A fraqueza crónica de um sistema democrático de governo, em oposição à ocasional, parece ser proporcional ao grau da sua democratização. Os mais poderosos e estáveis estados democráticos são aqueles onde os princípios da democracia foram menos lógica e consistentemente aplicados. Assim, um parlamento eleito segundo um sistema de representação proporcional é um parlamento verdadeiramente democrático. Mas é também, na mairoria dos casos, um instrumento não de governo mas de anarquia. A representação proporcional garante que todos os sectores da opinião estarão representados na assembleia. É o ideal da democracia cumprido. Infelizmente, a multiplicação de pequenos grupos dentro do parlamento torna impossível a formação de um governo estável e forte.
Nas assembleias proporcionalmente eleitas os governos têm geralmente de confiar numa maioria compósita. Têm de comprar o apoio de pequenos grupos com uma distribuição de favores mais ou menos corrupta, e como nunca conseguem dar o suficiente ficam sujeitos a ser derrotados em qualquer altura. A representação proporcional em itália conduziu ao fascismo através da anarquia. Causou grandes dificuldades práticas na Bélgica, e agora ameaça fazer o mesmo na Irlanda. Encontram-se governos democráticos estáveis em países onde as minorias, por muito grandes que sejam, não estão representadas, e onde nenhum candidato que não pertença a um dos grandes partidos terá a mais leve possibilidade de ser eleito. Os parlamentos em tais países não são de modo nenhum representativos do povo. São totalmente não democráticos. Mas possuem um grande mérito, que compensa todos os seus defeitos: podem formar governos suficientemente fortes para governar.
Dia 5 quando caminharem para a mesa de voto lembrem-se…:
O robô e a máquina de propaganda
30 de Maio, 2011por José António Saraiva
A máquina do Governo dispõe de uma redacção que ataca os artigos e os colunistas considerados hostis.
Muitas vezes fala-se da ‘máquina de propaganda’ do Governo socialista. Mas nunca houve uma tentativa séria de investigar como funciona, que métodos utiliza, quantas pessoas envolve, quem a dirige, etc.
Vou dizer o que sei.
Essa máquina desdobra-se por várias frentes. Tem uma espécie de redacção central, que funciona como a redacção de um jornal, cuja missão é fazer constantemente contra-propaganda. Dispõe de um blogue chamado Câmara Corporativa (http://corporacoes.blogspot.com) e está permanentemente atenta a tudo o que se publica, desmentindo as notícias consideradas negativas para o Governo.
Além disso, critica artigos de opinião publicados nos jornais, rebatendo os argumentos e, por vezes, ridicularizando ou desacreditando os seus autores.
Mobiliza pessoas para intervir nos fóruns tipo TSF que hoje existem em todas as estações de rádio e TV.
Selecciona na imprensa internacional notícias, artigos ou entrevistas favoráveis ao Governo português e põe-nos a circular entre jornalistas e colunistas ‘amigos’.
É por esta última razão que vemos às vezes opiniões publicadas em obscuros órgãos de comunicação estrangeiros citadas em Portugal por diversas pessoas como importantes argumentos.
Outra vertente são as relações com jornalistas. Há uma rede de jornalistas ‘amigos’ e a coisa funciona assim: um assessor fala com um jornalista amigo e dá-lhe determinada informação. Chama-se a isto ‘plantar uma notícia’ – e todos os Governos o fazem. Só que, uma vez a notícia publicada, às vezes com pouco destaque, os assessores telefonam a outros jornalistas e sopram-lhes: «Viste aquela notícia no sítio tal? Olha que é verdade! E é importante!». E assim a notícia é amplificada, conseguindo-se um efeito de confirmação.
Umas vezes as notícias plantadas são verdadeiras, outras vezes são falsas. O Expresso, por exemplo, chegou a publicar em semanas consecutivas uma coisa e o seu contrário. Significativamente, o que estava em causa era Teixeira dos Santos, que o PS queria queimar.
E constata-se que as notícias desagradáveis para a oposição têm mais eco do que outras. Veja-se a repercussão que teve uma carta de António Capucho publicada no SOL, que era um documento interessante mas não tinha a relevância que acabou por ter. A máquina de propaganda amplifica as notícias que interessam ao Governo.
