Ou o aparelho ideológico domina há 37 anos ou as coisas mudam a cada novo ME. As duas coisas ao mesmo tempo, não sendo impossível, é dificultoso:
A história da gestão do sistema de ensino é a história da incoerência e da falta de visão estratégica. Os diagnósticos correctos, que não faltam, foram sistematicamente pulverizados pela inépcia de um aparelho ideológico que há 37 anos domina o Ministério da Educação.
(…)
Com efeito, a insuficiente tentativa de obter consensos possíveis sobre esses temas e o fomento de climas de quase ódio entre correntes doutrinárias opostas e ideologias políticas diversas têm impedido que as decisões perdurem para além dos tempos políticos e mudem em função do livre arbítrio de sucessivos governos e ministros.
Ou há livre arbítrio ou há um aparelho ideológico triturador… No que ficamos? Página 20 ou página 24?
Maio 24, 2011 at 4:34 pm
Estamos a falar livro do Castilho ou do do Azevedo?…
Que vem daquele lado é não me parece haver dúvidas.
É que para esta conversa dos mandantes de direita, tramados pela “ideologia” da esquerda, desconfio que já nem o Paulo terá muita pachorra.
Maio 24, 2011 at 4:39 pm
#1,
Acho que sabes a resposta.
Maio 24, 2011 at 4:43 pm
Ainda o debate de ontem no Camões, num resumo mais fiel do que se passou:
“A palavra aos deputados
Depois da interrupção para almoço, o debate avançou para o painel com os representantes dos partidos, apresentados pela jornalista Patrícia Matos, que, para uma primeira “ronda”, deu oito minutos e meio a cada um dos intervenientes.
O deputado do PS, Bravo Nico, foi o primeiro, destacando desde logo que a qualificação dos portugueses foi “a prioridade das duas legislaturas” anteriores. “Alargámos bastante este conceito de qualificação, tanto nos adultos como noutros sectores”, afirmou, reforçando a ideia de um grande número de pessoas envolvidas.
O parlamentar do PS falou das “preocupações” do seu partido com os resultados do aproveitamento escolar, taxa de escolarização. frequência do pré-escolar e acesso ao ensino superior. O alargamento da escolaridade para 12 anos – “um desafio, uma decisão corajosa, que, agora, há que tornar real” – esteve também, em foco nestas primeiras palavras de Bravo Nico.
Pedro Duarte, do PSD, chamou a atenção do auditório para o “défice estrutural do país”, lembrou que “a educação não foi valorizada ao longo de muitos anos” e destacou três questões fundamentais para o seu partido: a necessidade de “estabelecer plataformas de diálogo, com uma visão a médio e longo prazo para a educação”, garantindo “estabilidade” para este sector; a necessidade de “alterar a lógica centralista do Ministério da Educação (“o ME gere tudo e todos”; “o ME tem que confiar nas escolas”´, “é preciso autonomia a sério”); e, finalmente, a necessidade de “recuperar a dignidade do professor e a sua autoridade na sala de aula.”
O deputado social-democrata afirmou que o seu partido, em termos de rede escolar, “não subscreve a política de mega-agrupamentos” seguida pelos governos PS, declarando mais adiante que “estamos disponíveis para reavaliar algumas das decisões”, em diálogo com a comunidade educativa. Reconheceu o apoio do PSD a uma “carreira especializada” de gestor para as escolas, mas que isso “jamais será implementado se os professores não aderirem”, registando ainda: “O director que não é aceite pelos seus pares nunca será um bom director”. Quanto ao “mito liberdade de escolha”, disse que “o PSD não caminha para a privatização da escola pública”. Quanto à avaliação de professores, garantiu que o partido vai apresentar outro projecto.
