No contexto em que eu ingressei no exercício da docência (segunda metade dos anos 80), a existência de uma prova de ingresso até fazia a sua lógica. Porque as pessoas faziam um curso de Matemática, Engenharia, Direito, História, Literaturas e iam leccionar assim mesmo, sem qualquer preparação ou formação adicional.
Entretanto, nos anos 90, vulgarizaram-se os Ramos de Formação Educacional nos cursos das Faculdades e os cursos especificamente para a docência nas ESE.
Quem não tinha essa formação tinha de fazer uma modalidade de profissionalização (na Aberta, voltando à Faculdade e fazendo um RFE, em exercício ou em serviço). A partir daí a média para concorrer era a combinação da média do curso original, da profissionalização e o tempo de serviço prestado. A última vez que concorri, há meia dúzia de anos, foi assim. É falso que os candidatos sejam ordenados simplesmente pela média de curso. Isso só acontece em alguns casos.
Já neste século, há poucos anos, o ingresso na docência passou a ser possível apenas com a profissionalização feita, acabando-se as habilitações próprias ou suficientes, excepto – pelo que observo – nos nichos nebulosos de certos cursos profissionais, cujas áreas não têm habilitações específicas de docência claramente determinadas e tudo fica um pouco ao critério discricionário das direcções ou de quem manda nisso em certos sistemas escolares feudais.
A profissionalização e os cursos que as concedem são objecto de validação pelo Estado que autoriza o seu funcionamento nas instituições do Ensino Superior, Universidades ou Politécnicos.
Se a formação lá ministrada é fraca? Culpa de quem permite – tal como com as privadas-cogumelo dos anos 90 – que existam cursos criados apenas para salvar o crédito horários de docentes que, em boa verdade, andam a formar futuros professores mas nunca conseguiriam sobreviver um mês numa escola básica ou secundária.
A solução seria avaliar devidamente tais cursos, muitos deles especificamente para a docência e mais nada.
Impor uma prova de ingresso na docência a quem foi formado especificamente para ser educador(a) ou professor(a) é um disparate que apenas entala quem passou cinco anos a estudar e, depois de diplomado, lhe dizem que não confiam na sua formação, sendo que quem lhe diz isso é exactamente quem permitiu que essa formação funcionasse.
Repito um argumento antigo: num ME que inclui ensino superior e não-superior, esta medida é um rematado disparate e é o recurso fácil para quem em vez de enfrentar os feudos académicos prefere lixar quem tem menos culpa se existe uma fraca formação inicial de professores.
Querem ter coragem e ser reformistas? Avaliem os cursos de formação de professores e mandem fechar todos aqueles em que a qualidade do corpo docente e das aulas equivale a um mero despejar de teorias livrescas, com métodos pedagógicos que contrariam aquilo que se exige a qualquer professor médio numa escola básica.
Junho 29, 2011 at 10:52 am
“…que, em boa verdade, andam a formar futuros professores mas nunca conseguiriam sobreviver um mês numa escola básica ou secundária.”
Toma!
Junho 29, 2011 at 10:53 am
Um argumento para ela é o de ela ser factor de moderação na discrepância entre médias de cursos.
Junho 29, 2011 at 10:53 am
“Avaliem os cursos de formação de professores e mandem fechar todos aqueles em que a qualidade do corpo docente e das aulas equivale a um mero despejar de teorias livrescas, com métodos pedagógicos que contrariam aquilo que se exige a qualquer professor médio numa escola básica.”
Embrulha!
Junho 29, 2011 at 10:55 am
Estás, mais uma vez, brilhante, PG.
Gosto desta forma directa de atacar o problema e olha que não faço parte da legião que está sempre de acordo contigo…
Junho 29, 2011 at 10:56 am
Nem mais… muito bem!
Junho 29, 2011 at 10:56 am
Duvido que o Governo (muito menos com Nuno Crato) ceda em não aplicá-la; Além do mais, o PSD nunca escondeu que a defendia. Deste modo, qualquer tentativa de negociação para não aplicar a prova, estará sujeita ao fracasso. A única solução será fazer com que a prova tenha carácter classificatório e não eliminatório.