Em seguida, os comentadores colocados pelo PS nos vários programas de debate que hoje enxameiam as televisões repetem os argumentos convenientes. José Lello, Sérgio Sousa Pinto, Emídio Rangel, Francisco Assis, etc., repetem à saciedade, às vezes como papagaios, as mesmas ideias. E mesmo António Costa, na Quadratura do Círculo, um programa de características diferentes, não foge à regra: nunca o vi fazer uma crítica directa a Sócrates. Mas vi-o fazer uma crítica brutal a Teixeira dos Santos, na tal altura em que começou a cair em desgraça.
As únicas situações em que as coisas fugiram do controlo da máquina socrática foram os casos Freeport e Face Oculta. Só que aí era impossível abafá-los. E para os combater foram lançadas contra-campanhas, como expliquei noutros artigos. E houve pessoas que pagaram por isso.
A par das relações com os jornalistas, que se processam diariamente, há outro aspecto decisivo que passa pelo controlo dos principais meios.
A tentativa de comprar a TVI falhou, mas José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes foram afastados e a orientação editorial da estação mudou. José Manuel Fernandes foi afastado do Público, e a orientação do jornal também mudou. Medina Carreira foi afastado da SIC. O SOL foi alvo de uma tentativa de asfixia. E estes são apenas os casos mais conhecidos.
Por outro lado, o Governo soube cultivar boas relações com os patrões dos grandes grupos de media – a Controlinvest, a Cofina e a Impresa –, também como consequência das crises financeiras em que estes se viram mergulhados.
Podemos assim constatar que, das três estações de TV generalistas, nenhuma hoje é hostil ao Governo. A RTP é do Estado, a TVI – que era muito crítica – foi apaziguada, a SIC tem–se vindo a aproximar do Executivo. Ora isto é anormal na Europa. Em quase todos os países há estações próximas da esquerda, há estações próximas da direita, há estações próximas do Governo, há estações próximas da oposição. Em Portugal é diferente.
Ainda no plano da contra-propaganda, já falei noutras alturas da técnica do boomerang. Como funciona? Quando alguém da oposição (regra geral, o líder do PSD) diz qualquer coisa passível de exploração negativa, toda a máquina se põe a mexer para usar essa ideia como arma de arremesso contra quem a proferiu.
Passos Coelho diz que quer mudar certas regras na Saúde – e logo Francisco Assis, Silva Pereira, Vieira da Silva, Jorge Lacão ou Santos Silva, os gendarmes de serviço, vêm gritar: «O PSD quer acabar com o Serviço Nacional de Saúde!». Passos Coelho diz qualquer coisa sobre as escolas públicas e as privadas – e lá vêm os mesmos dizer: «O PSD quer acabar com o ensino público gratuito!». Passos Coelho diz que quer certificar as ‘Novas Oportunidades’ – e os mesmos repetem: «O PSD ofendeu 500 mil portugueses!». E, no final, todos dizem em coro: «O PSD quer acabar com o Estado Social!».
Passos Coelho não soube lidar com isto de início. E, perante estes ataques, acabou muitas vezes por bater em retirada. Propôs uma revisão constitucional e recuou. Outras vezes explicou-se em demasia. E com isso deu uma ideia de impreparação e falta de convicção, que só recentemente conseguiu corrigir.
Mas a máquina não fica por aqui. Tem muitas outras frentes de combate. Os assessores do primeiro-ministro organizam dossiês para cada ministro, dizendo-lhes como devem reagir perante o que diariamente é publicado na imprensa. Assim, bem cedo pela manhã, um assessor telefona a um ministro, faz-lhe uma resenha da imprensa e diz-lhe o que ele deve responder a esta e àquela pergunta.
Claro que há ministros que não aceitam este paternalismo. Que querem ter liberdade para responder pela sua cabeça. Mas esses ficam logo marcados. Admito que Luís Amado não aceite recados, estou certo de que Campos e Cunha não os aceitou, Freitas do Amaral também não. Mas a maioria dos outros aceitou-os ou aceita-os, até para tranquilidade própria: assim têm a certeza de não cometer gaffes e não desagradar ao primeiro-ministro.
E já não falo nos boys colocados em todos os Ministérios e em todas as administrações das empresas públicas e que funcionam como correias de transmissão da opinião do Governo. Rui Pedro Soares é o caso mais conhecido. Mas obviamente não é o único. Eles estão por toda a parte. Muitas vezes nem têm posições de grande relevo. Mas o facto de se saber que são os porta-vozes do poder confere-lhes importância acrescida, porque as pessoas receiam-nos.
