Versão original, com os 3800 caracteres solicitados inicialmente, do texto hoje publicado no Sol:
Está um novo ano lectivo para começar e continuamos enredados, no que à Educação Não-Superior diz respeito, no novelo infindável da avaliação do desempenho docente (ADD).
As peripécias anteriores são conhecidas, assim como as posições pré-eleitorais dos protagonistas que formam a actual coligação governamental. O modelo foi adjectivado de forma generosamente depreciativa por todos, de deputados de ontem e hoje ao actual primeiro-ministro quando ainda era candidato. Do actual MEC ouviram-se declarações menos vigorosas a este respeito, mas são conhecidas as suas opiniões firmes contra uma cultura de facilitismo e favoráveis a uma prática de rigor visando a excelência nos mais variados aspectos da Educação.
Ganhas as eleições por tão vocais críticos da ADD, esperou-se que o novo Governo assumisse as posições anteriores. Ilusão rapidamente desfeita, com argumentos fracos, esgrimidos por figuras de segunda ordem da nova situação. Entre os destroços ficou apenas a promessa de um novo modelo, o que fez manter alguma esperança, em especial entre os que acreditavam que o novo ministro optaria por uma solução de rigor e que rasgasse com as más práticas detectadas e denunciadas.
Surpresa das surpresas, após vagos sete princípios anunciados com pompa desnecessária, surgiu, quando uma noite de Verão já ia avançada, aquilo que se esperava ser uma proposta que surpreendesse pelas razões certas. Só que, pelo contrário, surpreendeu pelas razões erradas, pois apenas se descobriu a terceira simplificação do modelo existente, o que fora sucessivamente remendado por se revelar inaplicável em diversos aspectos, injusto em outros e incoerente no seu todo.
Como novidades a proposta do MEC trouxe apenas o alargamento dos ciclos avaliativos, a instituição como regra dos avaliadores externos (que antes era opção) e a isenção de avaliação para os docentes posicionados nos escalões mais elevados da carreira.
Tudo o resto revela continuidade com o passado, apenas simplificando ou renomeando: os objectivos individuais passam a ser designados como projecto docente, as aulas assistidas permanecem para os professores de dois escalões da carreira, mas apenas num ano do ciclo avaliativo, as quotas não desaparecem, assim como não desaparece a possibilidade de cada escola definir um conjunto próprio de parâmetros para a avaliação, gerando situações de manifesta injustiça. O relatório de autoavaliação bianual que deveria ter seis páginas passou a ser anual e a ter três. Quando se lê parece brincadeira mas, infelizmente, não é.
O modelo ficou mais simples, é certo, mas isso apenas reforçou a artificialidade do que já só era um simulacro de avaliação de desempenho.
Se há algo oposto à imagem que tínhamos de Nuno Crato, investigador e analista crítico da Educação, é este modelo de ADD. É um modelo injusto (porque isenta muitos professores de qualquer avaliação), facilitista (porque reduz a avaliação em vários escalões a meros relatórios anuais) e economicista (porque o que interessa é estrangular o acesso à metade superior da escala salarial e reduzir encargos com a própria ADD).
Do lado dos sindicatos as reacções foram as esperadas:
Ø Não há nada nesta proposta que impeça um entendimento ou acordo com a FNE. Afinal, o governo é do PSD.
Ø Não há nada nesta proposta que possa levar a um entendimento ou acordo com a Fenprof, embora seja quase igual ao que levou aos sorrisos de 8 de Janeiro de 2010. Afinal, o governo é do PSD.
Ø Não há nada nesta proposta que torne relevante um entendimento ou acordo com qualquer outra pequena organização sindical.
Até parece que demos quase um salto no tempo e voltámos décadas atrás em coreografia negocial. Em boa verdade, poder-se-ia já passar, sem danos, para a última ronda negocial, na qual se acertam as vírgulas e a ordem das (não) assinaturas.
Agosto 26, 2011 at 12:54 pm
Nem mais, nem menos. Perfeito!
Agosto 26, 2011 at 1:13 pm
Face ao exposto – com o qual concordo – onde estão as imprecisões dos fdp?!
Agosto 26, 2011 at 1:23 pm
E disse tudo, Paulo Guinote!
O título do artigo já é uma sublime síntese da ignomínia a que os políticos submeteram o SISTEMA EDUCATIVO PORTUGUÊS, e da infâmia contra os professores portugueses.
Agosto 26, 2011 at 1:39 pm
Subscrevo.
Agosto 26, 2011 at 2:26 pm
“O modelo ficou mais simples, é certo, mas isso apenas reforçou a artificialidade do que já só era um simulacro de avaliação de desempenho.”
