A haver explosão, e para assustar alguém, não pode ser uma explosão burocrática, com hora e lugar marcado e ordem de recolhimento quando os representantes receberem um lugar à mesa das negociações para acordarem.
Se um secretário de Estado e um ministro leram o mesmo discurso, num mesmo evento, separados por horas, porque não pode o engenheiro dizer quase o mesmo com um ano de intervalo?
Análise da mensagem de Natal do Primeiro-Ministro. A mesma cantiga de sempre. E já reparou que o discurso deste ano é uma imitação barata do de 2009? Confiraaqui.
Eis como se retira a cenoura a muitos directores, com um simples decreto-regulamentar. Continua a ser comovente assistir ao modo como o Governo e o ME, como sua extensão operacional a mando do Teixeira dos Santos, vão retirando o que concederam, prometeram ou acordaram.
O ridículo nisto tudo é que há esperanças, e não só, que julgam que isto vai lá com paninhos quentes e conversas sonsas. Mas a todos aqueles que aderiram ao novo modelo de gestão por conveniência ou convicção desejo muito mais coisas boas, em época natalícia. Em particular, aos que – para se safarem à vergastada – quebram qualquer solidariedade com outros directores e perdem por completo a face perante o resto dos docentes, que outrora foram seus colegas. Por isso, é que muitos não se incomodarão nada quando caírem do frágil pedestal e forem obrigados a dar aulas, como não fazem há demasiado tempo.
Como em 2011 está prometida nova vaga de mega-agrupamentos, serão muitas dezenas, ou mesmo centenas, os directores que verão o tapete fugir-lhes debaixo dos pés.
Teremos pena… mas só em alguns casos…
2009
2011
Há ali uma parcela de unidades de gestão, cujos órgãos levarão um corte de 150-200 euros mensais no suplemento, para além do que levarão no salário-base. No caso dos adjuntos, sinceramente, há situações em que a remuneração extra não compensa a colaboração com o sistema.
Ao acerto no número de alunos, haverá ainda que descontar os alunos em regimes nocturnos, que deixam de contar. Portanto… a pressão é para que essas alternativas deixem de funcionar. Como já não contam os formandos dos CNO que funcionam em escolas que precisam ficar abertas em regime nocturmo para os atender.
Mas o que pretende tudo isto: que um grupo cada vez mais restrito se convença que tem algo a ganhar em mega-agrupar. O problema é que, depois de o terem aceite, daqui por um ano sairá novo decreto regulamentar a cortar mais uns quantos euros no suplemento e perceberão o barrete que levaram.
Não deixa de ser curioso que estando previstos (em projecto e não só) giga-agrupamentos acima de 3.000-3.500 alunos, esses directores venham a ganhar o mesmo que em unidades de gestão com metade dos alunos.
Mas mesmo assim, são capazes de preferir aceitar do que perder o que vai restando em matéria de migalhas…
Sei que as generalizações são injustas, e não deixo já aqui de ressalvar que há muito boa gente que não merece isto, mas a verdade é que deixaram que a porta se abrisse.
Agora é vê-los a escancará-la.
E cada vez haverá menos posições para ganhar ou sequer manter, porque os têm agarrados pelos euros e não só…
Adenda: Ler este comentário, por exemplo, antes de me acusarem de generalizar…
Reparem lá a diferença entre as remunerações da coordenação de estabelecimentos de educação (vulgo escolas do 1º ciclo com ou sem pré) de 2009 para 2011 (via dr 5/2010) e a subtileza de remunerarem melhor os estabelecimentos integrados em megas…
É de uma subtileza atroz e faz uma diferenciação ridícula, até pela quantia envolvida…
País entrará no próximo ano com mais de 600 mil desempregados. Há 30 anos que não se verificava um número tão elevado e os especialistas estimam que não fique por aqui.
E a grande aposta dos doutores em spin do Governo é usar este exército de desempregados como ameaça para com os os que estão empregados, empurrando-os para a opção entre a proletarização ou a perda do emprego, visto existirem muitos candidatos disponíveis a cada lugar.
Os salários dos profissionais por conta de outrem com qualificações mais elevadas foram dos mais penalizados pela crise que começou em 2007. A economia continua interessada em contratar este tipo de pessoas, só que as empresas e o sector público pagam cada vez pior, actualizando os respectivos ordenados abaixo da média nacional. Nos quadros superiores acontece algo parecido.
Considerando o sucesso da última campanha “Não voto neste PS” iniciada pelos movimentos de professores e funcionários públicos portugueses e que terá, pelo menos, contribuído para a perda da maioria absoluta do actual partido no governo, entendi (Manuel Costa) exortar os interessados a desenvolver uma campanha semelhante para as presidenciais .
Não se pretende aqui apelar ao voto num candidato, nem se pretende favorecer qualquer candidatura em particular, pelo contrário, o objectivo será a negação de apoio a um (ou no máximo dois) candidatos presidenciais que sejam pessoas inseridas nos aparelhos político-partidários que nos levaram ao beco em que nos encontramos !
Após esta votação será lançada uma campanha Anti-visado(s)
cujos fundamentos, slogans e decisões estratégicas serão também tomadas democraticamente por votação em inquérito !
Se tal como eu está cansado de políticos profissionais que se servem da política em vez de servirem o país…
Na véspera de Natal, o Governo fez publicar o decreto regulamentar 5/2010 em que fixa o «suplemento remuneratório» de directores, subdirectores e adjuntos, consoante o número de alunos dos seus agrupamentos e/ou escolas.
Como ainda estou imbuído de duas raspinhas de espírito natalício, vou deixar para depois a análise mais detalhada do modo como este simples diploma vai quebrar por completo qualquer esperança de solidariedade entre directores e como vai ser uma peça fundamental no avançar dos mega-agrupamentos, em especial através da sedução daqueles que tinham uma dimensão média (nomeadamente os que tinham até 900 alunos).
João Hänsel e Maria Gretel são dois sindicalistas desesperados na floresta. Pensaram que nunca mais iam encontrar o caminho de regresso a casa quando, de súbito, descobriram uma cabana de chocolate. Lá dentro vivia uma senhora simpática que logo os convidou a entrar e começou a empanturrá-los com guloseimas.
Os sindicalistas, felizes, foram-se deixando ficar lá por casa, enfeitiçados pela doçura de tão delicada e sorridente senhora, cujos trejeitos tinham vagas semelhanças com personagens dos livros “Uma Aventura”.
Um dia essa mesma senhora arregalou-lhes os olhos e zás catrapás: os sindicalistas ficaram prisioneiros! De mãos atadas e enfiados no quarto, viram-se privados de trocar sms com os camaradas.
O tempo foi passando e eles nem se aperceberam de que os professores estavam cada vez mais zangados porque os seus enviados se deixaram iludir com doces e sorrisos.
Os sindicalistas bem queriam lutar, mas as suas bocas, antes habituadas aos megafones, estavam agora viciadas nos chocolates que todos os dias a bruxa deixava nos seus quartos. Estão gordos que nem uns texugos, têm a boca a precisar de intervenção do doutor Maló, mas ainda tentam libertar-se das amarras: põem acções nos tribunais, convocam grandes manifestações de rua e estão quase, quase a pôr a bruxa no forno.
O que aconteceu depois não se sabe. Os irmãos Grimm tentaram contactar o gabinete da bruxa má, mas não foi possível obter esclarecimentos até ao fecho desta aventura.