No pós-eleições, e na perspectiva de que “não vai haver maiorias absolutas”, “o diálogo vai ser necessário”, realçou Diogo Feio, deputado europeu. O representante do CDS disse que é preciso “estabelecer uma base de diálogo”, aproveitando as “ideias positivas de cada um”. Para os “centristas”, a “função da escola pública” é “formar” e garantir o “direito a subir na vida através da educação e da formação”. Falou também da necessidade de recuperar a autoridade do professor e realçou que “os professores não podem ser os bodes expiatórios” das crises e das políticas erradas e incoerentes. Não aconselhou que se mude tudo e garantiu que, na perspectiva do CDS, o director “tem de ser um professor”.
Digo Feio afirmou noutra passagem que são precisas “regras claras” para o Estatuto do Aluno e que as conversas que o partido tem mantido com as organizações sindicais sobre a situação no sistema educativo têm sido muito úteis. Destacou a importância da autonomia das escolas e “o apoio aos projectos educativos diferenciados”, sublinhou que é necessário ter “a noção dos índices de empregabilidade das nossas universidades e dos respectivos cursos” e afirmou que “o próximo ministro da Educação deve ser alguém com peso político”.
Cecília Honório, do Bloco de Esquerda (BE), chamou a atenção para “o défice de debate público sobre os novos perigos que estão a atingir a escola pública” e criticou o PS que, por vezes, “toca uma flauta” que parece dar música à esquerda, enquanto abre “as portas à direita”.
As orientações do PS em matéria de gestão das escolas e de salários e carreiras mereceram igualmente a condenação frontal da deputada do BE, que apontou algumas das preocupações do seu partido, nomeadamente contra o modelo de avaliação imposto pelo ME. Referiu que o Bloco se bate pela estrutura democrática da escola, pela redução do número de alunos por turma, pela existência de equipas multidisciplinares nas escolas, pela vinculação dos docentes contratados, pelo combate à precariedade laboral no sector e pela atribuição de bolsas no ensino superior.
As previsíveis consequências do “memorando assinado entre a troika de dentro e a troika de fora” estiveram presentes na intervenção de Cecília Honório que alertou para os efeitos dos cortes de milhões de euros na educação, com a perspectiva de mais encerramentos de escolas e a redução de custos com pessoal, ou seja: “profissionais da educação que vão para o olho da rua”.
Miguel Tiago, do PCP, apontou dois documentos que podem ser a base impulsionadora de uma política coerente no sector: a Constituição da República e a Lei de Bases do Sistema Educativo. Trata-se, como realçou o deputado comunista, de “documentos incompatíveis” com as orientações impostas pela “troika”.
Condenando energicamente as políticas que desfiguram e subvertem a escola pública através de uma “catadupa legislativa” e de uma teia burocrática sem fim, Miguel Tiago apontou algumas das iniciativas legislativas apresentadas pela sua bancada em S. Bento, nomeadamente a favor da gestão democrática, suspensão da avaliação do desempenho, concursos e estabilidade profissional, entre outras, criticando os partidos que inviabilizaram soluções apontadas à melhoria da situação nas escolas e no sistema educativo. “Há aqui duas perspectivas diferentes sobre a escola pública portuguesa: a que a entende como estando ao serviço do país e das populações; e a que a entende como estando ao serviço do mercado”, concluiu.
“A crise tem uma história e tem responsáveis”, lembrou Francisco Madeira Lopes. O dirigente do PEV criticou “as reformas agressivas do PS ao longo de seis anos de governação”, lembrando que o economicismo esteve “na base” da actuação política do ME e manifestando a sua preocupação pelas consequências da “austeridade” que a troika quer impor ao nosso país, num enquadramento que “não é bom para a escola e para o ensino”
“A educação é um investimento fundamental para ultrapassar esta crise”, salientou o dirigente dos “Verdes”, que afirmaria noutro momento: “É importante fazer escolhas e saber o que é que os partidos pretendem após 5 de Junho”. “O que a direita propõe é uma escola pública mais fragilizada”, concluiu.
