Fevereiro 2011


The Czars, Paint the Moon

É verdade que a divisão da carreira foi sempre o que mais feriu a maioria dos docentes em exercício. A criação dos titulares criou uma primeira fractura, que depois o modelo de ADD agravou.

Fizeram um acordo que deu a aparência de ter acabado com a divisão na carreira, mas no fundo apenas a tornou mais complexa, com os estrangulamentos na progressão, cruzados com a criação da figura dos relatores.

As coisas amansaram uns tempos, pareceu que a dupla negocial preferencial tinha conseguido acalmar as escolas, até que se constatou que não.

E não acalmou, provocando algo pior do que uma não-acalmia, pois agravou as divisões existentes, que antes até se conseguiam atenuar, mas agora estão mais expostas.

Eu explico: há dois anos – com maior ou menor sinceridade – a união de facto entre os professores era esmagadora. Aqueles que apoiavam as medidas do ME, embora existissem, eram claramente minoritários.

Neste momento, por omissão, acomodamento ou crença nova, o lote daqueles que aceitaram algumas políticas do ME aumentou. O que significa que, mesmo sendo minoritários, tornaram os conflitos nas escolas mais complicados de gerir.

Por causa das vaidadezinhas bacocas, mas não só.

Com a conivência de alguns sindicatos, o ME/Governo fez avançar a ADD até onde foi possível, colocando o aparato burocrático em marcha.

Até um ponto em que as fracturas internas entre docentes se começaram a agravar perante as diferentes estratégias de lidar com a situação – o chamado coping para os especialistas em dialectos – e sobreviver, melhor ou pior, perante a situação.

O que significa que neste momento, em especial com o cruzamento da ADD com a avaliação das direcções e com a nuvem dos mega-agrupamentos, mais as implicações da reforma curricular na redução de horários disponíveis, se avizinha um período de enorme tensão interna nas escolas que deve ter o seu período mais complicado em plena época de preparação e realização de exames.

Sem nenhuns ganhos evidentes para ninguém, excepto meia dúzia de observadores com diversas patologias e/ou traumas com antigos professores ou actuais colegas.

Mandaria um mínimo de bom senso que, perante um ambiente de austeridade que reduziu salários, congelou progressões e pulverizou horizontes de carreira, a tutela (ou quem manda nela) tivesse a perspicácia de suspender a aplicação de uma ADD que, na prática, é de uma confrangedora inutilidade.

Cada dia que passa é apenas um dia em que estas coisas servem para que o pequeno grupo de mentores desta ADD (com o engenheiro na forma de cereja oscilantes no topo de um bolo de algodão pouco doce) dê lustro ao seu orgulho e a grande maioria dos profissionais ligados à Educação vejam esboroar-se o ambiente em que trabalham.

Quem não vê isso é cego ou muito mais míope do que eu e olhem que a miopia me safou da tropa.

Ou então sente-se bem na função que a cadeia alimentar burocrático-educacional lhe reservou.

 

PEDIDO DE SUSPENSÃO

Ex.ª Senhora Ministra da Educação

Com conhecimento a:
-Director da Escola Secundária de Barcelos
-Director Regional de Educação do Norte
-Conselho Científico para a Avaliação de Professores
-Conselho Nacional de Educação

Os professores Coordenadores de Departamento e Relatores da Escola Secundária de Barcelos abaixo assinados vêm expor e requerer a V. Ex.ª o seguinte:
1- O modelo de avaliação docente em vigor é extremamente negativo e pedagogicamente inadequado, por não contribuir para a melhoria do desempenho docente, submetendo a distinção do mérito a mecanismos administrativos de selecção;
2- O clima de competição desenfreado criado por este modelo liquida quaisquer valores de partilha de conhecimentos e de trabalho colaborativo; além disso, provoca nas escolas a introdução de focos de perturbação e instabilidade, bem como o crescimento da conflitualidade;
3- A agravar a situação, a grande maioria dos coordenadores/relatores, não possui formação adequada;
4- Em grande parte das avaliações verifica-se que entre os avaliados e avaliadores há conflito de interesses que, nos termos do Código do Procedimento Administrativo, impede a acção do avaliador;
5- Acresce que a situação descrita é ainda mais gravosa pelo facto de não haver uniformidade a nível do território português, uma vez que nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira não foi adoptado o mesmo sistema da avaliação;
6- Há ainda a agravante de, em muitas situações, a competência científica dos avaliadores ser díspar ou noutros casos de nível academicamente inferior à dos avaliados. Deve acrescentar-se que diferenciar avaliação científica de avaliação pedagógica em contexto de docência não faz sentido;
Nestes termos vêm manifestar a sua profunda discordância e repúdio pela avaliação implementada e, acto contínuo, requerer a imediata suspensão de todo o processo.

