Junho 2011


“Graves deficiências” na contratação de consultoras e outros serviços por empresas do Estado

Ministério da Justiça não sabe o que paga nem a quem paga

Tribunal de Contas detecta quase 3 mil milhões de despesa pública irregular

… com humor.

Este texto, da autoria de José Calçada, foi escrito em 1977. Ele enviou-mo há uma semana, mais coisa, menos coisa, para o caso de eu achar que mantinha interesse a sua (re)publicação.

Demorei algum tempo a tratar as imagens digitalizadas, para as tornar mais leves, porque apaguei o mail e depois deixei-as algures. Nem de propósito, acho que hoje este texto cai que nem sopas no mel, atendendo à discussão em torno do chamado eduquês e das confusões que, de forma instrumental, estão a querer levantar em seu redor, como se quem se opõe a essa forma de discurso vácuo, apesar de verborreico, se opusesse à escola inclusiva, democrática e tudo o resto.

Nada de mais errado. Aquilo que muitos consideram eduquês é uma construção retórica, uma elaboração linguística desnecessariamente confusa, remetendo para muitos conceitos e pós-conceitos, cujo principal objectivo é transformar em sucesso aquilo que são fracassos da aprendizagem (ou ensinagem, como alguns gostam de dizer). Atacar o eduquês não é defender uma simplista cultura do exame. Mas as confusões e mistificações são usuais numa escola formada na reescrita da História.

Ora este texto de José Calçada é exemplar da denúncia dos excessos de uma escola tradicionalista, positivista na abordagem da avaliação como regra científica, sendo escrito de uma forma límpida e clara que está nos antípodas do eduquês, que germinou a partir dos anos 80 e ganhou imensa força entre nós à boleia do que passa por ser a epistemologia de um B. S. Santos, por exemplo.

Ou seja, José Calçada defende uma escola diferente da que existia – e na minha opinião ela já não existe, por muito que alguns pensem que sim, condicionados pelas suas teias pessoais – fazendo essa denúncia com um discurso claro e acessível a todos, como deve ser qualquer discurso, pedagógico ou científico, que não aposta na obscuridade como forma de ocultar o seu verdadeiro significado.

Erro no exame de Português de 12º: o solo e o território

Sempre contra as mistificações que deturpam a memória.

Há, muitas vezes, a sensação de que as pessoas que giram em torno da Educação são quase sempre as mesmas.

Não é só isso. eles, no mundo da Educação, conhecem-se todos uns aos outros. E têm os seus ódios internos, os seus amores e as suas desavenças. Isso está permanentemente a vir ao de cima. Por exemplo, com aqueles que não gostam das Ciências da Educação (sou insuspeito nesta matéria, porque sou engenheiro mecânico e tenho uma tese sobre o comportamento mecânico de materiais, por isso estou completamente fora dessas questiúnculas), isso é perfeitamente notório.

Por isso é que não fala eduquês?

Pois. Nunca falei. Mas, dentro do mundo das pessoas que falam sobre Educação, que fizeram teses sobre Educação, há escolas entre eles, conhecem-se dos júris, das teses, das faculdades, dos estudos que fizeram no estrangeiro, etc. Escrevem coisas que, muitas vezes são o reflexo das posições que têm à partida e não propriamente o que pensam em relação ao tema específico. Este é mais um pretexto para voltar a afirmar determinada posição contra o senhor tal ou a senhora tal.

Marçal Grilo, Difícil é Sentá-los, p. 274

Declaração de interesses: sou doutorado em Ciências da Educação, na modalidade de História da Educação.

Diário do Minho, 22 de Junho de 2011

Santana Castilho, no Público de hoje:

Um Governo que se limite a uma corporação de técnicos competentes não governa. É governado. Sobre o que já foi dito a propósito da parte conhecida do novo Governo pouco se poderá acrescentar. Impera a ortodoxia financeira do Banco Central Europeu, coadjuvada pela tecnocracia operacional do FMI. Três economistas (Victor Gaspar, Álvaro Santos Pereira e Nuno Crato) e um gestor (Paulo Macedo) fazem a quadratura do cerco. Se Paulo Macedo mandar rezar missa no fim, é porque o Bom Escuteiro acertou nas segundas escolhas.

Claro, claro, havia primeiras escolhas…

Reparai na forma vistosa como já está de pena afiada contra aquele de quem esperava prebenda por ofertário fraco.

Pode ameaçar-me com bengaladas como fez a outrem, voltar a adjectivar-me como animalesco ou mesmo mandar a devota ofender-me, mas esta prosa e outros parágrafos mais abaixo são próximos do ideário fenprofiano nesta matéria. Ainda teremos Vargas & Santos a incensar as críticas que surgirão em catadupa, ao lado das do Octávio lá de cima. Assim veremos como as águas que MLR uniu se separarão de forma muito clara, provocando realinhamentos curiosos por parte dos contra-tudo.

Adivinham-se alianças improváveis, por parte de quem flutua as convicções com base nas esperanças.

Mas seria muito mais simples manter as convicções, sem esperar por elas qualquer compensação. Evitar-se-ia esta forma deselegante de amargura.

… contra a reescrita da História que está a tentar ser feita por alguns…

Nunca sentiu falta dessa formação em ciência da Educação?

Não. Nunca me fez falta. Acho que as Ciências da Educação têm um contributo muito importante para o futuro da educação, mas têm uma linguagem e uma forma de abordar os problemas… Não me faz falta, e não sei se faz falta a alguém, em termos de política educativa (…)

As Ciências da Educação são uma área… Conheço uns textos, mas a linguagem… Há uma coisa em alguma da sua mensagem que me faz um bocadinho de impressão. Talvez seja heresia o que estou a dizer: à educação e formação das pessoas está ligado trabalho intenso, esforço, algum sacrifício. O estudar ou formarmo-nos não é sempre uma coisa agradável, muito colorida. O rigor, a disciplina, fazem parte do processo educativo e, quanto mais cedo se aprende isto, melhor. Acho que, aqui, as Ciências da Educação simplificam um bocadinho.

No sentido da permissividade?

Não, mas no sentido em que há uma super-vontade de aceitar tudo e de tudo desculpar, e de tudo entender, e de tudo compreender, e de tudo justificar.

Marçal Grilo, Difícil é Sentá-los, 2001 (4ª edição, 2002) pp. 272-273.

Miguel Portas “A renovação do Bloco tem de passar pela saída dos quatro fundadores”

(mas podem acrescentar o 5º fundador, aquele que está agora sempre em bicos de pés…)

… de encomendas de livros de estratégia a orientadores-mentores e outras coisas também. Era a ascensão, quase sem contraditório ou fiscalização eficaz, da equipa do ME.

João Pedroso redigiu contratos que o beneficiaram

João Pedroso, constituído arguido na sequência de negócios com o Ministério da Educação chefiado por Maria de Lurdes Rodrigues, também acusada pelo MP, chegou a redigir ele próprio minutas contratuais no âmbito da ajudicação que o iria beneficiar.

Sinceramente, gostava que nada disto fosse provado, porque é demasiado transparente, demasiado…

O de Matemática do 9º ano.

Rock’n Roll

… deu isto:

Já sabia que dava um triângulo, mas queria que fosse pior.

Não houve brancos nem nulos.

 

(c) Calimero Sousa

Travis, Closer

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