Um debate bastante interessante, em moldes mais abertos e com, pelo menos, uma mensagem muito importante. Se não há mais matérias sobre Educação tratadas ou denunciadas nos jornais, isso deve-se em grande parte ao medo em assumir as denúncias, em fundamentá-las, no fundo, em dá-las a conhecer de uma forma que possa ter cobertura jornalística.
Pelo menos para (quase) todos os presentes terá ficado claro que as teorias de conspiração mediáticas têm escasso sentido neste momento. Algo que eu já digo há bastante tempo, apesar das naturais excepções e de por vezes se confundir o jornalismo com o comentário.
Estiveram presentes pessoas responsáveis pela Educação na Antena 1, DN, JN, Público e Sol. Pelo Expresso, já tinha referido que a Isabel Leiria não poderia comparecer por razões de saúde e pelo Correio da Manhã, ao Bernardo Esteves não foi possível aceitar o convite que lhe fiz há um mês, por razões de ordem familiar.
Depois houve uns detalhes giros (que até ficaram gravados), que poderão ser comentados posteriormente.
Como, por exemplo, o facto de para alguns jornalistas fazer o trabalho de cobertura da Política ser muito mais simples e calmo do que fazer o da Educação.



Outubro 29, 2011 at 4:49 pm
Como, por exemplo, o facto de para alguns jornalistas fazer o trabalho de cobertura da Política ser muito mais simples e calmo do que fazer o da Educação.
A sério? Porquê?
(Fiquei curioso, de verdade.)
Outubro 29, 2011 at 4:52 pm
#1,
Foi explicado pela maioria da(o)s presentes:
Ritmo mais acelerado das “novidades”.
A partir de dado momento, menos formatação e previsibilidade de certos “actores”.
Uma linguagem muito específica (eduquês, siglas, etc) que demora tempo a absorver.
E, curiosamente, maior número de leitores. Em termos de audiências, a Educação tem muito maior mercado jornalístico do que a política, apesar desta encher mais páginas. Isso nota-se, por exemplo, nos acessos online.
Outubro 29, 2011 at 5:03 pm
#2
Interessante…
Outubro 29, 2011 at 5:04 pm
Por exemplo, o Sousa Tavares filho poderia convencer o Sousa Tavares pai de que muitas das coisas que ele diz sobre educação (e não só…) são um total disparate… Seria suficiente e faria um enorme bem à sociedade portuguesa.
Outubro 29, 2011 at 5:25 pm
#4,
Os filhos não são culpados pelos pecados dos pais.
O PST é um jornalista sério e competente na área da Educação.
Escrevo-o aqui não pelas razões do momento, mas porque todos sabem que se assim não o achasse já o teria escrito.
Outubro 29, 2011 at 5:26 pm
O debate-conversa foi muito interessante do ponto de vista de ver que o “outro lado”, aquele “outro lado” não é um antagonista.
Outubro 29, 2011 at 5:28 pm
Paulo,
Uma coisa não invalida a outra. O jornalista deve analisar factos, independentemente donde vêm. E já agora, conhecço muito bem PST. Foi meu aluno.
Outubro 29, 2011 at 5:29 pm
Tem graça, eu pensava que em termos de audiência a política tinha mais mercado do que a educação.
Outubro 29, 2011 at 5:33 pm
PST dá dicas sobre Educação ao MST
Outubro 29, 2011 at 5:34 pm
Vou para a próxima 6ª mas tenho andado com tanto azar…para além do do governo e do da troika.
Outubro 29, 2011 at 5:48 pm
#10,
Para a próxima 6ª feira não há.
A menos que vás até Alcácer do Sal, à sessão de recepção aos professores do concelho.
Eu e a B. Wong vamos até lá.
Outubro 29, 2011 at 6:08 pm
“…dá-las a conhecer de uma forma que possa ter cobertura jornalística…”
Não será antes dar a papinha já feita? Tipo press-release… Que isto de jornalismo de investigação foi chão que deu uvas…
E depois há aquela comunicação social que é capaz de estar largos minutos a descrever a “mialgia”, ou a “pubalgia”, ou lá o que é, de um qualquer futebolista, mas em matérias educativas resumem a coisa a uns soundbytes ou a um “resuma-lá-isso-em-30-segundos”…
Finalmente, concordo que a educação seja eventualmente das matérias mais difíceis de cobrir em termos jornalísticos. Faltam jornalistas especializados e boas peças sobre a temática; em contrapartida, parece ser dos assuntos mais aliciantes para o comentário sem fundamento e o artigo de opinião…
Outubro 29, 2011 at 6:17 pm
“Se não há mais matérias sobre Educação tratadas ou denunciadas nos jornais, isso deve-se em grande parte ao medo em assumir as denúncias, em fundamentá-las, no fundo, em dá-las a conhecer de uma forma que possa ter cobertura jornalística.”