Como resultado de tudo isto, muita gente, mesmo dentro do PS, tem medo. Evita falar. No congresso socialista, que mais parecia um encontro da IURD, vimos pessoas respeitáveis participar alegremente na farsa sem um gesto de distanciação. Chegou a meter dó ver António Costa, António Vitorino, o próprio Almeida Santos, envolvidos naquela encenação patética.
Que foi produzida como uma super-produção, com sofisticados meios audiovisuais. Quando Sócrates começou a proferir a primeira das três últimas frases do seu último discurso, uma música ‘heróica’ começou a ouvir-se baixinho. E foi subindo, subindo de tom – e quando Sócrates acabou de falar a música estoirou, as luzes brilharam, não sei se houve fogo preso mas podia ter havido, choveram flores, foi a apoteose.
Quem dirigirá esta poderosa e bem oleada máquina de propaganda e contra-propaganda?
Haverá certamente um núcleo duro, ao qual não serão alheios aqueles que dão a cara nos momentos difíceis: Francisco Assis, Jorge Lacão e os três Silvas: Vieira da Silva, Augusto Santos Silva e Pedro Silva Pereira.
Há quem fale numa personagem misteriosa, sibilina, que não gosta dos holofotes e que dá pelo nome de Luís Bernardo. Actualmente é assessor de Sócrates, antes foi assessor de Carrilho na Cultura. Pedro Norton, actual número 2 da Impresa e seu amigo, diz que ele é «o homem mais inteligente que conhece».
Acontece que uma máquina política pode ser muito boa, pode estar muito bem oleada, pode funcionar na perfeição, mas tem sempre um ponto fraco: depende em última análise da performance de um homem.
Durante anos essa performance foi quase perfeita – por isso chamei a Sócrates um ‘robô político’. Ora esse robô, agora, começou a falhar. E a derrota televisiva perante Passos Coelho pode ter posto em causa toda a engrenagem. O robô engasgou-se, exaltou-se, esteve à beira de colapsar.
Será que o ME abriu uma filial nos States?
É a loucura, querem aumentar a competitividade entre os professores. Os governos duma certa esquerda progessista são do melhor…
Nova Iorque: Alunos vão dar nota a professores
Nova Iorque está a desenvolver uma série de testes cujos resultados serão determinantes para a avaliação, não dos alunos mas dos professores. Quem for considerado “ineficiente” ao longo de dois anos poderá ser despedido.
O sistema de educação da cidade de Nova Iorque está a desenvolver uma série de testes padronizados, para serem efetuados pelos alunos, mas cujos resultados irão avaliar os seus professores, refere o New York Times ,
A notícia acrescenta, destinada a lançar um debate sobre o assunto, acrescenta que quem tenha resultados negativos ao longo de dois anos corre o risco de ser despedido.
A medida insere-se numa lei federal aprovada no ano passado destinada a promover a competitividade entre os professores.
Estão a ser desenvolvidos 16 novos testes padronizados para a avaliação dos professores. Os resultados serão utilizados pelas escolas para a avaliação que poderá ir de “altamente eficiente” a “ineficiente”.
Eu, se me dissessem que não tinha que cozinhar mais, para o resto da minha vida, nem ir ao super, nem pôr e tirar loiça da máquina…para o resto, mesmo resto da minha vida eu…
Maio 31, 2011 at 10:48 pm
A fraqueza crónica de um sistema democrático de governo, em oposição à ocasional, parece ser proporcional ao grau da sua democratização. Os mais poderosos e estáveis estados democráticos são aqueles onde os princípios da democracia foram menos lógica e consistentemente aplicados. Assim, um parlamento eleito segundo um sistema de representação proporcional é um parlamento verdadeiramente democrático. Mas é também, na mairoria dos casos, um instrumento não de governo mas de anarquia. A representação proporcional garante que todos os sectores da opinião estarão representados na assembleia. É o ideal da democracia cumprido. Infelizmente, a multiplicação de pequenos grupos dentro do parlamento torna impossível a formação de um governo estável e forte.
Nas assembleias proporcionalmente eleitas os governos têm geralmente de confiar numa maioria compósita. Têm de comprar o apoio de pequenos grupos com uma distribuição de favores mais ou menos corrupta, e como nunca conseguem dar o suficiente ficam sujeitos a ser derrotados em qualquer altura. A representação proporcional em itália conduziu ao fascismo através da anarquia. Causou grandes dificuldades práticas na Bélgica, e agora ameaça fazer o mesmo na Irlanda. Encontram-se governos democráticos estáveis em países onde as minorias, por muito grandes que sejam, não estão representadas, e onde nenhum candidato que não pertença a um dos grandes partidos terá a mais leve possibilidade de ser eleito. Os parlamentos em tais países não são de modo nenhum representativos do povo. São totalmente não democráticos. Mas possuem um grande mérito, que compensa todos os seus defeitos: podem formar governos suficientemente fortes para governar.