A jornalista Patrícia Matos devolveu depois a palavra ao auditório, que levantou muitas questões, nomeadamente sobre a precariedade laboral, os cortes no financiamento, a “liberdade de escolha”, os mega-agrupamentos, a educação especial, a escolaridade de 12 anos em contexto de ataque à escola pública e o negócio à volta da Parque Escolar, entre outras matérias. Os representantes dos partidos foram convidados a pronunciarem-se, já no concreto, sobre os assuntos colocados. Começava então a segunda ronda das declarações./”
http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=226&doc=5668
Maio 24, 2011 at 4:43 pm
Calculo que seja o PSD-mau…
Que o PSD-bom, citador de bibliografias, mereceria ser citado…
Maio 24, 2011 at 5:10 pm
Abreviando e independentemente de partidos e governos:
- no nosso sistema de ensino (pelo menos no nosso), A PRÁTICA CONTRARIA SISTEMATICAMENTE OS PRINCÍPIOS.
Se quiserem, posso exemplificar.
Maio 24, 2011 at 5:31 pm
Vejam o vídeo que é simplesmente vergonhoso
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.sabado.pt%2FMultimedia%2FVideos%2FSociedade%2Fvsfdv.aspx&h=e107e
Maio 24, 2011 at 5:57 pm
contrariamente à normal tentativa de conciliar o melhor de dois mundos, parece que o autor de tal desiderato parece pretender reunir o pior de dois universos…será que se trata do terceiro excluído, apesar da prebenda prefacial?
Maio 24, 2011 at 6:07 pm
#4,
Esforça-te um pouco e não uses critérios de bondade ou maldade. Não é isso que está em causa.
Maio 24, 2011 at 6:12 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2011/05/24/faz-hoje-70-anos-bob-dylan-knockin-on-heavens-door-um-dia-todos-nos-la-iremos-tocar-ou-no-inferno-ou-onde-quer-que-seja/
Maio 24, 2011 at 6:14 pm
AINDA VÃO OUVIR DIZER ISTO DE UM CANDIDATO DOS PARTIDOS SANITA DO PODER…
http://bulimunda.wordpress.com/2011/05/24/a-javardice-eleitoral-cartoon-angeli/
Maio 24, 2011 at 6:14 pm
Isto sim são os verdadeiros cartazes eleitorais…
http://bulimunda.wordpress.com/2011/05/24/a-javardice-eleitoral-cartoon-angeli/
Maio 24, 2011 at 6:16 pm
Está tudo aqui..fui…
Não Somos Capazes de Distinguir o que é Bom e o que é Mau Quantas vezes um pretenso desastre não foi a causa inicial de uma grande felicidade! Quantas vezes, também, uma conjuntura saudada com entusiasmo não constituiu apenas um passo em direcção ao abismo — elevando um pouco mais ainda alguém em posição eminente, como se em tal posição pudesse estar certo de cair dela sem risco! A própria queda, aliás, não tem em si mesma nada de mal se tomares em consideração o limite para lá do qual a natureza não pode precipitar ninguém. Está bem perto de nós o termo de tudo quanto há, está bem perto, garanto-te, o limite desta existência donde o venturoso se julga expulso e o desgraçado liberto; nós é que, ou por esperanças ou por receios desmesurados, a fazemos mais extensa do que realmente é. Se agires com sabedoria, medirás tudo em função da condição humana, e assim limitarás o espaço tanto das alegrias como dos receios. Vale bem a pena privarmo-nos de duradouras alegrias a troco de não sentirmos duradouros receios!
