Abril 2011


O Magalhães não é apenas um Computador

Numa altura em que se procede à avaliação do impacto de muitos dos projectos desenvolvidos nos últimos anos, como foi o caso de toda a estratégia associada ao Magalhães, importa fazer algumas reflexões sobre o seu impacto na “Nova Escola” que se pretende construir. O Magalhães constituiu um passo marcante na afirmação por parte do Governo Português duma Aposta Estratégica na Educação como o grande “driver” de mudança colectiva da Sociedade e recentragem no Valor e Competitividade como Factores de Distinção na Economia Global. A aposta tem que continuar mas está na altura de o Magalhães sofrer uma nova rota.

Um email qualquer serve de desculpa?

FT diz que e-mail que levou a subida dos juros é de funcionário do Citigroup

Banco norte-americano recusa qualquer implicação na escalada dos juros das obrigações dos mercados periféricos na quarta-feira.
O “Financial Times” avança que o e-mail enviado por um “banco de investimento internacional” que indica que a reestruturação da dívida grega irá acontecer já no próximo fim-de-semana partiu de um funcionário do Citigroup. A mesma informação é avançada pela agência Dow Jones Newswires, depois de a ver confirmada por dois membros do Governo helénico.

O “FT” teve acesso ao documento datado de quarta-feira, pelas 13h42, e cita algumas das suas afirmações: se a reestruturação acontecer “é crucial ver quais serão as condições, sendo que um ‘haircut’ terá um resultado muito diferente de um prolongamento das maturidades”.

“Nos últimos dias, as conversações em torno de uma reestruturação/renegociação [grega] têm-se intensificado, apesar dos contínuos desmentidos por parte das autoridades [gregas] e estrangeiras”, revela ainda o documento.

Tom Petty And The Heartbreakers com Eddie Vedder, The Waiting

Retrato
de Portugal

PORDATA

Indicadores 2009

Publico tal como recebi, respeitando as boas regras do contraditório, apenas acrescentando que a pessoa que enviou a carta que suscita esta reacção pediu o anonimato, mas enviou a sua identificação:

O CE da CONFAP, ao abrigo do direito de resposta que lhe assiste e na defesa do que são os superiores interesses da Educação e do Movimento Associativo Parental (MAP), vem desta forma tomar posição sobre a publicação desta ?carta aberta? e assim encerrar o assunto na praça pública:

1. O CE da CONFAP lamenta que alguém que se diz preocupado com a Educação (mesmo sendo apenas com a do seu ?umbigo?) se disponibilize para publicar uma carta com insinuações injuriosas sem antes se preocupar em ouvir o contraditório, considerando o carácter pejorativo das afirmações produzidas na dita missiva e as implicações nefastas que as mesmas têm mesmo após o direito de resposta, não só individuais como para todo o sistema educativo.
Tal postura deixa-nos preocupados por quem deveria ter algum decoro nas posições assumidas porquanto é um educador de muitas pessoas que são o futuro de Portugal.
2. O presidente do CE sempre esteve disponível, nos órgãos próprios, como prevêem os estatutos, para os esclarecimentos de todos os associados.
Aliás, já em diversas oportunidades pode prestar esses mesmos esclarecimentos, quer no Conselho Geral quer no órgão magno do MAP, a Assembleia-geral. Esclarecimentos também disponíveis e escrutináveis, *a todo o tempo na sede da Instituição*, por qualquer associado no pleno gozo dos seus direitos, como é o caso da COSAP.
3. O CE da CONFAP repudia esta forma de actuar em que documentos internos do MAP, são enviados de forma “anónima” para terceiros, bem como todas as insinuações e injurias proscritas neste blog, da parte de quem não consegue fazer vingar as suas opiniões junto dos associados e se aproveita da moral ligeira de terceiros, eles próprios também ávidos de destruir quem se opõe aos seus pretensos “direitos adquiridos”.
4. O CE da CONFAP, bem como qualquer Órgão Social da Confederação, estão disponíveis, nos termos estatutários, para o esclarecimento de todos os associados sobre os documentos e actividades empreendidas pelos membros integrantes de quaisquer dos seus Órgãos Sociais, no exercício das suas funções e responsabilidades, inclusive na qualidade de indigitados e candidatos nas listas concorrentes aos actos eleitorais.
5. O CE reitera o seu propósito de prosseguir os grandes objectivos do MAP, em construir e garantir uma participação parental de colaboração e cooperação com qualidade a bem de todas as crianças e jovens de Portugal e assim, com o apoio e trabalho das Associações de Pais e Federações, contribuir para uma Educação de excelência nas nossas escolas.

