Ao ver agora o escandaloso aproveitamento da pobreza como matéria de propaganda presidencial, não pude deixar de lembrar as saborosas páginas que António Alçada Baptista dedicou aos pobres, e ao universo da caridade em que eles estavam metidos, no primeiro volume de Peregrinação Interior. A pobreza era então um fenómeno que estava e se reproduzia, naturalmente, na sociedade portuguesa (poucos desconfiavam então da naturalidade das coisas), e pousava nas casas e nas pessoas como se fosse uma visita de nosso senhor Jesus Cristo, como um dia ironizou António José Saraiva. O que é interessante, do ponto de vista sociológico, na descrição de Alçada, é a forma como os pobres se tornavam uma espécie de coisas, um contingente apreciado para conquista de estatuto social, que subia na relação directa do número de pobres abençoados pela protecção do senhor ou da senhora. Ter um pobre era qualquer coisa. Às vezes queixavam-se: «O meu pobre está impossível». Outros desfaziam confusões, como no telefonema que Alçada recria: «Afinal não foi o meu pobre que morreu, foi o teu».
Pelos vistos, o actual presidente da república tem muitos pobrezinhos. O problema não é sua excelência fazer acções de caridadezinha – se é que faz –, que devem ser contidas nos estritos limites da impessoalidade. A questão é que o problema da fome é, por natureza, uma situação com tal dimensão social, que assume uma fronteira clara de dignidade, que em caso algum deve ser ultrapassada. Por isso, a apropriação da pobreza como bandeira de propaganda, em palavras e imagens (basta lembrar o casamento do antigo sem-abrigo), é sempre uma falta de senso e uma indignidade
Dezembro 28, 2010 at 12:44 pm
RU à presidência!!!!!!!!!
(ou, pelo menos, a 1º ministro)
Buééé! Bué de bu!!!!!!!!
Dezembro 28, 2010 at 12:45 pm
Milagre de Natal
http://www.publico.pt/Mundo/elton-john-e-david-furnish-sao-pais-de-um-menino_1472758?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29
Dezembro 28, 2010 at 1:06 pm
Dezembro 28, 2010 at 1:09 pm
Apropriação da pobreza
Rui Herbon
Ao ver agora o escandaloso aproveitamento da pobreza como matéria de propaganda presidencial, não pude deixar de lembrar as saborosas páginas que António Alçada Baptista dedicou aos pobres, e ao universo da caridade em que eles estavam metidos, no primeiro volume de Peregrinação Interior. A pobreza era então um fenómeno que estava e se reproduzia, naturalmente, na sociedade portuguesa (poucos desconfiavam então da naturalidade das coisas), e pousava nas casas e nas pessoas como se fosse uma visita de nosso senhor Jesus Cristo, como um dia ironizou António José Saraiva. O que é interessante, do ponto de vista sociológico, na descrição de Alçada, é a forma como os pobres se tornavam uma espécie de coisas, um contingente apreciado para conquista de estatuto social, que subia na relação directa do número de pobres abençoados pela protecção do senhor ou da senhora. Ter um pobre era qualquer coisa. Às vezes queixavam-se: «O meu pobre está impossível». Outros desfaziam confusões, como no telefonema que Alçada recria: «Afinal não foi o meu pobre que morreu, foi o teu».
Pelos vistos, o actual presidente da república tem muitos pobrezinhos. O problema não é sua excelência fazer acções de caridadezinha – se é que faz –, que devem ser contidas nos estritos limites da impessoalidade. A questão é que o problema da fome é, por natureza, uma situação com tal dimensão social, que assume uma fronteira clara de dignidade, que em caso algum deve ser ultrapassada. Por isso, a apropriação da pobreza como bandeira de propaganda, em palavras e imagens (basta lembrar o casamento do antigo sem-abrigo), é sempre uma falta de senso e uma indignidade
Dezembro 28, 2010 at 1:16 pm
Dezembro 28, 2010 at 2:20 pm
Dezembro 28, 2010 at 3:22 pm
Temos um presidente pobre de espírito. Isso é bem pior que a pobreza material… Vá passear com os netinhos! Porque não te calas?!
Dezembro 28, 2010 at 3:28 pm
Roubaste o país e os retornados vai levar nu cu com os outros candidatos….
Dezembro 28, 2010 at 4:18 pm
Dezembro 28, 2010 at 4:28 pm
http://www.odiario.info/?p=1917
Dezembro 28, 2010 at 5:47 pm
Dezembro 28, 2010 at 6:41 pm
LOL muito bom
Dezembro 28, 2010 at 7:44 pm
O que vem a ser isto? hem??!! livros como presente de Natal?!!
Este anjinho mimado precisava mesmo era de um Magalhães…
Dezembro 29, 2010 at 12:03 pm
este já não vai ser convidado para madatário da juventude eheheheh