melhores são os primeiros a partir…
Novembro 6, 2011 at 10:15 am
O texto espelha as tuas vivências e reflete as de muitos…
Que a tua dedicação continue junto daqueles que tanto precisam.
Novembro 6, 2011 at 10:34 am
Muitos partem desiludidos, entes do tempo, com fortes penalizações. Mas há-os que, mesmo com penalizações não podem partir, por muito que queiram, apesar de terem mais de 55 anos, a não ser que abandonem. Que penalizações há, nestes nestes casos?
Novembro 6, 2011 at 10:45 am
Parabéns à colega.
Infelizmente, estou a meio da carreira e não posso fazer o mesmo.
Também vejo os meus colegas partirem e, diferentemente do que acontecia há anos, quando recebem os papéis da reforma a alegria estampa-se no rosto!
Estes (des)governantes estão a destruir tudo aquilo em colocam as mãos!!!
Novembro 6, 2011 at 10:56 am
Este texto foi escrito por si, colega Maria Amélia mas poderia ter sido eu ou muitos de nós a escrevê-lo.
Tanta desilusão, vi muitos colegas partirem sem vontade de tornar a por os pés na escola e iam de olhos tristes, como o seu texto, tanta tristeza que há no seu texto, colega.
Um abraço e seja feliz.
Novembro 6, 2011 at 11:31 am
Tem sido um disparate, uma colossal asneira a nível da gestão de pessoal, no Ministério da Educação. Por um lado, maltratam e afastam os mais velhos, que têm experiência. Por outro, fecham a possibilidade de entrada de novos quadros, gente, mais nova, que traz energia, experimentação e inovação.
Quando acabaram como os Estágios do Ramo Educacional deram a promeira granda machadada na inovação… (e muito se poderia dizer sobre isto!)
Asneira!
Asneira que se vai pagar caro, ao longo dos tempos.
Penso que o equilibrio se faz precisamente entre o saber “feito” e o saber “construído”; entre os que têm experiência e aqueles que estão dispostos a fazer experimentação; entre os mais velhos e os mais novos.
Reparem a média de idade dos Professores atuais anda nos 35 / 40 anos.
Novembro 6, 2011 at 11:38 am
Novembro 6, 2011 at 11:47 am
Espero, espero, espero que alguém da c.s. leia este texto e esta caixa de comentários.
O sofrimento dos professores com a destruição da escola pública merece voz!
Novembro 6, 2011 at 11:56 am
Parabéns à colega pela seriedade e profissionalismo, e pela coragem do depoimento. Também eu assisti à partida da maioria das minhas “figuras de referência” e pilares da escola onde leciono, que já não “a minha escola”.
Gostaria de sublinhar um ponto que refere e do qual se fala pouquíssimo, sendo que é o meu caso:
“Ainda por cima os titulares eram prisioneiros, não podiam concorrer, eram “propriedade” dos quadros dos respetivos agrupamentos. Vi colegas serem ultrapassados por outros com menores qualificações.”
Fomos e continuamos a ser prisioneiros de uma escola, mesmo que com ela já nada nos identifiquemos, para além das “ultrapassagens” em termos de colocações.
Em matéria de gestão de recursos humanos, os detentores da pasta nos últimos anos, cometeram erros gravíssimos cujas consequências ainda só se começam a vislumbrar.
Novembro 6, 2011 at 11:56 am
Após leitura do texto da colega Amélia e de todos estes blogues, só me apeteceu chorar… chorar de tristeza por tudo aquilo que nos está a acontecer como professores. O comentário 65 deixa bem marcado os grandes «autores» desta situação em que nos encontramos. Cada um foi à sua vidinha (grande vida) e deixou-nos com a nossa vida de docentes estragada para sempre… Não me consigo conformar de maneira nenhuma!
Novembro 6, 2011 at 11:58 am
em vez de blogues… ler comentários
Novembro 6, 2011 at 12:24 pm
Parabéns pelo texto belíssimo da Amélia que me fez emocionar.
Em primeiro lugar desejo-lhe uma aposentação longa e feliz. Faça tudo a que tem direito, ocupe os dias com música, pintura, museus, passeios, teatro… e escreva, escreva neste blogue tudo o que vai sentindo pois precisamos do seu testemunho sofrido, do seu apoio enquanto não podemos escrever uma carta assim.
Conheci também muitos colegas que têm abandonado o ensino prematuramente cheios de mágoa. Foi nisto que nos transformaram?
