O programa do Governo em matérias como a organização da rede escolar e o modelo de gestão é o exemplo claro da contradição entre os princípios enunciados e as consequências práticas da sua aplicação.
Retomando – como o PS – a retórica da autonomia e da desconcentração, a verdade é que as medidas propostas irão reforçar processos de profunda concentração e controlo no sistema de ensino.
E havia alguma esperança, certamente ingénua, que este Governo fosse mesmo liberal e não apenas no plano da cenografia. Porque liberalismo, na sua radicalidade original, é um projecto de liberdade e não de determinismo.
A combinação da redução do números de escolas do 1º ciclo, com a continuação do processo de gigantização dos agrupamentos verticais e o reforço dos poderes dos directores, vai colocar o nossos sistema de ensino não-superior nas mãos de decisores com um poder local quase absoluto, meramente condicionado por equilíbrios de interesses políticos, sobre a vida de milhares de alunos e famílias e centenas de educadores e professores.
É o húmus ideal para o desenvolvimento do caciquismo e da feudalização escolar, com directores com poderes quase discricionários sobre as comunidades escolares, mas uma forte dependência em relação ao ME central e à vida política local. Sendo que a estes directores não é pedida qualquer prova de ingresso ou demonstração de conhecimentos que não seja a habilidade para seduzir um Conselho Geral que, em muitos casos, ajudou a moldar.
Isto é a antítese de uma autonomia a sério, embora se apresente como tal. No fundo, é o exemplo rematado do discurso pós-moderno eduquês que oculta o insucesso com a enunciação da pedagogia do sucesso. É a ocultação do controlo com a retórica da descentralização e autonomia. Certamente que Nuno Crato reconhecerá o paradoxo, pois ajudou a desmontá-lo para outras áreas da Educação.
Esta lógica é similar a considerar que um feudalismo piramidal, com um sistema de fidelidade hierárquica, permite mais autonomia do que o liberalismo clássico, em que a obediência vassálica é substituído pela igualdade de direitos de todos perante um poder regulador.
Ou seja, o fenómeno concentracionário iniciado com os governos de Sócrates na Educação, ao ser mantido e acentuado, é a negação do verdadeiro espírito liberal porque impõe um modelo único, rígido, em forma de espartilho, em vez de promover soluções plurais e decididas a partir da base. Porque as bases são comunidades, colectivos que se organizam, não uma pessoa iluminada que decide em nome de todos.
Se me disserem que, neste momento, é o único caminho possível, porque a troika e etc, eu responderei que não é verdade. Que esse pretexto é objectivamente falso.
Junho 29, 2011 at 11:14 am
Pois…
http://bulimunda.wordpress.com/2011/06/29/os-sofistas-no-governos-de-portugal-afirmo-que-o-justo-nao-e-mais-do-que-o-util-ao-mais-forte%E2%80%A6-isto-e-em-todos-os-estados-o-justo-e-sempre%E2%80%A6-aquilo-que-convem-ao-governo-constitui/
Junho 29, 2011 at 11:16 am
A concentração faz parte das medidas da troyka, pelo que seria dificil fugir. No que podiam , a suspensão da ADD, não o fizeram.
Junho 29, 2011 at 11:17 am
Em menos de uma semana, a “aliança blogosférica eduquesa” já alastrou até aos “independentes”
http://educar.wordpress.com/2011/06/23/a-alianca-blogosferica-eduquesa/
Junho 29, 2011 at 11:21 am
#3,
Nada de confusões.
Nunca me apanharão ao lado dos guerreiros-relatores e dos que se acomodaram ao 75/2008, em busca de “ganhar posições”.
Há quem se anuncie tresmalhado e há quem o seja.
Junho 29, 2011 at 11:25 am
TUDO RESUMIDO AQUI..ATENÇÃO ÁS IMAGENS MAIS DO QUE À MÚSICA…
Junho 29, 2011 at 11:32 am
Não sei o que te diga, Guinote. O ódio a Sócrates cegou-te. Mesmo assim, nunca pensei que ainda acreditasses no pai natal…
Junho 29, 2011 at 11:35 am
Junho 29, 2011 at 11:36 am
Queriam mudança… aí a têm.
