Confirma-nos o passado que ou nada fará ou fará o irrelevante. Com azar, ainda temos direito a uma comunicação ao país. E se vetar, será com que base? Afinal, só veta medidas na área da Educação quando visam uns e deixa passar tudo quando visam outros?
Cavaco quer que prevaleça “bom senso” nas alterações ao financiamento do ensino privado
Cavaco falou via Facebook e insinuou veto à lei de financiamento do ensino particular
Por momentos, pensei que iria vetar – ou teria vetado – as novas regras de financiamento aos partidos. Mas não. Rebate falso.
Dezembro 21, 2010 at 5:30 pm
Quando se mete a colher na Católica …
Dezembro 21, 2010 at 5:47 pm
Uma das faces da má moeda que temos…
A outra face já nãi sei se é muito pior…
Desculpem ter votado nisto da outra vez, mas como descolonizado à força e sem me terem perguntado a minha opinião pelo sr. Mário Soares & C.ª não me restou outra coisa…
Um democrata-cristão que não vota mais nisto!…
Dezembro 21, 2010 at 6:12 pm
#1, a católica é ensino superior..
Dezembro 21, 2010 at 6:14 pm
Outra:
Afinal os “cortes salariais” vão servir para injectar 500 milhões no BPN???
http://www.publico.pt/Economia/parlamento-espera-ha-tres-meses-explicacoes-sobre-bpn_1471995
Dezembro 21, 2010 at 6:19 pm
É pá, apetece-me mesmo mandar este gajo à…
Dezembro 21, 2010 at 6:21 pm
#2,
Isto de andar a pedir desculpas tem de ter 1 limite.
Até parece o Vaticano.
Dezembro 21, 2010 at 6:23 pm
#2,
Não entendi bem…
Queria que lhe tivessem perguntado o quê sobre a descolonização?
Dezembro 21, 2010 at 6:25 pm
Um simples pormenor- o meu pai morreu, como militar de carreira, em sequência da guerra colonial.
A mim e à minha família também não perguntaram a nossa opinião.
Dezembro 21, 2010 at 6:29 pm
Quantos amigos tem Cavaco no FB? Diz-se que são mais de 30 mil.
Dezembro 21, 2010 at 6:30 pm
#8,
Deram-me uma pequena bolsa de estudo, ridícula. E uma medalha pelos bons serviços prestados à pátria.
Para a minha mãe receber um mísera pensão de viuvez, teve de andar pelo comércio do bairro para que atestassem que era uma senhora bem comportada.
E sabem lá o que isto custou e ainda custa…..
E mais não digo porque estamos no Natal.
As armas e os barões assinalados
Que da ocidental praia lusitana……..
Dezembro 21, 2010 at 6:32 pm
De “Cavaco” nem umas acendalhas ( uns cavaquitos) para o Tição de Natal se pode esperar…
Cavaco é um “homem DO estado”… se quiserem…”quo”.
Dezembro 21, 2010 at 6:34 pm
Mas tem muitos amigos.
Dezembro 21, 2010 at 6:35 pm
#3 e porque será que as personalidades que vêm agora à ribalta têm todas a ver com essa instituição?
Dezembro 21, 2010 at 6:37 pm
Porque o BPN está a dar o berro?
Dezembro 21, 2010 at 6:38 pm
Para quando uma campanha “anti cabaco”?
Temos que pôr a funcionar as novas tecnologias contra esta classe política.
Dezembro 21, 2010 at 6:52 pm
Vetar e promulgar leis de lavagem de dinheiro
http://fliscorno.blogspot.com/2010/12/vetar-e-promulgar-leis-de-lavagem-de.html
Dezembro 21, 2010 at 6:52 pm
Votar Cavaco Silva nunca…..é só tachos
Dezembro 21, 2010 at 6:56 pm
Tem promolgado tudo e mais alguma coisa e agora e agora vem falar em veto, só pq lhe convém? Está em campanha politica. P*or mim não fica. NEM ELE NEM O SÓCAS….FORA OS DOIS……….
Dezembro 21, 2010 at 7:01 pm
Este Cavaco é ridículo!
Realmente vou fazer a escolha por um candidato fora do sistema e esse é o Nobre!
Dezembro 21, 2010 at 7:11 pm
Na sondagem lá mais abaixo, há quem goste do estilo.
