No fundo, nada disto é novo, esta forma de manipular os factos, retorcer as causalidades, sofisticar os números com metodologias coiso e tal. Vimos isso tudo quando da primeira investida da governação-sócrates sobre os professores. Na altura, muitos dos que agora bradam contra as manigâncias, achavam tudo bem, que era rigor e a objectividade dos números. Não era. Desde essa altura que os números são objectos de estratégias criativas pelos auxiliares do senhor engenheiro. Agora vimos o resultado de ele não ter sido travado a tempo no disparate. Os maiores culpados: quem o ergueu, quem lhe deu força e quem o manteve lá.
Março 31, 2011
Março 31, 2011 at 8:38 pm
É por isso que eu acho a estatística a ciência mais subjectiva que há. Os números, as leituras dos números, tudo pode ser manipulado por quem os analisa.
Março 31, 2011 at 8:39 pm
Os professores têm culpa? Têm.
Muitos desses até são do FCP.
Março 31, 2011 at 8:40 pm
#1,
Não necessariamente.
Março 31, 2011 at 8:40 pm
#3, mas qdo há necessidade.
Março 31, 2011 at 8:41 pm
Agora deveriam “rolar cabeças”:
“(…)Agora vimos o resultado de ele não ter sido travado a tempo no disparate. Os maiores culpados: quem o ergueu, quem lhe deu força e quem o manteve lá.”
Não digam que não foram avisados…
Março 31, 2011 at 8:46 pm
Como parece querer dizer o economista Vitor Bento será que, dependendo os governos em Portugal dos famosos papelinhos com cruzinhas metidos pela população nas caixinhas, teria sido possivel seguir um rumo muito diferente daquele que foi seguido?
http://cachimbodemagritte.blogspot.com/2011/03/questoes-de-fundo.html
Uma as declarações mais sinceras que tenho visto….
Março 31, 2011 at 8:47 pm
Lembro-me bem dos rasgados elogios ao ímpeto reformista dos socratinos, capitaneados com mão de ferro pelo seu adorado líder.
Foi a fase do “menino de oiro do PS”, o homem “determinado”, “corajoso”, que iria reformar e modernizar a sociedade portuguesa.
O lutador sem tréguas contra as “corporações”, o modernizador do Estado social, o defensor do “choque tecnológico”, que depois se diluiu no cartão do cidadão, a empresa-na-hora, os PTEs a meio-gás nas escolas, os magalhões e pouco mais.
E estes comentadores do mainstream, os Pulidos Valentes e os Barretos, o quanto o elogiavam.
A memória é curta, mas eu ainda me vou esforçando por não me esquecer de algumas coisas…
Março 31, 2011 at 8:52 pm
Corram com fabricante de barracas!
Março 31, 2011 at 8:56 pm
Enquanto tivermos dominados pelo determinismo economicista, enquanto este se impuser a título de pensamento único e práxis hegemónica, e enquanto a Política não ousar retomar o seu lugar nos destinos da sociedade – decerto não conseguiremos escapar a este círculo vicioso.
Isto é uma questão que transcende os muros nacionais. Greenspan e o FMI já reconheceram que a desregulaçã dos mercados se deveu a um preconceito ideológico, a receita neoliberal que considerava que aquela medida era a melhor e mais eficaz para o funcionamento da economia, deixada entregue, em auto-propulsão, aos seus mecanismos imanentes .
Março 31, 2011 at 8:59 pm
Fui por hoje:
Março 31, 2011 at 9:03 pm
o amado líder será odiado como hitler.
esperemos …..já faltou mais….
Março 31, 2011 at 9:10 pm
e acho que os professores foram os primeiros a denunciar isto
Março 31, 2011 at 9:14 pm
Já divulgado pelo Paulo G mas aconselho a quem não viu – só foi enganado quem quis:
29/03/2011 – José Gomes Ferreira comenta a situação da economia portuguesa
Comentário de Luís Ferreira Lopes ao clima económico e à dívida pública nacional
SIC – 23.03.11 – Ricardo Costa e José Gomes Ferreira sobre a ajuda externa
SIC – 23.03.2011 – Ricardo Costa e José Gomes Ferreira comentam “chumbo” do PEC
Março 31, 2011 at 9:15 pm
Comentário do sociólogo António Barreto sobre a demissão de José Sócrates
Março 31, 2011 at 9:17 pm
O mundo mudou numa semana para o Teixeira dos Santos!
11 de Março de 2011!
