Um texto que gostei imenso de escrever, a pedido do Pedro Correia, que foi postado ontem, pelo meio do foguetório do dia, mas que deixo aqui agora recordado:
A Revolução já não é o que era!
Março 24, 2011
Um texto que gostei imenso de escrever, a pedido do Pedro Correia, que foi postado ontem, pelo meio do foguetório do dia, mas que deixo aqui agora recordado:
A Revolução já não é o que era!
Março 24, 2011 at 8:46 am
Gosto
bastante. Este, é muito importante. Como diz um grafito, “Só não há revolução porque não há revolucionários. Razões há de sobra.”
Março 24, 2011 at 8:57 am
Gostei, vou roubar para o meu FB.
Março 24, 2011 at 9:29 am
“Já não há revolucionários como antigamente” quer dizer que já não há gente que se sacrifique, que dê o peito às balas em nome do bem comum e do progresso da Humanidade, enquanto nós outros tratamos da nossa vidinha.
Março 24, 2011 at 9:34 am
Se cada um de nós não está disposto a fazer a revolução, o que nos leva a esperar que os outros a façam?…
Março 24, 2011 at 9:38 am
Ainda existe demasiada classe média para ser possível uma Revolução.
Era preciso haver mais povo-povo, e que a classe média empobrecida não tivesse onde se “encostar”.
Apesar da crise, o ambiente está demasiado almofadado para que revoluções desabrochem…
Março 24, 2011 at 9:45 am
Concordo.
Proposta de revolução:
Dado que a sociedade civil já está suficientemente organizada, dispensando assim estes charlatães de feira, vendilhões de um templo/tempo que já não existe, propõe-se:
a)uma vassourada completa e definitiva nos partidos e nos actuais órgãos de soberania;
b)eleição directa de uma lista de conselheiros, composta por elementos competentes em cada uma das áreas da vida nacional, cujo(a)cabeça seria o(a) presidente da república, que teria voto de qualidade nos eventuais bloqueios da sociedade civil.
Simples… e suficiente… e perfeitamente exequível… com uma revolução.
Março 24, 2011 at 10:11 am
É preciso diminuir as escalas para que os cidadãos possam participar proveitosamente na vida das comunidades. O poder está demasiado longe porque se federaram interesses em comunidades cada vez maiores. Chegou-se ao ponto de que o interesse das comunidades não coincide com o interesse dos cidadãos individuais. Além disso a uma situação em que a delegação de poderes esticou até se perder qualquer contacto entre representantes e representados juntou-se também a concentração do poder económico. Era inevitável pois estava inscrito no código genético do capitalismo, o qual é baseado na competição mais do que na livre escolha. o somatório destas condicionantes levou a que, nunca como hoje, fosse muito fácil às quadrilhas controlarem o mundo.
Março 24, 2011 at 10:12 am
errata:
Chegou-se ao ponto de o interesse das comunidades não coincidir com o interesse dos cidadãos individuais.
Março 24, 2011 at 10:16 am
#5
Essa observação da “demasiada classe média” cheira-me a napalm ideológico.
Portanto acha que a “Revolução” nesta era digital ainda tem de preencher os cânones do paleo-marxismo ou do cro-magnon-leninismo.
Não me deixa de surpreender esta visão da “Revolução” como algo fixado numa determinada fase da História da Humanidade, como se o mundo tivesse atingido o culminar da sua evolução em 1917.
Março 24, 2011 at 10:17 am
Acrescente-se que a educação bestializa e os media embrutecem. E um quinto dos portugueses sofrem ou já sofreram de doença mental.
Março 24, 2011 at 10:25 am
Como expressão auto-justificativa do derrotismo e da inacção, não está mal.
Março 24, 2011 at 10:32 am
“11
Para quem defende a vaselina sindical e a ópera bufa enquanto modo de estar, só lhe fica bem andar por aqui a pastorear as ovelhas tresmalhadas…
Março 24, 2011 at 10:33 am
Fala-se demasiado em revoluções. A imagem de uma transformação política repentina ofusca, mas é redutora. Formas embrionárias de capitalismo existiram durante toda a Idade Média. O poder da nova classe foi crescendo lentamente, foi responsável pelo Renascimento na Europa sem que se verificasse qualquer aletração significativa nas formas de governo de então. A crise em França de 1889 foi a declaração de guerra à nobreza ideológica, jurídica e militarmente dominante. Mesmo assim, foi necessário mais de um século para eliminar a supremacia da ordem feudal. A revolução hoje, tal como ontem, faz-se por pequeno passos.