É a vida!
Dezembro 21, 2010 at 7:15 pm
O Cavaco para Boliqueime,já!E já agora que encomende bolo-rei para a viagem.
Dezembro 21, 2010 at 7:21 pm
Eleitoralismo Puro?
Não… nulidade no seu estado mais puro…
Dezembro 21, 2010 at 7:36 pm
Insinua?
Isso é que é sentido de Estado?
Insinua via facebook estilo putos?
Barda m€rd#!
Dezembro 21, 2010 at 7:43 pm
Sempre disse que o homem era um coveiro. Mas ninguém me ligava nenhuma. Estavam embevecidos com o relatório Porter. A ideia de ter um governante que sobe coqueiros, não sei porquê, agrada aod lusitos.
Dezembro 21, 2010 at 7:44 pm
À semelhança da movimentação que se fez pra roubar a maioria ao “sócras”, devemos fazer o mesmo ao cavaco.
Campanha na família, no grupo de amigos, na classe docente, (…) onde quer que haja um português enviaremos um email, um sms, um esclarecimento sobre o dito “bom senso” do cavaco.
Dezembro 21, 2010 at 7:52 pm
Parece que em Inglaterra …
UK Government Reels After Minister “Declares War” On Rupert Murdoch, And Threatens To Bring Down Government
Gregory White | Dec. 21, 2010, 2:30 PM
The UK government is in chaos after shocking comments from Business Secretary Vince Cable who said that he had “declared war” on Rupert Murdoch and “could bring down the government” to an undercover reporter at the Telegraph.
Cable has since been taken off Rupert Murdoch’s deal for his company News Corp. to buy the UK based BSkyB.
The Business Secretary role is a rather small one in the UK’s cabinet. Cable, known for being a boisterous character, was brought into the Liberal Democrat – Conservative government so he wouldn’t stand in opposition from the bank benches of Parliament. There he could have pulled LibDem votes away from the coalition who need them desperately to pass austerity cuts.
Cable is currently fighting against some of the more aggressive proposals made by the coalition from within the cabinet. And he likely has a lot more fighting to do, as the UK’s borrowing surged to its highest level ever in November.
Read more: http://www.businessinsider.com/vince-cable-uk-government-2010-12#ixzz18mHfiKT2
Dezembro 21, 2010 at 7:53 pm
O Cavaco que vá à cavaca.
Dezembro 21, 2010 at 8:09 pm
Divulguem:
Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010
Carta aberta ao Presidente da República
Coimbra, 15 de Dezembro de 2010
Ex.mo Senhor Presidente da República
Com conhecimento: ao Primeiro-Ministro, ao Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e aos líderes parlamentares.
Senhor Presidente, tomo a liberdade de lhe escrever esta carta porque, enquanto professor e cidadão, estou altamente preocupado com a erosão do tecido social em Portugal, e na Europa também, fruto não só da terrível situação de crise dita financeira pela qual estamos a passar e que é, sobretudo, o resultado do modelo económico, social e político que lhe está subjacente e preocupado igualmente estou, e muito, com a situação de crise que atravessa a Universidade em Portugal, fruto sobretudo de políticas anteriormente seguidas, fruto sobretudo da reforma de Bolonha, fruto portanto do mesmo modelo de referência que nos levou à situação actual. Uma Universidade em profunda crise e tão grande, na minha opinião, que não posso deixar de colocar aqui e de deixar à sua apreciação as razões do meu descontentamento.
Senhor Presidente, a crise da dívida soberana portuguesa amainou, o espectáculo oferecido pelos políticos dos dois maiores partidos, esse transitoriamente ao mesmo nível ficou, nos grandes bancos o nosso dinheiro, esse se embolsou, e o povo, esse continua a não perceber o que ninguém nunca lhe explicou: porque está a sofrer cada vez mais, a pagar cada vez mais e a dever cada mais e em nome de quê ou porquê? Que terá ele feito de mal para sofrer esta violência, agora? Num mundo e numa sociedade onde impere a honestidade, a justiça, a transparência, numa sociedade de profunda raiz democrática portanto, cada um deve ser responsável pelos seus erros e deve saber assumi-los; mas então que alguém lhes diga, a eles e a nós também, senhor Presidente, quais os erros que cada trabalhador desempregado neste sistema cometeu para que agora se deva sentir penalizado, quais os erros que levam a que cada criança com fome nele e dele se possa sentir culpada, quais os erros que cada velho que passou a vida a trabalhar duramente deles se possa sentir responsável para que veja os seus direitos de há muito tempo adquiridos agora fortemente anulados? Que haja alguém que lhes explique, pelo menos a eles, aos desempregados, às crianças com fome e com pobreza garantida como futuro, aos velhos que do passado foram bem enganados, para onde foram os vários milhares de milhões de euros que do bolso de cada um deles e de todos eles foram retirados para no BPN serem aplicados sem que nada tenha sido tocado na Sociedade Lusa de Negócios nem em ninguém que deles muito antes os delapidou e então, aqui, foi a favor de quem? Ninguém, nunca ninguém lhes disse nada, senhor Presidente, e todos nós lamentamos que assim tenha sido.