TVI – Discrepâncias nas contas públicas
TVI – Há ou não «buraco» nas contas nacionais? 2011-03-11
Março 31, 2011 at 9:25 pm
Publicação: 31-03-2011 11:41 | Última actualização: 31-03-2011 11:49
Crise política é “golpe” de Sócrates para provocar eleições e vitimizar-se
O sociólogo António Barreto afirmou que a demissão do Governo foi um “golpe” do primeiro-ministro José Sócrates para provocar eleições, vitimizar-se e que aumenta as dificuldades para Portugal se financiar nos mercados.
“Estamos a pedir em más condições, depois de um golpe de Sócrates que provocou eleições para tentar continuar no deslize e no agravamento em que estávamos”, afirmou Barreto, que preside à Fundação Francisco Manuel dos Santos, em declarações à agência Lusa, à margem do lançamento do livro de Vítor Bento, “Economia, Moral e Política”.
António Barreto acrescentou ainda que o momento atual do país “corresponde à ideia do primeiro-ministro, de provocar uma crise na qual ele possa, eventualmente, passar por vítima”.
O Presidente da República ouve hoje o Conselho de Estado, numa reunião que tem como único ponto “pronunciar-se sobre a dissolução da Assembleia da República”, no quadro da crise política que se seguiu à demissão, há uma semana, do primeiro-ministro.
O presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos acusou ainda José Sócrates de “caluniar” as entidades internacionais “a quem pede ajuda” e de “caluniar os credores” depois de pedir empréstimos.
“Esta duplicidade é um péssimo sinal para o exterior”, acrescentou António Barreto, referindo que, se Portugal tivesse pedido ajuda externa há mais de um ano, teria estado em melhores condições para o fazer, e em melhores condições para cumprir eventuais programas de reformas económicas.
Os juros exigidos pelos investidores no mercado secundário para deter títulos de dívida soberana portuguesa a dois anos superaram hoje o preço da dívida a dez anos, pela primeira vez desde 2006.
A ‘yield’ (remuneração total) exigida no mercado para comprar dívida a dois anos atingiu os 8,17 por cento, acima dos 8,092 por cento cobrados pela dívida a 10 anos, de acordo com a agência de informação financeira Bloomberg.
“Agora estamos em situação praticamente desesperada”, disse ainda o sociólogo, que insistiu na necessidade de realizar uma auditoria às contas públicas.
“Se não se realizarem auditorias, há dois problemas. O primeiro é que damos mais um sinal negativo ao exterior, isto é, que temos algo a esconder. Em segundo lugar, perante o eleitorado português, perante os cidadãos, é um fator de deslealdade inadmissível”, concluiu António Barreto.
(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)
Lusa
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/Crise+politica+e+golpe+de+Socrates+para+provocar+eleicoes+e+vitimizar+se+diz+Antonio+Barreto.htm
Março 31, 2011 at 9:27 pm
http://sic.sapo.pt/online/noticias/opiniao/Definhamento+e+pressao.htm
Publicação: 30-03-2011 15:22
Definhamento e pressão
A agência Fitch volta a ameaçar cortar o rating de Portugal, se o governo Sócrates não pedir em breve ajuda europeia e do FMI. Os juros da dívida a 5 anos estão acima dos 9 por cento. Os mercados aumentam a pressão. Portugal está em contagem decrescente para o pedido de resgate.
Luís Ferreira LopesEditor de Economia
opiniao@sic.pt
O banqueiro Ricardo Salgado afirma ao FT que “as agências de rating estão a disparar sobre os sobreviventes”. O primeiro-ministro José Sócrates insiste que não vai avançar com qualquer pedido de ajuda à Europa. O ministro alemão das Finanças diz, em Pequim, que “a situação difícil de Portugal está a ter um impacto muito limitado em Espanha”. Tudo isto um dia depois da Standard & Poor’s ter cortado, de novo, o rating de Portugal para BBB-; ou seja, está a apenas um nível do que os mercados classificam como lixo.
Perante isto, é óbvio que os ditos mercados (fundos de investimento e de pensões, casas de investimento e agências de rating) não abrandarão a pressão até ao dia em que Portugal tente obter um financiamento de 4,5 mil milhões de euros de dívida, já dentro de duas semanas, dando como garantia obrigações do tesouro (OT). É por isso que os juros das OT a 5 anos estão nos 9 por cento e da dívida a 10 anos estão nos 8 por cento.
Não há dados novos ao nível da execução. Descobre-se agora em Bruxelas que, afinal, a contabilização do buraco do BPN tem de ser exibida doutra forma. E então, novidades? Há apenas novas previsões, ainda mais pessimistas, do Banco de Portugal. E há a continuação do folhetim político-partidário em torno da culpa da queda do governo e do chumbo do PEC IV, discussão que já começa a ter contornos pornográficos para o contribuinte / eleitor que paga (e bem) do seu bolso o desvario a que a partidocracia reinante conduziu este país à beira-mar plantado.
