De Ana Paula Correia, Isilda Lopes, José Ribeiro e Maria Manuela Ferraz, no I de hoje:
Carta aberta à ministra da Educação
Março 29, 2011
De Ana Paula Correia, Isilda Lopes, José Ribeiro e Maria Manuela Ferraz, no I de hoje:
Carta aberta à ministra da Educação
Março 29, 2011
… mas algo desnecessário. Percebe-se o rigor jurídico do colega Mário Nogueira no estrito cumprimento da lei, mas devia pensar em todos aqueles que, desta forma, se continuarão a sentir entre a espada e a parede.
Suspensão da avaliação dos professores foi aprovada mas ainda não tem efeitos
Os procedimentos de avaliação dos professores actualmente em curso só cessam quando for publicada, em Diário da República, a lei que revoga o decreto que regulamenta o actual modelo. Até lá, afirma o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, Mário Nogueira, os docentes poderão continuar a ser avaliados nos moldes estabelecidos pelo diploma aprovado no ano passado, nomeadamente no que respeita à observação de aulas.
Poder, podem, mas não deveriam. Escuso-me a comentar mais pois, por certo, as declarações foram mais desenvolvidas e Mário Nogueira terá, certamente, acrescentado, que continuar com os procedimentos é um disparate e seria bem mais aconselhável que fossem preventivamente suspensos.
Março 29, 2011

Março 29, 2011
Março 28, 2011
Boa tarde, Paulo!
Deixe-me felicitá-lo pelo seu blog, que sigo diariamente.Sou professora há 32 anos e vou resistindo, diariamente, na minha escola, a este ataque continuado à nossa classe.Fui a todas as manifestações, fiz todas as greves e sofri a maior desilusão aquando da assinatura do acordo ME/sindicatos e do que se lhe seguiu.É na escola que continuo a lutar. Sou relatora mas não marquei aulas assistidas com os meus colegas, levantando sempre novos problemas junto da CCAD e fazendo, com os outros relatores, emperrar o processo.Claro que ando empolgada com os últimos acontecimentos!Quando vi no seu mail que havia um inquérito sobre a suspensão da ADD, divulguei logo junto dos meus contactos.Votei e acompanhei a votação e, hoje, para espanto meu, verifico que o excel do JN funciona muito mal! Com uma simples calculadora comprovei isso.Envio, em anexo, para que veja.
Março 28, 2011
Se é esse o argumento usado para denegrir algo que todos os partidos, menos o PS, concordaram fazer, há que sublinhar que os professores são mais de um punhado e que as questões da Educação interessam a, sei lá…, um pouco mais do que uma meia dúzia de punhados de eleitores.
Para além de que fazer algo de acordo com a vontade dos ditos eleitores, não prejudicando ninguém (e suspender esta farsa de ADD só prejudica, isso sim, um punhado de opinadores e dois punhados de relatores convictos), não me parece uma política errada.
Podem dizer que esta forma de autocomplacência é recorrente e desnecessária. Talvez, mas combate a teoria do punhado e, para além disso, irrita pessoas que eu gosto que se irritem.
Março 28, 2011
Dan Auerbach, Heartbroken, In Disrepair
Março 28, 2011
Dream of the Evil Servant
1.
We kept war in the kitchen.
A set of ten bone china plates, now eight.
As if a perfumed guest stole her riches . . .The next day she wanted to leave at noon.
I said, be back by four, I’m paying you.
She sat by the door,
she put out her hand,
her knuckles knocked against mine,
hard deliberate knuckles. I gave her cash.
Off to watch movies, off to smoke ganja.2.
She came back late and high as if my fear asked for it.
I called her junglee.
Everything went off late —
dinner, the children getting into bed;
but the guests understood:
they had servants too.She stuck diaper pins in my children.
I cursed her openly. Who shouted?
Or I cursed her silently and went my way.
She stole bangles my husband’s mother bought,
bangles a hundred years old. But she wore frayed jewelry
hawked on the street. She was like a rock that nicked
furniture in corners you’d think only a rat could go.3.
Why didn’t I dismiss her?
I don’t know.
She got old as I got old.
I could see her sharp shoulder bones
tighten, her knuckled skull.
I had to look at her. It had to wound me.
Listen, said my mother. Yes mother, I listened, crouched in my head.Looking over the flowered verandah she said:
Who are you to think you are beautiful?
What have you got to show?
Go sit on your rag.
All my life I tended to looks,
they betrayed me. I bore you.
I am wretched. Be my mother. Be my maid.
[Reetika Vazirani]
Março 28, 2011
Os professores portugueses não vivem momentos facilitadores do desabrochar da ilusão, da fantasia criadora e da utopia que leva à vontade de fazer e de vencer.
O clima percepcionado na maioria das escolas é de desilusão, de desencanto, de anomia profissional.
Os mais jovens interrogam-se sobre as escolhas que fizeram no momento em que decidiram vir a ser professores. Os que acumularam mais experiência no desenrolar do seu percurso profissional questionam-se sobre o sentido da dádiva desinteressada com que se envolveram numa carreira que, pela sua nobreza e relevância social, deveria ter sido indiscutivelmente gratificante.