Obviamente!
Tanto o MEC como os sindicatos encetaram uma verdadeira “fuga para a frente” e agora, que a margem de recuo é praticamente inexistente, fazem as tais coreografias que o Paulo aponta!
Gostei da forma objectiva como o assunto é abordado!
Parabéns Paulo!
Agosto 26, 2011 at 2:52 pm
A verdade em 3800 caracteres.
(dissimular, em encontros manhosos, não é próprio de pessoas que se dizem sérias …)
Agosto 26, 2011 at 2:54 pm
#0
Está lá tudo. Parabéns, Paulo!
Clareza, objectividade, diacronia dos acontecimentos, despojamento (afectivo, ideológico), enfim, a verdade.
Gostei muito de ler.
Agosto 26, 2011 at 3:06 pm
Paulo
Estou contigo na missiva!
Agosto 26, 2011 at 3:13 pm
Uma síntese perfeita de uma ADD remendada que bloqueia uma reforma séria na educação. Esperava-se bem mais!!
Agosto 26, 2011 at 3:15 pm
Parece-vos mais simples? Três páginas em vez de seis? O que significam estes números, quando implicam tanta multiplicação anexa? Avaliadores da escola ao lado? Quem? A mim não me parece nada mais simples. Parece que dispensaram o casaco com pompons e trouxeram a camisola com lacinhos… Etc….
Boas férias (o resto)!
Agosto 26, 2011 at 3:21 pm
Um simulacro, uma fantochada que custou muitas horas roubadas ao trabalho e ao descanso (merecido) de muita gente.
Que raiva!!!! Detesto trabalhar para “o boneco”!
Agosto 26, 2011 at 3:23 pm
Estou a trabalhar neste cadáver eternamente adiado, em vez de aproveitar os últimos dias de Agosto.
Agosto 26, 2011 at 3:28 pm
#11 e 12
Também eu, também eu continuo a trabalhar no «cadáver adiado» só que este não é «besta sadia que procria»!
Vou começar o ano lectivo cansada, angustiada e revoltada com tudo isto. Será que nunca mais teremos paz? Paz para trabalharmos; paz para lidar com os alunos, os pais, as direcções, os colegas; enfim, paz para vivermos o tempo que nos resta…
Agosto 26, 2011 at 3:30 pm
Parabéns mais uma vez pelo excelente texto. E obg por escrever aquilo que eu penso.
Agosto 26, 2011 at 3:31 pm
Concordo inteiramente com a análise do Paulo Guinote!
Desalento e mais desalento transforma-me numa crente sem algo para acreditar…
Agosto 26, 2011 at 3:53 pm
A avaliação de docentes é mais um ataque à classe docente. A banalidade com que se trata este assunto revela aquilo que os sucessivos ME pensam dos professores e querem deles fazer: contam zero, valem zero, não merecem uma avaliação justa e séria! É uma vergonha, sinto-me desconsiderado pelo sr. Exigência Crato! Tenho mais consideração pelos critérios de avaliação e rigor como os aplico com os meus alunos do que o Sr. Exigência tem para comigo!
Agosto 26, 2011 at 3:53 pm
Não sei porquê, a empresa de calúnias Santos&Vargas ficou lá por baixo, no outro post.
Para quem me acusa de tanta coisa, gostaria de saber se só discordam de um parágrafo.
Agosto 26, 2011 at 3:58 pm
Resumindo:
O modelo da MLR, simplificado com várias versões continua no essencial.
Engulam agora os sapos os que anunciavam um modelo totalmente novo.
Emendem a mão os que vaticinaram o enterro do modelo de MLR.
Esteve bem o ministro atual em apresentar uma simplificação, apesar de eu não gostar de isenções, e mantendo alguns aspetos essenciais.
É tempo de darem as mãos e acabarem com essa teimosia , assinem lá o acordo por favor.
Agosto 26, 2011 at 4:10 pm
Eu sou aquela que prometeu a si mesma não voltar a falar e escrver. Assim sendo, apenas “duas” palavras:
Muito obrigada por ainda conseguir resistir, escrevendo o que todos gostaríamos de dizer!
Agosto 26, 2011 at 4:10 pm
“a falar e escrever sobre ADD”
Agosto 26, 2011 at 4:11 pm
#18,
As suas capacidades de resumo estão abaixo de um miúdo do 5º ano.
A menos que considere o critério economicista de estrangulamento na progressão, NADA resta do modelo de MLR.