É o fim da escola pública… Os colégios esfregam as mãos de contentamento.
Parabéns para quem não percebeu o que estava em causa Mas não se queixem pq o PSD não enganou ninguém.
Junho 29, 2011 at 11:44 am
#8 Não, é, infelizmente, apenas o continuar do trabalho nos mesmos moldes que o anterior governo vinha fazendo.
Junho 29, 2011 at 11:45 am
# 8
Absolutamente de acordo.
Também avisei com tempo.
Junho 29, 2011 at 11:46 am
#0
“Sendo que a estes directores não é pedida qualquer prova de ingresso ou demonstração de conhecimentos que não seja a habilidade para seduzir um Conselho Geral que, em muitos casos, ajudou a moldar”
Muito bem! Finalmente alguém põe o dedo em uma das feridas. Sendo que, com tanto discurso de “rigor” e “mérito”, esta é uma área das escolas que tem estado aberta ao maior dos amadorismo e não tem sido sujeita a qualquer prestação de contas (onde vai a accountability, que deveria começar por aí?), desde as nomeações que fazem sem qualquer critério evidente, até aos que chamam para fazerem parte da sua equipa.
Prevejo o pior! Não estamos num país nordico pelo que as mentalidades e a ética não são equivalentes.
Junho 29, 2011 at 11:46 am
Está resolvido o problema dos alunos com dificuldades de aprendizagem! Vão todos matricular-se nas escolas privadas! Sou a favor! Aliás, os problemas do ensino estão na escola pública. Privatize-se todas as escolas e os problemas ficarão resolvidos!
Junho 29, 2011 at 11:52 am
# 9
Lamento, mas está completamente enganada.
Recordo-lhe a questão dos colégios com contrato de associação… a partir de agora vai assistir, de forma assumida, ao fim da escola pública e ter o chamado serviço público de educação, com colégios pagos por todos para os de maior capacidade financeira e social e as escolas do estado para os pobres e remediados.
Mas aqui não vamos ter manifestações de 120000, pq os interesses corporativos se sobrepõem à defesa da escola pública.
É da vida!…
Junho 29, 2011 at 12:06 pm
Tive uma professora de uma cadeira de Métodos Pedagógicos que dava as aulas a ler umas folhas…
Junho 29, 2011 at 12:10 pm
Junho 29, 2011 at 12:13 pm
http://zebedeudor.blogspot.com/2011/06/simples-eficiente-e-da.html
Junho 29, 2011 at 12:13 pm
Essa dos Conselhos gerais serem moldados pela Direcção da Escola é pura verdade .A turma do meu mais novo vai ficar dividida porque simplesmente um pai manipulou tudo e todos para que a turma fosse para a Secundária logo uns metros abaixo .A turma que funciona muito bem ,que é bastante homógenea, vai ser detruida porque o pai em questão apenas se está a preparar para ir para o Conselho Geral, da Secundária .Nem imaginam as pressões a que os pais que não aceitam mudar os seus filhos de Escola têm sido sujeitos….Uma vergonha !
Junho 29, 2011 at 12:15 pm
#0,
De acordo com a análise feita.
Os liberais estão arredados do rectângulo.
Aqui, há uma espécie de…”É a ocultação do controlo com a retórica da descentralização e autonomia” como está escrito no post.
Junho 29, 2011 at 12:17 pm
Muito bem escrito, Paulo.
Que fazer com a esperança?…
Junho 29, 2011 at 12:17 pm
#14
Só uma?
Junho 29, 2011 at 12:17 pm
#8 e 10,
Ide com calma.
Junho 29, 2011 at 12:19 pm
13
Eu já não aguento ouvir falar em interesses corporativos. É um chavão. Eu não gosto de ser tratada como uma atrasada mental pelas políticas do ME. Não sou a única a não gostar. Isto é interesse corporativo? Eu penso que é o direito a ser rspeitada.