Um economista moderado, Thomas Piketty, a lembrar um outro intelectual importante dos tempos de Marx, Proudhon, num recente artigo sobre o salvamento da Irlanda, sobre o resgate dos bancos irlandeses, chama a tudo isto um nome. Passo a citar: “Digamo-lo claramente. Deixar que países que se enriqueceram graças ao comércio intra-europeu absorvam em seguida a base fiscal dos seus vizinhos, isto não tem rigorosamente nada a ver com os princípios da economia de mercado ou com o liberalismo. Isto só tem um nome e chama-se: roubo. E ir emprestar dinheiro às pessoas que nos roubaram, sem nada exigir em troca para que isso não se reproduza, a isto chama-se estupidez”.
Senhor Presidente, no país em que o senhor é Presidente, como em toda a Europa aliás, porque a massa da classe política actualmente no poder é toda ela a mesma ao nível das atitudes e dos princípios, é assim que genericamente as pessoas se sentem, isto é, sentem-se materialmente roubadas e intelectualmente de estúpidas consideradas. Um dos muitos exemplos possíveis, vemo-lo agora na Irlanda com o banco Anglo Irish Bank em que, falido, nacionalizado, pelo contribuinte a ser financiado, vem agora declarar que vai dar de bónus este ano 400 milhões de euros. E que responde o Governo de lá? Que vai sobretaxar os bónus do ano que vem! Um outro exemplo vemo-lo aqui e agora, em Portugal, como noutros países e por outros governos socialistas chamados, a permitir-se a antecipação de dividendos para evitar o pagamento de impostos que seriam exigidos para o ano, ou ainda o regime de favor que se criou aos grandes grupos financeiros com a isenção fiscal sobre as mais-valias ganhas com a venda da Vivo pela PT, tudo isto acompanhado por um discurso a nunca esquecer proferido recentemente na nossa Assembleia da República em nome dos grandes accionistas, pelo líder do maior grupo parlamentar, a outros tempos nos fazer lembrados. A lógica é a mesma, o comportamento é o mesmo, e já não é uma questão da direita ou da esquerda que está no poder. Recuando um pouco, na Islândia, enquanto se deixava, como agora na Irlanda, que as grandes fortunas escapassem, defendendo-se a liberdade absoluta dos movimentos de capitais, o governo pedia à Igreja que mantivesse as portas abertas mais tempo, para que as pessoas pudessem pedir auxílio a Deus, chorar, rezar! A lógica é a mesma, o comportamento é o mesmo, e já não é uma questão da direita ou da esquerda que está no poder, é uma questão de quem actualmente está no poder; é, sendo assim, uma crise de valores, uma crise profunda do sistema democrático que está em movimento. Movimento para onde? Lamentável imagem que se dá da democracia. Sobre isso vale a pena lembrar Helmut Schmidt na sua recente entrevista sobre a crise europeia: “Posso dizer que, de uma maneira geral, à Europa faltam dirigentes. Faltam personalidades, à frente dos Estados nacionais ou nas Instituições europeias, que tenham um conhecimento suficiente das questões nacionais e internacionais e que façam prova de uma capacidade de julgamento adequada”.