Agosto 26, 2011 at 4:15 pm
#18
E “prontos” lá vou eu quebrar a promessa!!
E quais são os “aspectos essenciais” que, do seu ponto de vista, se mantém? Essenciais para quê, ou para quem?
Agosto 26, 2011 at 4:27 pm
# 18
A minha 4 classe permite-me interpretar estas suas palavras ” …apenas se descobriu a terceira simplificação do modelo existente, o que fora sucessivamente remendado por se revelar inaplicável em diversos aspectos, injusto em outros e incoerente no seu todo.
…
Tudo o resto revela continuidade com o passado, apenas simplificando ou renomeando:”
Ou seja, é o próprio Paulo Guinote que afirma que o modelo é apenas a simplificação do existente e vem acusar-me de não saber resumir?
Santa paciência.
O que lhe custa é engolir este sapo!
Agosto 26, 2011 at 4:29 pm
E os aspetos “essenciais” e que estão no modelo desde MLR são:
a) observação de aulas
b) quotas
c) avaliadores professores
Agosto 26, 2011 at 4:47 pm
Paulo eu só gostava de saber o que é tu conseguias negociar com este governo (vamos supor que até fazias parte da concertação social)!!!!!
Agosto 26, 2011 at 4:49 pm
…e já agora com os anteriores; é que de repente fico com a sensação que contigo no passado a negociar tudo hoje seria diferente; será mesmo ????
Agosto 26, 2011 at 5:05 pm
#26
Desculpe, a conversa não é comigo mas não pude deixar de ler…
Eu não duvido nem um minuto sequer…
Agosto 26, 2011 at 5:06 pm
É uma coisa de intuição feminina, não consigo explicar.
Agosto 26, 2011 at 5:07 pm
#27,
Peço desculpa, também, por não ter nada a ver com o post o que vou dizer, mas Caneta, este avatar é mais giro que o anterior (não percebia bem o que era).
)
Agosto 26, 2011 at 5:14 pm
#28
…lá se foi a minha intuição masculina que duvida dessa sua intuição feminina.
Agosto 26, 2011 at 5:15 pm
Ai!!!!
Estou spamada??? os meus comentários não entram…
Agosto 26, 2011 at 5:19 pm
#30
Olhe que não…olhe que eu tenho uma boa intuição, é pena não podermos averiguar…
Agosto 26, 2011 at 5:23 pm
#29
maria santos,
Agosto 26, 2011 at 5:24 pm
nem mais…. concordo com tudo….
com os argumentos,
com a acidez
e o pedacinho de desalento também
…
como muitos estou que nem posso… e ainda por cima de volta do desgraçado morto e dos seus anexos, evidentes não sei para quê!!!!
Agosto 26, 2011 at 5:24 pm
#32
é assunto de minúscula importância para que valesse a pena averiguar; espero que sua boa intuição a leve onde deseja…….
Agosto 26, 2011 at 5:26 pm
#35
Muito obrigada.
Sorte para a sua (má?) intuição masculina.
Agosto 26, 2011 at 5:26 pm
************************************************************************
SPGL – Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
PLENÁRIO
Para todos os Professores e Educadores
07 de Setembro de 2011 (4ª feira)às 16h30
Auditório da Escola Secundária Camões
(Entrada pela Rua Almirante Barroso)
O. T. Análise e tomada de posição sobre o Projecto de Avaliação de Desempenho Docente.
Esclarece – informa – divulga
*************************************************************************
Agosto 26, 2011 at 5:27 pm
maria, não lhe consigo responder sobre o avatar, os meus comentários ficam retidos…(hummmmm)
Agosto 26, 2011 at 5:27 pm
vamos lá a ver se é desta:
Era um filhote de cagarro, cujo ninho está a ser vigiado e transmitido em directo pela net.
Agosto 26, 2011 at 5:28 pm
eu não digo…
Agosto 26, 2011 at 5:33 pm
http://cagarro.spea.pt/
Agosto 26, 2011 at 5:34 pm
#36
claro a sua intuição no mínimo é boa a minha pode ser má ou boa como diz no parêntesis . A minha intuição diz-me neste momento que é mais fácil chegar à lua do que averiguar, confirmar, que tem uma boa intuição como refere em (32).
Agosto 26, 2011 at 5:36 pm
#23,
Com a 4ª classe antiga seria possível perceber isto:
a terceira simplificação do modelo existente, o que fora sucessivamente remendado por se revelar inaplicável em diversos aspectos, injusto em outros e incoerente no seu todo.
Lamento se engoliu elefantes com a derrota do querido Sócrates e o afastamento de MLR e, mais recentemente, do último vestígio do seu consulado.
