De análise muito interessante, até pelo grande crescimento dos professores muito bons e xalentes no sistema de ensino (mais 62% em relação ao ano anterior). Por outro lado, nota-se que, desta vez, já não houve tanta credulidade por parte dos colegas contratados.
A Evolução dos asteriscos
Maio 26, 2011 at 9:26 pm
E assim se valida um mau sistema de avaliação de professores!
Por quantos anos é válido o asterisco?
Maio 26, 2011 at 9:30 pm
Então imaginem para o ano! No ano passado os asteriscos eram relativos à avaliação de 2009/2010. Os asteriscos deste ano à de 2010/2011, quando no ano passado saíram as listas de ordenação (em Junho) e apareceram os ditos cujos asteriscos a avaliação estava quase concluída. Imaginem o crescimento dos asteriscados para o ano!
Maio 26, 2011 at 9:59 pm
Eu pensava que isto já não me afectava. Pensava. Até hoje. Não concebo que duas aulas valham a diferença entre o poderem muitos trabalhar e um trabalhar.. mas outro, que já lá estava, poder ficar no desemprego.
Maio 26, 2011 at 10:01 pm
MINHA CARA É O MERCADO…A LEI DO MAIS FORTE..OU MELHOR DO QUE MELHOR SE ADAPTA…O HOMO SAPIENS É UM DESSES…OUTROS ERAM MAIS FORTES TALVEZ ATÉ MAIS ESPERTOS OU INTELIGENTES…MAS ELE ADAPTOU-SE MELHOR…E CHEGOU CÁ..OS OUTROS FICARAM PELO CAMINHO…
Maio 26, 2011 at 10:02 pm
O modo como os cursos das Novas Oportunidades estão estruturados é mau demais para ser verdade, e quem não conheceu a situação no terreno nem imagina a tragédia que aquilo é.
Como formador tenho de contar o que se segue, pode ser que alguém do futuro governo do PSD tome conta disto.
Pretendia-se certificar os formandos com qualificação equivalente ao 6º ano, num curso qualificado como B2. Coube-me ministrar 100 horas de informática, onde se deveriam incluir módulos de Word, Excel, PowerPoint e Internet. As dificuldades começaram logo na utilização do próprio computador, porque a formação de base da maioria dos 10 formandos era tão rudimentar que vários deles nem o seu próprio nome de utilizador e respectiva “password” conseguiram fixar durante aquelas 100 horas.
Começando com o módulo de Word, a avaliação foi quase desastrosa por vários motivos: os conhecimentos de português eram quase nulos em vários dos formandos; houve quem não conseguisse escrever sequer um parágrafo completo durante aquele tempo; havia quem conseguisse dar dois erros ortográficos na mesma palavra.
No módulo de Excel, as coisas foram piores, de tal forma que ao fim de 3 sessões desisti de continuar com aquele módulo. Era impossível fazê-los perceber como calcular esta coisa simples: se fossem à bomba de gasolina, abastecessem 25 litros e cada litro custasse 1,2 EUR, quanto gastariam? Este era o cálculo mais simples que se poderia executar numa folha de cálculo, mas primeiro era preciso que percebessem o raciocínio do cálculo. Impossível.
Só no PowerPoint e na Internet é que se conseguiu que a generalidade dos formandos fizessem algum trabalho visível. Mesmo assim, o panorama geral era francamente desolador.
Os problemas não se ficavam por aqui. Em termos pessoais as coisas ainda eram mais difíceis. Um dos formandos era alcoólico e trabalhava zero. Chegava às aulas alcoolizado e era incapaz de acompanhar qualquer assunto. Outro tinha estado preso por tráfico de droga. Outro era um jovem de 19 anos que se gostava de exibir nas aulas a dizer que era gay. Outra, já com idade para ser avó e ter juizinho, andava sempre atrelada a este e era ele que lhe fazia os testes, porque ela deixava de trabalhar quando ele estava próximo, enquanto nos intervalos aproveitavam para dar umas passas. Outra ainda dizia ser doente e faltava constantemente, chegava tarde e saía cedo porque tinha de apanhar o autocarro, e saía constantemente da sala para tomar comprimidos porque estava cheia de dores.
