Não é de agora, não é resultado de nenhuma teoria eduquesa, não é por causa das competências e dos valores que os professores são obrigados a atribuir às atitudes.
É mentira.
Até é com boas intenções, mas…
É aquela tendência para, em várias paragens, engordar a nota com que os alunos vão aos exames. Tal como os 8 se transformam em 10, também os 10 se transformam em 12 ou 13 e os 13 em 15 ou 16 e por aí acima.
Como disse, não é prática de agora, conheço-a desde os tempos de alunos.
No meu 12º ano, há quase três décadas, assisti ao vivo à inflação de notas no final do 3º período (ler estórinha no fim do post). Na altura a justificação era o numerus clausus e o empurrão que se devia dar aos alunos para ver se entravam na Faculdade. Coitadinhos, é melhor ajudá-los.
Ninguém falava em eduquês, não havia competências a valorizar. Ainda era a pré-história disso tudo. Do tipo Mesolítico. Chumbava pessoal que nem tordos até ao 9º ano, mesmo com a água-benta.
Por isso, não se venha agora dizer que as diferenças por vezes pasmosas entre avaliação interna e resultado em exames é resultados do espírito dos tempos e dos obstáculos colocados pelas teorias pedagogentas que infestaram o sistema de avaliação.
É mentira!
Um aluno de 12 não passa a ter 15 ou 16 por causa das atitudes. Na maior parte das escolas, as atitudes e etc valem 20-30, no máximo 40% da nota final. Um aluno de 12, com boas atitudes chega ao 13, 14 no máximo (70% x 12 dá 8,4, 16 x 30% dá 4,8, tudo junto dá 13,2 valores). Não dispara para um 16 ou 17. Deixemo-nos de tretas.
E é uma perversidade, em que os fins não justificam os meios.
E pode ser usada contra os professores, se algum dia um modelo de ADD se basear, mesmo que em parte, nos resultados dos alunos.
E também não vale a pena dizer que os alunos não se esforçam nos exames e por isso descem a nota. Se assim é, não há razão para valorizar as atitudes, correcto?
Portanto, deixemos de culpar o sistema por tudo e mais alguma coisa. A culpa também é nossa.
Estórinha final: fui aluno mediano (13-14) no 10 e 11º ano de Filosofia. Professores fracos (um gostava muito de anedotas, outra ia provar um ponto de vista para as aulas), desinteresse parcial meu. No 12º ano fui acolhido em outra Secundária com um 9,5 no primeiro teste, cortesia de um professor (colega alguns anos depois quando comecei a leccionar, para meu enorme embaraço) que hesitou em ficar-se pelo 9 que eu talvez merecesse. Deu-me um puxão de orelhas. Disciplinei-me e, era o arranque dos anos 80, não havia net, despachei vários volumes da agora empoeirada História da Filosofia do Nicola Abbagnano e vários livrinhos monográficos fininhos das Edições 70 (graças à biblioetca da escola e à da Gulbenkian na minha santa terrinha) sobre diversos filósofos. Desgostei Descartes e degustei Kant. Passei a ter sempre ou 18-18,5 até final do ano. A generalidade da minha turma do 3º curso ficava-se até aos 15-16. Na aula final de (já na altura) auto e heteroavaliação, eu era dos últimos, letra P numa sala com larga maioria de gente a começar por A, J e M. A certa altura percebi que alguém (não vale sequer a pena explicar as especificidades do caso) ia ter um 18 na disciplina. Fiquei descansado. Quando chegou a minha vez, disse que, atendendo ao que passara e embora eu achasse que merecia 17 no máximo, seria necessário ao professor dar-me 21. E sorri. Levei com um 19, para meu embaraço, pois sabia não o merecer em absoluto, mas apenas por tabela. Mas sai do exame com 19, na mesma, fruto de mais um par de semanas a engolir o que pudesse ler e entender sobre Kant, Fichte, Hegel, até o Nietzsche. Os 18 de colegas caíram para 12, quanto muito 14, por excesso de confiança. Já em História e Geografia não foi bem assim. O desastre foi maior. Mas nessa altura percebi que muitas vezes a injustiça na avaliação nasce do desejo de ajudar… E desperta reacções desencontradas. Entende-se a boa intenção, mas está errado.
Julho 22, 2011 at 2:15 pm
O Paulo já estará a mexer onde não deve mas isto é real.
