Março 2011


Em 2009 falava assim à TSF:

Pacheco Pereira diz que PS é que vai recolher louros da resolução da avaliação dos professores

O animal feroz está quase a chegar e vai disparar raios e coriscos:

“Vou guardar a minha impaciência para Lisboa”
José Sócrates admitiu hoje ter alguma “impaciência” em comentar aos últimos desenvolvimentos partidários no país – em concreto, o anúncio de aumento do IVA pelo PSD e a suspensão da avaliação de professores, com base num projecto social-democrata – mas adiantou que só irá fazê-lo dentro de portas.

“Nem calcula a vontade que tenho de comentar isso. Mas tenho que conter a minha impaciência, porque acho que o meu dever neste momento é defender Portugal. Quando chegar a Lisboa, terei muitas ocasiões de falar da oposição, de falar disso e de falar da avaliação dos professores”, afirmou aos jornalistas, nacionais e internacionais.

Sócrates zanga-se e garante que Portugal não precisa de ajuda externa
O primeiro-ministro português ralhou de dedo em riste com jornalistas portugueses e estrangeiros e bateu no tampo da mesa para reforçar uma ideia.

Muita coisa, entre as quais os traços gerais de uma nova ADD. Não fiquei surpreendido.

Parlamento – a suspensão da avaliação do modelo de avaliação de professores.
01:16 Ana Drago (BE)
04:59 José Manuel Rodrigues (CDS-PP)
09:44 Miguel Tiago (PCP)
12:58 Pedro Duarte (PSD)
16:50 Heloísa Apolónia (PEV)
21:12 Paula Barros (PS) blheca!
23:50 Jorge Lacão (Ministro dos Assuntos Parlamentares)
27:51 Ana Drago (BE)
30:16 Miguel Tiago (PCP)
33:26 Pedro Duarte (PSD)
35:50 Jorge Lacão (Ministro dos Assuntos Parlamentares)
36:34 Francisco Assis (PS)
39:19 Pedro Duarte (PSD)
41:57 Francisco Assis (PS)
43:28 Bernardino Soares (PCP)
44:00 Votações

Destaques:
Jorge Lacão relembra o acordo entre o ministério e os sindicatos aos 36:00 (aos 43:28 Bernardino Soares responde)
Francisco Assis fala da reunião do grupo parlamentar do PSD com os Bloguers aos 38:00.

 

Trabalho (exaustivo) de recolha e inventariação pelo Calimero Sousa

O sempre-em-pé em tons de circo permanente. Clique na imagem para descobrir a última pirueta do cromo.


Licença Creative Commons

«Cedilha Perdida: Cão Cai» B.A.R. 2011

Alega os efeitos da ADD nos concursos (mas há?). Ser feito a meio do ano lectivo (mas não foi anteriormente simplicado e remendado a meios de outros anos lectivos?). O modelo tem base científica (a sério!?). O modelo foi acordado com os sindicatos (pois!), após centenas de reuniões (chiça!!!).

Há bocado fui inquirido por um jornalista sobre este processo da suspensão da ADD, nomeadamente quanto a três pontos:

  • A mudança de rumo do PSD em relação ao de há uns meses atrás.
  • O trabalho feitos nas escolas que seria perdido.
  • O que achava da proposta de avaliação externa preconizado pelo PSD.

Parece-se que estas linhas serão, em traços gerais, as usadas pelo PS e noutros sectores, num futuro próximo, para combater o que aconteceu.

O que respondo(i) a isso de forma breve:

  • O PSD fez vários ziguezagues nesta matéria, mas votou pela suspensão da ADD quando Sócrates e o PS estavam em maioria e quando mesmo deputados do PS (o grupo alegrista) votaram do mesmo modo. Depois, em Novembro de 2009, pela mão e braço de Aguiar Branco (presidência do PSD de Manuela Ferreira Leite, que hoje apresentou declaração de voto), fez uma pirueta imensa e abriu caminho ao acordo ME/Fenprof/FNE/etc, tendo-se vangloriado Pedro Duarte por esse facto. Esse foi o período incoerente do PSD nesta matéria. O que aconteceu hoje foi o retomar da linha anterior a esse episódio triste, de que Aguiar Branco foi o principal protagonista.
  • Quanto ao trabalho feito nas escolas que assim ficará perdido, acho que ainda bem. Não é por se estar a fazer algo, que não se deve parar, em especial quando esse é um trabalho errado e prejudicial, por exemplo, para outras tarefas bem mais relevantes como aquele que se faz com os alunos. A medida de hoje, permitirá descomprimir imenso o trabalho no 3º período, com ganhos evidentes para os alunos,
  • Quanto a uma proposta de avaliação externa dos professores, acho que não deve ser puramente externa às escolas. E muito menos entregue a agências sem experiência no sector, como empresas que trabalham com outros sectores de actividade, muito diversos da Educação. Se for a IGE menos mal, mas sempre com uma componente interna, depois da devida formação para efeito dos avaliadores. E nunca deve ser um modelo legislado e imposto em 2-3 semanas sem o devido escrutínio.

Embora esteja no seu direito fazer aquilo que tantas vezes criticaram a outros. Será que antes de tal decisão, o TC dirá algo sobre os cortes salariais?

Porque se a Assembleia pode revogar um decreto-lei (como no caso da reforma curricular), por maioria de razão pode revogar um decreto-regulamentar.

