Fevereiro 2011


Mas é na China, portanto…

Xangai impõe política do cão único

COMO PERDER MAIS TEMPO A FAZER UM PLANO DE AULA QUE A PREPARÁ-LA

Jeff Beck, People Get Ready

Petição para substituição do actual modelo de avaliação dos professores

Foi colocada online uma petição, visando a suspensão do actual modelo de avaliação e a sua substituição – ainda a tempo de produzir efeitos no presente ciclo avaliativo – por um modelo alternativo, segundo as linhas gerais descritas no texto da petição.

Face ao exposto, solicitamos aos professores que se revêem nesta tomada de posição que se juntem a nós, assinando a petição, a enviar à Assembleia da República. Para a sua apreciação em plenário são suficientes 4 mil assinaturas.

A petição intitula-se “Substituição do actual modelo de Avaliação dos Professores por um modelo justo, credível e que não constitua um entrave para o trabalho com os alunos” e poderá ser subscrita no site Petição Pública (http://peticaopublica.com/).

Professores da Escola Secundária c/ 3º ciclo de Henrique Medina, Esposende

 

Adenda: Link directo para a petição.

Porque ando cansado. Estas coisas vão moendo. E O Carnaval já devia estar aí e não está.

cisco no olho

Não é que não possam existir ainda algumas. Mas podia ter sido feito algo mais cedo. De forma concertada, ou tomando a iniciativa. Agora congeminam-se planos que chegam um pouco tardiamente.

No fundo, tirando os que re-adesivaram, uma grande parte espera que a coisa rebente por qualquer lado, que se inicie uma onda qualquer e que dê para, já de forma segura, entrar nela e fazer parte do desfile.

Eu compreendo a atitude defensiva. Escaldados de serem deixados pelo caminho, tendo visto que as coisas nunca foram o que desejaram (a ADD até já entrou para o concurso dos contratados, depois de promessas mil em contrário dos hábeis negociadores), as pessoas optam naturalmente por se encolher.

Mas isso tem custos. Porque assim a onda nunca chega a encapelar o suficiente.

E, exceptuando os contratados que estão demasiado vulneráveis para se meterem de cabeça numa guerra de qual já têm provas que sairão estropiados, muita gente já poderia ter agido de forma a bloquear aquilo que dizem ser mau.

De forma sumária, apontarei três exemplos e momentos:

  • No caso dos professores avaliados, teria sido possível – mesmo que em conversa apenas com a consciência – optar por não requerer aulas assistidas, mesmo que isso fosse essencial para a progressão, pois não sabemos quando ela acontecerá verdadeiramente. Já que a hipótese, aventada no ciclo avaliativo anterior, de todos concorrerem a classificações de mérito, não recebeu grande apoio como forma de bloquear o funcionamento do modelo.
  • No caso dos professores relatores, havia a hipótese de ou declararem desde logo que não aceitariam tal cargo, sob que pena fosse, ou então, em caso de nomeação, de terem pedido escusa fundamentada e, no caso de indeferimento, terem avançado com recurso hierárquico e, em caso de novo indeferimento, irem mesmo para tribunal, em termos individuais ou com o apoio (nunca anunciado para tal eventualidade) das estruturas sindicais. Não adianta dizer-se que, em caso de ser aceite, outros relatores se levantariam. A ser assim é porque há gente efectivamente disponível para exercer o cargo sem dramas. Se não fosse assim nova vaga de pedidos de escusas e etc se seguiria. Até porque seria interessante que este tipo de atitude fosse tomada em conjunto pelos relatores de cada escola/agrupamento.
  • Por fim, os órgãos de gestão, com destaque para os directores que se dizem desfavoráveis ao modelo de ADD – até por terem duas estruturas representativas, uma delas mais vocal na crítica – poderiam ter bloqueado tudo, apresentando a sua demissão ou ameaçando conjuntamente com essa atitude. E isso teria sido tanto mais eficaz quanto fosse feito antes da nomeação dos relatores. Depois de ter colocado a engrenagem a funcionar, torna-se mais complicado.