Julho 22, 2011 at 2:18 pm
Gostei de ler.
Julho 22, 2011 at 2:19 pm
Estudar, até vão estudando, o problema é que não aprendem devido à baixa literacia.
Não consigo explicar de outra maneira os 4, 6, 7 … valores no exame de alunos que tiveram CIF de 12, 13, 14 …
Também é verdade e conheço muitos casos de alunos que vão a exame e às vezes repeti-lo, como quem vai ao café jogar no euromilhões. Não custa nada tentar a sorte …
Julho 22, 2011 at 2:24 pm
Dr. Guinote, desculpe lá, mas era escusado: «inflacção»??? Prof. de LP? Ou então as notas eram muiiiito inlacccionadas
Julho 22, 2011 at 2:24 pm
Também é verdade que as notas da CIF são “puxadas”, mas também é verdade que as “pressões” são muitas. Dos alunos, que se auto-avaliam 1 ou 2 valores acima, dos EE, via DT, às vezes com ameaça de recurso …
Também é verdade que os professores deveriam resistir e ignorar estas pressões, mas depois compara-se com o que se passa noutras Escolas e …
Julho 22, 2011 at 2:26 pm
Dr. Guinote, desculpe lá, mas era escusado: «inflacção»??? Prof. de LP? Ou então as notas eram muiiiito inlacccionadas
Julho 22, 2011 at 2:26 pm
#4,
Toda a razão. Excesso de zelo.
Julho 22, 2011 at 2:27 pm
Há disciplinas em que por determinação do ME, a componente prática/experimental tem um peso de 30% o que faz com que muitos alunos com negativas nos testes cheguem facilmente à positiva.
Julho 22, 2011 at 2:28 pm
#6,
eco desnecessário. Enganei-me. Corrigi. Escrevo directamente nos posts. Quanta gralha que por aí há. E erros também, quando vou mais a galope.
Julho 22, 2011 at 2:29 pm
#1,
Aqui mexe-se um pouco em tudo. Nem sempre será o mais agradável, mas…
Julho 22, 2011 at 2:32 pm
Doutor, que confusão por aí vai: as competências não se «valorizam», avaliam-se. Para que conste: quem isto escreve defende os conteúdos… e depois as tais.
Mas o seu problema é outro… Sempre é de História, e depois caiu por aqui… Pois…
Julho 22, 2011 at 2:37 pm
Para mim isto era simples. O aluno teria a nota merecida, resultado da avaliação do seu conhecimento (testes ou trabalhos) e se tivesse má apreciação no domínio das atitudes teria um valor a menos (e nunca a mais, pois esta é a sua obrigação como aluno). E se ainda por cima fosse mal comportado teria de dois a três valores a menos mesmo que isso o levasse à negativa.
No dia em que se simplificar isto tudo e se der aos alunos mecanismos simples de compreensão sobre o que deve ser a sua postura como cidadãos, tudo isto se tornará melhor.
No caso da assiduidade, meus caros amigos, no ensino obrigatório, pelo menos, os pais seriam multados, porque estamos perante uma “obrigação legal” tal como a fuga aos impostos ou atrasos num qualquer pagamento ao Estado…
O resto é chachada rebuscada, barroca e muito estúpida que na realidade só favorece os chico-espertos e os prevaricadores!!
Eu tenho esperança (apesar de ténue que isto um dia se torne num país decente) até lá é dar tempo para mudar toda a porcaria que esta sociedade tem na cabeça em determinados conceitos. E claro tudo isto se transporta também para a educação.
Julho 22, 2011 at 2:37 pm
Paulo, conheço várias “estorinhas” parecidas… Nos meus tempos de liceu, apenas o Chico Fininho, Prof. de História, primava pelo rigor. Bom amigo, ainda hoje, gozando os ventos bonançosos da reforma.
Nos dias que correm, pais, profs, ME… Tudo pende para o facilitismo, muito poucos LÊEM… A “sorte” dará uma ajudinha na hora H, pensam. E assim vão planando por entre suplícios que não compreendem, pois desconhecem completamente o prazer do trabalho e do afinco que os bons resultados exigem. Tudo lhes é dado de mão beijada. Esta mentalidade está de tal forma enraizada que a cultura do rigor vai demorar a recuperar terreno. Penso que faz parte de um traço social dominante: o paternalismo. HHaverá sempre um papá que ajudará os meninos… E assim se infantiliza mais uma geração. Felizmente, há excepções que confirmam a regra!