Portanto, ou os cidadãos fazem o trabalho dos jornalistas ou estes ficam impedidos de fazer o seu trabalho!
Outubro 29, 2011 at 6:22 pm
Devo portanto acreditar que a temática educativa tem mais público do que a política? Tá-se mesmo a ver …
Outubro 29, 2011 at 6:36 pm
Há uma carência gritante de jornalistas versados em educação, mas em contrapartida não faltam nos OCS especialistas em “desporto”, leia-se futebol profissional, e, mais recentemente, economia.
Qual será a razão? A menor complexidade da matéria ou a maior audiência destes temas?…
Outubro 29, 2011 at 6:51 pm
#12 e 13,
Comentários típicos da postura “ahhh… perdemos, mas a culpa foi do árbitro, porque aquela bola raspou na mão”.
Vamos lá ser claros: as “bocas” sem uma base documental ou testemunhal podem servir para investigar, mas tão só, se depois ninguém assumir nada ou chutar para o lado.
Concretizando: há uns dias uma jornalista (que não estava na sala) pediu-me contactos para fazer uma peça. Pedia-me que fossem professores do quadro. Mandei o pedido para dezenas de pessoas, recebo um par de respostas, mas remetendo para contratados.
Ninguém assumiu estar naquela situação, não esteve com disposição, não respondeu sequer. Tudo legítimo. Mas não que não tenha sido tentado. A peça fez-se, por outras vias. Certamente não compraram e não leram, porque o 2dono” do jornal é capitalista.
Concretizando ainda mais: quando é que o António ou o Rectal tiveram uma situação concreta para investigação (António, não vale só falares “por alto” no grupo GPS que quanto a isso já foi muita coisa escrita e alguma com declarações minhas) que tenha tentado enviar para alguma daquelas jornalistas ou, pelo menos, a mim, para eu reencaminhar.
Garanto que, em algumas situações desse tipo o percurso foi feito e a notícia foi feita (não identifico as peça, mas há pessoas que passam aqui pelo blogue e até que comentam que sabem que isso é verdade).
Outubro 29, 2011 at 6:52 pm
Os artigos sobre a educação dão brutais audiências se os títulos forem: os profs faltam, têm muitas férias, ganham demais, … etc Estou a ser injusta, sorrry.
Hoje estou furiosa porque tenho não sei quantas grelhas para refazer e nada disto serve para coisa nenhuma.
Outubro 29, 2011 at 6:55 pm
#17,
Não faça.
Comece a contestação por aí.
E justifique que só tem x horas semanais de trabalho extra-lectivo, pelo que…
Outubro 29, 2011 at 7:36 pm
Sem dúvida que ontem foi um debate interessante. Foi bom ter sentido que a percepção dos jornalistas sobre a realidade e os problemas da Educação e da Escola vai sendo maior e mais rigorosa. Foi bom ver que há jornalistas que hoje compreendem muito melhor as lutas dos professores e até chegam a comparar a sua carreira à nossa. Acredito que muitos jornalistas (já) não são nossos adversários.
Quanto ao ciclo de debates, achei-o muito equilibrado e com bom nível (apenas com pequeníssimos episódios mais ou menos caricatos) e, sobretudo, com vários momentos de elevadíssima qualidade graças ao valor dos intervenientes.
Mais uma vez as minhas saudações ao Paulo Guinote por esta iniciativa.
Outubro 29, 2011 at 7:43 pm
Muito bem Paulo Guinote.
Outubro 29, 2011 at 7:48 pm
A Judiciária também se queixará se tiver um monte de queixas anónimas mas não fundamentadas?
Outubro 29, 2011 at 9:59 pm
Ora bem. Eu sabia que um dia iríamos lá chegar ao cumprimento da lei sobre a paridade. Isto do respeitinho pela lei é bonito e dá bons resultados…
Outubro 29, 2011 at 11:19 pm
#5:
“O PST é um jornalista sério e competente na área da Educação”
Sem dúvida.
Faz o trabalho de casa.