Mas pode sempre pedir um subsídio à FLAD e passear pelos States.
MCAmpos, não se torne tão ridículo e sectário quando os FSantos,
Agosto 26, 2011 at 5:37 pm
#37,
Apetece-me citar Vargas no Avante de Janeiro de 2007 (pré-aposentação do próprio) a desancar na direcção do SPGL.
Vergonha, por onde andais…
Agosto 26, 2011 at 5:39 pm
Ai!!!!
Agosto 26, 2011 at 5:39 pm
Caneta,
Se evitasses o spam era melhor. Deixa lá o “cagarro” em paz…
Agosto 26, 2011 at 5:40 pm
Oh pá, queria mostrar a imagem do passarinho…
Agosto 26, 2011 at 5:43 pm
Já entendi porque não entra…
Maria,
Era uma imagem de um ninho (cujo nome do pássaro não posso dizer, senão sou spamada), está em directo na net a partir dos Açores. Um parvalhão de um gato já se fez a uma cria.
Agosto 26, 2011 at 5:44 pm
E o ninho é uma delícia, não consigo ver a cria mas vejo a mãe atenta …
Agosto 26, 2011 at 5:46 pm
É através do site Lua de mel no corvo…
Agosto 26, 2011 at 5:46 pm
#48
)
OK.
Agosto 26, 2011 at 5:48 pm
Para recordarmos o projecto educativo de José Manuel Vargas (Gundisalbus, Johny Guitar, Nick Bom e Mau, Observador, Leitor, etc, etc, só faltando o de Correia Cobarde de Calúnias e Poddridões – CCP):
«José Manuel Vargas – Temos que encontrar, e estamos a encontrar, as formas de organização que permitam esses contactos. Havendo uma ligação ao Partido os camaradas sabem o que o Partido pensa em cada momento e o que devem defender junto dos outros professores. Para que as posições do Partido chegue aos professores, a organização tem que se adaptar – mantendo determinados princípios – a estas circunstâncias particulares. E estamos a conseguir isso agora melhor do que há um tempo atrás…
http://www.avante.pt/pt/1730/pcp/17989/?tpl=37
Este tipo de projecto, seja de que partido for, não me serve, recuso-o liminarmente e, no que puder, estarei sempre contra instrumentalizações espúrias dos professores.
Este é projecto que o par de jarretas Santos& Vargas defende, com o beneplácito da direcção da Fenprof.
Agosto 26, 2011 at 5:48 pm
Afinal é mesmo a cria. A mãe anda às compras…Onde raio estará o pai?
Agosto 26, 2011 at 5:49 pm
#25,
Negociar com este Governo não é lá coisa muito fácil, porque está blindado interna e externamente.
É pior quando se assinaram acordos e entendimentos no passado, quando não existiam troikas e se aceitaram as quotas.
Agosto 26, 2011 at 5:49 pm
Par de jarretas?!
Agosto 26, 2011 at 5:50 pm
#53,
Olha lá, achas que este post é para discutir isso?
Olha-me a coisa dos pássaros e das crias e do sei lá o quê…
Agosto 26, 2011 at 5:51 pm
Oh PG, era para responder à Maria…
Põe lá um post para eu falar dos passarinhos e do ninho e dos gatos.
Agosto 26, 2011 at 5:55 pm
Os jarretas chateiam-te a cabeça e tu admoestas-me…
(bjiiii, toma um beijo e não te irrites cmg)
Agosto 26, 2011 at 5:57 pm
#24,
Os aspectos essenciais ficam resumidos a observação de aulas em dois escalões.
O que resta são apenas as quotas.
Para isso não era preciso um modelo de ADD a disfarçar.
Agosto 26, 2011 at 5:59 pm
#44
A direcção do SPGL, apesar de todas as críticas, representa os professores da Grande Lisboa e procura, a seu modo e dentro das suas capacidades, levar à prática as orientações da Fenprof.
Nos plenários é possível apresentar opiniões divergentes quanto às melhores formas de prosseguir a luta.
Sem insultos a quem está aposentado ou pensa de modo diferente.
Agosto 26, 2011 at 6:06 pm
#54
Portanto admites que se tivesses sido tu a negociar (estamos a imaginar que fazias parte da mesa das negociações e representavas os professores) no passado ( no tempo da Maria de Lurdes e dos Sócrates) hoje estaríamos melhor??
Agosto 26, 2011 at 6:11 pm
#60,
Correcto, apenas expulsam os inconvenientes da sala com um certo “zé”.
