Este texto, da autoria de José Calçada, foi escrito em 1977. Ele enviou-mo há uma semana, mais coisa, menos coisa, para o caso de eu achar que mantinha interesse a sua (re)publicação.
Demorei algum tempo a tratar as imagens digitalizadas, para as tornar mais leves, porque apaguei o mail e depois deixei-as algures. Nem de propósito, acho que hoje este texto cai que nem sopas no mel, atendendo à discussão em torno do chamado eduquês e das confusões que, de forma instrumental, estão a querer levantar em seu redor, como se quem se opõe a essa forma de discurso vácuo, apesar de verborreico, se opusesse à escola inclusiva, democrática e tudo o resto.
Nada de mais errado. Aquilo que muitos consideram eduquês é uma construção retórica, uma elaboração linguística desnecessariamente confusa, remetendo para muitos conceitos e pós-conceitos, cujo principal objectivo é transformar em sucesso aquilo que são fracassos da aprendizagem (ou ensinagem, como alguns gostam de dizer). Atacar o eduquês não é defender uma simplista cultura do exame. Mas as confusões e mistificações são usuais numa escola formada na reescrita da História.
Ora este texto de José Calçada é exemplar da denúncia dos excessos de uma escola tradicionalista, positivista na abordagem da avaliação como regra científica, sendo escrito de uma forma límpida e clara que está nos antípodas do eduquês, que germinou a partir dos anos 80 e ganhou imensa força entre nós à boleia do que passa por ser a epistemologia de um B. S. Santos, por exemplo.
Ou seja, José Calçada defende uma escola diferente da que existia – e na minha opinião ela já não existe, por muito que alguns pensem que sim, condicionados pelas suas teias pessoais – fazendo essa denúncia com um discurso claro e acessível a todos, como deve ser qualquer discurso, pedagógico ou científico, que não aposta na obscuridade como forma de ocultar o seu verdadeiro significado.





Junho 22, 2011 at 7:27 pm
Já estamos a melhorar.
Avaliação externa positiva.
Agora só falta um texto do José Calçada sobre o “sindicalês”.
E muda de escalão.
Junho 22, 2011 at 7:34 pm
Também me parece que o debate se está a tornar mais sério e sem teias de aranha ou respostas chapa 3- Maio de 68, etc.
Assim é mais honesto.
Junho 22, 2011 at 7:41 pm
No fundo, a visão da escola tradicional de José Calçada, no que se refere, por exemplo, ao aluno que falta para ajudar em casa e que o prof. põe de parte porque seriou os alunos pela sua classe socioeconómica, é a que vigora em muitas das mentes que gravitam em torno do ME.
Para eles, a ideia de escola = possibilidade de ascensão social não existe. Por isso, criaram os CEF e profissionais e defendem que ensinar Pessoa a esses alunos é uma disparate. Ou seja, aqueles que não nasceram em berço porquer não o tinham estão condenados à partida e não é a escola que os vai salvar.
Junho 22, 2011 at 7:42 pm
Através do Terrear, cheguei a este blogue de uma professora de Matemática que não conheço e onde se bate forte e feio no Nuno Crato, quer no post, quer nos comentários. Não faço ideia quem seja, talvez o Paulo conheça
Será que os muitos professores, como eu, que ficámos entusiasmados com a escolha de NC para ME somos todos ignorantes e acríticos, como por lá se diz?
http://msprof.blogspot.com/2011/06/comentario-ao-discurso-do-novo-ministro.html#comments
Junho 22, 2011 at 7:45 pm
Mais opiniões:
http://jbarbo00.blogspot.com/2011/06/o-ministro-do-eduques-e-agora-do.html
Junho 22, 2011 at 8:11 pm
Fui ver os ditos blogues.
Não há dúvida que aproveitam da maré.
Dizem mal do que não conhecem.
Dizem mal das pessoas com boçalidade.
Se isto é o melhor que a oposição consegue fazer… É muito fraquinho e está fundado no insulto barato.
Não é para levar a sério num Blogue que soma MILHÕES de acessos.
Junho 22, 2011 at 8:12 pm
#4
Alibabá:
Vai ficar à espera que o Paulo Guinote lhe passe algum certificado?
Não seria melhor procurar a resposta à sua pergunta pelos seus próprios meios, mesmo correndo risco de ser acusada de “eduquesa”, ou de retrógada seguidora da “Escola Moderna”?
Junho 22, 2011 at 8:15 pm
#4,
É a Isabel Campeão.
Com o Miguel Pinto e o Matias Alves tinham, há algum tempo, um blogue ideologicamente bastante diversificado.
Merece-me estima, pelo que não vou comentar umas tiradas que são exactamente aquilo que ela critica.
Pedagogia dos Afectos, Escola (que já foi) Moderna, um pout-pourri curioso.
Junho 22, 2011 at 8:16 pm
Se espreitarem o Octávio, então, ficam com um panorama divertido da desorientação que assolou uma improvável coligação de esquerdistas heterodoxos, ortodoxos e dissidentes laranja.
Junho 22, 2011 at 8:27 pm
Andam perdidos e confusos, parece que não viviam na escola real que nós bem conhecemos.