Junho 29, 2011 at 10:58 am
Só uma pequena achega: nos finais dos anos 80 a profissionalização em serviço constava, no primeiro ano, dos 2 anos de profissionalização, da realização de determinadas unidades curriculares nas ESEs.
Concordo em absoluto com o que diz. Se os professores não têm formação adequada a culpa só pode ser das instituições de Ensino Superior que eles frequentaram.
Junho 29, 2011 at 11:00 am
O ónus fica todo no futuro candidato a universidade/instituto larga-o no final do curso e com jeito, em particular se for privada, ainda generosamente lhe vende um pacote adicional de aulitas para se preparar para a prova de ingresso.
Assim todos ficam satisfeitos menos o mexilhão pois esse XXXX-XX como de costume.
Junho 29, 2011 at 11:04 am
Pois, também acho. Penso que as escolas que formam professores têm que ser credibilizadas. O problema começa mesmo por aí. Não ssei se é uma questão de facilitismo, de desleixo, de incompetência, ou de outra coisa qualquer, mas a verdade é que com alguma frequência damos com profissionais professores que nos deixam um pouco constrangidos. Há tempos, frequentei uma acção de formação ministrada por professores universitários que entre outras coisas diziam, por exemplo: “Isso, a mim pareceria-me muito mal” e ” ..esse exemplo teria-me deixado …”. Isto não foi engano. Era pura ignorância sobre os condicionais pronominais. São professores universitários e estavam a dar formação a outros professores!…
Junho 29, 2011 at 11:08 am
Só uma dúvida pouco inocente: e para integrar o quadro de docentes do ensino superior será também necessária prova de ingresso?
Junho 29, 2011 at 11:10 am
#2,
E quem fará essa prova?
Professores das Faculdades cujos cursos são considerados incapazes de formar novos professores em condições?
Junho 29, 2011 at 11:11 am
Concordo!
Isto leva-me a recear, também, que possa vir a ser um emporrãozinho para a criação de uma ordem de professores, com consequências imprevisíveis…
Junho 29, 2011 at 11:12 am
…mandem fechar todos aqueles [cursos de professores] em que o corpo docente [usa] métodos pedagógicos que contrariam aquilo que se exige a qualquer professor médio numa escola básica.
A linha política que resolveria o problema está bem enunciada. Sabemos que a via que o ministro irá seguir não é essa. Sabemos da influẽncia do lobby dos privados no ensino, que dão ordens até ao Presidente da República. Mas Nuno Crato já tinha daclarado o seu apego aos exames de admissão à carreira docente muito antes de ser ministro. Assim as escolas privadas de docentes continuarão a fazer o seu negócio, mas agora sob a chancela de um prestigiado autor de divulgação da matemática. Prova viva de que a disciplina do pensamento, mesmo quando é manifesta, não é extrapolável para diferentes campos de aplicação.
Junho 29, 2011 at 11:12 am
ENFIM…CAMINHAMOS CADA VEZ MAIS PARA O LEMA: CADA UM POR SI…E O ANO QUE VEM VAI SER A PROVA VIVA DISSO…
http://bulimunda.wordpress.com/2011/06/29/goncalo-m-tavares-grande-premio-de-romance-e-novela/
ida Sempre a indesencorajada alma do homem
resoluta indo à luta.
(Os contingentes anteriores falharam?
Pois mandaremos novos contingentes
e outros mais novos.)
Sempre o cerrado mistério
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes;
sempre os ávidos olhos, hurras, palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.
Walt Whitman,
Junho 29, 2011 at 11:15 am
Reparem que as universidades e ESEs são mais que muitas, muitas delas particulares e todas, públicas ou privadas estão em furiosa competição para angariar alunos e manter as portas abertas. Recorrem para isso a todo o tipo de publiciade para aliciarem os candidatos. Bolonha tem sido um desastre no meio disto tudo e todos sabemos, porque somos professores, alguns a há muitas anos, a diferença que vemos na preparação dos nossos alunos de hoje e de há alguns anos atrás e sabemos que muitos dos que ingressam no ensino suparior, nomeadamente através dos mais 23, nem para o ensino básico estão preparados. Passados anos estão cá fora, já doutores, e o resultado está à vista. O mínimo que se desejava era que estes novos licenciados não fosses professores… mas, infelizmente, não é assim.