Lisboa, 22 de Abril de 2011
O CE da CONFAP

Sondagem: PSD perde fôlego

Sondagem Expresso/SIC/RR mostra queda do partido de Passos Coelho ao mesmo tempo que o PS recupera terreno.

É o Expresso do Compromisso Nacional,  é a Eurosondagem, mas mesmo assim…

Esta, que dá um empate técnico a PS e PSD, mas claramente uma maioria de esquerda no Parlamento. Ou seja, mais ou menos como estamos, só que com uma carga de confusão em cima e o FMI e a UE a mandarem, no essencial, nisto.

Este é o ambiente ideal para os apelos ao Bloco Central, pois fica sem existir uma solução governativa alternativa funcional.

Vejamos:

  • Ao não aceitarem a ingerência externa, PCP e BE mostram-se indisponíveis para uma coligação com o PS, com ou sem Sócrates. Por maioria de razão, não os vejo a viabilizar, pela abstenção, um governo PSD/CDS.
  • O PS, caso ganhe as eleições, sozinho, tendo feito o pedido de ajuda financeira externa, não tem condições para governar, muito menos com Sócrates a PM.
  • O PSD, caso ganhe as eleições, sozinho ou acompanhado, será derrotado pela esquerda parlamentar à primeira oportunidade.

Resta, portanto, se as coisas continuarem assim, a solução pastosa do Bloco Central.

Só que não se vê como Sócrates e Passos Coelho poderiam gerir uma situação dessas a dois. O que perder as eleições, num cenário desses, teria de ser rapidamente afastado pelo seu próprio partido, para abrir caminho à tal coligação. Nesse particular, Passos Coelho está muito mais vulnerável, pois tem abertamente contra si inúmeros barões laranjas, que não se coíbem nada de o zurzir publicamente sempre que podem e nem falo de Pacheco Pereira para quem isso é ofício de vida. Já em redor de Sócrates se acoitaram quase todos, desde Alegre a Assis, Passando por Ferro Rodrigues. De fora, muito pouca gente e ainda menos com voz própria credível (Carrilho não conta, por causa da questão da credibilidade).

O espantoso é que, nesta altura, após tanto asneirame do Governo e tanta pirueta de Sócrates, o PSD ainda tem conseguido transmitir uma imagem menos eficaz para o exterior. Ao menos o PS erra com convicção; o PSD, mesmo quando acerta, parece que o faz meio envergonhado.

Anote-se que eu detesto a ideia de ser governado por um manto acinzentado, em forma de Centrão. Gostaria que houvesse uma maioria clara à Direita ou Esquerda e que, por uma vez, as águas se movessem. Mas, à Direita a maioria absoluta parece claramente impossível para o PSD e é muito duvidosa, mesmo com o CDS a apoiar. E à Esquerda, a maioria absoluta parece bem possível, mas este PS não é compatível para uma solução governativa com o Bloco e o PCP, apesar de certas pontes.

O que nos deixaria à mercê do compromisso nacional, em que todos metem a colher e nada se distingue. Onde teríamos Catroga em vez de Teixeira dos Santos e Miguel Relvas em vez de Lacão e Canavarro em vez de Alçada, mas pouco mais. Quiçá mesmo um Portas em vez de Amado.

Mas tudo isto revela-nos duas realidades indesmentíveis:

  • Apesar do buraco em que nos enterrou, este Partido de Sócrates – apoiando pelo medo da Direita fomentado pela Esquerda que ele despreza, excepto em causas fracturantes e TGV – ainda merece a confiança de mais de um terço dos eleitores. E isso chega para, com o crescimento da Esquerda mais à esquerda, inviabilizar uma solução sem o próprio PS.
  • Apesar de parecer que estas eleições estariam no papo, o PSD tem-se esmerado em hesitar (não se percebe o atraso no programa eleitoral), espalhar-se ao comprido (sempre que fala um guru ansioso e inteligente em vez do chefe ou do Miguel Relvas) ou ser torpedeado a partir de dentro (Menezes, Marques Mendes, Pacheco, Capucho), demonstrando como tem uma equipa política ainda com uma dose assinalável de amadorismo para andanças em que Santos Silva, Lacão, Assis, Silva Pereira e Ciª se sentem como tubarões em praia da Califórnia cheia de turistas nutridos.