Senhor Presidente, a crise da dívida soberana portuguesa amainou, o espectáculo oferecido pelos políticos dos dois maiores partidos, esse transitoriamente ao mesmo nível ficou, mas o nosso país, o país de todos nós e que todos nós fazemos, os que trabalham, esse, não parou, nem a roda dentada da História, assim o considerou. Como nos lembra Alice no País das Maravilhas, vai-se sempre para qualquer lado mesmo que para nenhum lado se queira ir. Mas creio, profundamente creio, que eu e que todos nós sabemos que por este caminho que nos estão a impor, o lado nenhum para onde nos estão a empurrar é um verdadeiro desastre nacional onde vai imperar o desemprego e a miséria, senão também a fome e a desestruturação da sociedade portuguesa também.
Senhor Presidente, antes de estalar a crise, dita financeira, esteve toda a Europa sujeita a um tsunami silencioso mas, por definição, poderoso, que é a lógica implacável do neoliberalismo imposta pela classe política no poder e em nome da modernidade. Foram as instituições que durante trinta gloriosos anos animaram o crescimento económico e que eram a base do Estado-Providência que têm sido uma a uma minadas, descaracterizadas, quer ao nível do trabalho, da saúde, da educação, da segurança social, quer da visão global de sociedade e do seu futuro. Foi esse trabalho profundo e subterrâneo que agora nos torna vítima da voragem que os políticos no poder e os grandes financeiros nos querem impor e de que até agora temos sido incapazes, todos nós, de lhes resistirmos e de nos sabermos deles defender.
Senhor Presidente, neste tsunami silencioso que vem de longe, de muito longe como diz o poeta/cantor, nesse tsunami silencioso inscreve-se a reforma de Bolonha do ensino superior, em que com ela, e na minha opinião, a Universidade está lenta mas implacavelmente a ser destruída. Com esta reforma, passámos a considerar as Universidades como o espaço onde não se pode ensinar pouco mais que generalidades e não creio honestamente, por maior que seja o esforço, que neste momento se possa passar para além disso. Onde deixa de haver capacidade de pensar, não pode haver, logicamente, capacidade de se ensinar. Com esta reforma, aí temos a Universidade a transformar-se num deserto de ideias, onde o acto de pensar, reflectir, criticar, argumentar, reconstruir, parece arredado na formação universitária dos jovens; se assim é, ensinar, no verdadeiro sentido da palavra, é agora apenas uma possibilidade virtual. O que desta reforma nos fica é a certeza de que se quer que o ensino represente menos despesas públicas no orçamento do Estado, sacrificando-se com isso a nossa juventude, os nossos filhos e os nossos netos, no altar da redução do défice público. É assim uma luta contra o tempo, é a luta pela compressão do estudo ao tempo mínimo e ao custo mínimo, como se valha mais ter um jovem deficientemente formado e na rua à procura de emprego do que um jovem de profundos conhecimentos capacitado na mesma situação, pois aquele representa um menor desperdício financeiro. Com a reforma de Bolonha, permitiu-se que se generalizasse uma forma de “ensino” mais leve para quem ensina e tem muitas outras ocupações mais rentáveis, mais leve para quem não quer entender que um professor tem a difícil função de apoiar os estudantes na descoberta do mundo que lhes é dado, do mundo que lhes cabe a eles refazer, tem a difícil função de os apoiar a ganharem novas formas de estar e de enfrentar o mundo hostil que lhes estamos a criar, tem a difícil função de estar intelectualmente disponível para os ajudar a que cresçam num profundo espaço de cidadania, a Universidade que desejamos, como cidadãos e como técnicos. Em suma, apoiá-los no seu desejo de transformar o mundo de modo a que a vida lhes confira sentido e, com este, sejam eles a conferir sentido ao mundo que conscientemente desorganizámos! Em vez disto, o que está a ser feito, no reino da facilidade com o processo de Bolonha já instalado, é tornar a vida muito mais leve para aqueles que não ensinamos e não ensinamos agora nem a ler ou a escrever bem nem, muito menos, a estudar bem. Isto é enganá-los, é dar-lhes uma forma de estar na vida pessoal e profissional que esta não comporta. Fornecedora de diplomas de não empregabilidade é o que a Universidade se apresta agora a ser, com o nível de licenciatura, o primeiro ciclo, que fornece.