Nunca esqueceremos nem perdoaremos o que a Milu e o Sócas fizeram à escola pública e invejamos os que podem sair.
Novembro 6, 2011 at 12:46 pm
Escola Pública em fase de implosão silenciosa…
Novembro 6, 2011 at 4:21 pm
Grande testemunho que reflete bem as peripécies a que tem estado sujeita a educação em portugal. Hoje é muito difícil ser-se professor, ser-se médico, ser-se enfermeiro, ser-se agente da autoridade responsáveis e dedicados à causa pública . A desgovernação é completa, e alguns dos chefes das escolas, dos hospitais ainda complicam mais a vida aos seus colegas. O “bufismo” e o compadrio tomaram conta do sistema e ninguém já confia em ninguém. É o salve-se quem puder.
Os que esperavam que o Nuno Crato fizesse alguma coisa pelo sistema já estão desenganados pois estar lá ele no MEC ou não estar não adianta nada. Vamos esperar por melhores dias e que a fé e a esperança não nos falte para podermos chegar ao fim da jornada, ainda com vida e com sanidade mental.
Novembro 6, 2011 at 4:52 pm
Deixem-me roubar este testemunho, porque não saberia diz~e-lo tão bem.
Tenho 56 anos, 34 de serviço. Sempre pensei reformar-me depois dos 65, talvez mesmo só aos 70. Nasci para ser professor. Agora, dou comigo a pensar na reforma. Falta-me a coragem, porque a penalização é o que temos agora nas escolas.
Preocupam-me muito os colegas mais novos. Tenho, tive, uma carreira feliz e o que falta certamente não apagará os 30 anos em que fui muito feliz como professor.
Novembro 6, 2011 at 5:08 pm
Colega Maria Amélia
Revi-me nas suas palavras. Também saí antes do tempo por sentir tudo isso que tão bem descreveu – incluindo os problemas de saúde.Mas um ano de aposentação não conseguiu desligar-me dos problemas da educação. Continuo a vivê-los com a mesma intensidade. Viva essa nova fase da sua vida – pelo menos o stress diário deixa de nos atormentar.
Novembro 6, 2011 at 7:01 pm
Lindissimo testemunho que reflete histórias vividas em cada uma das escolas do nosso país.Desejo-lhe as maiores felicidades e uma reforma feliz.
Novembro 6, 2011 at 8:14 pm
Uma excelente reforma para si colega!
Novembro 7, 2011 at 9:06 pm
COLEGA
O SEU TEXTO COMOVEU-ME.
O QUE FIZERAM DESTE PAÍS?
OS MINISTROS MANDAM OS JOVENS PARA O ESTRANGEIRO E AS MEDIDAS QUE TOMAM OBRIGAM OS MELHORES E MAIS COMPETENTES A REFORMAREM-SE.
PARABÉNS PELA SUA VIDA PROFISSIONAL E UMA REFORMA COM TUDO DE BOM.
Novembro 7, 2011 at 9:58 pm
Um texto lúcido, genuíno e belo.
Um bom início de uma outra vida que agora começa e que será, certamente, luminosa.
Obrigada, pelo testemunho.
Eu não esqueço.
Novembro 8, 2011 at 1:31 am
Cara Colega: Também eu preferi, aos 57 anos, sair da Escola onde leccionei durante 33 anos seguidos. Perdi um quarto do rendimento mensal, mas não quis assistir ao estado comatoso em que a “minha “escola começava a mergulhar. Escola agrupada à força, professor titular à força, horas perdidas em tarefas inconsequentes, proibido de ter tempo para os meus queridos alunos, assistir à ascensão das incompetências veneradoras, assistir a um esquema de avaliação competitivo e desumanizador, que puxava pelo pior que existe no ser humano… Virei costas a isso tudo. Prefiro recordar os bons tempos em que fui feliz a formar, educar e ensinar jovens e adultos, com alegria, partilha e amizade.
Perdoai-lhes, Senhor; o que eles arruinaram levará gerações a reconstruir.
Muito obrigado pelo seu testemunho, Querida Colega Aposentada.
Novembro 10, 2011 at 11:41 pm
Olá, Maria Amélia!
Gostei de ler a sua carta e senti-a como se fosse eu.