Resumindo: ou o eleitorado se agita (para a Esquerda e para a Direita, impedindo o engenheiro de vencer e de ficar com todos os trunfos para continuar) e percebe que o tempo deste homem tem de acabar de uma vez, ou estamos muito bem (mal?) fornicados e cada vez pior pagos.

Não desvalorizando a autora e seu trabalho … aqui vai um grande LOL

O artigo original do JN é este e, realmente, há teses (e esta é de doutoramento) que só apetece mandar encher de moscas. As conclusões, pelo menos as destacadas na peça, são do tipo La Palisse em serviços mínimos.

Não sei se chore, se ria. Mas com o Otelo, sempre foi assim.

“Precisávamos de um homem com a inteligência de Salazar”

“Precisávamos de um homem com a inteligência e a honestidade do ponto de vista de Salazar” afirma Otelo Saraiva de Saraiva de Carvalho, em entrevista que hoje pode ler no WEEKend do Negócios.

É uma espécie de Futre da política… só que sem a parte das muitas jogadas maravilhosas.

Uma “mudança cosmética” que deixou quase tudo por fazer

O mundo já estava em crise quando Isabel Alçada tomou posse, em Outubro de 2009, mas no rescaldo do ano eleitoral a contenção continuava fora da agenda. Defendia-se, por exemplo, que seriam precisos mais 141 milhões de euros para garantir a escolaridade obrigatória até aos 18 anos. Um ano depois, a ministra ficou a saber que, afinal, teria de gerir o sector com menos 800 milhões.

As respostas completas de todos os inquiridos.

As minhas ficam aqui, para não andar em busca do link directo.

No caso da Educação o que mudou e o que podia ter mudado e não mudou?

O que mudou: o clima de conflitualidade entre sindicatos e ME desapareceu quase por completo e, no primeiro trimestre de 2010 foi conseguida uma acalmia nas escolas, graças à perspectiva de que algo mudaria para melhor a vários níveis (carreira, avaliação, horários, concursos).

A partir de meados de 2010 percebeu-se que, afinal, a haver mudanças dificilmente elas seriam num sentido positivo e foi isso que se verificou com uma série de medidas destinadas a conter custos por todas as formas possíveis, desde uma falhada reorganização curricular à continuação do processo de concentração da rede escolar, passando pelas regras para a organização do próximo ano lectivo.

O que podia ter mudado e não mudou: antes de mais, o currículo de parte do Ensino Básico que, entre as medidas aprovadas pelo Governo e a sua suspensão no parlamento, deixou tudo na mesma, mantendo equívos e distorções na estrutura do currículo, em especial do 3º ciclo. Também o modelo de avaliação do desempenho docente deveria ter sido alterado, por forma a não continuar a aplicar algo que reconhecidamente é ineficaz para detectar o mérito.

Quais as medidas/casos que considera terem sido emblemáticos deste ano e meio?

Neste ano e meio o que foi apresentado como emblema foram as chamadas Metas de Aprendizagem, uma forma curiosa de designar essencialmente metas estatísticas de sucesso desejado e não propriamente um programa para a melhoria das aprendizagens dos alunos. Neste aspecto, é emblemático de uma forma de governação que cobre com designações pomposas e enganadoras o simples desejo de construir estatísticas.

Também o desvario de novo-riquismo da Parque Escolar na reconstrução de algumas escolas ficará como símbolo de recursos mal alocados.

E quais os mais “bicudos”?

Claramente a percepção de que o ME e o Governo pretendem um alargamento da escolaridade para 12 anos ao mesmo tempo de uma diminuição dos encargos com a Educação, o que não deixa de ser paradoxal. A implementação de uma escolaridade obrigatória mais alargada, cortando no investimento, tentando reduzir o pessoal docente e contraindo a rede escolar, é algo que dificilmente poderá funcionar e ter resultados satisfatórios.

Em seguida, o imbróglio da transferência de competência para as autarquias se encontra numa espécie de impasse, não se percebendo exactamente em que ponto se encontra este processo, visto que, afinal, a rede escolar, foi reconfigurada a partir de Lisboa, desrespeitando as Cartas Educativas e as competências dos Conselhos Municipais de Educação.

E o futuro passará por onde? Que prioridades para a Educação?

O futuro deverá passar necessariamente por consensualizar medidas educativas em vários planos, não hostilizando os agentes no terreno (professores) e evitando soluções pouco transparentes (ao nível da avaliação, da gestão e da relação entre os sectores público e privado da Educação).