Aldous Huxley,
Maio 31, 2011 at 10:52 pm
Música para o dia 5: We shot the sheriff.
(Ana, rapinei-te a ideia, sorry
)
http://youtu.be/tAq19Xl6ric
Maio 31, 2011 at 10:52 pm
Alma minha gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Algu~a cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Luís de Camões
Maio 31, 2011 at 10:53 pm
http://www.youtube.com/artist/Bob_Marley?feature=watch_video_title
Maio 31, 2011 at 10:53 pm
#0,
Estava a ver que hoje não havia agitprop!
Maio 31, 2011 at 10:53 pm
Não consigo pôr aqui…
Maio 31, 2011 at 10:54 pm
#6,
o teu pézinho?
devagar, devagarinho
se fores à Ribeira Grande…
Maio 31, 2011 at 10:56 pm
Maio 31, 2011 at 10:57 pm
Maio 31, 2011 at 10:59 pm
Pois eu vou comprar uns foguetes para lançar dia 5 à nôte.
Maio 31, 2011 at 11:00 pm
Para quando um post intitulado :
“Voto a favor”
?
Maio 31, 2011 at 11:00 pm
Deve haver foguetes de lançamento fácil, tipo caseiro.
Maio 31, 2011 at 11:01 pm
#10
Nem tentes os foguetes-longue, ou uma coisa assim.
Todos aqui!
Maio 31, 2011 at 11:01 pm
#10,
?inda te arrebentam nas mãos, com o jeito que tens para bricolages…..
Maio 31, 2011 at 11:01 pm
‘inda
Maio 31, 2011 at 11:01 pm
E o sr. Albino também vai de frosques no dia 5…iupi!
Maio 31, 2011 at 11:02 pm
#12,
Tipo caseiro, nãooooo!!!!!
Não tentes…..compra já feitos e lançados.
Maio 31, 2011 at 11:02 pm
Dia 5 quando caminharem para a mesa de voto lembrem-se…:
O robô e a máquina de propaganda
30 de Maio, 2011por José António Saraiva
A máquina do Governo dispõe de uma redacção que ataca os artigos e os colunistas considerados hostis.
Muitas vezes fala-se da ‘máquina de propaganda’ do Governo socialista. Mas nunca houve uma tentativa séria de investigar como funciona, que métodos utiliza, quantas pessoas envolve, quem a dirige, etc.
Vou dizer o que sei.
Essa máquina desdobra-se por várias frentes. Tem uma espécie de redacção central, que funciona como a redacção de um jornal, cuja missão é fazer constantemente contra-propaganda. Dispõe de um blogue chamado Câmara Corporativa (http://corporacoes.blogspot.com) e está permanentemente atenta a tudo o que se publica, desmentindo as notícias consideradas negativas para o Governo.
Além disso, critica artigos de opinião publicados nos jornais, rebatendo os argumentos e, por vezes, ridicularizando ou desacreditando os seus autores.
Mobiliza pessoas para intervir nos fóruns tipo TSF que hoje existem em todas as estações de rádio e TV.
Selecciona na imprensa internacional notícias, artigos ou entrevistas favoráveis ao Governo português e põe-nos a circular entre jornalistas e colunistas ‘amigos’.
É por esta última razão que vemos às vezes opiniões publicadas em obscuros órgãos de comunicação estrangeiros citadas em Portugal por diversas pessoas como importantes argumentos.
Outra vertente são as relações com jornalistas. Há uma rede de jornalistas ‘amigos’ e a coisa funciona assim: um assessor fala com um jornalista amigo e dá-lhe determinada informação. Chama-se a isto ‘plantar uma notícia’ – e todos os Governos o fazem. Só que, uma vez a notícia publicada, às vezes com pouco destaque, os assessores telefonam a outros jornalistas e sopram-lhes: «Viste aquela notícia no sítio tal? Olha que é verdade! E é importante!». E assim a notícia é amplificada, conseguindo-se um efeito de confirmação.