Junho 29, 2011 at 11:18 am
Desculpem as gralhas em #15. São várias.
Junho 29, 2011 at 11:18 am
De facto, no contexto actual de formação de docentes, isto não faz qualquer sentido. A existir esta prova, é necessário acabar com todos os cursos de formação de docentes e voltar à modalidade antiga; as pessoas fazem o seu mestrado na área que desejam e depois, se sentirem vocação ou desejo de ingressar na carreira docente, fazem dois anos de didáctica e de prática pedagógica, então sim, farão a prova para ingressar na carreira. Assim, teriam sempre mais hipóteses de seguir outra carreira, com o seu mestrado, que não apenas o ensino e estaria aberta a porta da docência a candidatos graduados e altamente qualificados que, em determinado momento da sua vida, desejem ser professores. As escolas superiores de educação deveriam ficar apenas com a formação para o pré-escolar e 1º ciclo e com cursos técnico-profissionais. Mas é, por demais evidente, que acabar com isto é uma utopia, porque os interesses instalados falam muito mais alto do que os zecos, que acabarão sempre como o mexilhão. Isto vai trazer consequências que, a curto e médio prazo, até serão positivas, vai afastar os candidatos à docência, que escolherão outras áreas com mais oportunidades e menos risco. Mais tarde acontecerá o que já acontece em muitos países europeus, terão que importar docentes.
Junho 29, 2011 at 11:19 am
Concordo inteiramente consigo Paulo.
Acrescentaria apenas que, face à quantidade de propostas de formação oriundas de algumas Universidades, pagas a peso de ouro, não acredito que o sr ministro tenha margem de manobra política, para enfrentar esses interesses de entidades privadas, agora elevadas a “salvadores/as” da economia nacional.
Que tristeza!
Afinal… o pequeno é quem se lixa duplamente.
Crescerá assim um sério problema de confiança!
Junho 29, 2011 at 11:21 am
#11. Paulo, em diversos países são Universidades de reconhecido mérito ou institutos acreditados para o efeito.
Junho 29, 2011 at 11:23 am
Os licenciados em Direito que querem exercer, também não fazem uma prova na Ordem dos Advogados?
Junho 29, 2011 at 11:24 am
Absolutamente de acordo.
Junho 29, 2011 at 11:25 am
Considerando uma instituição de prestígio, se a escala é de 10 a 20, de facto, há uns (professores) melhores do que outros.
Não se pode certificar um “professor” com médias baixas? Se há vagas, serão professores quer os melhores quer os piores.
Junho 29, 2011 at 11:25 am
Pois… a ordem!
Junho 29, 2011 at 11:26 am
#20,
Não existem cursos de advogado.
Existem cursos de Direito.
#19,
O que é, entre nós, uma “universidade de reconhecido mérito” nesta matéria?
A Universidade do Minho que (a)credita os mestrados, doutoramentos e formadores?
Houve prova de ingresso para esses certificadores?
Será que o meu doutoramento em História da Educação foi certificado por alguém com “reconhecido mérito”?
Junho 29, 2011 at 11:27 am
Concordo!
Junho 29, 2011 at 11:30 am
Fui orientador de inglês do estágio do ramo educacional de 1992 até 2010 e não foram poucos os que ficaram pelo caminho depois de 6 anos de faculdade. Não foi fácil destruir alguns sonhos, mas nunca validaria uma licenciatura em ensino a alguém que não tinha o “perfil” (nunca gostei desta palavra) para ser professor. Por outro lado, os melhores também há uma dezena de anos que não entravam no sistema, emigraram e muitos são hoje professores de Inglês (pasmem) em escolas públicas inglesas e colégios particulares espalhados pelo mundo.
Junho 29, 2011 at 11:31 am
#24. “Será que o meu doutoramento em História da Educação foi certificado por alguém com “reconhecido mérito”?”. Se formos por aí, qualquer processo de avaliação e certificação é posto em causa, o que resultaria num caos. Já há pessoas a colocarem em causa a legitimidade de medição em exames. Qualquer dia fazem o mesmo em relação às provas que fazem aos alunos! É o pôr tudo em causa.
