O subtil, o reflexo, o vago, o indefinido,
Tudo o que o nosso olhar só vê por um momento
Tudo o que fica na Distância diluído,
Como num coração a voz do sentimento.
Tudo o que vive no lugar onde termina
Um amor, uma luz, uma canção, um grito,
A última onda duma fonte cristalina,
A última nebulosa etérea do Infinito…
Esse país aonde tudo principia
A ser névoa, a ser sombra ou vaga claridade,
Onde a noite se muda em clara luz do dia,
Onde o amor começa a ser saudade;
O longínquo lugar aonde o que é real
Principia a ser sonho, esperança, ilusão;
O lugar onde nasce a aurora do Ideal
E aonde a luz começa a ser escuridão…
A última fronteira, o último horizonte,
Onde a Essência aparece e a Forma terminou…
O sítio onde se muda a natureza inteira
Nessa infinita Luz que a mim me deslumbrou!…
O indefinido, a sombra, a nuvem, o apagado,
O limite da luz, o termo dum amor,
Tornou o meu olhar saudoso e magoado,
Na minha vida foi minha primeira dor…
Mas hoje, que o segredo oculto da Existência,
Num momento de luz, o soube desvendar,
Depois que pude ver das cousas a essência
E a sua eterna luz chegou ao meu olhar,
Meu infinito amor é a Alma universal,
Essa nuvem primeira, essa sombra d’outrora…
O Bem que tenho hoje é o meu amigo Mal,
A minha antiga noite é hoje a minha aurora!…
[Teixeira de Pascoaes]
Maio 26, 2011 at 1:07 am
EUA à beira do incumprimento
26/05/11 00:01 | Clive Crook
O governo americano ultrapassou o limite legal da dívida, fixado em 14,3 biliões de dólares (€10,1 biliões), há precisamente nove dias.
Como os gastos superam largamente a receita, a administração decidiu adoptar “medidas extraordinárias” para não comprometer o limite autorizado pelo Congresso, nomeadamente a suspensão de pagamentos aos fundos federais de pensões de reforma e invalidez, para travar o aumento das suas dívidas a terceiros. No entanto, refere o Tesouro, ficará sem alternativas a 2 de Agosto. Mas não só. Na ausência de um “Plano B” é inevitável que o governo americano entre em incumprimento.
(…)
http://economico.sapo.pt/noticias/eua-a-beira-do-incumprimento_119063.html
Maio 26, 2011 at 1:08 am
… ….
Maio 26, 2011 at 1:09 am
dream
Qualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
É até onde, por fim mal, tropeço
No que de mim em mim de si se esquece.
Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.
Mas, vinda dos vestígios da distância
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.
Remiu-se o pecador impenitente
À sombra e cisma. Teve a eterna infância,
Em que comigo forma um mesmo ente.
Fernando Pessoa
Maio 26, 2011 at 1:10 am
#1, tem tudo a ver com o lindíssimo poema de Pascoaes, não há dúvida!…
Maio 26, 2011 at 1:15 am
#4
Há quem se tente semear em si próprio.
Maio 26, 2011 at 1:20 am
#5,
Pode ser que frutifique.
Maio 26, 2011 at 1:33 am
Já foi um.
Não voltarei a avisar.
Maio 26, 2011 at 1:34 am
http://gataescondida.wordpress.com/2011/05/26/nem-mais/
Maio 26, 2011 at 1:37 am
#8
Às vezes, poucas e as necessárias, fico – vou – assim.