Ao mesmo tempo, a presidente do Brasil vem a Coimbra dizer que o seu país está disponível a ajudar Portugal, mas o critério do seu banco central é compra de dívida “triple A”… Ora, a dívida portuguesa está, neste momento, em A- ou BBB-, consoante as tabelas das agências de rating. Significa isto que o povo irmão até daria uma mãozinha, mas o problema é a má classificação que os mercados financeiros atribuem à dívida portuguesa e à capacidade de Portugal pagar o que deve.
Se não for da Europa / FMI, de onde virá então a ajuda? A resposta é óbvia: da venda de activos a investidores brasileiros, asiáticos, africanos e doutras paragens que tenham dinheiro na mão. O que temos para dar em troca ou vender? A TAP, as participações que o Estado ainda tem na Galp ou EDP (utilities), reestruturação de algumas empresas públicas (transportes de Lisboa e Porto, por exemplo), algum património imobiliário… e a permissão de entrada em negócios que ainda são rentáveis em Portugal, mas cujos accionistas privados estão descapitalizados e demasiados expostos à fragilidade do sector financeiro português.
Estava escrito nas estrelas, como qualquer utilizador de casas de penhores bem deve saber (eu – ainda – não sou, mas imagino…). Não vale a pena perder agora tempo a apontar o dedo aos culpados porque, seguramente, haverá tempo mais tarde, quando conseguirmos respirar para lamber as feridas…
O importante hoje é saber:
* Como vamos sair do buraco nos próximos meses?
* Que plano há para 2012 quando começar a chegar a factura pesada das parcerias público-privadas?
* Que planos de contingência temos como povo e como economia para fugir à (inevitável?) anexação a Berlim / Madrid e outros centros de poder emergentes?
* Que elite empresarial, académica e política (no sentido nobre da palavra, não no actual nível partidário) é esta que assiste impávida e passiva ao rápido “definhamento” deste pobre país?
* Já esquecemos os casos de sucesso e excelência empresarial que temos?
* Há coragem ou não para cortar a direito na máquina infernal de empresas públicas e municipais, governos civis, institutos públicos, regalias das corporações profissionais que vivem à conta do Estado (mesmo na reforma) e para renegociar parcerias público-privadas, TGV’s e outras despesas que não podemos pagar?
Depois de um a dois anos muito duros que temos pela frente. Depois de muita instabilidade política e vendavais financeiros que vamos enfrentar. Depois de percebermos todos, de uma vez por todas, que “a festa acabou” e já não vivemos no festim da Expo 98… A pergunta é simples: que país queremos ser em 2020?
Março 31, 2011 at 9:28 pm
Fui…de vez.
Março 31, 2011 at 9:51 pm
A perspectiva das eleições pôs o ruído dos mercados em ritmo histérico. tambor por tambor, prefiro estes:
Março 31, 2011 at 9:56 pm
Nem mais. Não é preciso muitas palavras para explicar o que se passou.
Março 31, 2011 at 9:57 pm
Não são precisas muitas…
Março 31, 2011 at 10:06 pm
Tinha de voltar com estas pérolas:
Teixeira dos Santos:
“(…) «Eu ficarei na história de Portugal como o ministro das Finanças que mais dificuldades teve de enfrentar no seu mandato», disse. (…)
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/ministro-das-financas-entrevista-pedido-de-ajuda-ajuda-fmi-resgate/1243495-4058.html
Março 31, 2011 at 10:07 pm
Em 2020?Qual país?Ui, agora temos futurologia,mas com data certa.Mas então ainda não se percebeu,
que a politica é: muda aos 6 e acaba aos 12, e com árbitro comprado?
Ainda existem alguns crédulos/cruzados, que julgam poder pagar 170 mil milhôes aos “mercadores”…e logo até 2020!
Bora lá produzir,ops…o quê?Pois.
Março 31, 2011 at 10:09 pm
!?:
“(…) Ou seja, o pedido de ajuda está mais próximo, resta saber quem deve fazê-lo, já que o Governo considera não ter legitimidade para isso, por ser um Governo de gestão. Para Teixeira dos Santos, a entidade mais indicada é o Presidente da República, Cavaco Silva. (…)
Teixeira dos Santos negou que o Governo esteja a tentar evitar o ónus de ficar na história também como o executivo que pediu a ajuda do FMI. «Nunca teria problema em pedir ajuda, se fosse indispensável», argumentou. (…)”
http://diario.iol.pt/economia/ministro-das-financas-entrevista-pedido-de-ajuda-ajuda-fmi-resgate/1243495-4058.html
Março 31, 2011 at 10:12 pm
O que acho disto?
