Versão (pouco) longa da síntese publicada hoje na pá. 14 do Diário Económico. Como se calcula, não é possível fazer um tratado exaustivo em poucas centenas de caracteres.

1 – Quais são os principais problemas do actual modelo de avaliação?

É um modelo que privilegia a representação da prática docente e não a própria prática. Ou seja, valoriza bastante a produção de registos, papéis e evidências e não tanto a prática pedagógica. As duas aulas assistidas programadas não permitem perceber até que ponto a prática é melhor ou pior.
O facto de ter um ritmo de apenas dois anos, concentra muito trabalho burocrático num espaço de tempo muito curto.
Para além disso, na prática, tem-se prestado a apropriações indevidas e excessivas por parte das CCAD que definem critérios muito díspares entre agrupamentos.

2 – Quais são as alterações mais urgentes para o novo modelo?

A distensão dos ciclos de avaliação. A sistematização das aulas assistidas, numa fórmula em que as primeiras sejam observadas com objectivos mais formativos do que de classificação. A adequada formação dos avaliadores. O aligeiramento da carga burocrática. A uniformização dos critérios de classificação. O controle dos abusos por parte dos poderes instituídos nas escolas. E é imperativo que o modelo recompense as boas práticas dos docentes, independentemente de critérios administrativos. Isto significa que as classificações mais elevadas devem depender exclusivamente do desempenho dos docentes e não de quotas.

3 – Concorda com uma avaliação feita entre 3 a 4 anos? Porquê?

Sim, porque permite que o processo se desenrole com um ritmo mais adequado, acompanhando um ciclo de escolaridade completo ou mesmo mais, o que aligeira a concentração de tarefas em períodos de tempo curtos e, em algumas fases, em evidente sobreposição com tarefas importantes para alunos e professores (final dos ano lectivo).

4 – Os sindicatos pedem para que o actual modelo não tenha efeitos para concursos. Concorda?

Concordo e há muito o defendo, pois esta avaliação, pela forma desconexa como tem sido implementada, pelos seus sucessivos remendos, pela disparidade de critérios de avaliação entre escolas e agrupamentos, nunca deveria funcionar como factor de graduação profissional, permitindo a uma minoria subir a sua posição na lista ordenada para provimento de vagas.

5 – Qual é a sua expectativa para futuro em relação à avaliação?

Espero que o novo modelo seja claro, mais justo do que o actual, e que sirva para premiar efectivamente os melhores professores, não sobrecarregado as escolas com trabalho burocrático excessivo e que em nada ajuda à promoção das aprendizagens dos alunos.