Julho 22, 2011 at 2:48 pm
#11,
Decida-se quanto à identidade.
Está enganada(o). As atitudes avaliam-se a acabam “valorizando” a nota na teoria dos que, esses sim, confundem o que não devem.
Julho 22, 2011 at 2:59 pm
Programa:
Para garantir um equilíbrio entre as diversas formas de avaliação recomenda-se fortemente que, na classificação final de um período, o peso dos testes escritos não ultrapasse, em regra, metade do peso do conjunto dos diferentes momentos de avaliação
Critérios de avaliação:
testes escritos: 70%
Isto não significa nada?
Julho 22, 2011 at 2:59 pm
Nunca me apanharás.!!Sou como o vento!!
Julho 22, 2011 at 3:05 pm
Paulo,
Também há disto…
Este ano, o meu filho foi a exame de 12º ano de Matemática (1ª fase) com CIF de 17 (17+17+18) e obteve 17,5 no exame.
Muito bom, ficámos muito contentes.
Mas no 11º ano poderia bem ter tido 18 de nota final e não teve, o que fez com que tenha ficado com nota final no triénio de 17 na disciplina.
Recordo-me de lhe ter dito, no final do 11º ano, que o professor guardar-se-ia para o favorecer no 12º ano, caso fosse necessário, de modo a que o miúdo não esmorecesse.
A verdade é que não foi necessário favorecê-lo no 12º ano (o 18 foi justo), mas o “arranjo” desfavorável estava feito.
Houve imensos miúdos (colegas dele) que obtiveram classificações favorecidas, para se aguentarem em exame. Há sempre casos destes.
O professor é um excelente profissional e esta situação nem faz diferença para as pretensões do meu filho, mas…
Avaliar é tão difícil!
Julho 22, 2011 at 3:54 pm
#17
Mas também há quem (poucos, é verdade) “puxe” para baixo para evitar a diferença entre CIF e CE. Muitos alunos têm CE mais alta que a CIF e depois ficam com a mesma nota ou apenas mais 1 valor, já que a classificação do exame vale 30%.
Julho 22, 2011 at 4:01 pm
#0 e #17
Pois é o contário também acontece!
A minha filhota foi para exame (F.Q.) com 18, tirou 19 e só não avanço com reapreciação pelo que está exposto no post acima….critérios avulsos e só para classificadores.
Estando a passar, enquanto mãe, por todo este processo pela segunda vez chego à conclusão que os bons alunos são, na maior parte das vezes, prejudicados na avaliação interna. Dá-se mais depressa um ou dois valores aos baixos- médios que aos que têm melhores resultados.
Já disse por várias vezes que há professores que não merecem os alunos que têm – e isto vale PARA OS DOIS LADOS!
Julho 22, 2011 at 4:16 pm
Caro Paulo, não sejamos “mentirosos”! É evidente que as notas internas são inflacionadas! Basta observar com alguma atenção os rankings que são publicados nos diferentes jornais!
É uma tendência transversal, de resto, à nossa sociedade. Não é só na escola! Mas cabe à escola incutir o espírito do trabalho e exigência, de forma a “puxarmos” pelas capacidades dos nossos alunos. Aliás, a falta de rigor só prejudica os alunos com dificuldades económico-sociais, uma vez que os que podem, podem comprar aulas particulares e, assim, manter o status social. Os outros, iludidos, vão para onde dá!
Essas conversas dos coitadinhos é anti-pedagógica e estúpida! Continue a falar destes verdadeiros problemas da Educação!
Julho 22, 2011 at 4:18 pm
#18 e 19,
Não digo que não.
O que digo é que os “puxões” não deveriam existir, muito menos a grande escala.
A subida ou descida até 2-3 valores entende-se em alguns contextos.
mas 4, 5 e 6 de média numa escola?
Não estão em causa questões individuais, mas formas sistémicas de avaliar.
Julho 22, 2011 at 4:24 pm
#21
“Não estão em causa questões individuais, mas formas sistémicas de avaliar.” … não querendo ser pior que quem tu sabes, espera e verás…
Julho 22, 2011 at 5:08 pm
Sob diferentes rótulos, leio muitas entradas neste blogue onde o denominador comum dos males da educação estão sempre satelitizados num locus sempre exterior aos professores, aos directores, às escolas, aos alunos A culpa é sempre de alguém de fora, identificado ou não, de alguém “do sistema” a quem, confortavelmente, se pode colocar as culpas e o ónus das responsabilidades. Diaboliza-se esse “alguém” e (auto)santifica-se os professores numa base permanente.