Por que motivo procuro eu restringir este mal que é o medo? É que não há razão válida para temeres o que quer que seja; nós, isso sim, deixamo-nos abalar e atormentar apenas por vãs aparências. Nunca ninguém analisou o que há de verdade no que nos aflige, mas cada um vai incutindo medo nos outros; nunca ninguém se atreveu a aproximar-se do que lhe perturba o espírito e a averiguar a natureza real e fundamentada do seu medo. Daqui resulta o crédito que se dá a um perigo inexistente, que mantém a sua aparência porque ninguém o contesta a sério. Basta que nos decidamos a abrir bem os olhos para verificarmos como é diminuto, incerto e inofensivo aquilo que receamos. A confusão dos nossos espíritos corresponde perfeitamente à descrição de Lucrécio: «tal como as crianças no meio da escuridão tremem com medo de tudo, assim nós tememos em plena luz!». Pois bem, não seremos nós mais insensatos do que as crianças, nós que tememos em plena luz? A verdade, porém, Lucrécio, é que nós não tememos em plena luz, criamos, sim, trevas a toda a nossa volta! Não somos capazes de distinguir o que é bom e o que é mau; passamos toda a vida a correr, a tropeçar às cegas, e nem por isso somos capazes de parar ou de tomar atenção onde pomos os pés. Estás a imaginar como é coisa de loucos andar a correr no escuro! Valham-me os deuses! Não conseguimos mais nada senão termos de regressar de mais longe; sem saber para onde nos dirigimos, continuamos teimosamente a caminhar para onde o instinto nos leva. No entanto, se o quisermos, poderá fazer-se luz em nós. De um único modo: adquirirmos o conhecimento das coisas divinas e humanas, um conhecimento interiorizado, e não meramente superficial; meditarmos nessas ideias já adquiridas, comprovarmos a sua validade pela nossa própria experiência; investigarmos o que é bom e o que é mau, e a que coisas se atribui falsamente um ou outro destes adjectivos; averiguarmos em que consiste o bem e o mal éticos — e, finalmente, o que é a providência.
Séneca
Maio 24, 2011 at 6:21 pm
#6
Uns dias na prisão não fazem mal a ninguém que tenha merecido.
Maio 24, 2011 at 6:31 pm
#8
Temo que o esforço seja em vão. Para os lados do PSD as uvas ainda estão verdes e há muito nevoeiro…
É melhor esperar primeiro que o nevoeiro se dissipe e que os frutos eleitorais amadureçam…
Deixá-los pousar, e aí se verá quem é quem…
Maio 24, 2011 at 6:33 pm
Claro que aqui aos umbiguistas que já fizeram a profissão de fé no passismo-coelhismo (não incluo o Paulo no grupo, como é óbvio) nada disto interessa.
Aceitam qualquer ministro da educação, desde que não seja designado pelo socratino…
Maio 24, 2011 at 6:51 pm
quem pensa assim tem os horizontes limitados
ainda vou ver depois muita gente a chorar com o PSD no governo
ainda bem que tenho fortuna pessoal
Maio 24, 2011 at 7:20 pm
Segundo a minha óptica, o que daqueles excertos se poderá entender é que o ME está colonizado por um aparelho ideológico, em que o eduquês aparece como a narrativa unificadora, que permite uma linha de continuidade e de articulação das políticas educativas ao longo das diferentes legislaturas – assumindo-se como um autêntico aparelho ideológico do estado -, enquanto os sucessivos titulares da pasta, trazendo cada um os seus projectos, seja pela inconsistência dos mesmos ou da ausência de tempo ou de aptidão para os implantar, nunca os conseguiram levar avante, limitando-se a retocar pormenores da estrutura que permanece.
O consulado de MLR apresentou talvez a maior ou mais decisiva novidade: a convergência estratégica e, em grande medida, ideológica daquele aparelho com uma vontade política determinada em submeter os zecos – a corporação que aqui pode “estragar a engrenagem” – aos ditames de uma concepção economicista e mercantilista da educação e da escola, ao sabor da vaga neoliberal em enchente.
O perigo do consulado socretino na educação consiste, no meu ponto de vista, na mistura explosiva entre uma narrativa consolidada e eficaz e uma vontade política que fez do autoritarismo todo um estilo de actuação, em confronto com uma escola que ainda cultivava a “democracia interna”.
Os efeitos daquela ofensiva ainda estão bem à vista: Socas e a sua máquina de propaganda continuam a insistir nas “reformas estruturais na educação” como a bandeira da sua vontade “reformista”.
Maio 25, 2011 at 12:16 pm
Resumindo, os doentes do hospital tem andado a ser tratados pelos delegados da propaganda medica.