Isto não é uma sucessão de acusações. É uma análise objectiva do que poderia ter sido feito, antes de existirem aulas assistidas, portafolhas a serem feitos, indicadores a serem analisados e toda a parafernália em movimento que agora já vai assustando e moendo.

Agora é mais complicado…

Agora há estratégias individuais de sobrevivência. Dos mais fortes ou dos mais hábeis. Raramente dos melhores.

Basta ir observando.

Os desmandos a avançarem perante a débil resistência. O medo. O acomodamento. As salvaguardas.

É verdade que ninguém precisa ser mártir, muito menos agora. A gasolina vai ficando cara para alguém se imolar. Por isso mesmo fazem mais sentido posições colectivas. Mas com grupos coesos. Não adianta moções plebiscitadas, se depois a maior parte bate em retirada ao primeiro foguete do outro lado da trincheira.

Porque há dias em que não apetece sequer reagir. Aos factos e ao politicamente correcto.

Há umas semanas apresentei aqui umas imagens de respostas a um questionário muito básico que fiz numa turma de 5º ano (PCA) para espavoréu de algumas consciências e outros tantos preturiões da ética docente.

Os erros foram de tal forma pasmosos que reconsiderei boa parte do trabalho com aquela turma e revolteei sobre os mesmos conteúdos (número, género e grau dos nomes). Semanas depois voltei à mesma ficha e não é que as coisas melhoraram de forma meramente residual?

Foi logo pela primeira aula da manhã, o que me fez ficar a reconsiderar o que ando por ali a fazer e o dia todo a remoer. Mas já quase nem lhes disse nada.

Pior… cedendo às parvoíces do politicamente correcto, nem estou para digitalizar os novos disparates porque já sei que se armaria novo circo em torno do acto da divulgação dos disparates sobre a diferença entre plural singular, masculino/feminino e aumentativo/diminutivo.

Repito que estes alunos não estão sinalizados como tendo NEE. Apenas não trazem caderno em muitos casos, na maioria não distinguem ainda o lápis da esferográfica e ficam com o olhar perdido no amarelo da mesa quando qualquer coisa escrita lhes é colocada à frente para ser lida e interpretada.

Não há vocabulário básico e mesmo que se tente transmiti-lo, acham desnecessário. Consideram que o que escrevem é quase o mesmo que o certo. Em alguns casos falta o próprio acto de escrever, mas observam-me como se fosse um doidinho chalupa quando lhes digo que precisam MESMO de tentar fazer alguma coisa.

Pior, há ainda aqueles que (incluindo o que acha que, desta vez o aumentativo de rapaz é apenas ra) se riem e acham graça à minha evidente desesperança.

Mas o erro não está neles, verdade se diga.

O erro está na universalização do espírito-Novas Oportunidades a todo o sistema de ensino que acede às orientações da tutela em matéria da representação estatística das aprendizagens.

O erro está na culpa atribuída à ensinagem, nas palavras de alguns guronsans do eduquês.

Um espírito que garante o sucesso sem lhes dar qualquer suporte para além do professor na sala de aula e do conselho de turma em estado de choque com alunos que ainda no 2º período hesitam fortemente com a quantidade de jogadores numa equipa de andebol (a hipótese 7 surge depois de esgotados quase todos os algarismos de 1 a 9, mesmo antes do 0).

Há dias assim.

1ªs impressões sobre o exame intermédio de filosofia – 2011

CLEMENTINAS

O desespero da Escola Básica do Furadouro

A Escola do Furadouro tem 40 anos e nunca beneficiou de um programa sério de conservação, que a mantivesse minimamente adequada às suas funções e ao número (crescente) de alunos.

Graças à extrema simpatia e generosidade de um leitor e comentador aqui do blogue, acabo de receber dois números de uma revista inglesa que desconhecia. misto do grafismo tradicional do Beano com o espírito da MAD, mas ainda com um toque daquele humor britânico mais destrambelhado, conforme se pode ver pela exemplo abaixo:

Confesso que só hoje, cerca de duas semanas depois do anúncio do calendário das festas, me apercebi que as provas de aferição vão ser realizadas a 6 e 11 de Maio (Língua Portuguesa e Matemática, respectivamente), ou seja, mês e meio antes do final das aulas.