Umas vezes as notícias plantadas são verdadeiras, outras vezes são falsas. O Expresso, por exemplo, chegou a publicar em semanas consecutivas uma coisa e o seu contrário. Significativamente, o que estava em causa era Teixeira dos Santos, que o PS queria queimar.
E constata-se que as notícias desagradáveis para a oposição têm mais eco do que outras. Veja-se a repercussão que teve uma carta de António Capucho publicada no SOL, que era um documento interessante mas não tinha a relevância que acabou por ter. A máquina de propaganda amplifica as notícias que interessam ao Governo.
Em seguida, os comentadores colocados pelo PS nos vários programas de debate que hoje enxameiam as televisões repetem os argumentos convenientes. José Lello, Sérgio Sousa Pinto, Emídio Rangel, Francisco Assis, etc., repetem à saciedade, às vezes como papagaios, as mesmas ideias. E mesmo António Costa, na Quadratura do Círculo, um programa de características diferentes, não foge à regra: nunca o vi fazer uma crítica directa a Sócrates. Mas vi-o fazer uma crítica brutal a Teixeira dos Santos, na tal altura em que começou a cair em desgraça.
As únicas situações em que as coisas fugiram do controlo da máquina socrática foram os casos Freeport e Face Oculta. Só que aí era impossível abafá-los. E para os combater foram lançadas contra-campanhas, como expliquei noutros artigos. E houve pessoas que pagaram por isso.
A par das relações com os jornalistas, que se processam diariamente, há outro aspecto decisivo que passa pelo controlo dos principais meios.
A tentativa de comprar a TVI falhou, mas José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes foram afastados e a orientação editorial da estação mudou. José Manuel Fernandes foi afastado do Público, e a orientação do jornal também mudou. Medina Carreira foi afastado da SIC. O SOL foi alvo de uma tentativa de asfixia. E estes são apenas os casos mais conhecidos.
Por outro lado, o Governo soube cultivar boas relações com os patrões dos grandes grupos de media – a Controlinvest, a Cofina e a Impresa –, também como consequência das crises financeiras em que estes se viram mergulhados.
Podemos assim constatar que, das três estações de TV generalistas, nenhuma hoje é hostil ao Governo. A RTP é do Estado, a TVI – que era muito crítica – foi apaziguada, a SIC tem–se vindo a aproximar do Executivo. Ora isto é anormal na Europa. Em quase todos os países há estações próximas da esquerda, há estações próximas da direita, há estações próximas do Governo, há estações próximas da oposição. Em Portugal é diferente.
Ainda no plano da contra-propaganda, já falei noutras alturas da técnica do boomerang. Como funciona? Quando alguém da oposição (regra geral, o líder do PSD) diz qualquer coisa passível de exploração negativa, toda a máquina se põe a mexer para usar essa ideia como arma de arremesso contra quem a proferiu.
Passos Coelho diz que quer mudar certas regras na Saúde – e logo Francisco Assis, Silva Pereira, Vieira da Silva, Jorge Lacão ou Santos Silva, os gendarmes de serviço, vêm gritar: «O PSD quer acabar com o Serviço Nacional de Saúde!». Passos Coelho diz qualquer coisa sobre as escolas públicas e as privadas – e lá vêm os mesmos dizer: «O PSD quer acabar com o ensino público gratuito!». Passos Coelho diz que quer certificar as ‘Novas Oportunidades’ – e os mesmos repetem: «O PSD ofendeu 500 mil portugueses!». E, no final, todos dizem em coro: «O PSD quer acabar com o Estado Social!».
Passos Coelho não soube lidar com isto de início. E, perante estes ataques, acabou muitas vezes por bater em retirada. Propôs uma revisão constitucional e recuou. Outras vezes explicou-se em demasia. E com isso deu uma ideia de impreparação e falta de convicção, que só recentemente conseguiu corrigir.
Mas a máquina não fica por aqui. Tem muitas outras frentes de combate. Os assessores do primeiro-ministro organizam dossiês para cada ministro, dizendo-lhes como devem reagir perante o que diariamente é publicado na imprensa. Assim, bem cedo pela manhã, um assessor telefona a um ministro, faz-lhe uma resenha da imprensa e diz-lhe o que ele deve responder a esta e àquela pergunta.