Passemos um grau acima, passemos aos mestrados. Segundo sinais dos mercados quanto a empregos, e estes sinais valem o que valem, a preferência está a ir para os detentores destes diplomas, a começar pela Assembleia da República. A ser assim, isto significa, com o silêncio e os medos que se estão a abater sobre a sociedade portuguesa, o reconhecimento indirecto mas claro de que as licenciaturas pouco ou nada valem. Simplesmente, sejamos todos honestos. Se não produzimos licenciaturas de qualidade também não poderemos, de modo nenhum, ser capazes de fornecer mestrados de qualidade, porque só se ensina o que os outros são capazes de aprender, e estes, os nossos estudantes, já deixaram de saber o que é profundidade de ensino. Para o fazermos, seria então necessário muito trabalho para contrariar e vencer a redução de capacidades de que a Universidade foi entretanto o produtor exclusivo! A minha ideia e a daqueles que a vão dizendo em surdina é a de que simplesmente muitos dos mestrados estarão a ter um nível inferior ao da própria licenciatura. Não passa de uma ideia, de uma opinião, mas é opinião de quem tem estado desde há muito tempo no terreno, mesmo que esta opinião seja no papel contestada por alguns daqueles que fazem a ciência nos nossos dias e ignorada pela maioria de todos os outros.
A revolução francesa deu-nos uma trilogia: liberdade, fraternidade e igualdade, só conjugáveis duas a duas, o neoliberalismo deu-nos a dualidade, to be or not to be, to have or not to have, e Bolonha, uma reforma organizada no interior do modelo neoliberal, na sua expressão mais forte e mais dura, aplicada à Universidade, leva-nos a uma outra trilogia: to be or not to be, to know or not to know e então to have or not to have. Mas aqui já não se conjugam duas a duas! Vou porém mais longe, quanto ao to know or no to know. Se a dualidade existe, se se verifica esta oposição binária, então garantidamente esta deve-se mais à formação de origem dos nossos alunos do que à qualidade de ensino que as estruturas de Bolonha levaram a ser ensinado, porque com estas estruturas nem elites capazes são possíveis de ser formadas no reino da facilidade agora instalado. Em lado nenhum do mundo as elites podem ser criadas assim e não será agora aqui, com certeza, que se iria operar o milagre. Não o creio. Mas então a pergunta: para que serve esta Universidade? Assim, como a vejo, só lhe vejo um sentido e um muito mau sentido: o de fazer a diferenciação no elevador social pelos diplomas, e a diferenciação nestes pelo dinheiro que se possa ter à partida, ou seja, à nascença. Da licenciatura ao mestrado do mestrado ao doutoramento serão anos a mais e muito mais dinheiro a gastar para exibir esse ticket de modo a poder subir uns andares a mais no referido elevador social que aliás bem mostras tem dado, desde há muito tempo, de estar avariado. Se isto é assim, o que reflecte esta situação? Ou, por outras palavras, o silêncio sobre a sua existência o que representa? A comodidade do nosso silêncio talvez, mas esta deve ser transformada na incomodidade das nossas recusas.
Hoje será a última aula teórica que dou como professor da disciplina de Economia Internacional, na licenciatura em Economia. Vou aposentar-me e não voltarei mais a leccionar estas matérias. Como o disse num outro contexto, saio por opção antes do final do meu contrato, já com anos de trabalho gratuitamente oferecidos ao meu país, saio vencido pela incapacidade de aceitar o que se está a fazer da Universidade e de nem sequer compreender os objectivos de missão que agora lhe estão subjacentes. Sempre me recusei a conviver com o regime de simplificação e de mentalidade que lentamente Bolonha instalou nas nossas vidas e nas nossas próprias subjectividades e não queria deixar esta disciplina sem o sinal de protesto que se me exige como professor, como cidadão, como pai e como avô. Faço-o solicitando que se procure perceber bem o que se passa no nosso ensino superior, faço-o apelando para se que encontrem respostas para os graves problemas da juventude de hoje, e que não seja esta a geração perdida de depois de amanhã, como o assinala a OCDE e o FMI, faço-o para que honestamente se questione que tipo de Universidade é que o país precisa.