Junho 29, 2011 at 11:32 am
Há uns meses, numa formação com Roberto Carneiro, ele disse uma coisa muito simples respondendo a uma questão ainda mais simples: se tivesse que tomar apenas uma medida em relação à educação, que medida seria?
Avaliava com isenção todos os cursos de formação de professores e encerrava todos aqueles que não oferecessem garantias de qualidade que, na opinião dele, são muitos.
Exame de admissão é a demissão do Estado enquanto regulador da Formação Superior com a agravante, como diz PG, de agora o ensino Superior e Básico estarem no mesmo Ministério.
Junho 29, 2011 at 11:33 am
Perguntar não ofende.
Será que Nuno Crato também irá impor aos diplomados da escola de oficiais do exército um exame de admissão à carreira militar?
Sugestão: ver título do post (#0).
Junho 29, 2011 at 11:36 am
#24. Sim, não existem cursos de advogado. É verdade. Mas é muito estranho que se faça um curso de Direito e depois não se faça o exame da Ordem dos advogados. Sem esse exame, as possibilitadas ficam reduzidíssimas.
Junho 29, 2011 at 11:37 am
Leia-se “as possibilidades”
Junho 29, 2011 at 11:39 am
João Dias da Silva
«o programa [do Governo] não é claro» sobre se se trata da «existência de uma prova já depois da formação inicial concluída ou se se pode imaginar uma solução de uma prova durante a formação inicial, nomeadamente na passagem do primeiro para o segundo ciclo de formação».
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=22865
Podia ser uma solução ser feita a referida “prova de conhecimentos” na passagem do 1º para o 2 ciclo no ensino superior e deixando a avaliação das questões pedagógicas para o período probatório.
Junho 29, 2011 at 11:41 am
#20
Depois dos meus 4 anos de licenciatura em Filosofia (como os advogados fazem 4 anos de Direito), fiz 2 anos (1 teórico+1 de estágio) de especialização em Ensino da Filosofia (como o candidato a advogado, que também faz um estágio de adocacia).
Que é que considera que preciso mais?
Junho 29, 2011 at 11:50 am
#33. Eu já havia referido que um dos argumentos para a prova, é ela ser factor de moderação no que se refere à discrepância entre médias de cursos.
Junho 29, 2011 at 11:58 am
Alguns comentadores continuam a lógica de não querer ver a realidade, apenas estão orientados para “malhar” nos professores. Nem que tivessem na sua frente os professores mais geniais e bem preparados do Mundo, continuariam a afirmar, do alto da sua ignorância, que a preparação ainda não chega, que é preciso mais não sei quê.
Numa palavra, a campanha para denegrir esta profissão prossegue!
Continuem… “Construam” esse modelo de achincalhamento, mostrem-no aos jovens e depois queixem-se que eles vos levaram a sério…
Junho 29, 2011 at 12:02 pm
Eu comecei também a ensinar nos anos 80, assim que acabei a minha licenciatura, sem qualquer formação pedagógica, e tinha imensos colegas sem licenciatura nenhuma, só umas cadeiras do curso X e Y e na casa onde eu vivia estava uma “professora” que só tinha o 12º. ano. Nessa altura, como ainda havia falta de professores, entrava toda a gente, não se avaliava nada e havia muita irresponsabilidade: era faltar até dizer chega, etc. Hoje, com estágios obrigatórios, com cursos para a docência, com tanta Ciência de Educação, tanto especialista na matéria e é o que se vê. Os cientistas da educação não acreditam naquilo que fazem (é aqui que eu concordo com eles) e há que introduzir exames, para despistar as lacunas que deviam ser prevenidas durante o curso.
Junho 29, 2011 at 12:12 pm
Se há dúvidas elas devem ser investigadas nos organismos que as oferecem, e não a posteriori, após ter completado. A culpa não é de quem tirou a licenciatura mas de quem a forneceu, com ou sem qualidade. Mas nesse campo, seria duvidar dos nossos doutorados , mestres e afins das Universidades, e com estes ninguém se mete. É mais fácil exigir ao professor que seja examinado, pois o problema deve ser mesmo do professor… Enfim, é a continuação da política da MLR.