Não percebo se é mesmo necessário assim tanto tempo para a sua classificação, que as provas sejam feitas um mês e meio antes do final do ano lectivo.

Querem sucesso, querem metas de aprendizagem (estatísticas) cumpridas?

Então, não nos gozem, em especial no 2º CEB que tem apenas 2 anos e uma antecipação destas não é um pormenor. Em pouco tempo a data da prova alterou-se para quase três semanas antes do que era habitual. Se já era antecipável isto? Era, mas uma pessoa espera sempre que a asneira não se repita.

“Não vou deixar esta terra, morrerei aqui como um mártir”

O líder líbio Muammar Khadafi discursou hoje ao povo pela primeira vez após nove dias de protestos.

103 anos sem sexo explicam segredo da longevidade

Gladys Gough levou uma vida literalmente sem excessos. Além da ausência de sexo, diz que nunca bebeu, fumou nem tomou medicamentos.

Uma inglesa de 103 anos revelou que um dos segredos para a sua longevidade foi nunca ter feito sexo. Em declarações ao jornal “The Sun”, Gladys Gough confessou que ainda é virgem: “Eu nunca me casei nem tive namorados. Provavelmente, a minha longevidade tem algo a ver com isso”, disse.


Anna Calvi, No More Words e Desire

Texto recebido por mail, com solicitação de divulgação:

 

Escola Secundária Camilo Castelo Branco (Famalicão): de uma Direcção moribunda ao abutre partidário

No  Decreto-Lei n.º 75/2008 de 22 de Abril  que regulamenta o  “Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos Ensino básico e Secundário”, pode ler-se que o  Director é o “rosto, um primeiro responsável” da Escola, dado que lhe é “confiada a (sua) gestão administrativa, financeira e pedagógica”.

O presente texto surge da imperiosa necessidade de denunciar o ambiente degradado e degradante – mercê da actual Direcção -, que se vive na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em Famalicão. Gostaria que servisse como elemento para uma reflexão/debate sobre a importância estratégica deste órgão de Gestão.

É, portanto, em nome da clareza e da reposição da verdade que o redijo, cônscia de que o seu conteúdo tem a aquiescência de largas dezenas de colegas.

É do nosso conhecimento que o actual Director, está a ser alvo de um processo disciplinar por parte da Inspecção-Geral da Educação sob a acusação de gestão danosa decorrente de múltiplos pagamentos ilegais, quer dizer, sem a prévia autorização  do conselho administrativo da escola.  As dez infracções de que é alvo são gravíssimas e não se podem mascarar sob a classificação de “questiúnculas internas”.

Jamais utilizaria o argumento “ad hominem” porque não é o homem  -  este homem em particular  – que me interessa, mas as suas práticas reprováveis, nesta ou em qualquer outra escola, por este ou por  qualquer outro membro do órgão de Gestão.  O que quero dizer, para que não haja equívocos, é o seguinte: se a actuação da actual Direcção fosse uma mais valia para a escola, seria a primeira a aplaudi-la. Infelizmente, para toda a comunidade escolar, tal não sucede(u).

Preocupa-me a falta de carácter individual. Creio que há sempre uma história pessoal – uma biografia moral, se quiserem – que ajuda a esclarecer o que se é, quem se é.

Por isso, considero relevante atentar ao “antes”, ao tempo (passado recente) em que o actual Director era professor. Colocarei, apenas, três questões:

1.      Como é/foi possível que um professor – digno desse nome – fizesse, amiúde, testes aos alunos seus sem ter entregue e corrigido os testes precedentes? Como poderiam estes alunos perceber as suas fragilidades científicas e colmatá-las, quer dizer, rectificá-las atempadamente?;

2.      Como é/foi possível que este funcionário público chegasse frequentemente atrasado às aulas?;

3.      Como é/foi possível que este professor abandonasse a sala de aula, deixando os alunos, e regressasse posteriormente?