Escrevo em má altura, numa altura de fanfarra pelos dados da OCDE, na base de inquéritos feitos em escolas, mas faço-o nesta mesma altura em que é evidente que a maioria dos filhos intelectuais de Sócrates e de Maria de Lurdes Rodrigues que entraram nas Universidades com altas notas a matemática, há três anos, mostram uma pobreza intelectual aflitiva. Dada a identificação pretendida, quer pelo Governo quer pela OCDE, dos resultados de PISA com a política de educação do actual primeiro-ministro, seria de esperar que os alunos que há três anos chegaram às Universidades reflectissem a mesma política de ensino. Mas a ser assim, das três uma: ou a selecção das escolas deformou os resultados, ou os alunos bons foram não sei sequer para onde, pois para as engenharias também não foram, a fazer fé no jornal O Público, que nos diz que uma parcela significativa dos estudantes do IST não faz operações algébricas simples, e nas outras Faculdades ninguém os vê, ou a maioria dos “beneficiados” desta política nunca conseguiram chegar à Universidade a não ser que venham a entrar depois de atingirem 23 anos, e isto mais uma vez de acordo com o espírito de Bolonha e de acordo com legislação aprovada pelo ministro da tutela, Mariano Gago. Independentemente dos resultados e das leituras que sobre estes têm sido feitas, o que se vai vendo, ouvindo e sentindo, é que os alunos de hoje, 2010, não são melhores que os dos anos transactos, dispõem de menos conhecimentos e de uma menor capacidade de aprendizagem, mas vontade de aprender, essa, ainda a têm. Dê-se-lhes tempo e meios e muitos deles poderão ainda vir a ser os técnicos a que socialmente aspiramos. Não os defraudemos, portanto.
Senhor Presidente, nesse sentido lhe deixo aqui, o texto de uma exposição feita em Lisboa sobre a reforma Bolonha, lhe deixo aqui a expressão das minhas angústias quanto ao futuro da Universidade em Portugal. Ironia da história, senhor Presidente, fui seu aluno e nessa época seu crítico fui, na qualidade de estudante, como o foram também Ferro Rodrigues, Augusto Mateus, Carlos Pimenta, Félix Ribeiro, Francisco Soares e tantos outros, com quem se partilhou perspectivas outras de Universidade que a de então mas também necessariamente muito diferentes daquelas com que nos deparamos actualmente. E hoje, de igual modo seu crítico sou, senhor Presidente, por não partilhar da mesma visão do mundo, mas é ao nosso Presidente que agora me dirijo, a si portanto, que venho com esta carta apelar para que se questione seriamente o que é a Universidade de hoje, o que queremos como Universidade de amanhã e, sobretudo, que nos preocupemos seriamente com a nossa juventude. De novo, ironia das ironias, tal como em criança fiz o protesto admissível ao ministro da Educação de então, protesto não divulgável porque estávamos em fascismo, hoje, em democracia, dirijo-me a si, senhor Presidente, fazendo o protesto que me é eticamente exigível , mas agora necessariamente aberto a todas as formas de divulgação que são próprias de quem resiste em nome da cidadania e do desejo de uma sociedade mais justa, mais solidária, mais ambiciosa nos seus projectos, faço-o, porque confio também agora no sistema, confio na Democracia que representa, confio na dignidade do cargo que ocupa e faço-o num momento em que sinto que as Instituições Governamentais estão a ficar de costas voltadas para as grandes missões de interesse público. E nestas está necessariamente, a imposição de não deixarmos que se deixe destruir a juventude de hoje, está a obrigação de tudo fazermos para que esta não se transforme irrecuperavelmente numa lost generation.
Senhor Presidente, parafraseando Thomas Piketty no artigo citado, considero que é urgente que os dirigentes portugueses, assim como todos os dirigentes europeus e todas as Instituições da União Europeia, tenham finalmente a coragem de ter uma visão nacional e europeia solidária e ambiciosa para se sair da crise actual e esta não é só financeira como nos querem fazer crer, esta atinge tudo o que é socialmente significativo na sociedade portuguesa. Comecemos nós por compreender a necessidade da existência dessa coragem.
Consciente de que é necessário perceber a dimensão do desastre que se está a criar e também a dimensão do mal-estar que a muitos docentes está a condicionar, espero, senhor Presidente, que este meu apelo seja entendido e com esta esperança lhe peço que aceite os meus respeitosos cumprimentos.
Júlio Marques Mota
Professor Auxiliar
Faculdade de Economia
Universidade de Coimbra
http://estrolabio.blogspot.com/2010/12/carta-aberta-ao-presidente-da-republica_16.html
Dezembro 21, 2010 at 8:15 pm
Vergonha. Não veta nada e agora deu-lhe para isto!