Março 24, 2011 at 10:33 am
Entretanto, enquanto isso, e agora mesmo:
“Metro paralisa a 100% em defesa da contratação colectiva e contra o roubo nos salários!
Quinta 24 de Março de 2011
Integrada na jornada de luta do Sector dos Transportes, a greve do Metropolitano de Lisboa paralizou totalmente a circulação desde as 6h00 de hoje. Os trabalhadores lutam em defesa da contratação colectiva e contra o roubo nos salários que o Governo está a realizar com base no Orçamento de Estado que PS e PSD acordaram. Na próxima terça-feira, dia 29 de Março, realiza-se uma nova jornada de luta do Metropolitano, tendo os Sindicatos realizado hoje um forte apelo ao Governo para, até lá, retomar a negociação colectiva na empresa
e respeitar a contratação colectiva livremente assinada entre as partes. A Célula do PCP sublinha que, apesar da anunciada demissão do Governo, este continua em funções, as suas políticas continuam a ser aplicadas, os salários continuam a ser roubados, pelo que a luta tem que continuar, e exige que o Governo se deixe de patéticos apelos cujo único objectivo é tentar com que os trabalhadores aceitem o inaceitável e injusto, e reconheça a justeza das reivindicações dos trabalhadores.”
http://www.pcp.pt/metro-paralisa-100-em-defesa-da-contrata%C3%A7%C3%A3o-colectiva-e-contra-o-roubo-nos-sal%C3%A1rios
Março 24, 2011 at 10:41 am
#14
Eram tão bons os tempos em que o PCP apelava ao trabalho gratuito para ajudar a superar as dificuldades do país (“Um dia de trabalho para a Nação”) e furava as greves dos “anti-patriotas”.
Lembra-se?
Março 24, 2011 at 10:46 am
#7
Amigo Bestunto, acho a sua análise lúcida e concordo com ela.
#10
Talvez o “bestializa” seja excessivo, mas, no essencial, mais uma vez, concordo.
Além disso, aprecio quem ousa pensar e exprimir o seu próprio pensamento, não se encostando sistematicamente em grandes publicações, transcrições e citações, que podem demonstrar grande ilustração e erudição, mas não acrescentam coisa nenhuma.
Sempre que me for possível tertuliar na sala,estarei atento aos seus comentários.
Um abraço!
Março 24, 2011 at 10:46 am
Olha, o tal…
Março 24, 2011 at 10:49 am
As fases da evolução a curto e médio prazo:
1- Manter abertos os canais de comunicação. Isto implica que os cidadãos se devem preparar para estabelecer serviços de ISP e ninhos de servidores, que nalguns países serão ainda clandestinos. Mas significa também que é preciso encontrar modos “arcaicos” de contornar a falta destes meios nas zonas menos desenvolvidas que representam ainda a maioria do globo.
2- Criar uma cultura baseada na empatia em que cada um de nós seja capaz de se colocar no papel do outro. Colocar o ênfase nas relações e não nos bens.
3- Diminuir as escalas das instituições e associá-las em redes não concêntricas.
4- Terminar o ciclo de delegação de competências e promover a responsabilização de cada um. Isto será também a base de um novo conceito de educação.
5- Promover soluções tecnológicas que não transferem o impacto negativo para zonas longe da vista dos utilizadores locais.
Março 24, 2011 at 11:13 am
#0
O elitismo revelado na caricatura:
“ao fim de 3-4 horas enrolam as bandeiras e vão-se aos couratos e às bejecas.”
Tudo foi diferente no jantar do Spazio Buondi.
Entre uma garfada no risotto e uma mordidela no croquete, os basbaques deliciaram-se com as promessas do revolucionário anfitrião.
Março 24, 2011 at 11:16 am
Há quem, até por um cêntimo, se delicie com a… não digo.
Março 24, 2011 at 11:17 am
NUM tempo em que os acontecimentos eram disseminados lentamente à velocidade do passo, do galope, do telegrafo, e do telefone, as revoluções necessitavam de ser rápidas, relativamente à velocidade da sua transmissão. Eram revoluções drásticas, palacianas, de campo de batalha, revoluções do poder. Mas os seus efeitos embora radicais, eram lentos e passado algum tempo as coisas voltavam ao que eram: Embora dramáticas, a trama do drama era lento na sua efectivação.
