Algumas são aceitáveis, outras não.

A mais óbvia – só a cegueira o pode negar – é que a herança de seis anos de governos do PS na Educação é o descalabro completo no desempenho relativo das escolas públicas, devido ao ataque sistemático em várias frentes ao seu funcionamento, desde a imposição de um modelo de gestão único e napoleónico, a uma reorganização da rede escolar que deita fora quaisquer preocupações pedagógicas, passando por uma investida brutal contra o estatuto profissional, social e laboral dos professores de que a ficção da avaliação do desempenho foi a cereja podre em cima de um bolo seco.

As consequências passaram pelo abandono de muitos dos professores mais qualificados que, ao sentirem-se desrespeitados e não querendo pactuar com o simulacro de culto de mérito em que os medíocres se destacam, ou se aposentaram ou se transferiram para o ensino privado, até à adopção, pelos que ficaram, de estratégias ultra-defensivas, no sentido de tentarem preservar alguma sanidade no meio de uma perturbação e disrupção que só trouxe elementos destrutivos e nenhuns contrutivos. Pelo meio disto, as escolas públicas tornaram-se depósito para um novo conjunto de experiências de produção de sucesso (a começar pela sua imposição quase formal nos cursos profissionais, CEF, EFA e afins) que não suportam um exame mais exigente do que a pele fina. O que levou a uma debandada de muitos dos melhores alunos para o ensino privado, sempre que o podem pagar ou a empresa promotora consegue os devidos apoios do Estado.

Mas há desculpabilizações que não devem ser ensaiadas, desde aquelas que, lançando apenas as culpas sobre o sistema e os alunos, escondam que, por um lado, muita gente se deixou obcecar pela ADD e pela aparência das boas práticas, enquanto, por outro, outro grupo importante de professores passou a desculpar-se com tudo e nada para se escapar a fazer o mínimo dos mínimos, embora mantendo as aparências para as cúpulas engolirem.

E escrevo isto com o pesar de saber que o estou a fazer a partir do conhecimento directo (mais ou menos imediato) do que descrevo.

E sim, não levei alunos a exame, mas apenas a provas de aferição. Mas tenho a certeza de não ficar embaraçado se fizerem os rankings da coisa.