Um cobarde a dar o fora!
31.03.2011 Pedro Silva Pereira: «Pedido de ajuda ultrapassa Governo de gestão»
Março 31, 2011 at 10:17 pm
Pois é… os professores foram as primeiras vítimas.
Bem que avisámos (foi tanta mentira e tanta trapaça legislativa e não só…
Mas nessa altura, todos estes jornalistas e comentadores bajulavam “estas coisas” cinzentas que nos “governavam”.
Março 31, 2011 at 10:23 pm
31.03.2011 Crise da dívida: depósitos ameaçados?
30.03.2011 – Juros portugueses são notícias no mundo
30/03/2011 – Juros da dívida sobem 34% em três meses
Março 31, 2011 at 10:30 pm
31.03.2011 – Défice disparou: de quem é a culpa?
Março 31, 2011 at 11:11 pm
Por falar em números e culpas.
http://umaaventurasinistra.blogspot.com/2011/03/jeje-e-companhia-6-leiting-de-lixo.html
Março 31, 2011 at 11:15 pm
“”
Se a Comissão Europeia seguir adiante com o seu plano de tornar as agências de notação financeira responsáveis juridicamente por erros de avaliação, elas poderão deixar de atribuir ratings aos países em risco.
notícia é hoje avançada pela agência Reuters, que diz que o clima de tensão entre o Executivo europeu e as três principais agências de rating – a Standard & Poor’s, a Moody’s e a Fitch – está a intensificar-se, na sequência dos vários cortes de notação feitos a países como Portugal, a Grécia ou a Irlanda.
De acordo com a Reuters, o facto de as agências de notação estarem a baixar cada vez mais as notas dos países periféricos e também de outros Estados da zona euro está a levar as autoridades europeias a ponderar responsabilizar juridicamente as agências caso uma determinada avaliação – um corte de rating de Portugal, por exemplo, se revela errónea.
A forma como se seria feita essa avaliação judicial permanece incerta, estando apenas esboçada, de forma vaga, numa proposta da Comissão Europeia para uma lei que só deverá ser aplicada no próximo ano.
As agências não tardaram a reagir à notícia, ameaçando vir a deixar de avaliar os países periféricos, o que deixaria a sua dívida pública fora das rotas de investimento.
Num documento a que a Reuters teve acesso, a S&P refere que “um novo padrão de responsabilização poderia acabar por restringir os ratings sobre os países emitentes de dívida que forem considerados mais arriscados”. Outra fonte do sector disse à agência noticiosa que “as agências de rating não estão dispostas a aceitar este tipo de responsabilização”.
http://economia.publico.pt/Noticia/agencias-de-rating-ameacam-deixar-de-avaliar-paises-perifericos_1487705
Refresquem a memória: A meio de Setembro de 2008, a Moody`s classificou e subiu o rating de qualificação do Lehman Brother Bank. Passado apenas um mês, em Outubro 2008, esse banco tão altamente qualificado faliu, e provocou a crise que todos sabemos. É impressionante o que três agências de rating (2 americanas, 1 Britanica) provocam em ecomonias nacionais. A Alta Finança a ditar as regras na Economia, que ela própria arruina.
ze paulo , lisboa. 31.03.2011 15:42
Se tivéssemos uma UE de orientação democrática
o problema da nossa dívida ficava resolvido em 24 horas:dar ordens ao BCE para comprar a dívida portuguesa.Ficávamos a pagar uma ninharia,1%.É assim tão difícil?Não!Não há é vontade política para! Mas,mesmo assim,há outro caminho que teremos que trilhar.Como nos aconselha Paul Krugman,Prémio Nobel,”Em Portugal a estratégia correcta é criar empregos agora,reduzir défices depois.”.
Março 31, 2011 at 11:20 pm
LIVRESCO:
Eles são uns pulhas.
Mas quem desvia as culpas reais para quem não as tem,ou tendo-as, não são determinantes, NA REALIDADE, e tem cultura e conhecimentos para o saber, também é pulha!
Março 31, 2011 at 11:55 pm
O problema é se ele no dia 5 de Junho volta para lá:-)
Abril 1, 2011 at 12:18 am
A agência Fitch, uma das que andou a avaliar positivamente lixo e a descobrir pelos jornais a falência de empresas e de países, ameaça baixar de novo o ratig da dívida portuguesa se Portugal não recorrer à ajuda externa . Diz-se, quando se contesta a fiabilidade das avaliações destas empresas (que, recorde-se, trabalham para quem ganha dinheiro com o aumento dos juros), que nada podemos fazer. Elas limitam-se a olhar para os dados económicos e financeiros e a dizer de sua justiça.
