Ontem, na Buchholz, alguém (não interessa quem), dizia que parecia que muita gente está à espera que se passe com a sociedade em geral o que se passou com os professores em 2008 e 2009. Uma faísca, uma causa comum, uma circulação do protesto em rede, em grande parte espontânea, que une a contestação, mobiliza quase toda a gente e a traz para a rua, erguendo uma voz que assusta o poder.

Pois…

Mas…

Se o que se passou foi exemplar, também foi uma lição, pela forma como a contestação conseguiu ser encaminhada para a irrelevância de resultados e como foi adormecida em 2010 às mãos dos negociadores profissionais.

Para além de que, na altura, havia do outro lado os rostos óbvios da contestação. Agora há uma espécie de esquizofrenia, em que os responsáveis estão, mas também não estão. E alguns dos que agora querem contestar, estiveram ao lado de muitos que também devem ser contestados. Enquanto os que contestaram e ergueram esse direito, agora o contestam. Porque a coreografia posicional define as convicções e não o inverso.

E a maioria percebe isso. Há quem queira cavalgar uma onda que antes fez tudo por quebrar.

Por vezes, na sua aparente ou real anomia, o povo não é completamente idiota.

Porque sabe que, como a generalidade dos professores que encheram a Avenida da Liberdade, pode ser deixado a si mesmo numa qualquer esquina da pequena história, sacrificado à real politik negocial.

E encolhe-se.

E faz mal.

Mas por outro lado, racionalmente e em termos individuais, os zés-povinhos não podem ser assim tão criticados.

Porque a confiança está irremediavelmente quebrada nos actores. Que são isso mesmo… actores. E querem as massas para servirem de figurantes. Da Esquerda à Direita. Uns querem-nos a contestar na rua a uma voz, os outros quer-nos a sacrificar-nos  uma outra vez.

E o que foi o (bom) exemplo dos professores também serve de (má) lição.