PS quer Tribunal Constitucional a fiscalizar revogação da avaliação dos professores

O PS vai suscitar a fiscalização da constitucionalidade da revogação da avaliação de desempenho dos professores, aprovada hoje, defendendo que o Parlamento não tem competência para esse acto, anunciou à Lusa a deputada Ana Catarina Mendes.

Quanto à deputada Ana Catarina Mendes, normalmente candidata do PS por Setúbal, terei especial gosto em não votar nela.

O Pacheco Pereira… enfim… não há pachorra para este tipo de ressabiamento! Quanto às senhoras, escuso-me a ser descortês.

Parece ter terminado um período negro na vida da Educação em Portugal. Símbolo maior do delírio governativo socrático, um péssimo modelo de ADD, ora simplificado, ora remendado, acaba de cair na Assembleia da República.

Antes tarde do que nunca.

Só para quem vive fora das escolas ou em casulos mentais é que não sabe o quanto isto fez de mal, durante anos, a quem anda lá por dentro.

Esta foi uma boa decisão e só não o verá quem esteja demasiado envolvido em preconceitos. É uma medida que desagrada a um sector largo do PS e a um sector menor do PSD.

É uma decisão que, por outras razões, incomoda quem vê retirar a espada que os colocava contra a parede por mãos alheias às que gostariam.

Tudo isso são questões menores, perante o fim de um ciclo que, por fim se encerra. Afastados os titulares, foi afastada a ADD. Resta o outro cavalo de batalha, em que cavalgaram de início sempre muito poucos, que é o monolitismo de um modelo de gestão concentracionário.

Podia ser esquecido nestes momentos, mas acho que devem ser saudados, antes de mais, os que – apesar de retórica e pergaminhos de guerreiros -  não souberam dizer não, provavelmente por dificuldade em pronunciar ditongos nasais. Talvez a mim seja mais fácil, por causa de uma recorrente e obstinada sinóóósite.

Mas agora abre-se um novo ciclo, o de repensar um modelo de avaliação de desempenho, sem cedências a nenhuma das tentações erradas: a ausência e a obsessão. Não é de agora que acho que deve ser um modelo misto, nem exclusivamente interno, nem puramente externo.

É algo que deve ser debatido com o devido cuidado e algum tempo, sem imposições. A menos que tenhamos de voltar a um processo de conflito de anos. Há que aprender com os erros de forma e conteúdo.

O período pré-eleitoral não é o melhor para isso. A tentação será a de colocar as coisas em termos de alinhamentos ideológico-partidários. E sabemos o quão míopes podem ser alguns dos actores em presença quando o que está em causa é a verdadeira fidelidade que os move (raramente os professores ou a Educação, no geral).

O perigo é o da pedrada disparatada, atendendo ao mensageiro, sem atenção ao conteúdo.

Vou esperar para ver se há a coragem por esperar por um novo Governo para discutir isto. Impor agora um modelo de ADD novo seria o mesmo que um treinador demissionário, determinar as contratações para a época seguinte.

Há que saber esperar, deixar respirar, aceitar uma pausa.

Acredito desde pequeno, por muitas e pessoais razões, que o tempo acaba por fazer o seu trabalho de escultor, revelando as formas da verdade possível. Aprendi a ser paciente. Aprendi a aguentar. Nunca a esquecer, na maior parte da situações a compreender a lógica dos antagonistas, mas só nos casos que o merecem, a perdoar.

Não sou católico, quanto muito gosto das passagens mais macabras do Antigo Testamento. Acho que a justiça deve ser feita, à cautela, na terra.

Hoje foi feita Justiça, só sendo pena que tenha chegado atrasada para milhares que se foram embora.

A todos os que votaram a suspensão da ADD, o meu agradecimento pessoal, independentemente do que fizeram no passado mais ou menos recente. Até compreendo os ziguezagues de alguns. Mas hoje agiram bem. Assim como agiram bem os que, por esta ou aquela razão, sempre tentaram fazer o que estava certo.

Este dia e esta decisão foram importantes para que a larga maioria dos professores recuperasse alguma confiança na política e na democracia. E foi um acto que pode ter servido para que certos sacrifícios repetidos possam ser encarados com um pouco menos de azedume.

Há quem queira, neste momento, apoucar o que se conseguiu. É pena.

Eu, pela parte que me toca, agradeço sem reservas esta (quase inesperada) prenda de aniversário.

Desculpem lá, mas ficou irresistível.

As reformas que a ministra da Educação deixa por fazer

Na Educação, fica por fazer mais do que a reestruturação da rede de escolas.

Avaliação de desempenho dos professores, reestruturação da rede escolar e reorganização curricular. A pasta que Isabel Alçada herdou de Maria de Lurdes Rodrigues estava a meio de complicadas reformas, mas a meio ficou de novo.

Ministério alvo de buscas da PJ

Ministério Público esteve na passada sexta-feira no Instituto de Gestão Financeira. Investigação parte de indícios de abuso de poder.

Marido e mulher controlam Águas

Esposa de Pedro Serra, presidente da Águas de Portugal (AdP), subiu de directora a administradora de empresa do grupo dirigido pelo marido.

Porreiro, pá!

[ou há aqui outra agenda?]

… nem que tivesse sido lá muito no fundo.

 

 

Parabéns por tudo!

« Página anteriorPágina Seguinte »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 293 other followers