Claro que há ministros que não aceitam este paternalismo. Que querem ter liberdade para responder pela sua cabeça. Mas esses ficam logo marcados. Admito que Luís Amado não aceite recados, estou certo de que Campos e Cunha não os aceitou, Freitas do Amaral também não. Mas a maioria dos outros aceitou-os ou aceita-os, até para tranquilidade própria: assim têm a certeza de não cometer gaffes e não desagradar ao primeiro-ministro.
E já não falo nos boys colocados em todos os Ministérios e em todas as administrações das empresas públicas e que funcionam como correias de transmissão da opinião do Governo. Rui Pedro Soares é o caso mais conhecido. Mas obviamente não é o único. Eles estão por toda a parte. Muitas vezes nem têm posições de grande relevo. Mas o facto de se saber que são os porta-vozes do poder confere-lhes importância acrescida, porque as pessoas receiam-nos.
Como resultado de tudo isto, muita gente, mesmo dentro do PS, tem medo. Evita falar. No congresso socialista, que mais parecia um encontro da IURD, vimos pessoas respeitáveis participar alegremente na farsa sem um gesto de distanciação. Chegou a meter dó ver António Costa, António Vitorino, o próprio Almeida Santos, envolvidos naquela encenação patética.
Que foi produzida como uma super-produção, com sofisticados meios audiovisuais. Quando Sócrates começou a proferir a primeira das três últimas frases do seu último discurso, uma música ‘heróica’ começou a ouvir-se baixinho. E foi subindo, subindo de tom – e quando Sócrates acabou de falar a música estoirou, as luzes brilharam, não sei se houve fogo preso mas podia ter havido, choveram flores, foi a apoteose.
Quem dirigirá esta poderosa e bem oleada máquina de propaganda e contra-propaganda?
Haverá certamente um núcleo duro, ao qual não serão alheios aqueles que dão a cara nos momentos difíceis: Francisco Assis, Jorge Lacão e os três Silvas: Vieira da Silva, Augusto Santos Silva e Pedro Silva Pereira.
Há quem fale numa personagem misteriosa, sibilina, que não gosta dos holofotes e que dá pelo nome de Luís Bernardo. Actualmente é assessor de Sócrates, antes foi assessor de Carrilho na Cultura. Pedro Norton, actual número 2 da Impresa e seu amigo, diz que ele é «o homem mais inteligente que conhece».
Acontece que uma máquina política pode ser muito boa, pode estar muito bem oleada, pode funcionar na perfeição, mas tem sempre um ponto fraco: depende em última análise da performance de um homem.
Durante anos essa performance foi quase perfeita – por isso chamei a Sócrates um ‘robô político’. Ora esse robô, agora, começou a falhar. E a derrota televisiva perante Passos Coelho pode ter posto em causa toda a engrenagem. O robô engasgou-se, exaltou-se, esteve à beira de colapsar.
E quando isso acontece não há máquina de propaganda que valha.
http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=20467
Maio 31, 2011 at 11:03 pm
#14
tens razão. Desisto!
Vou pedir, emprestada, ao amigo do meu filho a pandeireta e toco toda a nôte.
Maio 31, 2011 at 11:04 pm
Maio 31, 2011 at 11:05 pm
Será que o ME abriu uma filial nos States?
É a loucura, querem aumentar a competitividade entre os professores. Os governos duma certa esquerda progessista são do melhor…
Nova Iorque: Alunos vão dar nota a professores
Nova Iorque está a desenvolver uma série de testes cujos resultados serão determinantes para a avaliação, não dos alunos mas dos professores. Quem for considerado “ineficiente” ao longo de dois anos poderá ser despedido.
O sistema de educação da cidade de Nova Iorque está a desenvolver uma série de testes padronizados, para serem efetuados pelos alunos, mas cujos resultados irão avaliar os seus professores, refere o New York Times ,
A notícia acrescenta, destinada a lançar um debate sobre o assunto, acrescenta que quem tenha resultados negativos ao longo de dois anos corre o risco de ser despedido.
A medida insere-se numa lei federal aprovada no ano passado destinada a promover a competitividade entre os professores.
Estão a ser desenvolvidos 16 novos testes padronizados para a avaliação dos professores. Os resultados serão utilizados pelas escolas para a avaliação que poderá ir de “altamente eficiente” a “ineficiente”.
http://aeiou.expresso.pt/nova-iorque-alunos-vao-dar-nota-a-professores=f652543
Maio 31, 2011 at 11:05 pm
Todos os que o apoiaram e o protegeram estes anos a fio deviam ser corridos a pontapé de bota cardada!
Lamento falar assim:
Não estão fartos de serem pisados e humilhados?