Agosto 26, 2011 at 6:12 pm
#61,
Mas quem admitiu isso?
Não imaginemos cenários impossíveis.
Nunca poderia ter acontecido tal porque m nenhum momento me passou pela cabeça estar nessa situação.
Agosto 26, 2011 at 6:14 pm
José Manuel Vargas – Há uma linha de trabalho importante e que vamos prosseguir que é a acção dos professores comunistas junto dos outros professores. Temos tido um papel muito importante nas lutas dos professores, e o prestígio do Partido é cada vez maior.
Ainda recentemente, isso foi visível, nas eleições para a direcção do SPGL. Foi constituída uma lista unitária, a Lista B, na qual a maioria dos elementos não eram comunistas. Esta lista teve como opositora uma outra, com elementos do PS e do BE, numa espécie de «Santa Aliança» contra o PCP. Apesar de tudo, a Lista B teve um resultado espantoso (ver caixa).
O alargamento e a intervenção junto dos outros professores é uma linha que deve prosseguir. Temos regularmente reuniões unitárias com professores e este é um trabalho para continuar…
http://www.avante.pt/pt/1730/pcp/17989/
Agosto 26, 2011 at 6:17 pm
#52,
se não tivesses tanta dificuldade em ler (e suficiente honestidade para escrever) tudo o que vens para aqui transcrever, o que é que gostarias de ser?
Esta manipulação, que voltas a trazer aqui, já está espalhada algures e continuas a arremessá-la como algo demoníaco e assustador (aí o papão que vai dar cabo de nós… fazes lembrar um dos últimos posts do Ramiro sobre o perigo de não se aprovar o simplex 3.0).
Isto só é possível porque tens em muito fraca conta os teus leitores. Esperas (tu lá sabes porquê) que eles não vão ler o link e lhes baste que este contenha a palavra “avante”, e a sigla “pcp”, para que a tua palavra seja tomada como divina.
O que está nessa entrevista é uma afirmação sobre uma linha de orientação de um partido legal, destinada a dar a conhecer as suas posições sobre a escola pública aos professores que lá trabalham. Nada mais do que isso.
Que é que isso tem de ilegal ou incorrecto? Não seria importante e muito mais transparente que todos os partidos explicassem bem aos professores o que é que pensam sobre o assunto? Pois nem em tempo de campanha eleitoral o fazem, como se está a ver com as cambalhotas que PSD e PP estão a dar, superiormente liderados pelo ministro que sabia tudo sobre educação.
De resto, se tivesses um mínimo de honestidade, explicarias a quem te lê que muitas das práticas conciliatórias, que tanto criticas à Fenprof, resultam do facto de os seus dois maiores sindicatos – que elegem mais membros do secretariado e mais delegados para o congresso – terem direcções com grande influência do PS e BE, em ligação com dissidentes do PC.
E deves lembrar-te bem (eu não esqueço) das prestações do secretário-geral da Fenprof que antecedeu o Mário Nogueira, sobretudo o seu último frente-a-frente com Maria de Lurdes Rodrigues.
Portanto, pá, deixa-te lá de insinuações e diz aos teus leitores “tudo” o que sabes sobre “os sindicatos”. Conta, conta… que a malta está mortinha por ouvir as tuas “estórias”.
Agosto 26, 2011 at 6:17 pm
Anote-se:
A direcção do SPGL, apesar de todas as críticas, representa os professores da Grande Lisboa e procura, a seu modo e dentro das suas capacidades, levar à prática as orientações da Fenprof.
A direcção do SPGL não procura levar à prática as orientações colhidas juntos dos professores, mas sim o nque a Fenprof manda.
Tudo dito sobre esta concepção de “democracia sindical”.
Agosto 26, 2011 at 6:19 pm
#65,
O delfim.
Agosto 26, 2011 at 6:22 pm
O respeito pelos colegas de sindicato é deste calibre:
José Manuel Vargas – Esta acção da direcção do SPGL não é tão visível perante os professores porque, de certa maneira, é disfarçada e coberta pela FENPROF, que é uma organização prestigiada e que continua a ter uma actuação que consideramos correcta em defesa dos direitos dos professores. Diria até de outra maneira: a FENPROF não vai, por vezes, mais além porque há entraves dos elementos da direcção da SPGL. Agora vai haver um Congresso da FENPROF e nós esperamos que saia dali uma direcção renovada, combativa, mais interveniente e que seja capaz de dar resposta à ofensiva contra os professores, que se agrava dia a dia…
Não sendo “puros” devem amochar.
Curiosamente, os B’s perderam mas não amocharam perante a direcção eleita do SPGL.