Virou-se o disco mas toca o mesmo.
Junho 29, 2011 at 12:20 pm
#0,
De acordo.
É assim como ter-se uma infecção com febre e usar-se um analgésico.
(hoje estou de acordo com o autor do blog, mas não estou doente)
Junho 29, 2011 at 12:22 pm
E os resultadoss contarão para avaliação dos doutoress das ESE’s (e das próprias ESE’s), ou isso é só para nós?
Estou a ver que o desígnio é o mesmo. JS só serviu pq era ignorante e fez o trabalho mais sujo. Há alguém por detrás disto tudo e nem nos passa pela cabeça quem seja. Até CS é um mero instrumento.
A desilusão é enorme. O futuro de Portugal é negro.
Junho 29, 2011 at 12:28 pm
#27,
Nada disso.
Usei o argumento apenas ao serviço de perceber como será escolhida a “equipa” ou “entidade” que regulará o acesso à profissão.
Normalmente é uma Ordem profissional… não o Estado que valida a formação que depois pretende examinar.
Percebe a incongruência… certamente!
Junho 29, 2011 at 12:28 pm
o futuro é criar elites restritas para que o rebanhos obedeçam ordeiramente…nada mais do que isso..aqui e em quase todo o mundo…seja a esquerda seja à direita…um admirável mundo novo nova versão…
Junho 29, 2011 at 12:32 pm
Relativamente à questão dos engenheiros e dos advogados: Se as respectivas ordens exigem uma prova é porque não confiam na formação dos respectivos cursos. Aliás, na Ordem dos Engenheiros só é exigida prova para “cursos não reconhecidos” – os restantes têm entrada directa. A grande questão é que nenhuma das ordens tem poderes sobre as insitutuições que leccionam os respectivos cursos superiores. No caso do ME, é o próprio ME a por em causa os cursos que ele próprio tutela! Só falta reconhecer uns e não reconhecer outros! O ME não é uma ordem. É a própria autoridade. E se considera que os cursos não têm qualidade, tem bom remédio – feche-os! Agora permitir que haja quem os frequente, convencido que está num sistema sério, para depois dizer que o canudo não vale nenhum, tem nome – é fraude.
Junho 29, 2011 at 12:48 pm
Concordo com a prova de ingresso na profissão, mas só para aqueles que ainda não começaram os respectivos cursos. Ou seja: será uma injustiça de todo o tamanho obrigar aqueles que já se formaram a fazer a tal prova de ingresso…
Junho 29, 2011 at 12:50 pm
Não me parece que o argumento de que o Estado valida cursos de que ele próprio desconfia colha muito. Existem cursos em que a média das médias finais andará entre os 10 e os 12 e outros em que andará entre os 14 e os 16. Isto são meros exemplos. Tanto uns como outros são válidos. As pessoas fizeram-nos e obteram os respectivos diplomas. Mas também nada nos garante que é melhor um curso como esse último exemplo. A prova pode ser, então, um factor de moderação nessas discrepâncias.
Junho 29, 2011 at 12:51 pm
Leia-se “obtiveram”
Junho 29, 2011 at 1:08 pm
“Podia ser uma solução ser feita a referida “prova de conhecimentos” na passagem do 1º para o 2 ciclo no ensino superior e deixando a avaliação das questões pedagógicas para o período probatório.”
Sem dúvida, a solução mais adequada e a mais pertinente. Ou, até mesmo no final do 1º ano do 2º Ciclo.
“Aliás, na Ordem dos Engenheiros só é exigida prova para “cursos não reconhecidos” – os restantes têm entrada directa. ”
Não é bem assim, só os cursos não integrados nos colégios da Ordem que os possam reconhecer, é que fazem o exame. Alguns cursos não reconhecidos podem entrar directamente, fazendo o estágio de 6 meses ou de 2 anos ou ainda a 3ª via (por reconhecido mérito do currículo profissional).
Falando no exame, que eu tive que fazer na altura pois eng.industrial na altura não se integrava em nenhum dos colégios(hoje já entra no de Mecânica), era bem difícil e com pendor eliminatório. Corporativismo no seu melhor.