Segmentando eu apresentaria esses planos da seguinte forma:

  • Para melhorar o desempenho dos alunos é necessário fomentar uma cultura de responsabilização e trabalho, não enveredando pelo facilitismo para obter estatísticas favoráveis rápidas. Para isso era muito importante uma reforma curricular feita de uma forma séria e articulada, não como meros remendos no que está, para poupar algum dinheiro, esquecendo os princípios pedagógicos.
  • Para quebrar a tensão existente na classe docente é indispensável restabelecer a confiança com a tutela, através de uma ligação directa com os professores, não mediada por organismos micro-corporativos (Conselho de Escolas, Conselho Nacional da Educação), cujos pareceres raramente correspondem ao que a maioria dos educadores e professores sentem. Para isso, o modelo de avaliação do desempenho deve ser substituído e eliminadas as suas consequências para efeitos de concursos. Deve ser revisto o Estatuto da Carreira Docente, contemplando princípios de rigor para a progressão, mas sem constrangimentos artificiais (quotas), mesmo se em troca de um período de não progressão imediata, a recuperar mais tarde (em conjunto com o anterior congelamento) de forma faseada.
  • No plano da gestão, flexibilizar o modelo existente, abandonando o modelo único do director e não avançar de forma cega na concentração da rede escolar que, a curto-médio prazo, se revelará prejudicial para o funcionamento das escolas e para a própria autonomia e diversidade dos projectos educativos disponíveis.

Por fim, ou melhor, como princípio de tudo, deveria ser revista finalmente a Lei de Bases do sector que já está desadequada aos tempos que vivemos, existindo soluções que foram implementadas ao seu arrepio. Nessa revisão, deve ser redefinido o que se entende por serviço público de Educação, para evitar os actuais conflitos entre a oferta pública e privada, estabelecendo critérios claros para o dito serviço público e quais as suas regras de financiamento.

… em que antevi há bons meses a hipótese de um Governo Sócrates III:

PS ultrapassa PSD nas intenções de voto a seis semanas das eleições

PS e PSD estão tecnicamente empatados, com ligeira vantagem para os socialistas, revela a sondagem da Marktest para o Económico e TSF.

O PS e o PSD estão tecnicamente empatados a seis semanas das eleições legislativas de 5 de Junho mas, entre Março e Abril, os socialistas subiram 11 pontos percentuais para os 36% assumindo a liderança das intenções de voto, enquanto os social-democratas caíram 12 pontos para os 35%. A crise política e a dependência financeira de Portugal face ao exterior beneficiaram quem está no poder embora um outro dado mereça ser destacado: o número de indecisos aumentou.

É espantoso o péssimo trabalho da equipa de Passos Coelho e a força dos que´, no próprio PSD, preferem ter o PS e Sócrates no poder do que um correlegionário de que não gostam.

Entretanto, se isto está assim, a máquina bem oleada do PS, vai cortar às postas os aspirantes a feiticeiros laranjinhas.

The Naked and Famous, Young Blood

O futebol tem destas coisas e eu nem vi o jogo.

Se é notícia de destaque no site do Expresso, também pode ser aqui…

A primeira lingerie carbono zero do mundo

A Marks & Spencer acaba de anunciar a primeira linha de lingerie totalmente amiga do ambiente.

É um martírio ter de esperar mais mês e meio para votar, quando – não fossem questões formais que deveriam ter um mecanismo de excepção para situações excepcionais – tudo isto deveria estar resolvido o mais depressa possível.

Afinal, a governança vai ser pelo modelo do FMI e da UE, só sendo os temperos adicionais da responsabilidade do governo nacional. Para saber quais, não é preciso dois meses de explicações, porque a verdade é que será tudo um combate sem freios e com escasso gosto pelo rigor. Em metade do tempo atingia-se o mesmo objectivo, com menos alarido e muito maior eficácia.

O PR ainda colaborou esticando tudo até 5 de Junho, quando poderia ser a 29 de Maio. Em nome de um maior esclarecimento da opinião pública e confronto de ideias. Já sabemos que isso não vai acontecer.

No entretanto, os enviados dos donatários europeus andam por aí em rápidas consultas e numa semana fazem aquilo que, com os nossos vagares, demoraria semanas.

Quanto tanto se fala de agilização e eficácia, não percebo esta forma de mastigar uma pré-campanha eleitoral e depois a campanha propriamente dita.

Alguém precisa de ser esclarecido durante dois meses por quem andou anos a baralhar isto tudo ou a deixar baralhar?

Tous les utilisateurs d’iPhone sont pistés

Houve um mínimo de decência.

Professores contratados podem candidatar-se a concurso entre 26 de Abril e 9 de Maio

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