Junho 29, 2011 at 12:28 pm
#22
Quando está legitimamente a tratar do seu estatuto profissional está a tratar de quê?
Sejamos rigorosos
Junho 29, 2011 at 12:29 pm
Junho 29, 2011 at 12:41 pm
#23,
Consegue definir corporação sem introduzir critérios valorativos nessa definição?
Por exemplo, a defesa dos interesses dos alunos é não-corporativa?
Junho 29, 2011 at 12:51 pm
#8 TOtalmente de acordo.
Aliás fui aqui chamado de Sócratico e de assessor do PS quando falava disso
Totalmente de acordo o PSD NÃO ENGANOU NINGUÉM
Junho 29, 2011 at 12:55 pm
o psd disse para o que vinha…nem mais
enerva-me e dá-me asco pessoas que actualmente estão contra o mesmo psd e nas eleiçoes votaram nele!
nunca pensei mas acho que ha por aqui pessoas que so votaram no psd para acabar com esta avaliacao … tadinhos sao tao ingenuos
1º – esta avaliacao nunca podia acabar pq ja terminou para alguns
2º – esta avaliacao sao “peanuts” relativamente ao que ai vem
Junho 29, 2011 at 12:59 pm
#27,
Julgo que também tenha asco às formas de acentuação.
Já sei, teclado no écran ou coisa assim.
Junho 29, 2011 at 1:01 pm
e ‘ pa’ fala dos conteudos ..deixa la essas mer…
Junho 29, 2011 at 1:01 pm
Aguardo ansiosamente pelo comentário do António Duarte, a dizer que já sabia que tudo isto ia acontecer, que bem nos avisou de que estávamos a seguir o caminho errado e que nunca deveríamos votar com o intuito de derrotar José Sócrates…. apesar dele dizer que queria que Sócrates saísse derrotado.
Já agora, agradecia que o António facultasse, através dos seus reconhecidos dotes premonitórios, a chave do euromilhões.
Pode enviar para o e-mail umbiguistaquevotouútiléumtótóquenãosabenada@direitaesquerda_volver_pcp_be_ps.pt
E, se não for pedir muito, que dissesse também quando é que o Sporitng será novamente campeão nacional. Apesar de aqui compreender o grande esforço e dificuldade inerentes a tamanha façanha.
Sobre o post, eu – sem saber antecipadamente mas considerando bem provável que esta lógica da concentração seguisse em frente -, continuo a achar que ter retirado o pelintra do poder foi o melhor que podia acontecer.
Ou seja: que prefiro que a mesmíssima lógica seja seguida por outros do que por Sócrates.
O que não invalida que já vá começando a carregar as baterias para malhar em quem parece querer se portar mal.
…
Junho 29, 2011 at 1:02 pm
alias nunca iras ver acentos nem maiusculas nem pontuacao de mim
portanto habitua-te ou bloqueia o desalinhado
Junho 29, 2011 at 1:04 pm
#30 vais malhar muito vais…
comeca e’ ja a arranjar contactos no estrangeiro
Junho 29, 2011 at 1:40 pm
Entretanto, espera-se pela nova lei laboral para proceder a despedimentos vários, amigáveis.
Junho 29, 2011 at 1:42 pm
vai ser um rolllll de amigaveis
Junho 29, 2011 at 1:52 pm
Agora percebo melhor o problema – o problema sempre foi pessoal. Até se sabia-se o que aí vinha, as ideias e as reformas…o problema era a substituição dos actores.
É um ponto de vista que se pode entender.
Mas não chega ao fundo da questão, daquilo que está em causa e que se repete e repete…
Isto cansa. E até já não sei onde guardei a bandeira preta.
Junho 29, 2011 at 1:52 pm
O ME só tem a ganhar se optar pela verdade e pela transparência.
Acabar com o actual modelo de gestão;
Acabar com os directores e os Conselhos Gerais;
Dar uma verdadeira autonomia às escolas;
Acabar com ADD;
Rever os Currículos;
Até pode continuar a mega-agrupar mas que o Directivo seja eleito colegialmente.
