Algumas são aceitáveis, outras não.
A mais óbvia – só a cegueira o pode negar – é que a herança de seis anos de governos do PS na Educação é o descalabro completo no desempenho relativo das escolas públicas, devido ao ataque sistemático em várias frentes ao seu funcionamento, desde a imposição de um modelo de gestão único e napoleónico, a uma reorganização da rede escolar que deita fora quaisquer preocupações pedagógicas, passando por uma investida brutal contra o estatuto profissional, social e laboral dos professores de que a ficção da avaliação do desempenho foi a cereja podre em cima de um bolo seco.
As consequências passaram pelo abandono de muitos dos professores mais qualificados que, ao sentirem-se desrespeitados e não querendo pactuar com o simulacro de culto de mérito em que os medíocres se destacam, ou se aposentaram ou se transferiram para o ensino privado, até à adopção, pelos que ficaram, de estratégias ultra-defensivas, no sentido de tentarem preservar alguma sanidade no meio de uma perturbação e disrupção que só trouxe elementos destrutivos e nenhuns contrutivos. Pelo meio disto, as escolas públicas tornaram-se depósito para um novo conjunto de experiências de produção de sucesso (a começar pela sua imposição quase formal nos cursos profissionais, CEF, EFA e afins) que não suportam um exame mais exigente do que a pele fina. O que levou a uma debandada de muitos dos melhores alunos para o ensino privado, sempre que o podem pagar ou a empresa promotora consegue os devidos apoios do Estado.
Mas há desculpabilizações que não devem ser ensaiadas, desde aquelas que, lançando apenas as culpas sobre o sistema e os alunos, escondam que, por um lado, muita gente se deixou obcecar pela ADD e pela aparência das boas práticas, enquanto, por outro, outro grupo importante de professores passou a desculpar-se com tudo e nada para se escapar a fazer o mínimo dos mínimos, embora mantendo as aparências para as cúpulas engolirem.
E escrevo isto com o pesar de saber que o estou a fazer a partir do conhecimento directo (mais ou menos imediato) do que descrevo.
E sim, não levei alunos a exame, mas apenas a provas de aferição. Mas tenho a certeza de não ficar embaraçado se fizerem os rankings da coisa.
Outubro 15, 2011 at 12:36 pm
Finalmente começam a notar-se os efeitos das medidas da “melhor ministra da educação” de todos os tempos. Ainda é só o princípio.
Outubro 15, 2011 at 12:40 pm
“As escolas públicas não resistiram a exames mais difíceis” (Público)
Será?
http://fjsantos.wordpress.com/2011/10/15/dia-de-s-ranking/
Outubro 15, 2011 at 12:40 pm
No “exemplo autêntico” da “austeridade republicana”, no restaurante mais caro de Portalegre, por entre o gargalhar do final de copioso almoço, Sua Excelência toma um último café, escorropicha do balão de cristal uma última gota do uísque. Com mais de uma hora de atraso, Miguel Macedo finalmente chega ao local da formalidade. Ao toque do clarim “a sentido”, saúdam-no vivamente os milhares de familiares dos novos guardas com ruidosas vaias e apupos.
AGUARDAM-SE TAMBÉM EXPLICAÇÕES PARA ISTO…BOM POST..DAQUI..
http://packardemrodagem.wordpress.com/2011/10/15/acabaram-se-as-ilusoes/
Outubro 15, 2011 at 12:42 pm
#2,
Atenção, o elemento suplente do Conselho Nacional de Educação chegou e traz consigo a ligação envergonhada para o seu delfim, quiçá suplente do suplente.
Mafarrico divulga a escrita do Sonso, sempre um serviço público de grande valor.
Tese fundamental, do ponto de vista político: É necessário mais Partido nas escolas (para melhorar os resultados?).
(ao menos o avatar começa a parecer-se com a criatura, verde de despeito e dentes cerrados de raiva, com facies de mal-humorado…. terá sido retrato à la minute?)
Outubro 15, 2011 at 12:44 pm
Outubro 15, 2011 at 12:44 pm
não venha ninguém do PS dizer que não foram avisados, de que paixão estrangulava a educação… infelizmente estrangularam também uma geração de jovens a que espezinharam e cuspiram em cima
será que podemos processar aquelas aventesmas que destruíram o ensino e o país?
Outubro 15, 2011 at 12:48 pm
Eu dei as minhas aulinhas o melhor que pude; outros fizeram portfólios topo de gama…e as aulinhas para trás. Então o encantamento pelas TIC, fizeram da pedagogia o palpitar dos leds… babados de MERDA!
Outubro 15, 2011 at 12:48 pm
http://www.signonsandiego.com/uniontrib/20060409/news_1n9rankings.html
School districts, including San Diego Unified, have noticed that some high-achieving schools with exceptional API scores have very low similar-schools rankings.
The similar-schools ranking compares the API of one California school against 100 other schools that most closely share its characteristics and challenges.
The comparability is measured using 14 factors, such as parent education level, percentage of English learners, average class size and ethnicity.
Outubro 15, 2011 at 12:50 pm
Interessante..vou-me ao almoço e depois à manif..como catarse…
http://monoborg.law.indiana.edu/LawRank/rankingmania.shtml….
Outubro 15, 2011 at 12:55 pm
HOJE É DIA DE PROTESTO GLOBAL:
http://youtu.be/jyziG5bUuBE
http://www.15deoutubro.net/
Outubro 15, 2011 at 1:01 pm
Excelente síntese do que se passou e se passa nas escolas.
Outubro 15, 2011 at 1:02 pm
Pedro Passos Coelho fala em directo.
Ouviram o mesmo que eu?
