Abril 2011


A designação que Ricardo Costa encontrou para Fernando Nobre aplica-se que nem uma luva a uns quantos pensadores que por aí andam, quase todos eles da área económico-financeira (que sabemos ser de um enorme sucesso entre nós).

Há bocado, na SICN, salvo erro, António Carrapatoso e João Duque ainda tentavam defender com uma dose conceptual de bradar aos céus aquela ideia de reduzir a aposentação para quem estiver mais tempo desempregado.

A lógica é vizinha da usada por Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues/Valter Lemos para atacar os privilégios dos professores: há uns malandros prevaricadores, logo vamos lixar toda a gente.

Carrapatoso e Duque usaram a lógica do todos-sabemos-que-há-quem-abuse-do-subsídio-de-desemprego, logo… vamos torná-lo pior para todos.

Ou seja, em vez de tentarem identificar os abusos e perversões, preferem apostar numa solução que penaliza todos, os que não arranjam emprego mais depressa porque se vão acomodando (que os há, quantos deles muito cheios de princípios!) e os que não arranjam porque não conseguem.

São dois dos vultos do grupo Mais Sociedade, um activo muito vistoso, mas mais tóxico para as pretensões eleitorais de Passos Coelho do que muitos dos créditos do Lehmann Brothers.

Só falta colocarem o Rui Ramos a falar na inteligência financeira do Salazar e como foi graças a ele que guardámos tanto ouro e vivemos décadas sem défice… Dêem-lhe uns minutos de antena e um par de páginas de jornal e, com as perguntas certas, embala e só pára estampado no muro.

poesia para mortos

discutindo o modo do morrer

uns turistas defendendo a casa?

não

dizem

que não

querem esclarecer

[eu]

Eleições: Escolaridade obrigatória até ao 12.º ano e avaliação de professores são propostas do PS para a Educação

Depois digam que vos enganaram.

A parte da escolaridade obrigatória é um dejá vu ou uma reformulação da escolaridade de 12 anos?

Estado adjudicou contratos a empresas que não existiam

Dezenas de entidades públicas assinaram nos últimos anos contratos por ajuste directo no valor global de cerca de 800 mil euros com empresas que ainda não tinham sido constituídas, revela o novo serviço online Despesa Pública.

Estes continuam imparáveis. A parte da avaliação da qualidade das decisões com base no número de recursos é anedótica, mesmo para um leigo…

Assim, ninguém se mostraria disponível para mexer em processos mais complicados e com arguidos com meios financeiros para se tornarem complicativos.

Passaríamos a ter uma Justiça defensiva. Em que não haveria qualquer incentivo para ousar afrontar poderes.

Movimento “Mais Sociedade” sugere que salários dos magistrados dependam do desempenho

Depois do embaraço causado pela ideia de condicionar o valor das aposentações ao recurso ao subsídio de desemprego, esta é mais uma ideia revolucionária que pode ir directamente para a trituradora.

Ou muito me engano ou isto é uma célula adormecida do PS que despertou bem dentro do PSD e está a fazer um trabalho bestial.

José Lello diz que Nogueira Leite quer “abifar uns tachos”

Saber, eu sei… deixou-se a esta gente a progressão na carreira política, a permanência em cargos e funções de responsabilidade, pois nunca são avaliados individualmente, vivendo na sombra dos favores e das nomeações partidárias.

Ainda me lembro de Lello ser admirado e venerado no Expresso todos os anos, porque oferecia uns livros a amigos e adversários políticos, com direito a lista publicada, só não me lembrando se pelo Natal ou época das férias de Verão.

Já Nogueira Leite tem sido venerado como um pitoniso do regime, quase todos os dias com direito de antena para dizer evidências, sendo que nada no seu passado – teórico ou prático – nos demonstre estarmos perante um sobredotado da gestão & finanças.

Depois, enquanto alguns camaradas de partido muito inteligentes se queixam da maledicência dos blogues e comentários em sites de jornais, estas figurinhas prestam-se a um espectáculo deprimente, cheio de foleirices, nabices, abifanços e tachices.

Eles lá sabem, lá se conhecem.

Nós também os conhecemos.

O problema é como nos livrarmos deles, pois eles movem-se nos meandros das listas e gabinetes, nunca se apresentam directamente a nada, para que os possamos mandar para casa de vez.

Em particular este Lello, uma espécie de rangelemídio sem berbequim, é de um nível deplorável, mas verdade se diga que Nogueira Leite, nos últimos tempos, talvez ao sentir-se fora do círculo dos pré-eleitos (afinal já se percebeu que o que desejava está previsto para Catroga), perdeu completamente as estribeiras e não há ortogonalidade (termo que parece estimar) argumentativa que esconda a manifesta falta de verniz.

… que se vai cantar o Futebol.

O Diário da República publica hoje duas resoluções da Assembleia da República sobre a ADD aprovadas no passado dia 25 de Março.

Como sabemos a suspensão da ADD está suspensa por decisão do Presidente da República, que a enviou para análise pelo Tribunal Constitucional.  Ao que parece o TC vai levar o prazo para se pronunciar até ao fim, ou quase, tal como já fizera o PR com o seu veto implícito à resolução do Parlamento (relembre-se que é o mesmo Parlamento que ele dias antes dissera ter o papel decisivo na situação política).

