Domingo, 10 de Julho, 2011


Garbage, Push It

DJ school offers lessons in turntablism

Fazed by faders? Then why not sack off that BA in anthropology and throw your tuition fees at DJ lessons from the pros?

Now they want all primary pupils to take a phonics test

Literacy experts have written to the education secretary, pleading with him to do a U-turn on his plan for phonics testing for six-year-olds.

(c) Antero Valério

Na Visão de 5ª feira vem uma peça (pp 42 e uma pontinha da 44) não muito relevante em si mesma sobre os bloguers que estarão a chegar ao poder, usando como exemplos o novo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira do Desmitos que está desde 18 de Junho em pausa, um dos novos assessores de Miguel Relvas, o João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos que continua activo, e ainda Miguel Morgado, assessor político de Passos Coelho, do super-colectivo Cachimbo de Magritte.

Como problema, o facto de ser possível encontrar no calor diário dos posts poucas ou muitas coisas que agora serão capazes de embaraçar estes bloguers nas suas novas funções e obediências.

O tema é apenas friccionante q.b., mas merece um pouco de atenção, porque se misturam coisas bem diferentes no mesmo saco, saco esse a que eu chamaria Geração Galamba, a partir de João Galamba, o deputado encontrado em 2009 pelo PS no Jugular.

Sinceramente, acho que quem escreve em blogues o faz por inúmeras razões, a principal delas fazer-se ouvir/ler. O resto é treta. Se o faz com base em convicções ou ambições é outra conversa. Se o faz com uma agenda política meramente teórica ou com objectivos práticos, se o faz como diletante sem pretensões ou como candidato a qualquer coisa é todo um outro campeonato.

Aquilo a que eu chamo Geração Galamba corresponde aos bloguers que têm uma agenda que mistura a moderada convicção política com a evidente ambição pessoal de chegar a algum lado. Usam a blogosfera como outrora (anos 90) houve quem usasse a imprensa, em especial o Independente (à direita) e, em muito menor escala o (à esquerda).

É gente na casa dos 30 anos, com currículo profissional escasso, embora por vezes com verniz académico numa universidade de maior ou menor prestígio, mas com uma auto-estima em alta e a convicção de quem um destino qualquer está à sua espera.

Na falta de um lugar de primeira fila, acomodam-se – enquanto esperam – ao papel de cortesãos, assessores, chefes de gabinete, consultores. Frequentam a corte, sussurram ao ouvido dos que têm o poder de mando, sentem-se bem por influenciarem e por acharem que estão num processo ascensional em direcção a algo mais do que fazer mera opinião publicada na imprensa (outra derivação comum). É natural. Se assim não fosse, nem existiriam os tais super-colectivos bloguísticos que dominam a geografia (quase fixa) da blogosfera política nacional.

Mas há quem escreva pelo que parecem ser convicções, idiossincrasias muito particulares, pancadas específicas, prazeres especiais.

Era nesse saco que eu incluía o João Gonçalves. Nunca me passou pela cabeça que ele se deixasse confundir com a Geração Galamba, tanto pela idade como pelo trajecto, não esquecendo a qualidade própria do pensamento e da escrita (gostemos mais ou menos).

Mas, cada vez mais acredito nisso, a Geração Galamba é um estado de espírito.

Há demasiados intelectuais que legitimam o que nunca devia ser legitimado: o assassínio de massas. Intelectuais que subordinam a distinção entre bem e mal aos dogmas da sua ideologia política. Intelectuais que fazem grande ruído verbal mas não propõem nenhum discernimento da realidade e reduzem-na simplesmente à sua nemésis, impregnada de ressentimento. Esta é a traição dos intelectuais, mas a história do século XDX mostra que, infelizmente, isto também não é novo.

Rob Riemen, Nobreza de Espírito, pp. 95-96.

Estou cansado disto. E mais complicado de seguir o vai-e-vem do que uma troca de bolas do Borg com o McEnroe em Wimbledon.

Quanto mais leio, mais descreio na verticalidade de certas convicções. Só não sei se das passadas a curto prazo, a médio prazo ou a longo prazo. Ou das presentes. Uma coisa é mudar de opinião, outra não conseguir tê-la mais de um par de semanas.

Página seguinte »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 943 outros seguidores