Há, de facto, algo de estranho quando se avaliam estas práticas com a menção de “Excelente”! Mostra, pelo menos, a perversão /distorção da ADD.

Tal como prevê o Decreto-Lei n.º 75/2008, foi ouvido pelo Conselho Geral, na qualidade de candidato ao cargo de Director, assumindo nessa reunião que já tinha a sua equipa constituída. E quem eram dois dos elementos da equipa?

Dois membros do Conselho Geral! Um dos quais o seu Presidente.

Ora bem, é da competência do Conselho Geral eleger o Director e, portanto,  percebeu-se  a posteriori,  como o Presidente deste órgão foi “premiado” com o cargo de Adjunto da Direcção. Os favores profissionais têm sempre um preço…

A análise é simples: ou o Director não tinha ainda a sua equipa formada e violou o princípio da honestidade e o valor da verdade, ou já a tinha e o então Presidente do Conselho Geral votou em si próprio porque integrava a equipa, transgredindo o princípio da imparcialidade. Ambos os cenários são maus… e apontam para a infracção do artigo 5.º do decreto-lei precedentemente mencionado.

O que sentimos, nós professores, como espectadores deste processo é que ele não foi  transparente e sério.

No momento presente – o agora –  afirma sem despudor: “Ser professor é ter a alegria de transmitir valores como a obediência, a disciplina, o trabalho e o sacrifício.”

A autoridade conquista-se através da seriedade profissional. E, com ela, o respeito e a admiração. Só o autoritarismo tem como ideal a obediência cega. Lição do Estado Novo.

De facto, quem conhece o Director ouve-o, amiúde, exigir aos professores mais trabalho, mais sacrifício. Onde estava o seu espírito sacrificial quando recebeu 4.000 euros de horas extraordinárias?

Incomoda-me saber que faz parte da rotina do Director regressar à escola, após o almoço, por volta das 16 horas, sem nunca deixar de prestar culto a Diónisos. Detesto a incongruência, o divórcio entre o pensamento e a prática.

Igualmente relevante é o facto da (primeira) Subdirectora ter alegado divergências com o Director e apresentado a sua demissão no final do ano lectivo transacto. Prova que o ambiente no seio desta Direcção, fruto de graves dissensões, não é propício ao trabalho de equipa.

Como se isto fosse insuficiente, há outra situação que agrava o mal-estar docente na escola e, portanto, a merecer registo: assiste-se aos maldizeres sussurrados do Adjunto, **********, sobre o Director que ajudou a eleger! Fica-lhe mal, muito mal, insultar a Direcção à qual ainda pertence. É sabido que os oportunistas têm “amigos” conforme as conveniências. Afinal, este é o momento do ataque ao moribundo, através de uma campanha de sedução/manipulação porque o amigo Director deixou de o ser… esquecendo que é um prolongamento de uma Direcção em putrefacção.

Provavelmente aspira à nomeação, pela DREN, para integrar a Comissão Administrativa Provisória. É claro, que a sua filiação partidária (P.S.) constituirá, para a DREN, o “mérito mor” deste adjunto.

Preocupa-me a falta de carácter colectivo. O certo é que o País conhece outros Zés oportunistas.

Estamos, com efeito, perante dois homens com um amor desmesurado pelo poder e um desamor e uma falta de dedicação pela Escola e pela Educação públicas.

O que a Escola Secundária Camilo Castelo Branco exige e merece é que se faça uma purga da actual Direcção. Nenhum membro conquistou o respeito. Nenhum merece permanecer à frente dos desígnios da Escola!

A autonomia instrumentalizada é auto-contraditória. Análoga a um País com governo mas desgovernado … Realidades possíveis quando as acções não se norteiam pelo bem comum. Quando a prática política, nomeadamente a educativa, se desvincula da ética. Quando os interesses individuais, egoístas, ganham primazia face aos interesses colectivos. Puro narcisismo antropofágico.

Autor(a) devidamente identificado(a), que solicitou o anonimato

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