Por esta lógica toda, sendo o Governo suportado numa maioria eleitoral, deveríamos todos comer e calar,
Quanto a outras coisas, quem assistiu guarda na memória esta prestação do grande sindicalista Santos, o Francisco, há pouco mais de um ano, mais preocupado em atacar colegas, por discordarem do seu monolitismo ideológico e táctico, do que em propor qualquer coisa:
http://www.spgl.pt/cache/bin/XPQ3jTwXX8525eV28FetSMaZKU.pdf
Agosto 26, 2011 at 6:29 pm
#68,
Assististe?
Estiveste em Montemor?
Em representação de quem?
Eleito por quem?
Já agora, qual a parte da intervenção que pode ser considerada como prejudicial para a luta dos professores? Em que linha encontras uma frase de concordância com as políticas educativas do PS/Sócrates/MLR/IA?
Anda, conta, conta tudo o que sabes, solta a língua, que estamos ansiosos por saber tanto como tu.
Agosto 26, 2011 at 6:31 pm
Que canseira, o rapaz das pizzas continua grudado. Enfim, sejamos caridosos…
Agosto 26, 2011 at 6:32 pm
#54 e #63
dizes: “É pior quando se assinaram acordos e entendimentos no passado, quando não existiam troikas e se aceitaram as quotas.”
Mas tens o caso da CGTP que este ano não assinou nada cem sede de concertação social ( ao contrário da UGT e da CIP) e pura e simplesmente foi posta de parte e a legislação fez-se à mesma contra os trabalhadores!!!!! De facto a Fenprof poderia de facto ter ido por aí!!!!!!
Agosto 26, 2011 at 6:33 pm
#69 (
):
Até tenho foto tua a botar discurso, com essa cara linda com que nos presenteias.
O quanto estavas a ser gozado, nem reparaste.
Foi depois de almoço e da “ronda”?
Fim de conversa, submarino invejoso, lutador entre a espada e a parede que fez o “frete” de aplicar a ADD como relator, submetendo-se ao modelo das quotas e agora aparece a gritar desta maneira contra o que ele próprio fez.
Agosto 26, 2011 at 6:34 pm
Correcção:
#54 e #63
Dizes: “É pior quando se assinaram acordos e entendimentos no passado, quando não existiam troikas e se aceitaram as quotas.”
Mas tens o caso da CGTP que este ano não assinou nada em sede de concertação social ( ao contrário da UGT e da CIP) e pura e simplesmente foi posta de parte e a legislação fez-se à mesma contra os trabalhadores!!!!! De facto a Fenprof poderia de facto ter ido por aí!!!!!!
Agosto 26, 2011 at 6:40 pm
#71,
Mas não foi.
Porquê?
Decidiu ser “construtiva” no rescaldo das manifs porquê?
Quando tinha uma força que nunca teve.
Mistério…
(isso e saber-se que não foi mal vista a “tomada de posições” em Direcções e Conselhos Gerais, submetendo-se à lógica do 75/2008, enquanto uns malucos pediam parecer contra a coisa, por ser desconforme à LBSE)
Agosto 26, 2011 at 6:47 pm
#72
Assististe?
Estiveste em Montemor?
Em representação de quem?
Eleito por quem?
Ou no que nos vais contar, sobre tudo o que sabes sobre sindicatos, vais incluir o nome da “garganta funda” que te arranja fotos e o resto …?
Conta, conta, que estamos ansiosos por saber tudo o que tu sabes.
E descansa que não quero saber da “garganta funda” para nada. Excepto para que ela saiba que eu sei que pouco vale, sempre que nos cruzarmos
Agosto 26, 2011 at 6:47 pm
O problema dos comunistas é a sua própria identidade ser confundida com o colectivo que os anima.
A lógica da máquina partidária confunde-se com o desejo de fazer parte de algo superior, de poder espreitar por um buraco dialéctico a História e o seu cortejo de fantoches.
Daí a vontade de agarrar a “linha justa” e a repetição incessante dos velhos refrãos que dão a sensação de ter um lugar garantido na procissão que os conduz à remissão dos pecados dos outros e à Salvação na Terra.
São os crentes ateus, os militantes da mudança programada pelo colectivo, sempre orgulhosos de cumprirem os seus papeis de fantoches da Nomenklatura.
Agosto 26, 2011 at 6:48 pm
#74
bom isso verdade; ficava pura e simplesmente fora das negociações!!!
Porque a força da rua não era a mesma dentro das escolas. Na minha escola só 20% dos colegas não entregaram os tão falados OI. Se a força fosse a da rua não teriam entregue 80% pelo menos!!!