NUM tempo em que os acontecimentos são propagados instantaneamente, em que a notícia perde a validade e a frescura rapidamente (até porque ela é repetida exaustivamente, apodrecendo nas bocas de quem a analisa e retransmite), em que as revoluções são feitas primeiro nos meios de comunicação (não o são mas é essa a impressão que dão (ou que nos querem dar – o sitio da presidência da república anunciava antes da imagem do Pinto de Sousa proferir num ápice de retórica manipuladora o seu pedido de demissão)) talvez a verdadeira revolução seja uma lenta revolução e até nem seja uma revolução de todo: seja apenas meia revolução e por aí fique algum tempo. Para demorar a chegar ao poder…
Março 24, 2011 at 11:21 am
No Sapo:
Se as eleições legislativas fossem hoje, em quem votava?
PS: 2863
(30%)
PSD: 2755
(29%)
CDS-PP: 1354
(14%)
CDU: 636
(7%)
BE: 709
(7%)
Março 24, 2011 at 11:21 am
#19
Loures? Não!!
Março 24, 2011 at 11:39 am
Acredito que o texto tenha dado ao autor imenso prazer a escrever.
À excepção da parte final, o resto é fraco e confuso, porque demagógico.
Março 24, 2011 at 11:51 am
“O que me incomoda?
Que já não existam revolucionários”
(?????!!!)
“Precisamos que isto mude. Depressa. Ontem, se possível.
Em que sentido?
Se possível que não seja para pior a médio-longo prazo.
Até pode ser para pior, a curto, se sentirmos que faz algum sentido.”
(?!???!- voltamos ao colectivo?)
“A revolução já não é o que era e ainda não sabemos bem o que poderá ser.”
Pois.
Março 24, 2011 at 11:58 am
#6,
“Dado que a sociedade civil já está suficientemente organizada”
(!?!)
Março 24, 2011 at 12:06 pm
#0,
Fiquei a pensar nesta:
“Até pode ser para pior, a curto, se sentirmos que faz algum sentido.”
E o que é “fazer sentido”?
O quê?/Para quem?
Março 24, 2011 at 12:44 pm
#26
Olá, Fernanda!
Explico, com a nossa área:a educação tem associações de estudantes, sindicatos de professores, associações de pais, conselhos científicos…os políticos fazem falta para quê?!
Março 24, 2011 at 1:38 pm
#28,
?
Março 24, 2011 at 1:39 pm
#28,
!!!
Março 24, 2011 at 3:03 pm
#5,
Isso é uma enorme treta.
Temos de ser mais miseráveis, para haver uma Revolução!
Que Revolução?
Março 24, 2011 at 3:04 pm
#13
Subscrevo por inteiro.
Março 24, 2011 at 3:08 pm
#9
A revolução política, no sentido mais radical do termo, requer, como diziam Marx e Engels, que existam muitos que não tenham nada a perder e tenham tudo a ganhar.
Não temos de nos fixar em 1917 para ver esta ideia a funcionar. Já estava presente na revolução francesa e noutras revoluções liberais.
Março 24, 2011 at 3:14 pm
#31
A única coisa que eu constato é que os remediados e mais ou menos conformados não fazem revoluções.
Aquilo que as pessoas querem, e que os políticos geralmente propõem, são reformas políticas, não são revoluções.
Os maiores arautos do revolucionarismo são geralmente pessoas que nunca aceitariam misturar-se com as massas. Querem revoluções para os outros fazerem.
Se quisesse ser provocador, repescava agora aquela coisa do “radicalismo pequeno-burguês”…
Março 24, 2011 at 3:17 pm
SEm me querer colocar de fora ou acima, parece evidente que há duas maneiras de olhar para a mudança ou ruptura.
Uns retomam os exemplos da História, na senda dos evangelizados por catecismo e que querem actuar de acordo com os “exemplos” e com os “guias” da Revolução.
Outros, procuram algo de novo e de inovador, que responda aos tempos modernos, sem cair nos erros do passado e sem preocupações de fidelidade aos Evangelhos.
É nítida esta linha de separação entre duas perspectivas e duas formas de estar, que depois acabam por se reflectir na maior ou menor adesão às máquinas político-sociais que reproduzem sempre o memso ou, pelo contrário, ajudam a criar o novo.
Março 24, 2011 at 3:23 pm
A CRISE EM FRANÇA EM… 1 CENTIMO!!!
Março 24, 2011 at 3:28 pm
#34
Robespierre, Saint-Just, Lenine, Estaline, Trotsky, Fidel, Che, Mao, Pol-Pot: tudo filhos da burguesia, remediados, letrados, que se transformaram em verdadeiras máquinas de matar e torturar, sem olhar a classes; tudo o que cheirava a empecilho era eliminado.