Dezembro 21, 2010 at 8:16 pm
«Afinal, só veta medidas na área da Educação quando visam uns e deixa passar tudo quando visam outros?»
Nem mais. Por isso, cá em casa até o cão e o gato vão votar Francisco Lopes.
Dezembro 21, 2010 at 8:27 pm
Que os deuses nos acudam que com esta gente estamos como estamos!
Dezembro 21, 2010 at 8:29 pm
#Fernanda 7 e 8.
Lamento, mas serviu a Pátria, andou a defender os interesses estratégicos de Portugal. Um País não é um grupo de meninas.
Quem quer ser independente e contar alguma coisa no mundo, tem de fazer por isso!…
Pobre Povo que tem o destino traçado!… Nem à beira do fim tem um rebate de consciência…
Sabe o que é autodeterminação?
Diga-me lá onde foi feito o referendozinho a perguntar aos descolonizados se queriam ser descolonizados?
Existe uma Carta das Nações Unidas e uma coisa chamada Direito Internacional Público… mas só quando convém…
Dezembro 21, 2010 at 8:41 pm
Ninguém vai ao MURAL do Cavaco dizer-lhe o que pensa?
Dezembro 21, 2010 at 8:49 pm
É um artigo 319.
Dezembro 21, 2010 at 9:09 pm
Na Suíça é assim:
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Reformas-na-Suica-com-tecto-maximo-de-1700-euros.rtp&headline=20&visual=9&article=390426&tm=7
Dezembro 21, 2010 at 9:28 pm
Também aí, o cavaco deve ter interesses instalados.
Dezembro 21, 2010 at 9:29 pm
Telegrama aberto ao Sr Presidente da República:
“Excelência, o país necessita de estadistas cultos e com uma visão para o país. Vá-se embora.”
Dezembro 21, 2010 at 9:39 pm
#32,
Não entendi.
Quem é que andou a servir o quê?
Um referendo aos descolonizados para se saber se queriam ser descolonizados?!?
O Mandela não se lembrou desta.
Dezembro 21, 2010 at 9:45 pm
Estadistas cultos não vão ser fáceis de encontrar. A não ser em caso de guerra. Mas as guerras hoje em dia travam-se nos bastidores da net dos bancos, com lingos. Precisamos de um presidente que perceba de Ajax.
Dezembro 21, 2010 at 9:56 pm
#32
Mário, o Estado Novo teve todo o tempo do mundo para fazer a descolonização. Mas não o fizeram. Preferiram condenar centenas de milhares de jovens a uma guerra impossível de vencer, de onde muitos só saíram mortos ou mutilados.
O objectivo da guerra colonial só poderia ser o de ganhar tempo para gizar um processo de transição política em que todos os interesses em jogo fossem o mais possível salvaguardados. Mas isso não interessou ao Estado Novo, que impôs a sua política de violência e vistas curtas.
Em 1974 já não havia ninguém em Portugal disposto a lutar e a morrer pelas colónias – essa é a realidade.
Não é a culpa de Mário Soares, ou Melo Antunes, ou Rosa Coutinho, ou outro qualquer. Os soldados queriam vir-se embora, e as populações brancas não estavam dispostas a continuar a guerra por sua conta – por isso debandaram assim que deixaram de ter protecção militar.
Dezembro 21, 2010 at 10:39 pm
#40
Meu caro, essa é a sua visão das coisas.
Lamentavelmente é a visão que perdurou do processo de propaganda revolucionária.
Factos: no caso angolano, o exército português já tinha controlo de grande parte do território antes do 25A. Mais: estava já em marcha um movimento independentista que envolvia as elites da população de angola, pretos e brancos, com apoio dos movimentos políticos no terreno e de militares portugueses nativos. Angola estava a um passo de pedir unilateralmente a independência. O 25A apanhou todos de surpresa e deu-se o revés que nós sabemos. E os angolanos nativos, combatentes sob a bandeira portuguesa, foram liminarmente passados pelas armas após a “oferta” de Angola ao MPLA por quem nós sabemos.
Cumprimentos
Dezembro 21, 2010 at 10:50 pm
#41,
Interessante.
Mas a que “movimentos políticos no terreno” se refere?
Dezembro 21, 2010 at 10:58 pm
#42
Deve certamente conhecer: UNITA, MPLA e FNLA. Também existia a FUA.