A Escola tornou-se um pesadelo desde que a ministra virou todo o mundo, como diriam os nossos amigos brasileiros, contra os professores.Eu agora faço voluntariado, dou Inglês numa universidade sénior e sinto-me bem. Beijs, M.Ofélia
Novembro 10, 2011 at 11:45 pm
O meu computador não estava a responder.Tenho muito gosto em da
dar o meu email:
Novembro 16, 2011 at 4:15 am
Colega, obrigado pelo seu sentido testemunho.
Há dias que que permanecem na nossa memória por terem criado euforia no nosso comportamento, estou a referir-me ao dia em que fiquei liberto das obrigações militares após três anos de permanência, 1974. Há outros que nos deixam o sabor amargo de sermos forçados a deixar, por decisão pessoal e voluntária, sujeita à respectiva penalização, algo que faz parte da vida que gostaríamos de levar até a uma idade mais avançada e que nunca esteve nos nossos planos abandonarmos mais cedo, no meu caso 2009..
Não posso agradecer a ,dita, liberdade que actualmente gozo, nem sequer sei se foi merecida. Nunca ninguém fez questão de me informar. Na última dúzia de anos fui sempre delegado, coordenador, comissão de avaliação e quase tudo o resto. A única avaliação que tenho de excelente foi-me comunicada em França, pelo inspector departamental, pelos anos em que lá trabalhei.
Em Portugal… nem visto nem lembrado.
Fazer comentários à situação actual, desisti.
Muito obrigado por ter exprimido o que muitos de nós sofremos.
Tente aproveitar de forma agradável a sua libertação duma tutela que parece ter perdido o rumo.
Novembro 17, 2011 at 10:07 pm
Não tenho o contacto da colega Maria Amélia, mas provavelmente alguém terá. Seria possível pedir-lhe um pouco mais… que traduzisse para inglês este texto para podermos dar-lhe ainda maior divulgação?
Novembro 17, 2011 at 10:32 pm
No mínimo, comovente. Impressionante…
Novembro 18, 2011 at 12:30 am
Revejo-me em cada linha do seu texto, pois fiz um percurso muito semelhante.Com 55 anos de idade e quase 36 de serviço, suporto o atual pesadelo de ser professora, mesmo sofrendo de fibromialgia e de depressão. Há anos que os alunos e as aulas têm feito parte da minha terapêutica,pelo prazer de ensinar. Lamentavelmente, os cargos e as burocracias têm funcionado como “antídoto”…
De uma vida dedicada à docência, resta uma vontade crescente de sair de cena com alguma lucidez….
Seja feliz!
Dezembro 4, 2011 at 12:40 pm
Não sou professor mas conheço, pela prática de muitos amigos que o são, esta realidade angustiante relatada por uma profissional que dedicou a sua vida a uma nobre(das poucas que vão resistindo) profissão. E que assistiu nos últimos anos, até aos seus limites, a várias aventuras que denominou , e bem, de suicidas. A minha admiração e reconhecimento pelo seu trajecto e resistência, que nos deixou neste seu testemunho/alerta.
Contudo gostaria aqui também de referir que numa busca das listas de aposentados da CGA dos últimos meses não encontrei por lá nenhuma referência ao nome desta Senhora Professora.
O que a ser verdade( posso ter-me equivocado) pode descredibilizar um pouco o testemunho. Mas nunca, e estou certo disso, a realidade que se vai vivendo nas nossas Escolas.
Manuel Santos
Dezembro 4, 2011 at 1:06 pm
Claro que me equivoquei.
O nome saiu na última listagem de Dezembro.
As minhas desculpas a todos os intervenientes desta lista e em primeiríssimo lugar à senhora Professora Maria Amélia Ribeiro Vieira.
Que ultrapasse da melhor forma este episódio de sua vida com a coragem que revelou ser portadora no relato que aqui nos deixou.
Manuel Santos
Dezembro 5, 2011 at 8:56 pm
Comovente!
Que esta nova etapa da vida lhe traga os sorrisos removidos pelas dúbias políticas educativas.
Um beijo,
PP
Dezembro 6, 2011 at 3:13 pm
Não vivemos num país rico nem de políticos honestos, eu sei, mas chorar sobre o leite derramado não melhora nada. Já que tem ainda muito para dar, canalize esse amor e energia na dedicação a quem precise. Ganha quem dá e quem recebe. De resto, com 57 anos não está arrumada nem acabada. É só uma questão de ver o que ainda pode e gostaria de fazer.
Felicidades