Agosto 26, 2011 at 6:50 pm
#77
E como lamento esse facto…
Agosto 26, 2011 at 6:52 pm
#77,
Não teriam entregue delegados e dirigentes sindicais, para depois os irem pedir de volta.
Não haveria uma greve de “91%” para depois haver silêncio.
Mas se uma manif de 100.000 ou perto não dá força, não sei o que dará?
De 200.000 num universo de 140.000?
Essa discussão já está ultrapassada.
Agosto 26, 2011 at 6:54 pm
Uma coisa curiosa era a reacção dos “serviços” de todos os sindicatos quando alguém pedia apoio para não ser relator…
Agosto 26, 2011 at 6:55 pm
#80
O que acontecia?
Agosto 26, 2011 at 6:56 pm
É que, mesmo não sendo sindicalizada, passou-me pela cabeça pedir apoio.
Agosto 26, 2011 at 6:57 pm
#75,
Bufos e delatores só na tua coutada.
Se calhar o gozo vinha de onde menos se esperava.
Havia alguém atrás de ti que se notava bem toda a atenção que NÃO te estava a dar.
Queres saber o que almoçaste ou ainda te lembras?
Não ficou numa névoa?
Agosto 26, 2011 at 6:58 pm
#81,
Nada!!!!!
Caneta, queres que te mande uma foto do Santos a discursar?
Foi obtida num evento público, não é ilegal.
Mas promete que não te assustas a abrir o mail… Já estás habituada ao avatar…
Agosto 26, 2011 at 7:02 pm
#84
Seja!
Tenho curiosidade para saber quem é…
Mas não ajudavam os colegas que queriam pedir escusa?
Agosto 26, 2011 at 7:04 pm
Eu pedi ajuda a um advogado. Quando o processo se estava a desenrolar houve um incidente, não fora isso e eu teria escapado de ser relatora. Estupidez!
Agosto 26, 2011 at 7:05 pm
#68
Comentário que confirma as dificuldades do autor em interpretar um texto e perceber o que lê (desde “não sendo puros” até “comer e calar”).
Comentário que comprova a falta de seriedade intelectual do autor (usa uma citação relativa à situação anterior ao Congresso da Fenprof de 2007 como se fosse a situação actual).
P.G.:
Já em 19 de Junho de 2010 lhe expliquei (não fiz desenho) que não reúne os requisitos mínimos para debater comigo o quer que seja.
Se venho aqui comentar é porque não está na minha natureza calar-me perante a mentira e a calúnia, por mais embrulhadas que apareçam de prosápia e retórica populista.
Mas o melhor será mesmo deixá-lo a falar sozinho. Pode ser que morda a língua.
Agosto 26, 2011 at 7:05 pm
Como é que o sindicato não ajudou pronta e eficazmente os seus associados?!
Como?
Vocês acham que alguém no seu perfeito juízo queria aquele cargo?
Agosto 26, 2011 at 7:06 pm
#83,
Assististe?
Estiveste em Montemor?
Em representação de quem?
Eleito por quem?
Também foste à cantina almoçar?
Conta, conta, que estamos ansiosos por saber tudo o que tu sabes. Incluindo o que foi o nosso almoço.
Agosto 26, 2011 at 7:11 pm
#79
Mas se a Fenprof não tivesse assinado nada estavas(mos) à mesma congelado, tinhas quotas e tudo o que tens agora de mau!!!
Neste país 140.000 não dão força (houve manifestações muito maiores no nosso país). Na nossa tv há comentadores que até dizem que é bom as pessoas manifestarem-se ordeiramente. Quanto à pergunta o que dá força? Tens de entrar no conceito de revolução mas isso é já outro jogo!!!!
Agosto 26, 2011 at 7:13 pm
#87 e 89,
Apanhados.
Vargas acha que, afinal, já não se deve reforçar a instrumentalização dos professores ao serviço do seu Partido… Extraordinário! Debater consigo? Mas tem alguma ideia própria sobre Educação? Que não esteja num documento partidário ou da Fenprof?
Santos, agora a repetires-te é que estás bem. A seguir bate com a cabeça na parede. Aliás… não tenho só uma foto.. mas isso não interessa nada.
Bai-bai!
Agosto 26, 2011 at 7:13 pm
Abordemos o problema de outra maneira.
O PCP e seus aliados dominaram a educação a seguir ao 25A.
Colonizaram o aparelho ideológico da educação do Estado e conseguiram conduzir o ensino para uma via socializante durante muitos anos.