Como as minhas aulas eram quase sempre nos últimos dois tempos, das 18 às 20 horas, eles queriam sair mais cedo não havendo intervalo. Mas como eram os últimos tempos, antes iam jantar ao refeitório, donde resultava que por vezes entravam na sala às 18:30 e às 19:30 queriam ir-se embora. No meio de tudo, o que verdadeiramente os preocupava era quando iriam receber o subsídio…
Chegaram a dizer-me “se quiser marcar falta, marque”!
No final de tudo aquilo, como profissional que leva o seu trabalho a sério, fiz um relatório de avaliação onde indiquei que 3 dos formandos não iriam ser aprovados porque não tinham os conhecimentos mínimos para tal.
Perante isto fui contactado pela pessoa coordenadora do curso, que me pediu por favor para os passar, pois se não o fizesse eles não poderiam receber o diploma.
Iríamos ser avaliados negativamente como formadores. Acedi contrariado mas elaborei uma informação a justificar o meu desacordo e senti que estava a colaborar numa farsa.
Isto é uma grande farsa!
Maio 26, 2011 at 10:09 pm
#3
É no que dá não fazer pela vidinha!
Maio 26, 2011 at 10:21 pm
Hoje, por volta do meio-dia, espreitei o umbigo, muito à pressa, e dei a notícia da publicação das listas às quatro colegas que se encontravam na sala dos DTs.
A colega de matemática disse: “olha, em relação ao ano anterior desci. Tenho mais 100 em cima.
A colega de História exclamou: “eu subi mais de duzentos. Mas, mereci porque esta coisa da avaliação causa muito stress e deu-me muito trabalho”. A colega é simpática, e a subdirectora e adjunta, coordenadora dos projectos TEIP, na DREL, também são do mesmo grupo disciplinar.
A colega de Geografia afirmou que ficou na mesma posição, mas já tinha sido beneficiada, no ano transacto.
A colega de Francês/Inglês viu e nada disse, talvez devido ao facto de não colidir com as susceptibilidades da concorrência.
Maio 26, 2011 at 10:49 pm
Novas Oportunidades. A ignorância certificada. Marta Oliveira Santos 2009 O país encontra‐se com uma taxa muito baixa de escolaridade em relação aos países da EU (União Europeia). Logo há necessidade de colmatar esta situação e, para isso foram criadas “As Novas Oportunidades”, uns cursinhos intensivos de três meses, no fim dos quais os “estudantes”(agora com o nome pomposo de formandos) obtêm o certificado de equivalência ao 9º ou 12º anos. Fantástico, se os cursinhos fossem a sério! … Perante a publicidade aos referidos cursos, aqueles que abandonaram a escola ou, por qualquer razão não concluíram um dos ciclos de escolaridade, esfregaram as mãos de contentes, uma vez que agora se lhes oferece a oportunidade de obterem um certificado de habilitações que lhes poderá vir a ser útil. E como diz o ditado”mais vale tarde do que nunca”, eles lá se inscreveram. Por outro lado, três meses das 7.00 às 10.00 horas, horário pós‐laboral, uma vez por semana, era coisa fácil de realizar. Coitados daqueles que andam 3 anos (7º, 8º e 9º anos) para concluírem o 3º ciclo!!! Isso é que é difícil! Na rua, no café, nos locais públicos em geral ouve‐se: “Ah! Agora, ando a estudar! Ando a fazer o 9º ou 12º ano! Aquilo é porreiro, pá!” Entretanto, há pessoas com quem contactamos no dia‐a‐dia, mais próximos de nós, o cabeleireiro, o sapateiro, a empregada doméstica, etc. que também nos confidenciam com ar feliz: “Agora, com esta idade, ando a estudar! Ando a fazer o 9º!” E nós, simpaticamente, sorrimos, abanamos a cabeça e dizemos que fazem bem, sempre é uma mais valia … contudo, numa dessas conversas, tentei descobrir que disciplinas constavam do curso, ficando a saber que eram Português, Matemática, Informática e Cidadania para o 9º ano; e indaguei ainda como eram as aulas e a avaliação final. E fiquei atónita. Em Português o formando teria que escrever a história da sua vida e a razão por que se inscreveu no curso, sendo o texto corrigido aula a aula pela respectiva formadora; Matemática consistia em efectuar cálculos básicos e