Entretanto, está suspensa a reorganização curricular do Ensino Básico.

E está suspensa – ou não, depende da perspectiva – a reorganização da rede escolar. O que em si é um bem, mas que não se sabe quando pode recomeçar.

É evidente que que não haverá Governo até a segunda metade ou final do mês de Junho e só por meados de Julho um novo ME poderá legislar sobre estas matérias.

O que significa que a abertura do concurso para contratados é uma formalidade necessária, mas vazia de conteúdo neste momento, pois as escolas não sabem ao que andam, quantos horários terão para atribuir, etc, etc.

Na prática, a Educação vive numa espécie de suspensão, por oposição aos períodos de torrente legislativa.

Nada saberemos até ao rescaldo de 5 de Junho e mesmo nessa altura, acho que nada será claro.

O ano lectivo acabará sem que se perceba o que será o próximo. A ADD, na longínqua hipótese do TC não tomar uma decisão política de bloqueio, continuará a desenvolver-se num clima de descrédito e degradação do clima de trabalho dos docentes.

O ano lectivo acabará e dezenas de milhares de docentes, entre contratados e do quadro, não saberão o que os espera no próximo ano lectivo, se terão trabalho ou não e, caso tenham, onde será. E o mesmo se passa com muitos milhares de alunos e famílias, que não sabem exactamente onde irão ter as suas aulas, na escola do costume  ou num Caixote Escolar Modernaço.

O definhar dos anos do socratismo educacional arrasta-se de uma forma penosa e cruel, sem se perceber se terá um segundo fôlego, se será reciclado pelos senhores que se seguem ou se será rasurado como um episódio negro na História recente da Educação.

Perante isto, escrever sobre a situação da Educação – a menos que surjam novidades, seja do TC, seja em forma de propostas concretas do PSD nesta área (dos restante partidos já sabemos o essencial) – também se tornou um exercício penoso e cruel, de pura auto-flagelação.

Pelo que… o melhor é deixar de fazer chover em terreno alagado.

… desde que a MLR e o Veiga Simão possam aparecer no Diário Económico a dizer que a ADD é muito boa e a salvação da Pátria.

Duas avaliações diferentes para professores contratados

Para serem contratados, no âmbito do concurso que arranca hoje, muitos dos professores dos ensinos básico e secundário que não estão nos quadros vão ter de avançar com os resultados de duas avaliações feitas com base em modelos diferentes.

Bom… se até ao Alfredo Barroso acontece…

O TRIUNFO DOS AGIOTAS – UMA HISTÓRIA DE GANGSTERS

sopa de e-nabos

Ler os títulos e grande parte das notícias da imprensa por estes dias é um exercício semelhante a ler as colunas de astrologia e quiromancia das revistas de sociedade.

Tanto pode ser aquilo como outra coisa.

Já a imprensa económica tem outro tipo de truque: muito do que ali está é apenas parte do que podem dizer, não vá a (pouca) publicidade fugir ou algum grupo económico e/ou financeiro zangar-se a sério.

Aquilo é o jornalismo possível, para não desagradar muito. Preferem antes assustar o mexilhão, prestando-se a divulgar as coisas mais abstrusas para que depois alguém apareça a dizer que foi a sua luta, e apenas a sua luta, que permitiu que o FMI não comesse mãozinhas de crianças ao lanche.

O nível de plantação de notícias está ao rubro. Para não falar de que, em vez de esqueletos, andam a sacar tudo o que é cadáver anafado do armário para dar a opinião sobre o que não foi feito e devia, sendo que…

A mim ainda acusou de fazer ciber-façanhas. Aos professores considera uma corporação que usa métodos terroristas e que qualquer mono chegava ao topo da carreira.

Mal por mal…

Ao menos percebe-se que há um padrão em Nogueira Leite.

A política dos insultos: Nogueira Leite chama “ciber-nabo” a José Lello

… a sobrevivência de certos Observatórios.

Portugueses deviam recusar-se a pagar dívida do Estado

Boaventura Sousa Santos defendeu hoje que os portugueses deviam recusar-se a pagar a dívida do Estado, evocando o exemplo da Islândia.

“Nós não sabemos como chegámos a esta dívida porque ela foi feita nas nossas costas”, argumentou o professor da Universidade de Coimbra, que admitiu, no entanto, que a ajuda financeira a Portugal por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) “é essencial”.

Para além de que ele distorce de forma grosseira o que a Islândia fez.

Há muito por tapar e poucas prateleiras platinadas disponíveis.

“Só Sócrates sabe se pode continuar

O Diário Económico continua a dar espaço sempre aos mesmos, às mesmas vozes, as mesmas atitudes. Percebe-se o objectivo, mas já cansa e só convence os convencidos.

“Suspensão da avaliação de professores foi um episódio sem significado no longo prazo”

British Sea Power, Who’s in Control?

Were you not told?
Did you not know?
Everything around you’s being sold
Do you not care?
Were you not there?
Everybody else was going spare
What’s yours and mine?
Does this escape you all the time?
Sometimes I wish protesting was sexy on a Saturday night

Malandrice do Calimero Sousa, mas muito bem pensada e melhor executada.

« Página anteriorPágina Seguinte »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 293 other followers