Este texto, da autoria de José Calçada, foi escrito em 1977. Ele enviou-mo há uma semana, mais coisa, menos coisa, para o caso de eu achar que mantinha interesse a sua (re)publicação.

Demorei algum tempo a tratar as imagens digitalizadas, para as tornar mais leves, porque apaguei o mail e depois deixei-as algures. Nem de propósito, acho que hoje este texto cai que nem sopas no mel, atendendo à discussão em torno do chamado eduquês e das confusões que, de forma instrumental, estão a querer levantar em seu redor, como se quem se opõe a essa forma de discurso vácuo, apesar de verborreico, se opusesse à escola inclusiva, democrática e tudo o resto.

Nada de mais errado. Aquilo que muitos consideram eduquês é uma construção retórica, uma elaboração linguística desnecessariamente confusa, remetendo para muitos conceitos e pós-conceitos, cujo principal objectivo é transformar em sucesso aquilo que são fracassos da aprendizagem (ou ensinagem, como alguns gostam de dizer). Atacar o eduquês não é defender uma simplista cultura do exame. Mas as confusões e mistificações são usuais numa escola formada na reescrita da História.

Ora este texto de José Calçada é exemplar da denúncia dos excessos de uma escola tradicionalista, positivista na abordagem da avaliação como regra científica, sendo escrito de uma forma límpida e clara que está nos antípodas do eduquês, que germinou a partir dos anos 80 e ganhou imensa força entre nós à boleia do que passa por ser a epistemologia de um B. S. Santos, por exemplo.

Ou seja, José Calçada defende uma escola diferente da que existia – e na minha opinião ela já não existe, por muito que alguns pensem que sim, condicionados pelas suas teias pessoais – fazendo essa denúncia com um discurso claro e acessível a todos, como deve ser qualquer discurso, pedagógico ou científico, que não aposta na obscuridade como forma de ocultar o seu verdadeiro significado.