apresentar, por exemplo, areceita de um bolo e duplicá‐la; para Informática apercebi‐me que seria a apresentação do trabalho escrito e, posteriormente, quem quisesse apresentá‐lo‐ia em “powerpoint”; em Cidadania, os formandos apresentavam os diferentes resíduos e diziam em que contentor os deveriam colocar. A nível de Português ainda foi pedida a leitura de um livro e seu comentário, sendo a selecção ao critério do formando o que deu origem a autores “light”, nada de autores portugueses de renome; a acrescer a este comentário teriam também de fazer a apresentação crítica a um filme e a uma reportagem. Todos estes elementos seriam entregues num dossier, cuja capa ficaria ao critério de cada formando. Três meses passaram num abrir e fechar de olhos, por isso um destes dias, enquanto aguardava a minha vez para ser atendida no consultório médico, fui brindada com o dossier do curso da recepcionista e respectivo certificado de 9º ano. Engoli em seco aquelas páginas recheadas de erros ortográficos e de construção frásica, desencadeamento de ideias e falta de coesão, (…), entremeados por bonitas fotografias; na II parte, umas contitas simples e duas tábuas de multiplicação; e em Cidadania, os contentores do lixo coloridos com a indicação dos resíduos que se põem lá dentro. Em seguida, com um sorriso muito branco (nem o amarelo consegui!) e, como bemeducada que sou, felicitei a dona do dossier cuja capa estava realmente bonita, original, revelando bastante criatividade e ouvi‐a alegre dizer: “A formadora disse‐me que tinha hipóteses de fazer o 12º ano. Logo que possa, vou fazer a minha inscrição!” Fiquei estarrecida, sem palavras para lhe dizer o que quer que fosse. “As Novas Oportunidades” são isto? Está a gastar‐se tanto dinheiro para passar certificados de ignorância? Será que todos os formadores serão iguais a estes? E o 9º ano é escrever umas tretas e ler um Nicholas Sparks e um artigo da revista “Simplesmente Maria”? E o 12º ano será a mesma coisa (queria dizer chachada) acrescida de uma língua? Continuando assim o país a tapar o sol com a peneira, teremos em poucos anos a ignorância certificada!” In, Correio da Educação, 2009 Comentário meu: Tomei conhecimento sobre o NO através de uma situação casual com um mecânico de automóveis que, tendo confiança comigo, me mostrou o seu dossier e me colocou ao corrente das NO do 12º ano. Fiquei completamente estarrecida.
Maio 26, 2011 at 11:26 pm
#2
“No ano passado os asteriscos eram relativos à avaliação de 2009/2010. Os asteriscos deste ano à de 2010/2011″
Em que ano vives?
Maio 26, 2011 at 11:37 pm
#9
Na minha unidade (escola, em português antigo) a avaliação ainda não foi concluída. Não consigo entender como apareceram os asteriscados deste ano…
Maio 27, 2011 at 12:34 am
#9
Na minha unidade (escola, em português antigo) a avaliação ainda não foi concluída. Não consigo entender:-)
como apareceram os asteriscados deste ano…
essa tá bouuua
toma lá mais 5- ( está é só nossa)
Os asteriscos são sempre referente à avaliação do ano anterior
Maio 27, 2011 at 12:43 am
#11
Já se tinha concluído isso; sem os espalhafatos da…
Maio 27, 2011 at 12:43 am
Tché!, um treze.
Ão!
Maio 27, 2011 at 12:46 am
#6
se calhar.
há quem viva, há quem tenha “vidinhas”.
sei lá.
só me ocorre uma palavra: miserabilismo- por 1000 euros, é o que é.
Maio 27, 2011 at 12:55 am
#15
Mas ainda duvida que este é um país de miserabilistas?! Olhe tantas aulas assistidas a decorrer com a maior normalidade, como se sempre tivesse sido e os outros que ainda se atrevem a protestar, a parecerem “esquisitos” . E as sondagens.
Maio 27, 2011 at 1:07 am
#15
já escrevi no professores lusos:
aqui está uma boa razão para meter os meus filhos no privado- não os quero nas mãos de gentinha.
pq não tenho dúvidas que o que aí vem atrás é gentinha.
Maio 27, 2011 at 8:38 am
#9
Vivo num ano mais à frente! Eheheh! Enganei-me! Devem ser as asteriscos a subir-me pela mioleira fora! I’m sorry!