Nem que me dessem 1 milhão de euros votava no cabrao.
Fui.
Maio 31, 2011 at 11:06 pm
#22
Ai desculpa, querido Livresco…pensa bem: 1 milhão de euros?!
Maio 31, 2011 at 11:06 pm
E deixei as guitarras eléctricas nas Areeiras! Burro, burro!
Maio 31, 2011 at 11:06 pm
EI EI EI..UM MILHÃO…CALMA AÍ…NÃO ERA COM O MEU VOTO QUE O TIPO ERA ELEITO..SEJAMOS PRAGMÁTICOS..UM MILHÃO É UM MILHÃO…
Maio 31, 2011 at 11:07 pm
#21, foi a Milu.
Maio 31, 2011 at 11:07 pm
…escreveste 1 milhão de euros?……
Maio 31, 2011 at 11:07 pm
#22
Pele de ouriço.
Maio 31, 2011 at 11:08 pm
#25,
XÔ!
Põe-te na bicha!
Maio 31, 2011 at 11:08 pm
#24
Não tá aqui ninguém que te desminta…
Maio 31, 2011 at 11:08 pm
#22
Alguém que adora o verme, como eu …
Maio 31, 2011 at 11:09 pm
A flada Milu.
Maio 31, 2011 at 11:09 pm
#23:
Já me os ofereceram e recusei…
(Estou a falar a sério)
A minha dignidade, os valores éticos em que acredito e a minha honra não está à venda…
Maio 31, 2011 at 11:09 pm
Vendidos!
Maio 31, 2011 at 11:09 pm
A auto-crítica fica sempre bem e é de esquerda…..
Maio 31, 2011 at 11:10 pm
#33
Querido livresco, para a próxima diz que não aceitas mas que aceita a canet@…
Maio 31, 2011 at 11:11 pm
#33,
É chato é não escreveres a sério…
)
Maio 31, 2011 at 11:11 pm
“estão à venda”
Giro é quando te “oferecem” um cargo com a condicionante de ter o cartão do Partido Socialista…
Acho que sabem qual foi a minha resposta…
Maio 31, 2011 at 11:11 pm
e mandas para mim…um milhãozito…ai!
Maio 31, 2011 at 11:12 pm
#21
É a tendência, não só por lá
Maio 31, 2011 at 11:13 pm
#38
Oh livresco…ai! Já não há muita gente assim.
Tua admiradora para sempre.
Maio 31, 2011 at 11:14 pm
aceito o milhão mas… não me ponho na bicha
Maio 31, 2011 at 11:16 pm
Resumindo: voto contra.
Maio 31, 2011 at 11:17 pm
#27:
Ali…no momento.
Não é o dinheiro que me faz correr…
Maio 31, 2011 at 11:19 pm
Eu, se me dissessem que não tinha que cozinhar mais, para o resto da minha vida, nem ir ao super, nem pôr e tirar loiça da máquina…para o resto, mesmo resto da minha vida eu…
Maio 31, 2011 at 11:22 pm
#44,
Isso passa com a idade.
)
Maio 31, 2011 at 11:22 pm
Não, não estou a cometer inconfidências, nem a brincar com o fogo…
Dia 5 acaba…
Maio 31, 2011 at 11:23 pm
#45,
Ai, malhér, eu também, eu também…..
Maio 31, 2011 at 11:23 pm
#45
Digo o mesmo.
Maio 31, 2011 at 11:26 pm
Agora imaginem o que eu faria se me prometessem 1 milhão…até punha um turbante na cabeça e ia encantar serpentes, ou osgas para o Rossio…ai, ia ia!
Maio 31, 2011 at 11:27 pm
+++
Apagado por mim, disponível acima e abaixo.
Fafe
Maio 31, 2011 at 11:30 pm
#51
Vou apagar-te isso. Porque já colocaste isso noutro lado.
Isto aqui não é um espelho.
Maio 31, 2011 at 11:32 pm
Vão dar nota?
Só se for de 1 milhão!
)
Maio 31, 2011 at 11:34 pm
Ó Fafe, fizeste bem
Não sabia que há limite para o mesmo post.
Queria alertar o maralhal , para esta infâmia.
Abraço !
Maio 31, 2011 at 11:35 pm
Olha, olha….
Então?
E tu com o voto (in)útil?
Já foram sei lá quantos mil, os postes que tu abriste!
Valha-me Deus!