Hoje leio: “Portanto, deixemos de culpar o sistema por tudo e mais alguma coisa. A culpa também é nossa”.
É o primeiro passo. Porventura haja salvação…
Julho 22, 2011 at 5:39 pm
“Um aluno de 12 não passa a ter 15 ou 16 por causa das atitudes. Na maior parte das escolas, as atitudes e etc. valem 20-30, no máximo 40% da nota final. Um aluno de 12, com boas atitudes chega ao 13, 14 no máximo (70% x 12 dá 8,4, 16 x 30% dá 4,8, tudo junto dá 13,2 valores). Não dispara para um 16 ou 17.”
Depende do exemplo que se escolher. Na minha escola, na disciplina que lecciono (Física e Química A) não se consideram as atitudes mas os relatórios das práticas valem 30% (o ME obriga a que as actividades práticas tenham (no mínimo) esta valoração). Considere-se (é um caso real) uma aluna com 6 valores na média dos testes e 15 valores na média dos relatórios (note-se que é preciso ser bastante exigente para que um relatório seja classificado com (apenas) 15 valores, pois as actividades práticas obrigatórios (alvo dos relatórios) são sempre as mesmas todos os anos, pelo que, os alunos pegam nos melhores relatórios dos anos anteriores e fazem alterações mínimas para os adaptarem aos dados que obtiveram na aula). 6*0,7+15*0,3=8,7 Classificação de 11.º, 9 valores, como no 10.º ano obteve 10 valores (provavelmente de forma não muito diferente) a CIF é de 10. Esta aluna obteve 6,3 valores no Exame Nacional. Temos portanto: média de testes, 6; CIF, 10, Exame, 6.
Há, na minha escola, casos ainda mais “extremos”.
Julho 22, 2011 at 6:26 pm
Há neste capítulo muitas pressões sobre os professores na classificação interna, sobretudo nas famigeradas turmas da “medicina”. Há até uma cultivada tendência de certas “elites” sociais (e em terra de cegos quem tem um olho é rei) para se apropriarem dos sistemas públicos que acabam capturados por interesses privados e “chico-espertismos” típicos de quem se sabe “mexer bem “. Acontece na Educação, como na Saúde e por aí fora. Pretende-se, na linguagem futebolística, obter na “secretaria” o que não se consegue em campo.
Portugal pode bem proclamar-se como Estado de direito, mas não passa de uma sociedade do favor. E favor com favor se paga.
Assim como nas decantadas “listas de espera” para cirurgias, muitos dos intervencionados nunca lá figuraram, também há quem se faça “eleger” para Associações de Pais para ter acesso aos Pedagógicos e poder pressionar à vontade e no seu próprio interesse. E os recursos de 19 para 20? E a facilidade com que hoje se dão 20s? E os tombos monumentais que se verificam nos Exames Nacionais? Mas o “crime” compensa, pois a nota interna inflacionada (julgo que escrevi bem) acaba por amortecer a queda. E as autênticas migrações de alunos de escolas mais “forretas” para outras mais “generosas”? E os rankings, que valem o que valem, numa coisa são como o algodão, não costumam enganar.
Julho 22, 2011 at 6:44 pm
Conheço um caso em que uma professora deu uma nota de 10 (por favor, disse ela) no final do 12º ano (Português) e o aluno tirou 16 no exame. Isto fez com que a média não permitisse a entrada no curso pretendido. Um ano a marcar passo na faculdade para poder mudar para o curso que lhe interessava. Em Abril do último ano do curso, após entrevista, começou a ser assediado pela empresa em que se encontra a trabalhar neste momento.