Mandaram nos sindicatos e influenciaram o ME como mais nenhum partido.
Daí a força que os professores conseguiram ter ao longo de todos estes anos, verdade seja dita.
Só que esse poder se traduziu em duas situações contraditorias. Por um lado conseguiram excelentes condições de trabalho, tendo em conta o geral da população, mas por outro deixaram-se enredar na lógica da ideologia da escola assistencialista e terapêutica que minou a autoridade e o papel desempenhado pela classe enquanto tal.
O PCP nunca ocultou a vontade de funcionarizar os trabalhadores, e essa estratégia resultou bem até o Estado ter dinheiro para comprar a paz social.
Actualmente assistimos ao choque entre a completa desvalorização do trabalho num mercado aceite pelo PCP (a AAD é parte integrante desse acordo de regime) e a vontade de continuar a representar uma clientela que o Estado tem de controlar e contentar com pouca disponibilidade financeira.
Nestas circunstâncias os sindicatos cumprem o seu papel de guardadores de rebanhos em nome do Estado, e fazem-no como sempre o fizeram com pastores profissionais a tempo inteiro
Agosto 26, 2011 at 7:16 pm
“O PCP e seus aliados dominaram a educação a seguir ao 25A.”
Isso pura e simplesmente não é verdade. A situação sempre foi muito mais complexa.
Agosto 26, 2011 at 7:16 pm
#90,
Essa lógica é perigosa.
Então se algo parece inevitável, devemos deixar-nos ir na onda?
Ou só quando a onda é de uma certa cor?
Onde se traça a fronteira?
Resiste-se a uma tomada de poder pelos azuis escuros, mas chegamos a acordo se forem azuis claros?
A questão é: o que fez com que certos sindicatos (não foi apenas a Fenprof) delapidassem o capital de “choque” da manif dos 100.000 e, mais tarde, cederem perante o governo minoritário do PS?
Agosto 26, 2011 at 7:17 pm
#92,
Isso não é bem assim,
Concordaria se fosse: “a Educação foi dominada em grande parte por gente que passou, numa certa parte da sua vida, pelo PCP e que dessa passagem guardou uma certa forma de pensar e agir” (com excepções, que há gente com pensamento válido… e outros com os Gualteres vieram do CDS).
Agosto 26, 2011 at 7:18 pm
‘A questão é: o que fez com que certos sindicatos (não foi apenas a Fenprof) delapidassem o capital de “choque” da manif dos 100.000 e, mais tarde, cederem perante o governo minoritário do PS?’
Essa é que é essa!!!!
Agosto 26, 2011 at 7:20 pm
#92
Esse seu anti comunismo raia no fundamentalismo.
Onde é que o comunismo dominou a educação em Portugal? Prove-o!
Agosto 26, 2011 at 7:28 pm
Excelente texto que subscrevo na íntegra.
Mas eu sou suspeito.
…
Agosto 26, 2011 at 7:29 pm
#88
Eu também não queria, Caneta.
Que papel horrível o nosso…
Agosto 26, 2011 at 7:31 pm
#94
Os sindicatos perceberam que o governo não cedia e que era o governo que legislava (com o voto dos portugueses que os puseram lá!!!!! com a conivência dos media e dos fazedores de opinião). E quando entras nesta lógica não há volta a dar. A isto somava-se o “não podemos prejudicar os alunos”.
O governo ganha com os votos dos cidadãos. O governo legisla porque ganhou as eleições. Isto é a democracia. Objectivamente não se consegue sair desta lógica. Resultado: os professores passam a vida a marrar (passe a expressa) uns com os outros!
Agosto 26, 2011 at 7:36 pm
#92.
Atenção aos radicalismos ferozes, podem ser contraproducentes.
Agosto 26, 2011 at 8:39 pm
#92
Leia os textos de Roberto Carneiro sobre as reformas na gestão e administração escolares (eu penso que este professor, engenheiro, político, mais coisas… é do CDS?).
Em 1987, após eleições, Cavaco Silva tornou-se 1º Ministro, sendo então Roberto Carneiro o ministro da educação, no XI Governo Constitucional.
Agosto 26, 2011 at 10:23 pm
Gostei do texto, Paulo : análise perfeita.
Agosto 26, 2011 at 11:12 pm
Não votei.Reformado-antecipado.
O que me espanta é que sempre que algum comentário é não alinhado, há que descascar nele.Afinal para que serve o blog?É só para louvaminhar.Não me parece muito correcto.
Agosto 27, 2011 at 1:05 am
Excelente análise. Parabéns.