A designação que Ricardo Costa encontrou para Fernando Nobre aplica-se que nem uma luva a uns quantos pensadores que por aí andam, quase todos eles da área económico-financeira (que sabemos ser de um enorme sucesso entre nós).

Há bocado, na SICN, salvo erro, António Carrapatoso e João Duque ainda tentavam defender com uma dose conceptual de bradar aos céus aquela ideia de reduzir a aposentação para quem estiver mais tempo desempregado.

A lógica é vizinha da usada por Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues/Valter Lemos para atacar os privilégios dos professores: há uns malandros prevaricadores, logo vamos lixar toda a gente.

Carrapatoso e Duque usaram a lógica do todos-sabemos-que-há-quem-abuse-do-subsídio-de-desemprego, logo… vamos torná-lo pior para todos.

Ou seja, em vez de tentarem identificar os abusos e perversões, preferem apostar numa solução que penaliza todos, os que não arranjam emprego mais depressa porque se vão acomodando (que os há, quantos deles muito cheios de princípios!) e os que não arranjam porque não conseguem.

São dois dos vultos do grupo Mais Sociedade, um activo muito vistoso, mas mais tóxico para as pretensões eleitorais de Passos Coelho do que muitos dos créditos do Lehmann Brothers.

Só falta colocarem o Rui Ramos a falar na inteligência financeira do Salazar e como foi graças a ele que guardámos tanto ouro e vivemos décadas sem défice… Dêem-lhe uns minutos de antena e um par de páginas de jornal e, com as perguntas certas, embala e só pára estampado no muro.