É isto em que está a pensar quando sugere os verdadeiros revolucionários?
Março 24, 2011 at 3:32 pm
Estive a reler o texto de opinião.
Concordo com o que pensa Paulo Guinote.
Efectivamente, precisamos de uma Revolução, porque urge mudar o que sentimos que não está bem…
Concordo que a mudança “Até pode ser para pior, a curto, se sentirmos que faz algum sentido.” …
… porque é preciso lancetar a bolha da ferida para que o “dói dói” deixe de existir…
Março 24, 2011 at 4:16 pm
Classicamente, existem duas grandes perspectivas sobre “revolução”, ao campo conceptual das quais é difícil escapar.
Uma cuja matriz vem do Platonismo e depois é propagada pelo Cristianismo, que postula uma transformação (interior) do próprio Homem como condição necessária e suficiente para a transformar consistente e duradouramente a sociedade.
A outra, que chegou até nós veiculada sobretudo pelo Marxismo, que pugna pela revolução nas estruturas económicas e sociais, como condição política possibilitadora da criação de um “homem novo”.
O passo seguinte será uma síntese que, congregando-as, supere as duas?
Um ponto fundamental é o protagonismo conferido por ambas as concepções à Educação, embora mais nítido na primeira. Lembre-se que foi Platão quem assumiu o projecto da “Escola”, constituindo-a como o grande instrumento de transformação do Homem, segundo um ideal espiritual e ético de “Humanidade”.
Março 24, 2011 at 4:31 pm
Continuo na minha: nos tempos que correm ninguém quer verdadeiramente uma revolução.
Todos prezamos o suficiente o carrinho para as voltinhas do dia-a-dia e o passeio ao fim-de-semana, todos gostamos de ter o frigorífico bem abastecido e nem nos importamos que sejam feitos na China se pudermos ter o telemóvel, o lcd e mais o pod-não-sei-quê.
O que queríamos era ter um pouco mais de desafogo e de segurança, e sobretudo uma sociedade que nos desse a esperança de um futuro para os nossos filhos, que vemos cada vez mais negro.
Mas para isso não é preciso nenhuma revolução, daquelas em que morre gente, e em que não raro irrompem novas opressões e novos ditadores, como lembra, e bem, o h5n1.
Impor o primado da política sobre a economia e usarmos criteriosamente o nosso voto seriam medidas bem mais eficazes para construirmos pacificamente uma sociedade mais justa.
Março 24, 2011 at 4:35 pm
#34,
Historicamente incorrecto.
As revoluções são, historicamente, o resultado da acção agitadora de grupos economicamente desafogados que, de um modo ou outro, instrumentalizam o desconforto, desagrado ou fúria das “massas”.
É assim desde há muito.
Não conheço praticamente nenhuma revolução “descamisada” vitoriosa, que não tenha sido enquadrada por um grupo “burguês”, numa acepção simplista das coisas. Mesm o que afirmando-se anti-burguês.
O que escrevi, com gosto e muita rapidez, é que a Revolução à moda antiga está, nas sociedade ocidentais, ultrapassada pois passou a afzer parte da cenografia geral da constestação.
Março 24, 2011 at 4:36 pm
Antes de me ir embora, ainda vos digo: sabem qual é a “revolução interior” que eu vejo à minha volta, todas as sextas-feiras?
Uma fila, de manhã à noite, na tabacaria que há lá ao pé de casa.
Não vão comprar o jornal nem o tabaco. Vão entregar o euromilhões. A revolução que aquela gente ambiciona não é “interior” nem “colectiva”. É apenas a “fezada” em que lhes caia do céu a pipa de massa que mudará as suas vidas!…
Março 24, 2011 at 4:39 pm
#41
Correcto. São precisas as duas coisas.
O descontentamento popular e o catalizador “burguês” que transforma a revolta em revolução.
Março 24, 2011 at 5:18 pm
“A Revolução à moda antiga, está, nas sociedades ocidentais, ultrapassada”
Não se pode deixar de assinalar a clarividência desta leitura.
Obrigada, Mestre!
)
Março 24, 2011 at 5:23 pm
“As revoluções são, historicamente, o resultado da acção agitadora de grupos economicamente desafogados que, de um modo ou outro, instrumentalizam o desconforto, desagrado ou fúria das “massas”.”
“de um modo ou de outro”?
De que modos?
“instrumentalizam”
Foi isso que aconteceu sempre, ao longo dos tempos?
Tenho algumas dúvidas.