Penso que Nuno Crato foi uma excelente escolha para a pasta da Educação, a começar pelo que diz respeito àquilo que é o pensamento dele sobre o Eduquês.
Contudo, penso serem necessárias algumas ponderações e não fecharmos os olhos a elas. Por exemplo, ele defende abertamente a extinção do concurso nacional.
Eis um excerto de uma entrevista recente:
“Depois há uma série de outras coisas: os professores são colocados centralmente, pelo Ministério da Educação – imagine o que se passava no jornalismo, que houvesse um ministério central do jornalismo que dissesse: este jornalista agora vai para o Diário de Notícias, este vai para a televisão, este vai para a Antena 2. Isto é absurdo, mas é o que se passa no Ensino: há um ministério que controla a colocação dos professores.”
É até estranho que pareça ignorar que as pessoas manifestam opções, escolhas no âmbito do concurso nacional e o que se passa ao nível das ofertas de escola, em termos de processos menos transparentes…
Seria interessante que o Paulo colocasse este tema aberto ao debate no seu blogue.
… é só para os bebés terem logo uma prendinha com a efígie do AJJ e uma bolsinha com perdigotagem do JR, daquela que é apanhada no parlamento maderense.
É que assim acabam a embaraçar as pessoas e nem passam para as questões seguintes como, por exemplo, quando pensam dar aquele queque que trazem no pensamento.
Acho sempre muita graça aos tolerantes que se encrespam quando alguém pretende fazer algo diferente. Eu cá dou as minhas aulas, relaciono-me com os meus alunos e atinjo (ou não) resultados com base numa combinação do que sou, do que aprendi e da forma como encaixamos na sala de aula, professor e alunos.
Longe de mim achar que sou exemplo ou modelo para alguém, que tenho mais do que generalidades a dizer sobre isso, pois as especificidades são intrínsecas a cada situação. Por isso mesmo chateiam-me, claro que chateiam, aquele(a)s que acham que o seu modelo, mais do que ser o melhor, deve ser o único.
Uma coisa é criticar, debater. Outra é impor e proibir. Mas é isso que pretendem fazer quase sempre os pseudo-arautos da tolerância fofinha. Façam as coisas, demonstrem as vossas competências, melhor ainda se as desenvolvem nos alunos mas, por caridade, evitem achar que a vossa solução é a única. Ditaduras, nem dessas, as enjoativas.
Quase um terço dos bolseiros que receberam apoio para o seu doutoramento em 2009 “não cumpriram com a obrigação de envio de cópias das teses” e a entidade que atribuiu o dinheiro não suscitou “a sua regularização”. Em causa estão, segundo os resultados de uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), 1432 bolseiros e apoios de 91,2 milhões de euros.
E paguei os encargos todos do meu bolso (bibliografia, deslocações, fotocópias-não pedrosianas, propinas), gozando apenas 3 dos 5 anos de equiparação a bolseiro a que teria direito.
Um conselho prático para que uma boa parte da Fenprof fique feliz: marquem muitas reuniões, negoceiem muito, façam propostas e contra-propostas, nunca dêem um processo negocial por terminado. Mandem vir pizzas, bruschettas ou lasagnas.
Façam de conta que a anterior equipa do ME não foi, com o chicote das Finanças, quem legislou uma proposta de revisão curricular que limpava dezenas de milhares de lugares de professores, quem introduziu as classificações da avaliação de desempenho nos concursos, que assinou um acordou que manietou os professores na sua contestação nas escolas. Prometam um acordo, digam-lhes que eles é que interessam, que mesmo a FNE só é ouvida porque enfim. Elevem-lhes a auto-estima, tornem-nos parceiros preferenciais nas conversações. Nunca neguem uma audiência, por entediante que pareça. Abanem a cabeça sempre, mandem alguém dar beijinhos (uma chefe de gabinete, uma possível secretária de Estado…).
Em declarações públicas elogiem sempre o papel dos representantes magnos da classe docente.
Entretanto, e nos intervalos destas coisas, governem com lucidez. Todos agradeceremos, pais, alunos, professores. Tentem fazer as coisas certas, não ajam de má-fé. Percebam que quem está a leccionar e no terreno tenta (quase) sempre dar o melhor de si.
E eu convencido que o anterior Governo tinha sido um marco na moralização dos gastos do Estado. Afinal, os mortos recebiam, enquanto os vivos viam os salários reduzidos.
Para quem estiver distraído, esta quantia é quase a que o memorando com a troika aponta como necessário para as poupanças na Educação este ano.
A sondagem de ontem, mesmo feita já pela noite, recolheu bastantes votos e parece-me clara. Há, certamente, os que têm já saudades de Alçada & Ventura e de todas as conquistas conseguidas nesse período e do grande avanço que a Educação teve em Portugal desde a noite da Telepizza.