Junho 29, 2011 at 1:18 pm
FORÇA… EXAMES PARA OS PROFESSORES JÁ
vcs nao devem saber ler…
os homens (psd) nao enganaram ninguem, ja com hitler foi igual
alias pessoal com menos de 18 anos de serviço devia ter exames á força toda
mais de 18 nao… estou la eu e nao votei sem ler
Junho 29, 2011 at 1:30 pm
APLAUDO!
Assim é que se fala, digo, escreve…
Bem haja Paulo Guinote
Li do princípio ao fim e concordo plenamente.
Junho 29, 2011 at 1:46 pm
O que se passa, é que as universidades, não preparam os professores, para a realidade que vão encontrar.
As cadeiras que têm durante o curso, é um conjunto de teorias, pertença de um conjunto de iluminados, que nunca colocou os pés numa escola de EB por exemplo. Fazem licenciaturas, mestrados, doutoramentos em temas que pouco vão servir para ajudar no terreno.
O que ministram e dão aos outros, não é mais do que esse conjunto teórico de saberes. Se a teoria é uma parte importante para desempenhar uma função, seja em que área for, ela não pode ser dissociada da realidade e não sobrevive, se não for aliada a uma prática e a uma realidade.
Falando particularmente do 1º ciclo, e tendo algum conhecimento do trabalho desenvolvido por algumas estagiárias, a formação delas não passa pelos programas que irão encontrar no 1º ciclo. A matemática por exemplo, é de um nível bem superior. Claro, que ninguém pode ter apenas na sua formação de base, o que vai ministrar, no curso que escolheu. Mas, grande parte dessa formação, tem que passar pelo contacto dos conteúdos que futuramente irão dar.Isso não se passa.
Os doutores, que estão nas universidades, não têm eles próprios bagagem científica ao nível do 1º ciclo. Dão o que lhe deram a eles, e aproveitam os conhecimentos científicos que têm,do que investigaram ou não, para despejar nos alunos que recebem.Estes saberes poderão ser importantes, mas não o são, para determinada realidade, não servem muitos dos interesses dos alunos.
Estou-me a recordar duma professora recém formada, que há uns anos, veio dar aulas para a minha escola e não sabia como dar a divisão.
Disse, que tinha aprendido, quando andava na escola, esqueceu, porque usava calculadora, e ninguém lhe tinha explicado, como se dava a divisão, aos alunos de 1º ciclo. Este é um exemplo caricato, mas mais real, do que alguns possam imaginar.
Deixo apenas esta questão: Será que a culpa é dos professores, que acabaram de sair duma universidade, com um diploma na mão, a certificar os saberes que lhe transmitiram?
Se têm um certificado, porquê fazer uma prova de ingresso na profissão?
Desconfiança?….
Junho 29, 2011 at 1:59 pm
Enviei o link deste artigo para todos os endereços de e-mail de professores e pessoas ligadas à educação de que disponho.
O PG não podia estar mais correcto (deitou por terra numa assentada, inclusive, alguns argumentos laterais de comentários que fiz numa entrada anterior…)
Obrigado por estas ‘epifanias’ a que nos conduz de quando em quando!
Junho 29, 2011 at 2:14 pm
#42
Exactamente pelos argumentos que apresenta, e por outros, que nós (professores) deveríamos ter (criar) uma Ordem…
Se o Estado deve tipificar os conhecimentos (e competências ?) mínimos exigíveis para o final de cada nível de ensino, deveria caber a uma Ordem dos Professores propor balizagens gerais e orientações sobre como lá chegar.
Às escolas, sob supervisão/inspecção do ME e OP (entre outros, talvez), proceder às definições e desenhos de detalhe desses processos (parece-me que, só mediante estruturas deste género, aqui referidas de forma muito simplista e superficial, será possível que a Educação emane da sociedade a que diz respeito – e isso é que seria uma ‘Educação Democrática’…).
Aos sindicatos estritamente o que é do foro laboral, pois que é (e deve ser em exclusividade!) essa a sua vocação.
Junho 29, 2011 at 2:19 pm
la´ vem este com os “tachos” da ORDEM
Junho 29, 2011 at 2:33 pm
#52

Pois, e qualquer sociedade minimamente organizada está sempre e necessariamente pejada de ‘tachos’. Será isso!?