As políticas de reconstrução do tecido curricular, organizacional e de vida activa dos docentes e das escolas correram mal. Correram mal a todos e pelos piores motivos. Correram mal aos governantes, por precipitação, autismo e muita soberba. Correram mal aos professores pelo desrespeito com que foram mimados, pelo desgaste da sua imagem social, e pela total desestruturação do seu mundo conceptual sobre a escola e sobre o seu futuro.
Há muito que os especialistas tentam compreender estes estádios de carreira, ou ciclos de vida dos professores.
Porque são previsíveis e, logo, facilmente controláveis, em termos de expectativas e de procedimentos, a literatura aconselha a manter os docentes em um dos três estádios clássicos do seu percurso profissional: 1-O estádio da sobrevivência, ou da fantasia, que geralmente coincide com o início da carreira, e que se singulariza pela necessidade de afirmação do professor, no contacto que mantém com os seus alunos, com os colegas e com comunidade educativa; 2-O estádio da mestria, em que o professor foca o seu esforço no desempenho profissional, na preocupação de ser um “bom” professor, dominando competências inerentes a essa intencionalidade, pelo que procura respostas adequadas para determinadas situações que o acto de ensinar lhe coloca: o número de alunos por turma, a ausência de regras bem definidas de acção, a falta de materiais e condições para o exercício do seu trabalho na classe, a falta de tempo para a consecução dos objectivos, ou para a abordagem dos conteúdos; e 3-O estádio da estabilidade, em que o docente tenta individualizar o ensino, preocupando-se quer com os seus alunos, quer com as suas necessidades e anseios, sejam elas tanto de ordem curricular, como de natureza social e, até, familiar.
A pressão permanente sobre o sistema e sobre os professores; a sua menorização pessoal, intelectual e profissional, invariavelmente conduz a situações de prolongado e persistente mal-estar, retirando os docentes de um desses três estádios clássicos e
colocando-os no que Francis Füller tão engenhosamente chamou de “curva ou estádio do desencanto”.
Infelizmente, vivemos em Portugal um desses momentos raros e que presumimos indesejáveis para todos os intervenientes: professores, pais e governantes. Momento em que se rompeu com um período em que os professores se encontravam em ciclos da carreira de desinteressada dádiva ao sistema, à escola e aos alunos, e que os tinham levado a optimizar o seu investimento pessoal.
O ataque à sua profissionalidade surgiu uma vez e outra, até que esta inesperada e evitável curva do desencanto os atingiu fatalmente.
O acumular de situações provocadas por esta já longa e insuportável conjuntura, por todos conhecida, o retomar insistente de promessas incumpridas de verdadeira descentralização do sistema educativo português, e a negação de se atribuir mais poder de decisão aos professores e às escolas, também contribuíram para que a desilusão e o desencanto se enquistassem no sistema, transformando as sinergias naturais em processos de entropia irrefreáveis.
O trabalho do professor é socialmente incontornável. Não depende apenas das políticas e dos políticos. É uma exigência social, reconhecida e validada, que implica com a construção do futuro e com o bem-estar da novas e das mais seniores gerações.
A escola é um bem não negociável. Não pode ser objecto de argumentos de facção, de olhares recriminatórios e de invectivas de tirania psicológica. Não pode, porque o que se faz à escola tem um efeito multiplicador e de imprevisível bumerangue. O desrespeito desleal pela escola marca e vitima os acusadores. A cicatriz social que daí resulta leva tempo a sarar.
O mal-estar que se instalou por demasiado tempo tem custos que ainda estão por calcular. E pagamos todos. Mesmo aqueles que, como nós, continuam a pensar que para com os professores temos uma dívida impagável que releva os momentos menos felizes do exercício da profissão. Porque lhes devemos uma boa parte do que somos e do que ainda queremos vir a ser.
João Ruivo
jruivo@almada.ipiaget.org
Março 28, 2011
Março 28, 2011
Março 28, 2011
3. Estamos agora em condições de começar o programa.
A comunicação linguística realiza-se numa sucessão de planos, replicando-se do maior para o mais pequeno, um pouco como as matrioskas. O contexto dá sentido ao texto; o texto, à frase; a frase, à palavra; a palavra à sílaba. Como estamos num processo de explicitação, é natural que este sentido seja respeitado. A tradicional abordagem ocasional e circunstancial dos conteúdos não contempla a sua articulação e inevitavelmente falha o mecanismo da comunicação linguística, que é o âmago da questão. Fornece peças, mas não as monta. E fatalmente as coisas não funcionam.
Então, o que se impõe, na planificação, é organizar os conteúdos, quer segundo o eixo sintagmático, quer segundo o eixo paradigmático. Pondo as peças ao acaso, nunca se fará funcionar um motor!
Março 28, 2011
É como Miguel Sousa Tavares pronuncia. É uma questão de estilo.
Mas moderou-se um pouco. Estará com receio dos que designou como terroristas?