Não havia necessidade…de…de….
Maio 31, 2011 at 11:37 pm
Maio 31, 2011 at 11:37 pm
http://umaaventurasinistra.blogspot.com/2011/05/para-o-dia-mundial-da-crianca-e-25.html
Maio 31, 2011 at 11:44 pm
#54
Não respeito quem já se fez passar por Fafe.
Maio 31, 2011 at 11:45 pm
#55
Necessidade?
Maio 31, 2011 at 11:45 pm
Boa noite.
Eis o que tenho a palpitar sobre o assunto em epígrafe:
■▲►▼◄☺☼☼♀♂
Mais palpites, por aqui
Maio 31, 2011 at 11:50 pm
agora devias apagar o #52 porque já apagaste o #51
Maio 31, 2011 at 11:56 pm
#62
O meu clube não é de Alpiarça.
Agora, um bocado mais a sério, aceitas que qualquer idiota sejas tu?
Junho 1, 2011 at 12:00 am
E se todos os comentários fossem apagados pouco (ou mesmo nada) se perderia.
Junho 1, 2011 at 12:00 am
#0
como é que voto num partido e contra outro?
Desta vez tem códradinhos pró voto contra?
Junho 1, 2011 at 12:02 am
#62
Como aqui: http://educar.wordpress.com/2010/08/15/ocupacao-de-espaco/#comment-440898
Estes abrantes não têm vergonha.
Junho 1, 2011 at 12:07 am
Não te armes em ps; foi apagado um comentário triplicado – colocado por um tipo da contabilidade, Maria e Fafe.
Cometeu um erro.
Junho 1, 2011 at 12:09 am
Vamos lá ver se entendi: O Fafe que não é, o Fafe que é Fafe mas não Fafe e o Fafe que é Fafe.
Junho 1, 2011 at 12:11 am
#67
Isso tudo, quase.
Junho 1, 2011 at 12:17 am
#65
Volvidos 9 meses é curioso ler determinados comentários…
Junho 1, 2011 at 12:17 am
#68
Junho 1, 2011 at 12:20 am
#68
A minha análise foi muito profunda, certo?
Junho 1, 2011 at 12:21 am
#69
Cada um lê o que pode. Como pode. É um drama.
Não estás a director? Paciência.
Junho 1, 2011 at 12:25 am
#70
Sorriso polémico. Não para mim, olhando nove meses para trás – ainda não estou grávido.
Junho 1, 2011 at 12:26 am
#64
Uma das falhas graves deste sistema é presumir que todos os votos expressos e válidos são a favor. Não são!
Por isso muita gente vota (inutilmente) nulo ou em branco, ou abstém-se. Estes não têm efeitos. Talvez devessem.
Junho 1, 2011 at 12:27 am
#71
Foi? Que bem cavas.
Junho 1, 2011 at 12:30 am
#72
Fafe que é o Fafe (espero eu), talvez não tenha percebido o que eu quis dizer e , parefrasenado-o… É um drama
Junho 1, 2011 at 12:35 am
#73
Sorriso sem qualquer intenção .
Ah, se nesto momento pudesse, bem que cavaria daqui para fora. Acho que ate com os Gregos me entenderia.
Junho 1, 2011 at 12:36 am
neste
até
Junho 1, 2011 at 12:38 am
Gregos em maiúscula? Serão uns gregos importantes?
Junho 1, 2011 at 12:40 am
#74
é o que eu digo: devia haver códradinhos pró contra. Tipo declaração de voto como a do Júlio Castro Caldas do CSMP, que vem hoje na capa do ‘I’
frame http://noticias.sapo.pt/kiosk/#4089
Junho 1, 2011 at 12:41 am
retiro a ,
Junho 1, 2011 at 12:45 am
Je vais me jeter.
Não é por aguentar menos, é por não haver mais.
Junho 1, 2011 at 1:02 am
Jjá decidi! Vou votar stalemate.
Portuguese election risks creating stalemate
Junho 1, 2011 at 1:21 am
#82,
Ata 1 pedra.
Junho 1, 2011 at 1:24 am
#83,
Eu tb.
Não há nada como votar stalemate.
Antes stalemates que stealingmates (=aos bués de úteis e contras, penso eu DE que)
Junho 1, 2011 at 1:33 am
#84
Boa ideia. Atar uma pedra e atirar-se com ela atada para a barragem.
Junho 1, 2011 at 9:24 am
#86
Atar-me a ti? Choche!