Vejamos o nosso país, e a começar por cima:
1º Presidente da República;
2º Pres. Assembleia da Rep. – ou será presidentA
3º …
Junho 29, 2011 at 2:51 pm
Sim, concordo. Em primeiro lugar, fazer exames de admissão para a docência punha em xeque a própria lógica de certificação: o estudante que termina o curso de professor (quer feito duma só vez ou em duas partes) está, por inerência, certificado a leccionar, por muito mal que tenha sido alegadamente formado.
Em segundo lugar, não haveria argumento (senão o meramente legal) de aplicar obrigação numa base retrospectiva: os que já estão a leccionar teriam as competências que os outros, suspeitadamente, poderiam não ter? Bastaria umas semanas ou uns meses de exercício da docência para adquirir os skills que aqueles exames visariam comprovar?
Em terceiro lugar, e numa lógica mais abrangente, não há argumento para explicar que este exame só se deveria aplicar exclusivamente à classe docente: outras profissões, que exigissem curso superior, não teriam que ver comprovadas as suas competências via uma prova? Não as têm que exijam o seu uso na profissão ulterior? São menos exigentes? Exigiriam menos responsabilidade ou accountability? Etc.
Eu defenderia um exame de acesso à profissão à classe política com funções governativas…
Junho 29, 2011 at 2:53 pm
#13, quanto a isso, desconheço trabalho científico relevante no campo da matemática pura publicado em revistas da especialidade da autoria do agora ministro. A sua página web no ISEG indica várias publicações no campo da estatística e matemática aplicada à economia. Mas tanto quanto sei é antes conhecido pela reflexão aprofundada que fez dos vícios do nosso sistema educativo e também pelas obras de divulgação científica que lhe valeram inclusive um prémio.
Junho 29, 2011 at 3:15 pm
O Paulo esquece um argumento essencial: mesmo criteriosamente creditados, a necessária autonomia pedagógica faria com que as diferentes instituições de formação de professores tivessem critérios de classificação distintos, algo que hoje acontece de forma vergonhosa (as privadas de vão-de-escada a ganharem por muitos) .
Portanto, além da avaliação do Ensino Superior que forma professores, também devia haver prova de ingresso para mitigar os que tivessem a sorte de calhar numa instituição mãos-largas (nesta lógica de ideia era igualmente importante uma “prova de continuação”).
Deixe-me perguntar-lhe, porque tem de levar até às últimas consequências a sua tese: para quê então Exames Nacionais para o ingresso no Ensino Superior? Não deve o ME confiar nas notas atribuídas pelas instituições que foram creditadas para tal?
Junho 29, 2011 at 3:30 pm
# 20
não foi essa que foi declarada inconstitucional e que deixou o Marinho Pinto pior que uma barata?
Junho 29, 2011 at 3:34 pm
#56, pessoalmente discordo que existam provas distintas para conclusão do ciclo de escularidade e para acesso ao ensino superior. Mas acho que exames nacionais, que sirvam os dois objectivos, devem existir como etapa final dos processos de aprendizagem e avaliação.
Junho 29, 2011 at 3:41 pm
Não podia estar mais de acordo!!Por isso mesmo, insisto: para quando a coragem de nomear para a pasta do Básico e Secundário alguém daí mesmo? Alguém que conheça, efectivamente, o terreno? Já chega de académicos, teóricos… O emaranhado legislativo que temos na educação resulta disso mesmo.
Junho 29, 2011 at 4:04 pm
Então, se bem percebi, a lógica é:
Se o estado não regulou a formação até agora resta-lhe admiti-los como funcionários sem mais discussão.
Percebi bem?
Junho 29, 2011 at 4:30 pm
[...] http://educar.wordpress.com/2011/06/29/a-forma-mais-facil-e-entalar-o-mexilhao/ [...]
Junho 29, 2011 at 4:38 pm
Com prova ou sem prova de acesso, tirar um curso para a docência é tempo perdido, uma vez que nem os contratados à 10 anos ou mais sabem se têm colocação, quanto mais os que iniciam funções.