Barcelos, 17 de Fevereiro de 2011

Eixo, 25 de Fevereiro de 2011

Amigos e colegas,
Somos a classe com maior formação académica do nosso país. Somos a classe em quem os portugueses mais confiam. Somos a classe que tem mais sentido crítico, e apesar de tudo, estamos calados. O nosso silêncio pode ser interpretado e é, de facto, interpretado como o de aceitação implícita de tudo quanto está a acontecer.
Todos os dias assistimos a uma estratégia deliberada de destruição paulatina e sistemática do nosso sistema educativo.
Como aceitamos permanecer calados e impávidos perante um modelo de avaliação que é injusto, incoerente, subjectivo e, sobretudo, competitivo? Como admitir uma conflitualidade artificialmente criada numa quasi profissão como a nossa? Lembremos, a quem de direito, que não produzimos parafusos, lembremos que somos formadores de pessoas. A conflitualidade e desarmonia na escola tem um impacto demasiado pesado e extremo nos nossos alunos. Como é que os nossos governantes não se apercebem disso? Será apenas negligência e ignorância ou será um estratagema criminosamente intencional?
Como podemos aceitar que às disciplinas mais práticas do currículo lhes seja retirada a componente prática e se tornem, assim, totalmente teóricas? Isto será estimular o sucesso escolar? Será mesmo trabalhar seriamente em prol da educação e da formação dos futuros cidadãos?
Como aceitar a centralização das escolas com os chamados mega-agrupamentos? Então e a tão apregoada autonomia das escolas? Caberá na cabeça de alguém que estando o órgão responsável pela gestão mais distante das escolas, se estimule o sucesso escolar e/ou se diminua a violência escolar? Não será antes um projecto de controlo administrativo e ideológico das escolas?
Será que é mesmo para melhorar a escola que se diminui o número de professores, que se aumenta o número de alunos por turma, que se incentiva artificialmente os conflitos entre os docentes, que se retira a parte prática das disciplinas mais práticas e que se extirpa a pouca autonomia das escolas centralizando e afastando os seus órgãos de gestão?
Podemos assistir calados a este aniquilamento da nossa escola?
Somos responsáveis pelo futuro deste país. Lutemos por ele!!!

António Morais e Manuela Fernandes

Junta-te a nós numa manifestação pela Escola e pelo futuro deste país no próximo dia 2 de Março. Concentrar-nos-emos às 21:00 horas no Centro Comercial Oita e desceremos a Av. Lourenço Peixinho até à praça Melo Freitas onde certamente encontraremos novas formas de expressar o nosso descontentamento pelas políticas educativas implementadas pela tutela.
Leva roupas escuras, continuamos de luto, e cada vez mais carregado!

João de Brito

Palestras sobre BD (II)

Victor Mesquita, nome de referência da moderna banda desenhada portuguesa, estará dia 1 de Março na Tertúlia BD de Lisboa a fazer uma palestra sobre a sua obra Eternus 9, englobando o conjunto dos dois andamentos: O Filho do Cosmos e A Cidade dos Espelhos.

Sócrates ameaça com mais cortes

O primeiro-ministro afirmou hoje que o Governofará tudo” para que o défice seja de 4,6%, incluindo medidas adicionais que a execução orçamental venha a demonstrar necessárias.

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