Maio 2011


Tell & Tell. No Kiss.

Ando a surripiar ideias ao Fafe… é por conta das flores…

PS dá bilhetes para oceanário a quem for a comício

O PS está a oferecer aos militantes e apoiantes de Penafiel uma visita ao oceanário Sea Life do Porto, no domingo, como contrapartida da presença no comício com José Sócrates, no mesmo dia à tarde. Mais de 200 pessoas já reservaram lugar num dos vários autocarros que fazem a viagem até ao Porto, que também é oferecida pelo PS.

A propriedade e a a gestão da rede pública das escolas estão programadas para pertencer às autarquias, no que toca ao ensino básico, e à Parque Escolar, no que respeita ao ensino secundário. Se é pacífica a situação do básico, é altamente problemática a do secundário. (S. Castilho, O  Ensino Passado a Limpo, p. 71)

Isto tem falhas factuais e valorativas, no meu escasso entender.

  • Antes de mais, porque a programação enunciada não está correcta, visto a Parque Escolar passar a entrar na gestão das escolas 2/3 quando lá fizer obras e nas do 1º CEB, indirectamente, através dos agrupamentos verticais.
  • Para além disso, não é vagamente pacífica a gestão dos equipamentos do básico pelas autarquias e a sua generalização é problemática e não me parece consensual, a menos que se seja partidário da municipalização da gestão do ensino básico. Eui não sou.
  • Por fim, fica numa zona de névoa o que acontece a escolas com o 3º CEB, que tanto são EB 2/3 como EBI, como Secundárias.

Pelo que, apresentada desta forma, a problemática está longe de corresponder ao que se passa no terreno e assume como adquiridas soluções que não estão implementadas e não são nada pacíficas.

Licença Creative Commons
«Cedilha Perdida: Cão Urde» B.A.R.

Bilal, Quatro?

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

[Camões]

Bob Dylan, Tight Connection To My Heart (Has Anyone Seen My Love)

Bob Dylan, anos 80, escapou o Império Burlesco…

Aposto que vão chamar o Alegre.

O problema vai ser calá-lo…

juvenal paio

Não quero postar aquele vídeo do espancamento em Benfica. Por tantas razões que nem aqui as vou agora explicar. Nem que se confirme o que penso.

Tudo depende.

Eu confesso, de modo muito heterodoxo para quem pensa ser de Esquerda, que não a temo por aí além.

Isto pode levar muito tempo e palavras a explicar ou nem tanto assim. Quase dá vontade de pedir, apenas, para comparar o desempenho da anterior nmaioria PSD/CDS com a maioria do PSócrates. Isto excluindo o período em que o Barroso foi tratar da vida e3 o que se seguiu.

Embora seja tema que pede para ser desenvolvido com algum cuidado, eu vou tentar explicar uma tese central que é a seguinte: uma maioria monopartidária deste PS conseguiu fazer mais danos à Esquerda – tal como alguns a entendem, não amiguista, não nepótica, não aquilo que tem sido durante anos e anos a fio -  do que uma maioria de Direita, mono ou bipartidária, conseguirá fazer.

Ideia polémica? Nem por isso, se atendermos aos factos com um pouco de atenção e o necessário desprendimento afectivo (falo dos fiéis da Esquerda-muito-Esquerda).

As maiorias do PS (absolutas ou quase) têm muito maior facilidade em fazer passar políticas que não são de Esquerda do que as maiorias de Direita.

E porquê?

Porque o pessoal da Direita – excepto aqueles que escrevem em colectivos bloguísticos ou algumas heranças de um passado mais traumatizado pelo PREC – tem imensos complexos por ser de Direita e quando apresenta certas medidas – veja-se Passos Coelho – que suscitam mais polémica social, ficam logo meio atrapalhados e tentam cobrir aquilo com um véu de qualquer outra coisa. E também porque sabem que, na rua, fica depois toda a Esquerda em peso.

Já o pessoal do PS Central faz o que bem entende, com o beneplácito dos partidos à sua direita, sem grandes complexos e consegue reduzir muito a contestação nas ruas, algo a que o eleitorado do PSD e CDS não adere com facilidade, excepto nas manifestações de professores ou em acções contra a redução do financiamento privado e algum encerramento de centro de saúde. Mas desistem ao fim de pouco tempo. A Direita não gosta da rua e, nesse caso, um PS à Sócrates com maioria governa com razoável descanso.

Pelo que uma maioria de direita, não muito larga, não é coisa para se temer muito, pelo menos deve ser tão temida como uma eventual maioria do Partido de Sócrates.

Acusem-me de anti-socratista primário e eu aceito.

À Esquerda, acho que a estratégia eleitoral deveria passar sempre por reduzir o eleitorado do partido que mais fez contra um Estado efectivamente Social e não meramente Assistencialista e que agora aparece como paladino dessa Esquerda.

É indispensável, em qualquer estratégia que não olhe apenas para o dia seguinte, perceber que com Sócrates não há qualquer hipótese de uma maioria de Esquerda. E mesmo com este PS, em que desapareceu praticamente qualquer reserva moral contra o que se tem passado (por caridade, não falem em Carrilho, Cravinho, Ferro ou Assis… e mesmo Seguro é demasiado… seguro), isso é muito complicado e só seria possível com uma fronda interna no PS. O que é impensável com uma (inesperada) vitória ou uma derrota tangencial.

Pelo que uma governação à Esquerda terá de ser pensada para além do curto prazo. Paradoxalmente, pode mesmo ter de ser pensada como  consequência de uma governação à Direita nesse mesmo curto prazo. Com toda a certeza, passa pela necessidade de uma derrota clara do Partido de Sócrates.

Se no Bloco e no PCP não perceberam ainda isso é pena. Se perceberam, mas agem como se não fosse assim, é pena na mesma. O bicho-papão da Direita não é assim tão bicho-papão. Até porque a actual Direita (Passos Coelho/Portas) não é nada do agrado de Cavaco que os manteria com mais rédea curta do que manteve Sócrates.

Percebem onde quero chegar?

Ou estou demasiado out of the box?

A Missão

Na RTP1, estou a ver o Paulo Portas sentado num relvado a falar, ao lusco-fusco, com a Fátima Campos Ferreira.

PSD e PS empatados na primeira sondagem diária da SIC

Porque não aparecem os partidos por ordem dos valores ou alfabética?

Ficha técnica: Eurosondagem.

Daqui.

Da apresentação do livro de Peter Oborne, The Rise of Political Lying (2005):

Being “economical with the truth” has become almost a jokey euphemism for the political lie – a cosy insider’s phrase for the disingenuousness that is now accepted as part and parcel of political life. But as we face the third term of a government that has elevated this kind of economics almost to an art form, is it now time to question the creeping invasion of falsehood? What does the rise of the political lie say about our society? At what point, if we have not reached it already, will we cease to believe a word politicians say? Tracing the history of political falsehood back to its earliest days but focusing specifically on the exponential rise of the phenomenon during the Major and Blair governments, Peter Oborne demonstrates that the truth has become an increasingly slippery concept in recent years. From woolly pronouncements that are designed merely to obfuscate to outright and blatant lies whose intention is to deceive, the political lie is never far from the surface. And its prevalence has led to a catastrophic decline in trust, at a time when people are more politicised than ever. Rigorous, riveting, and profoundly shocking, this is a devastating book about one of the single biggest issues facing us today.

… dá muito mais nas vistas. O segredo está em não ceder à tentação de entrar no recinto. Mesmo que salpique, do lado de fora fica-se sempre muito mais limpo.

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