Janeiro 2011


… e anoitecerá enfriorado. São estas as principais notícias do dia. O resto continuará.

Autarquia da sertã, Castelo Branco, rescindiu o contrato de transferência de competências com o Ministério da Educação, funcionários da escola com salários em atraso.
Fenprof ouviu as queixas dos professores do privado: cortes salariais , reduções de horário, transferência de escola e assinatura de novos contratos.
O governo alemão quer recortar jovens qualificados de Portugal e Espanha
Uma consequência excelente do boom do emprega no Alemanha é que os dois jovens abrenúncios alourados do andar de baixo de vão embora no fim do mês e assim o sacrifício de aturar a festa de despedida deles até às tantas da manhã será compensado com o doce murmúrio do sossego a partir de 1 de Fevereiro.
Viva, pois, a czarina Angela.

Talking Heads, This must be the place (Naive Melody)

Paradoxalmente, ou nem tanto, são mais eficazes em regimes fechados.

Isto sim, é músculo. Haveria de se ver proporção semelhante de escolas públicas a fazer o mesmo (e na prática, os cortes são maiores.,..) e era um ai-jesus por aí, que o mundo ia acabar em truces

93 escolas privadas fecham a 27 de Janeiro

As associações de pais decidiram fechar por tempo indeterminado, a partir do próximo dia 27, as 93 escolas com contrato de associação. 60 mil alunos vão ficar sem escola.

As associações de país decidiram fechar as escolas privadas com contrato de associação no dia 27 de Janeiro. E dizem que vão fazê-lo por tempo indeterminado. Na última semana, sucederam-se de Norte a Sul assembleias-gerais de encarregados de educação que aprovaram moções para encerrar os colégios até o Governo recuar nos cortes ao seu financiamento.

Mas os protestos não vão ficar por aqui. Os directores destas escolas estão a recusar-se a assinar a adenda ao contrato de associação que permite ao Ministério da Educação reduzir já este ano lectivo os apoios de 114 mil euros por ano por turma para 90 mil.

Já agora, o que pensará o Pai da Nação disto tudo… ou andará muito ocupado a reflectir se vota no candidato que diz apoiar, se vota naquele que gosta de acompanhar nas visitas…

Fenprof diz que luta é o único caminho para travar Governo

Coimbra, 22 jan (Lusa) — A Fenprof entende que só a mobilização e a luta dos professores serão capazes de travar as medidas do Governo, que poderão lançar no desemprego 40 mil docentes, declarou hoje à agência Lusa o dirigente nacional João Louceiro.

No termo de um plenário de docentes contratados realizado em Coimbra, o dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) adiantou que, “na melhor das hipóteses, confrontam-se com a possibilidade de desemprego” já a partir de setembro.

“Não há outro caminho para romper este bloqueio que não seja o do envolvimento das pessoas na luta de maneira a dificultar a aplicação das medidas, e a pressionar para que haja outros pontos de vista sobre a escola”, sublinhou.

Mas lutem com  jeitinho, façam o devido requerimento à Direcção…

Verdade se diga que quem precisa de um dia específico para decidir em quem (não) vota…

vota em mim

TV Notícias, 21 de Janeiro de 2011

Cortesia do Livresco:

3R:

Quem tem ganho com as tréguas sociais desde a greve geral?

Blog DeAr Lindo:

O valor de 5000 professores

Correntes:

Desemprego de professores

Fórum SNESup:

Providência cautelar para fazer cumprir a Lei dos Cortes

IP:

Avaliação de Professores. O que o lindo acordo dos sindicatos nos trouxe

Professores Lusos:

Professores por submarinos…

O manifesto da parolice

Expresso, 21 de Janeiro de 2011

O Pai Natal, Robin Hood e o Feiticeiro de Oz

Primeiro vieram buscar os Comunistas,
e eu não disse nada,
porque não era Comunista.
Então vieram buscar os Judeus,
e eu não disse nada,

Porque não era Judeu.
Então vieram buscar os Católicos,
e eu não disse nada,
porque era Protestante.
Então vieram buscar-me,
e nessa altura,
já não havia ninguém para dizer nada.

Martin Niemöller

Após a época natalícia e em dia de defeso presidencial ocorrem-me algumas das personagens da minha infância e a sua actual inversão de significado – O Pai Natal com as suas surpresas, que continuam a acontecer todos os dias – só que cada uma pior do que a outra; Robin Hood que se trivializou fazendo o que é comum – roubando aos pobres para dar aos ricos e o Feiticeiro de Oz que continua a demonstrar que há alguém atrás da cortina, mas não é quem parece.

No desgraçado campo da Educação tudo começou a escorregar para baixo desde a assolapada “paixão” de Guterres, mais do que platónica, pois mexeu-lhe e mal. A partir daí foi “um ver se te avias” até que chegámos a isto. Pretende desmantelar-se de um dia para o outro todo o edifício para, sobre as suas ruínas, edificar a escola minimalista e fraudulenta que já se anuncia por todos os poros da descaracterização do Sistema. Quem quiser Educação, ou melhor Instrução que ultrapasse a mera balela, que a bem dizer fica muito aquém do ler, escrever e contar, terá de abrir os cordões à bolsa ou então arranjar uma – o que não será fácil.