Julho 22, 2011 at 6:50 pm
Eu tenho uma história engraçada, um pouco em sentido inverso, do exame do 9º ano a Matemática, penso que de 1983. Era um aluno um pouco menos que sofrível a Matemática, já no 8º ano o tinha sido. Os meus testes andavam sempre nos 40 e poucos por cento. A professor era austera, mas competente. Acabei por ter 3 no final de período com um empurrãozinho. O exame foi em Setembro. Peguei no manual de Álgebra do Jorge Calado dos antigos 3, 4 e 5 anos dos liceus e suponho que resolvi os exercícios todos (para quem conhece o livro, percebe o que isso significa-já não se fazem livros assim). Tive 5 no exame. Nunca consegui explicar cabalmente isso a mim próprio. Mas a verdade é que passei o 10 e o 11º anos com média de 17 a Matemática. O 12º foi outra história, motivo de uma decisão disparatada…
Julho 22, 2011 at 8:05 pm
Os professores das disciplinas com exame são acusados de facilitismo. E que dizer das disciplinas sem exame, onde a pouca vergonha é total? No caso da Filosofia (11º ano) chega a ser escandaloso como um aluno tira 19 valores no final do ano por fazer um cartaz qualquer ( trabalho de grupo ) e levar de casa os testes já resolvidos ( o professor dizia com antecedência as perguntas ).
Assim não pode ser ! Espero que Nuno Crato concretize uma das suas ideias mais conhecidas : EXAMES NACIONAIS A TODAS AS DISCIPLINAS.
Julho 22, 2011 at 8:53 pm
E já agora na disciplina de Ed. Física…. Aquelas alunas e alunos que não gostam mm nada de mexer o “rabo” e que levam 17 ou 18 pq sim… E a Inglês ??? Um escândalo !!! Portfolios sacados da net e que passam de geração em geração, a pseudo-oralidade hiper valorizada… E depois são estes “profissionais” que pressionam os colegas com disciplinas com exame nacional para “ajudar” os alunos… Isto chama-se falta de ética ou no limite , corrupção !!
PS- A minha disciplina é a do PG e sujeita-se a exame nacional !!
Julho 22, 2011 at 8:57 pm
#28
É isso mesmo, estou inteiramente de acordo.
Não sendo um fanático da chamada “distribuição normal da curva”, demais a mais a priori, custa-me a acreditar que em turmas de 25/26 alunos haja meia dúzia de vintes, mais uns quantos dezanoves, dezoitos e por aí abaixo, parando, claro, nuns poucos com dez. E na disciplina que refere, houve Testes Intermédios pela primeira vez no 10º ano que foram classificados pelos próprios professores das turmas e não ocorreu, na amostra que conheço, qualquer vinte.
Não querendo ser saudosista, sou de uma geração que fez Exames na 4ª Classe, mais Exame de Admissão; no 2º Ano (actual 6º); no 5º (actual 9º); no 7º (actual 11º – não havia 12º e ainda havia Exame de Aptidão) Ora, ainda cá estou.
As coisas acontecem assim porque muitos professores evitam “chatices” sendo “mãos largas”. O sistema está de tal modo pervertido que só se dá mal quem, de facto, trabalha e avalia. Quem distribui notas, diz os testes com antecedência ou deixa pura e simplesmente que o regabofe se instale e o copianço seja total, passa por “excelente” e é muito “querido”.
Ainda há coisa de uns 20 aninhos quem tivesse 100% de positivas teria certamente uma Inspecção à perna, hoje é ao contrário. No modelo de ADD de Maria de Lurdes Rodrigues, antes do tal Memorando, então era um ver-se-te-avias, pois não estava previsto qualquer mecanismo de aferição de tanto “sucesso”. O que tinha saído pela porta, ameaçava entrar pela janela com as “Metas” da “Fada” Alçada, que veio substituir a “Bruxa” ML Rodrigues. Só que uma”Bruxa” é uma “Fada” má e uma “Fada” é uma “Bruxa” boazinha.
Vamos ver como vai ser com Crato.
Julho 22, 2011 at 11:00 pm
[...] Classificações Internas, Externas E Teoria Dos Coitadinhos [...]
Julho 23, 2011 at 1:52 am
Tiro no alvo.
Abraço
Julho 23, 2011 at 9:45 am
Concordo plenamente. AS diferenças entre as classificações internas e de exames passa muitas vezes pela desadequação dos processos de ensinar que ocorrem durante um ciclo em contra-ciclo com o que se consideram as boas práticas. Um das consideradas «boas» práticas é a de formatar os alunos para o exame a vir a partir dos exames anteriores. Dá sempre barraca, porque os exames avaliam um universo de conhecimentos bem mais vastos.
Mas parece que essa matriz está a se oficializada, o reforço das aulas de matemática e português estão em linha com esta filosofia: o sucesso educativo depende da quantidade e não da qualidade dos processos. Teria pena dos meus netos se esta mania não fosse um namorico de verão!