Até nos podem congelar a carreira por mais uns anos mas que saibamos que não há ultrapassagens.
Não são necessários mais gastos na educação mas os que se fazem que sejam transparentes.
(…)
Junho 29, 2011 at 1:52 pm
#35,
até se sabia
Junho 29, 2011 at 1:58 pm
há uma diferença, temos de concordar, um estilo …
amigável – os senhores e as senhoras deixam de ser nossos colaboradores, mas continuaremos amigos. Estão desde já convidados para o jantar de natal.
Junho 29, 2011 at 1:59 pm
um estilo fofinho
Junho 29, 2011 at 2:01 pm
#29,
O conteúdo é velho.
Não traz novidade e já foi respondido sem ser em comentário.
Eu é que poderia agora inquirir aqueles que achavam que eu estava, de algum modo, relacionado com “isto”.
Junho 29, 2011 at 2:02 pm
e’ velho mas verdadeiro
Junho 29, 2011 at 2:58 pm
Os avisadores não avisaram coisa nenhuma, nem viram nada. A formatação ideológica não lhes permite ver nada porque vêem sempre do mesmo ângulo.
Junho 29, 2011 at 3:18 pm
Ainda estamos no domínio das declarações vagas e sem conteúdos precisos, mas já muitos se investem dos poderes das sacerdotisas de Apolo.
Em transe ideológico contínuo, debitam sentenças incriminatórias, na inércia das profecia desejadas e da impotência terapeutica.
Mela enésima vez expelem o vómito dos infernos, em forma de ameaça do ensino privado.
Giram a cabeça a 360º e repetem o número anedótico do exorcismo do ensino público.
Estão fixados nos clássicos dos anos 70 e não conseguem melhor do que isto.
Junho 29, 2011 at 3:28 pm
# 36
O Natal é só daqui a seis meses…
Junho 29, 2011 at 6:17 pm
Se calhar está na hora de decidirmos o que queremos e podemos fazer para dar luta aos Directores tiranos e autoritários. Ou ao centralismo das DRE’s/ME. Ou aos futuros municípios com competências reforçadas.
É capaz de valer a pena abrir o debate.
E também é capaz de estar na hora de percebermos que o decreto-lei que regula a gestão escolar é mesmo o 75/2008 e não um outro qualquer, certamente mais a nosso gosto. Por agora é o que temos e é com ele que teremos de agir enquanto não se conseguir a sua alteração/revogação.
Junho 29, 2011 at 7:11 pm
Acabe-se já com alguns maus caráteres que estão como Directores É levá-los ao Tribunal de Trabalho
Junho 29, 2011 at 7:30 pm
#43
Entendido. Quer que respeitemos o “estado-de-graça” do novo governo, evitando olhar a desgraça em que já estamos e aquela ainda maior para onde nos querem levar…
Junho 30, 2011 at 2:59 am
Excelente post.
Junho 30, 2011 at 3:15 am
Continua o caminho em direcção às opções totalmente erradas das tais políticas educativas de determinados países de que NC falava há uns tempos recentes atrás ? Ou não?
Neste momento estou muito apreensiva.
Nuno Crato, em quatro secretários de estado, nem um escolhei do ensino nao superior , o que é, para mim, um sinal de problemas vndouros entre um discurso e a sua pragmatização, que o pode desvirtuar na totalidade.
Com esta opção, NC nada mais fez do que fazer o mesmo que todos os outros. Pessoalmente considero um indício muito mau.
Os tipos do ensino superior nada conhecem de educação, dos contextos e até da cultura do país, por norma, vivem na estratosfera e julgam que uma escola e a faculdade deles é a mesma coisa – pois. Engano. Sao duas realidades que nao têm a mínima comparação..
Junho 30, 2011 at 3:17 am
Os sistemas de ensino têm de ter em conta as tradições de cada povo. O seu estádio de desenvolvimento cultural em sentido lato.