O problema desta gente que nos desgoverna é com a própria verdade, que ziguezagueando evitam a todo o custo. Assim continuam a embrulhar em roupagens pedagógicas medidas cujo cabimento nada tem que ser com elas, senão seria difícil entender como os mesmos sectores que engordaram os curricula de disciplinas e aumentaram desmesuradamente as cargas horárias para satisfazer lóbis e de certo modo adiar por uma geração o desemprego de licenciados não importando em quê, vêm agora pretender “racionalizar”, atirando para a borda do prato a vida de dezenas de milhares de pessoas, sempre de forma sinuosa e terrorista, escondendo-se em alíneas de rodapé, tornando descartável o que é alardeado por seguro e até, na propaganda oficial, “blindado”. O projecto de Despacho de organização do ano lectivo 2011/2012 é um triste exemplo de toda esta trapalhada com medidas draconianas de eliminação de horários e cortes em Áreas, até há bem pouco tempo apregoadas pelos mesmos, Nossa Senhora, como o supra sumo da excelência educativa.

Acresce a esta mais do que putativa balbúrdia, a exigência dos procedimentos de uma aberração burocrática que a tutela insiste em denominar Avaliação do Desempenho Docente. E não é que esta monstruosidade continua a suscitar proselitismos da parte de professores que se imaginam com o destino dos “convertidos”. Passo a circunstanciar -na segunda metade dos anos 60, época da minha tenra adolescência, uma vizinha que era Testemunha de Jeová afirmava na rua, na mercearia da esquina e no cabeleireiro, que quando se desse a Batalha do Armagedão, confronto final entre o Bem e o Mal, se ela estivesse, por exemplo, comigo perto de um muro que se desmoronasse este só me atingiria e mataria a mim, pois os “convertidos” sairiam incólumes. Assinale-se que esta senhora também disse à minha mãe que tinha que mandar embora uma criadita que dormia no sótão de sua casa, pois estava “possuída por Satanás” tais os barulhos que ouvia à noite, nunca lhe tendo ocorrido que “Satanás” era o seu próprio marido.

Uma parte dos docentes também julga que pondo-se a jeito, deixando-se humilhar e participando como capatazes na humilhação gratuita dos colegas, pois que sentido mais do que vexatório poderá ter esta rábula quando foram cortados vencimentos, quase exclusivamente aos professores (pois já vimos escapar inúmeros “nichos” como na Justiça, na Segurança Social que afinal arrebanha os votos dos “pobrezinhos” e, ainda hoje, na EPAL – a tal dos popós novos e toda uma panóplia de manobras à “açoriana curta”, como aumentar vinte por cento para depois cortar dez), está a ser preparado o despedimento massivo de professores e é certo que não há quaisquer progressões antes de, na melhor das hipóteses, 2015, se irá “safar”. Tal revela profundo desconhecimento dos obscuros desígnios de quem gere o sistema como, aliás, já foi demonstrado à saciedade pela sumaríssima destituição de Directores recém‑empossados em virtude da constituição de “mega-agrupamentos”.

“Roma não paga a traidores” e quem julga que “com o mal dos outros posso eu bem” arrisca-se a aprender à sua própria custa e tarde demais, que estava redondamente enganado.

António José Carvalho Ferreira

Recebi, com autorização de reprodução, indicando a autoria, mas fiquei sem perceber se era do(a) remetente:

Ex.mo Sr. Director

INFORMAÇÃO-PEDIDO

Venho deste modo comunicar a Vossa Excelência que, face à actual crise mundial que assolou também o nosso pais e obrigou o governo a cortar-me cerca de 160 euros no vencimento mensal, me vejo obrigado a ter de cancelar o serviço de telecomunicações pelo que deixo de poder ser contactado por email ou por telefone para casa. Este corte representa uma poupança de cerca de 50 euros por mês apenas, pelo que também irei desfazer-me do automóvel, o que me permite economizar mais cerca de 50 a 100 euros em gasolina por mês e outro tanto em seguro, manutenção, oficina, etc. Caso tenha que me deslocar ao serviço da escola para acompanhamento de estágios ou para aquisição de materiais terei que usar o meio de transporte público disponível, e se a escola me pagar antecipadamente os valores necessários para o transporte.

 

Com efeito vivo só, sou diabético e alguns remédios também passaram a ser pagos ou subiram de preço e tenho um dispêndio de quase 100 euros por mês em remédios. Tenho uma filha a estudar nas Caldas da Rainha a quem pago uma mensalidade de 400 euros porque lhe recusaram a bolsa de estudo face ao que eu ganho, fora outros extras de vez em quando. Pago ao banco uma mensalidade de 500 euros pelo apartamento que adquiri antes da crise; já propus ao banco reduzir a prestação, da mesma forma que o estado também me reduziu o salário, mas disseram-me que era ilegal e que os contratos assinados eram para ser cumpridos.

 

Não consigo ainda dispensar a água, o gás e a electricidade que representam despesas fixas de cerca de 70 a 80 euros por mês. Tenho um seguro de vida que o banco me exigiu e que são outros 80 euros por mês. Depois há o condomínio, o seguro do apartamento, poupança condomínio, etc.. Em suma tinha a minha vida organizada de acordo com um dado vencimento e tenho que realizar agora cortes nas despesas que menos falta me fazem, sendo elas as telecomunicações e transporte automóvel individual.

 

Aproveito para pedir autorização a V. Ex.cia para permanecer na escola nos meus tempos de trabalho individual necessários para preparar as aulas, elaborar fichas, testes, suas correcções, e demais trabalhos escolares que fazia em casa, podendo deste modo economizar em aquecimento e luz, e poder servir-me de papel, canetas, lápis, etc da escola, bem como utilizar os computadores e impressoras para os ditos trabalhos.

 

Com os melhores cumprimentos,

Colégios privados acusam Ministério de “chantagem”

Acho bem. Eu cá vou reflectir muito. Na segunda-feira de manhã espero ter uma opinião formada e estarei pronto.

O que é de um tipo, se não tiver vícios, em tempos tão sombrios?

The XX, VCR

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