Se assim fosse, não havia avisos. Se assim fosse, as agências limitavam-se a olhar para as contas – que não são um segredo de Estado, são públicas e podem ser avaliadas pelos investidores – e a dar a nota correspondente. O que a Fitch fez, e não é o primeiro caso, foi dar um conselho a Portugal. Sendo que Portugal não é seu cliente. E nesse conselho está implícita a ameaça: ou fazem o que os nossos clientes querem ou nós dizemos aos mercados que vocês não vão conseguir pagar, aumentando assim as vossas dificuldades de financiamento e, obviamente, a dificuldade em pagar. O que a Fitch fez não foi uma avaliação externa ao próprio mercado. Foi uma intervenção direta no mercado para determinar as políticas de um Estado. Foi lobby em favor dos seus clientes, usando o instrumento que tem para determinar decisões políticas. Porque, todos sabemos, o recurso à ajuda externa, sendo péssimo para a nossa economia, permite o saque final e impede qualquer renegociação da dívida, a única solução racional para as economias periféricas da Europa.
Nada a fazer, é o que se diz. Falso. Está nas mãos da Europa determinar os moldes em que a ajuda externa é garantida. Está nas mãos da Europa garantir essa ajuda, comprando ela própria a dívida nos mercados primários, e dando garantias para uma renegociação da dívida. Está nas mãos da Europa proteger os países que estão na linha da frente de um ataque especulativo ao euro, dizendo o que diz qualquer devedor que seja vítima do abuso de poder dos credores: ou renegociamos as condições ou não pagamos. Não estamos dispostos a trabalhar para pagar juros que não correspondem ao risco real de incumprimento. É isto que famílias, empresas e Estados fazem quando o credor abusa do seu poder: se queres receber o que te devo não tentes levar o que não te devo. Mas para isso Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal não podem ser abandonados à sua sorte. Cabe à Europa cumprir o seu papel solidário. E não deixar que seja a Fitch e restantes agências de notação a determinar as políticas dos seus Estados.
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
Quinta feira, 31 de março de 2011
Abril 1, 2011 at 1:16 am
TAMBÉM HÁ ESTE TIPO DE CULPADOS….
É TUDO CULPA DO “OUTRO” ?????
O antigo líder parlamentar do PSD Duarte Lima beneficiou em 2003 de um empréstimo de dois milhões de euros do Banco Insular de Cabo Verde, então controlado pelo Banco Português de Negócios, segundo um documento hoje exibido por uma testemunha no julgamento do caso BPN.
Da lista de empréstimos concedidos pelo Banco Insular então presidido pelo arguido José Vaz Mascarenhas consta ainda um crédito de 177 mil euros ao arquiteto Eduardo Capinha Lopes, que foi arguido no processo Freeport.
Outros empréstimos foram concedidos no primeiro semestre de 2003 a dezenas de sociedades ‘offshore’ do grupo Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que detinha o BPN, a várias empresas portuguesas (incluindo a Imobiliária Marquês de Pombal, responsável pelo envio de um contentor com documentos do BPN para Cabo Verde por altura das buscas da operação Furacão) e a empresários em nome individual.
José da Cunha Carvalho (empréstimo de 1,5 milhões de euros), Vasco Veiga (1,25 milhões de euros), Sorel (2,5 milhões de euros), Gerbo (12 milhões de euros) são alguns nomes que constam da lista apresentada hoje no tribunal pelo inspetor tributário Paulo Jorge Silva.
Fonte ligada ao processo adiantou à agência Lusa que os empréstimos foram concedidos pelo Banco Insular sem que tenham sido exigidas garantias bancárias.
A testemunha declarou que o Banco Insular só começou a ir buscar depósitos de clientes do BPN Cayman para “solucionar problemas” com os créditos concedidos pelo denominado balcão 2 do BPN Cayman.
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1819975
A deputada centrista Assunção Cristas considerou hoje que os dados do INE sobre o défice de 2010 dão razão ao CDS-PP quanto ao impacto da intervenção no BPN nas contas públicas, que “o Governo foi negando”.
“Sempre dissemos que os crimes cometidos no BPN e a falta de supervisão em relação ao BPN iam ter reflexos nas contas públicas. O Governo foi negando. Agora temos aqui um reflexo de 1,8 mil milhões de euros e vemos como o défice é atingido de uma forma muito considerável pelo impacto das contas do BPN”, declarou Assunção Cristas aos jornalistas, no Parlamento.
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1819544