Junho 29, 2011 at 6:48 pm
#58, escolaridade…
Junho 29, 2011 at 6:58 pm
porra que é de palmatória…
Junho 29, 2011 at 7:14 pm
#30
A ordem ministra formação aos candidatos a advogados e só depois é que fazem exame, nenhum faz exame só com o que aprendeu na faculdade.
Depois fazem o estágio e só então se forem aprovados em ambos é que se podem inscrever na ordem como advogados.
Mas chega de comparar o que não é comparável a prova de acesso à profissão de docente já existe e uma boa parte de nós a fizemos. Tal como disse num comentário anterior e o PG recorda neste Post.
Acho que o que o ministro quiz dizer (só isso faz sentido) é que as Universidades têm que se pautar por critérios de exigência e qualidade quando aprovam a profissionalização dos professores.
Acho que um 1º passo a dar era acabar com os cursos integrados, pois devia existir a licenciatura e só depois a formação dos que pretendiam seguir a carreira docente.
A miscelânea existente hoje em dia não serve nem alunos/futuros professores nem os futuros alunos destes, pois para conseguirem dar tudo em tão pouco tempo cortam nas disciplinas especificas de cada curso.
Embora ache este assunto pacifico, já não entendo bem as provas a meio da carreira, excepto se se prentende seguir o modelo Universitário e dividir a carreira de professor em 3.
Junho 29, 2011 at 9:22 pm
#65
Já não há cursos de licenciatura integrados (ramo educacional/via ensino. Há mestrados profissionalizantes.
Sobre o post, concordo com a existência prova de ingresso, tal como com o encerramento dos mestrados de ensino nas más universidades/politécnicos.
O meu irmão, professor de Educação Física, formado pela FADEUP (ex-FCDEF-UP), também concorda com o exame, é que o rapaz analisa as listas e vê os colegas dele do secundário (muitos deles alunos fracos), que tiraram o curso no ISMAI, todos à sua frente nas listas, com notas de curso sempre acima dos 15 valores.
Junho 29, 2011 at 9:55 pm
subscrevo …
Junho 30, 2011 at 12:09 am
Boa noite!
Não percebo esta aversão às provas para ingresso na carreira de professor. É sabido que as universidades avaliam de forma muito díspar. Há cursos em que basta atravessar a estrada para que a média suba 5 ou 6 valores. Os alunos que estão nas universidades que não primam pela exigência são aqueles que entram com mais facilidade no sistema de ensino. Pelo contrário, aqueles que estudam nas universidades em que o grau de exigência é mais baixo são aqueles que entram com mais facilidade no sistema de ensino. A ideia que o estado pode fechar as universidades que inflacionam as notas revela muita ingenuidade. Estas afirmações são fáceis de proferir, mas todos sabem quão difícil é fazer prova disto. Por isso, julgo que a maneira mais fácil de resolver o problema é realizar o exame de admissão à profissão, pois, deste modo, as universidades e escolas superiores preocupar-se-iam em preparar adquadamente os seus alunos em vez de inflacionar de modo vergonhoso as notas.
F. Pinheiro
Junho 30, 2011 at 12:17 am
Caro Paulo Guinote
Há muito tempo que sigo o “A educação do meu umbigo” umas vezes mais assiduamente do que outras. Concordo com muitas (não com todas) das suas análises mas esta sua revolta contra o exame de ingresso não entendo. Concerteza que já leu e ouviu o Ministro muitas vezes. Qual é o motivo da sua surpresa?
Espero estar enganado mas, do que li e ouvi ao actual ministro, parece-me que estamos perante um dos piores ministros que alguma vez teve a tutela da educação o que, convenhamos, depois do que aconteceu nos últimos anos, é muito dificil. Acredito, convictamente, que, com a sua ignorância e ideias feitas (leia-se: sem base empírica) sobre a educação que vamos tendo fará mesmo implodir o ministério.
#2 No meu tempo, que já foi alguns anos depois do 25 de Abril, era legalmente determinada a média nacional a que todas as escolas do Magistério Primário estavam obrigadas a respeitar.
Junho 30, 2011 at 12:29 am
Exame já para o 62!!!
“Há”