O senhor agora também goza em directo com os funcionários públicos?
Outubro 15, 2011 at 1:06 pm
Sobre rankings e camaleões verdes (hoje), ver também:
http://educar.wordpress.com/2007/11/03/david-justino-quebra-o-silencio/#comments
Outubro 15, 2011 at 1:11 pm
#11
Se bem me lembro, funcionários públicos: enfermeiros, polícias e professores.
Outubro 15, 2011 at 1:12 pm
A memória das pessoas é mesmo muito volátil !
Também fico com a impressão que há quem queira o afundanço do país na miséria, só para provar as suas teses favoráveis ao famoso PEC – IV, que is resolver tudo. Como se vê: “Não era preciso ajuda externa!”
Quanto ao post.
Estou inteiramente de acordo.
Parece que os fazedores de rankings continuam a fingir que não sabem que os alunos que terminaram o 12º ano foram os que apanharam o consulado da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, (sem esquecer os seus inenarráveis secretários de estado e directores regionais), e o fecho de ciclo com Isabel Alçada, num tempo em que muitos jornalistas elogiavam esses governantes e faziam dos professores os culpados de todas as desgraças…
Sim. A memória das pessoas é mesmo muito volátil!!!
Outubro 15, 2011 at 1:15 pm
Goza Desvio eis o que ele pensa que nós somos…
Outubro 15, 2011 at 1:18 pm
Volátil pode ser mas não tanto que se esqueça o que existiu ainda mais para trás….a doença está aí mas os sintomas existem há muitos anos…
Outubro 15, 2011 at 1:18 pm
E a crise não terá as costas suficientemente largas para arcar com alguma da culpa?
Outubro 15, 2011 at 1:19 pm
#13
Claro, claro. Os reponsáveis absolutos pelos défice.
Outubro 15, 2011 at 1:25 pm
#16 Buli
O sistema vai desmoronar. Isto é só o começo.
Contudo, não podemos esquecer que se deve responsabilizar TODOS os que nos lixaram ao longo de anos.
Não votei nos partidos do “arco do poder”, mas posso aceitar que se esqueçam os desmandos anteriores para apenas concentrar atenção nas maldades actuais.
Está tudo interligado até aos ossos.
Qual esquerda? Qual direita?
Quem manda é o dinheiro!
Esses rostos que se escondem atrás das operações financeirtas, que estragulam a economia… Querem-nos escravos e em regimes musculados.
Outubro 15, 2011 at 1:26 pm
E agora algo socialmente incorreto, um pouco na linha retrógrada de César das Neves:
E o cada vez maior número de casais divorciados que transformam crianças atentas em alunos inquietos e desconcentrados?
Por mais que não queiramos saber, todos os anos aumenta a quantidade de meninos e meninas que faz questão de dizer “Os meus pais estão separados”.
E sim, tenho constatado que o ambiente familiar é determinante.
Outubro 15, 2011 at 1:26 pm
ERRATA:
(…)
mas NÃO posso aceitar que se esqueçam os desmandos anteriores para apenas concentrar atenção nas maldades actuais.
Outubro 15, 2011 at 1:36 pm
Se este tema dos rankings escolares sempre foi objecto de controvérsia, agora, perante as cada vez mais claras intenções de NC para o nosso ensino, temos que deixar de lado quaisquer veleidades de, ingenuamente, os ver apenas como um “contributo para a melhoria do ensino”, para os passarmos a entender como um instrumento para modelar o nosso sistema educativo segundo os parâmetros das concepções neoliberais dominantes. Convém, assim, deixar claro alguns aspectos, a saber:
1. Os rankings, constituindo apenas uma forma de classificação, foram entretanto colocados na órbita da designada “cultura de avaliação, não podendo esta sua passagem ascensional a outro plano ser encarada de forma inocente…
Avaliar significa, antes de mais, atribuir um valor (mais da ordem do essencial do que do material), reconhecer uma qualidade, conferir um sentido. Classificar remete para operações de seriar, padronizar, hierarquizar.
2. Esta sistema de classificação precisa destas condições para operar:
-Ensino e aprendizagens instalados no nível do gesto técnico-procedimental e da produtividade, reconduzindo no mesmo passo os docentes para a condição de reféns do sucesso estatístico fácil;
-Burocratização da função docente, subordinando-a a regulamentos, a rotinas e a padrões de desempenho, facilitando o constrangimento formal e hierárquico.
- O processo de classificação institui-se, assim, numa lógica circular: o “objecto” a classificar é, simultaneamente, o pressuposto e o resultado do processo.
A classificação das escolas através dos rankings constitui, em síntese, um dispositivo de normalização e de controlo, em que as variáveis organizacionais e contextuais são neglicenciadas ou ignoradas em nome de objectivos ideologicamente mascarados de “avaliação” ou de “meritocracia”.
Outubro 15, 2011 at 1:47 pm
TODA A RAZÃO MAKE IT…
Outubro 15, 2011 at 2:07 pm
“Está tudo interligado até aos ossos.
Qual esquerda? Qual direita?
Quem manda é o dinheiro!
Esses rostos que se escondem atrás das operações financeirtas, que estragulam a economia… Querem-nos escravos e em regimes musculados.” (#19)
Outubro 15, 2011 at 5:54 pm
Ganhei o direito a fazer o mínimo dos mínimos.
Outubro 16, 2011 at 11:37 pm
[...] últimos anos na Educação Filed under: educação,opiniões — Zepovinho @ 10:36 pm Aguardam-se Explicações, Justificações, Contextualizações E Auto-Desculpabilizações Gostar disto:GostoBe the first to like this post. Deixe um [...]