Um detalhe: MST recebe por estas crónicas televisivas? Se sim, é chato que copie as suas crónicas no Expresso, quase palavra por palavra. Embora seja material seu, vendê-lo duas vezes é chato. Mas hábil.
Março 28, 2011
Março 28, 2011
Helena Garrido distingue-se, enquanto colunista do Jornal de Negócios, por produzir umas prosas parecidas com as de Miguel Sousa Tavares. Arrasadoras na forma, parcas de rigor na substância.
Desta vez carrega na adjectivação e mistura alhos (suspensão desta ADD) com bugalhos (os desvarios orçamentais e os erros enormes da desgovernaça das últimas décadas, construção de estradas, etc).
Transcrevo uns excertos do delírio de alguém que fazia melhor em não confundir professores que trabalham todos os dias perante dezenas e centenas de alunos com gente que se abanca em mesas de negociação para obras faraónicas com derrapagens financeiras épicas.
Quanto a filmes de terror, escuso-me a recomendar uma mudança de conselheira de imagem:
A última cena deste filme de terror de baixa qualidade – já não tem a dignidade de uma peça de teatro – é a eliminação da avaliação dos professores aprovada em tempo recorde pelos partidos da oposição, sexta-feira, na Assembleia da República. Deitou-se para o lixo mais de quatro anos de trabalho e persistência de uma das melhores e mais corajosa ministra da Educação que o país teve, Maria de Lurdes Rodrigues. Tudo porque os partidos de poder que estão na oposição, o PSD e de alguma forma o CDS, caíram na tentação bacoca de conquistar os eleitores que são professores. Devem pensar que não só o país mas também os professores são parvos.
O acto da eliminação da avaliação dos professores é não só grave como tem um enorme valor simbólico. Vale mais do que milhares de análises sobre pelo menos duas décadas perdidas de tentativas de reformas estruturais. Os grupos de pressão em Portugal, principais responsáveis pelo estado em que o país se encontra, têm nos partidos os seus grandes aliados. Da construção que conseguiu que se fizessem estradas desnecessárias até à banca, justiça, saúde e educação, todos os protagonistas destes sectores manipulam com grande sucesso partidos políticos recheados de militantes anónimos que, na sua maioria, vivem à mesa do Orçamento do Estado e fazem tudo menos pensar nos interesses do país.
Março 28, 2011
A avaliação não acabou, apenas foi suspenso este modelo. Antes tinha sido simplificado e enxertado. Era bom que Isabel Alçada não se prestasse a esta perform,ance final no seu mandato para esquecer.
Fim da avaliação é “lamentável”, “irresponsável” e só tem razões políticas, diz Isabel Alçada
Março 28, 2011
Março 28, 2011
Sindicatos a favor e pais contra
A Confap questiona a altura em que é suspenso o modelo de avaliação. Sindicatos aplaudem.
Enquanto a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) considera que este não é o timing ideal para suspender o modelo de avaliação nas escolas, os sindicatos aplaudem a medida como “uma decisão favorável”, que traz às escolas “a tranquilidade que precisam”. No entanto, a Federação Nacional de Professores (Fenprof) vai manter “todas as acções de protesto previstas”, confirma o membro do secretariado António Avelãs.
Março 28, 2011
O animal feroz – modo de campanha – está aí e exibe pérolas de sabedoria política. No Público de hoje, lê-se mesmo no fim da página 6:
A forma como explica a crise política, de que culpa o PSD, é simples. Sócrates usou termos como “puro egoísmo partidário”. O objectivo era apenas “sofreguidão” pelo poder, “imaturidade” e “irresponsabilidade política”. No alvo esteve também o “vale tudo” do PSD, e da a oposição, ao revogarem a avaliação de professores. Porque o fizeram? “Por um punhado de votos”, respondeu.
Não vou – obviamente – tomar a defesa da honra do PSD porque, para isso, há lá gente para o fazer (embora, por regra, o faça mal).
Mas faço-o em relação à bondade da decisão de suspender a ADD.
Por várias razões:
Já agora, uma seta ligeiramente envenenada: os professores não representam «um punhado de votos». Um punhado de votos representam os grandes ganhadores destes seis anos de desgoverno. E cada um faz com o seu o que bem entender. Como eu, que não tenciono, de modo algum, revelar o seu sentido.
Os professores não representam é mãos-cheias de dinheiros para apoiar e olear as máquinas de campanha.
Os professores participam no processo político através do seu voto, não através de oleodutos financeiros.
A Sócrates vai estalando todo o escasso verniz que lhe sobra das camadas acumuladas até 2005, em virtude dos ensinamentos da madrinha e padrinhos. O interessante é que eu acho ser extremamente fácil fazer vir à superfície o seu verdadeiro senhor escondido. E perceber-se que a sofreguidão, a ânsia e tudo o mais estão ali na sua forma mais virulenta.
Março 28, 2011
Este é um assunto que eu não tenho tido tempo para abordar, por falta de tempo e competência técnica. O caso da Central de Compras do Estado, então quando aplicado a escolas e agrupamentos de menor dimensão, é um enorme esquema:
Como foi possível fazer isto ao país? Os ajustes directos