Eixo, 25 de Fevereiro de 2011
Amigos e colegas,
Somos a classe com maior formação académica do nosso país. Somos a classe em quem os portugueses mais confiam. Somos a classe que tem mais sentido crítico, e apesar de tudo, estamos calados. O nosso silêncio pode ser interpretado e é, de facto, interpretado como o de aceitação implícita de tudo quanto está a acontecer.
Todos os dias assistimos a uma estratégia deliberada de destruição paulatina e sistemática do nosso sistema educativo.
Como aceitamos permanecer calados e impávidos perante um modelo de avaliação que é injusto, incoerente, subjectivo e, sobretudo, competitivo? Como admitir uma conflitualidade artificialmente criada numa quasi profissão como a nossa? Lembremos, a quem de direito, que não produzimos parafusos, lembremos que somos formadores de pessoas. A conflitualidade e desarmonia na escola tem um impacto demasiado pesado e extremo nos nossos alunos. Como é que os nossos governantes não se apercebem disso? Será apenas negligência e ignorância ou será um estratagema criminosamente intencional?
Como podemos aceitar que às disciplinas mais práticas do currículo lhes seja retirada a componente prática e se tornem, assim, totalmente teóricas? Isto será estimular o sucesso escolar? Será mesmo trabalhar seriamente em prol da educação e da formação dos futuros cidadãos?
Como aceitar a centralização das escolas com os chamados mega-agrupamentos? Então e a tão apregoada autonomia das escolas? Caberá na cabeça de alguém que estando o órgão responsável pela gestão mais distante das escolas, se estimule o sucesso escolar e/ou se diminua a violência escolar? Não será antes um projecto de controlo administrativo e ideológico das escolas?
Será que é mesmo para melhorar a escola que se diminui o número de professores, que se aumenta o número de alunos por turma, que se incentiva artificialmente os conflitos entre os docentes, que se retira a parte prática das disciplinas mais práticas e que se extirpa a pouca autonomia das escolas centralizando e afastando os seus órgãos de gestão?
Podemos assistir calados a este aniquilamento da nossa escola?
Somos responsáveis pelo futuro deste país. Lutemos por ele!!!
António Morais e Manuela Fernandes
Junta-te a nós numa manifestação pela Escola e pelo futuro deste país no próximo dia 2 de Março. Concentrar-nos-emos às 21:00 horas no Centro Comercial Oita e desceremos a Av. Lourenço Peixinho até à praça Melo Freitas onde certamente encontraremos novas formas de expressar o nosso descontentamento pelas políticas educativas implementadas pela tutela.
Leva roupas escuras, continuamos de luto, e cada vez mais carregado!
Março 1, 2011 at 12:22 am
Gostei!
Força, colegas!
É urgente “re-mobilizar”!
É urgente demonstrar a indignação por tanta indignidade!
“Lutemos por ele!!!”
Março 1, 2011 at 8:46 am
Também gostei! Ainda me lembro de que, no início da luta intensa em que há pouco tempo fomos protagonistas, as manifestações silenciosas e de luto dos professores de Aveiro exerceram uma impressão muito forte sobre todos nós. A imagem de gente desiludida, calada e muito digna continua muito viva. Força colegas.
Março 1, 2011 at 11:58 am
Não é dito onde se realiza a manif. Será em Aveiro?
Pelo post anterior pressume-se que sim.
Março 1, 2011 at 12:00 pm
Peço desculpa.
Está no título, sim sr.
Março 1, 2011 at 2:14 pm
A Grande Evasão
‘Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com doutoramento, que optaram pela reforma antecipada com penalizações de 30% e 35%. Um deles, com 53 anos de idade e 33 anos de serviço, no 10º escalão, saiu com uma reforma de 1500 euros. O outro, com 58 anos de idade e 35 anos de serviço saiu com 1900 euros. E por que razão saíram? Não aguentam mais a humilhação de serem avaliados por colegas mais novos e com menos habilitações académicas. Não aguentam a quantidade de papelada, reuniões e burocracia. Não conseguem dispor de tempo para ensinar. Fogem porque não aceitam o novo paradigma de escola e professor e não aceitam ser prestadores de cuidados sociais e funcionários administrativos.
‘Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável ‘pastiche’ de Woody Allen ‘Para acabar de vez com o ensino’, a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causadoa maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem,centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.
Os professores falam de ‘desmotivação’, de ‘frustração’, de ‘saturação’, de ‘desconsideração cada vez maior relativamente à profissão’, de ‘se sentirem a mais’ em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da ‘escola de sucesso’, do ‘passa agora de ano e paga depois’, dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?’
Manuel António Pina
Março 1, 2011 at 3:50 pm
#5 Fantástico texto de Manuel António Pina. Só não compreende esta realidade quem não quer.
Eu também fugi. Espero que ainda a tempo de preservar a minha sanidade mental.
A minha solidariedade com todos os colegas e a minha força para os acompanhar nas lutas a travar!
Março 1, 2011 at 7:14 pm
Força Aveiro, alguém tem de começar.
Que o bom exemplo do passado seja um bom exemplo presente rumo ao futuro de uma escola melhor.
Amanhã lá estarei.
Pouco a pouco, enche a galinha o papo.
Março 1, 2011 at 7:39 pm
Força Aveiro e arredores.
Por Braga não há nada????
Março 1, 2011 at 7:47 pm
Força Aveiro.
Alguém tem de dar o pontapé de saída.
Temos de avançar em frente.
Os nossos sindicatos estão de surdos e mudos.
Parabéns pela iniciativa.
Não poderei estar presente, visto ser de muito longe!
Março 3, 2011 at 12:22 am
Hoje em Aveiro não éramos muitos, mas reconheci gente que esteve na primeira descida silenciosa da avenida há dois anos. O entusiasmo aumentou aos poucos durante a descida, houve até gente da TSF já interessada. Será que chegou para o pontapé de saída? Veremos o que vai acontecendo por outras cidades….por cá, já pensamos na segunda descida da avenida, desta vez com mais de 1000 como da ultima vez.
Força…