Contudo, todas elas tinham apoios externos poderosos (com excepção da FUA).
Mas se quer saber mais, investigue. Já lhe dei as pistas.
Cumprimentos.
Dezembro 21, 2010 at 11:07 pm
Enfim, eu não percebo a lógica intelectual que aqui prevalece neste blog. Não veta nada,logo é criticado! Quando ameaça vetar, vá-se embora porque só na educação é q o faz!
Meus senhores, continuem a enfeudarem-se no vosso mundo da Utopia, atirem-se aos privados e continuem a fechar os olhos. Mais cego é aquele que não quer ver do que aquele que não tem olhos!
O ensino privado é um ensino de qualidade como está demasiadamente provado em todos os aspectos. Acordem para o século XXI, ele aí está! Fazer como as avestruzes não é a solução! Querem discutir a existênciados privados? Esgrimam aspectos pedagógicos, falem de qualidade de ensino, gestão, autonomia! Sejam correctos!
Dezembro 21, 2010 at 11:15 pm
#41
Eu não nego que o processo de descolonização não tenha sido trágico para muita gente, e no caso de Angola acabou por ser o prelúdio para uma guerra civil ainda mais longa e mortífera do que tinha sido a guerra colonial.
Como professor de História procuro compreender os acontecimentos passados, sem querer ser parcial e sem ter a preocupação de julgar seja quem for.
Contudo fala-me em factos e no seu texto encontro afirmações generalistas, algumas verdadeiras – o exército controlava a situação em Angola, de facto, ao contrário do que acontecia na Guiné ou em Moçambique – a par de outras que não têm qualquer sustentação. Claro que a independência era reivindicada. Mas era-o de armas na mão. Quando um exército desiste de combater, a única saída é a entrega do poder a quem tem as armas na mão e a disposição de as usar.
Não me parece que a hipótese da independência branca tivesse aqui qualquer oportunidade. Aliás, viu-se no que deu na Rodésia. Além disso, as riquezas do território angolano e a sua extensão faziam deste uma presa irresistível para as superpotências, que apoiavam na sombra os grupos que lutavam pelo poder.
Uma via original para a independência em Angola teria talvez sido possível uns anos antes, por exemplo se Marcelo Caetano tivesse tirado partido da estratégia de Costa Gomes, que enfraquecendo e dividindo os grupos independentistas, criou condições favoráveis, não para a vitória militar, que nunca existiria, mas para negociações corajosas em que todas as partes pudessem sair a ganhar alguma coisa.
Dezembro 21, 2010 at 11:20 pm
# 40
Deixe-se de tretas baratas.
E leve lá o Cavaco consigo…Angola seria uma boa hipótese.
Eles precisam de consultoria na área das aplicações dos $$$ do petróleo.
BPN e tal…..
Dezembro 21, 2010 at 11:24 pm
#44
Ó Aqueu, há por aí abaixo diversos posts em que todos esses assuntos são debatidos.
Nós aqui somos muito respeitadores do ensino privado. Respeitamo-lo tanto e achamo-lo tão superior ao público onde a maioria de nós trabalha que não queremos que ele se degrade recebendo dinheiro do Estado. Afinal, privado é privado!
É que o dinheiro do Estado é dinheiro do contribuinte, e nas democracias avançadas quem paga impostos costuma ter o hábito de começar a querer ver como é que o dinheiro é gasto. Já viu se daqui a amanhã começam também aqui a aparecer “sucateiros”, “robalos”, “buracos” e outras coisas estranhas?…
Dezembro 21, 2010 at 11:27 pm
«Ninguém vai ao MURAL do Cavaco dizer-lhe o que pensa?»
Tempo perdido. Eu vou dizer-lhe é no dia 23 de Janeiro.
Dezembro 21, 2010 at 11:32 pm
#43,
Obrigada pela resposta.
Dezembro 21, 2010 at 11:56 pm
#46
Desculpe, mas não merece resposta.
#47
Evidentemente que o controlo do Estado das receitas gastas em qualquer actividade é uma demanda democrática e absolutamente necessária. Mas, partimos do pressuposto de que isso acontece? Não somos pessoas de bem?
Já agora, o que o Cavaco disse não está, de maneira alguma, relacionado com isto. Há dois sistemas e os dois fazem falta! O dinheiro público deve ser gasto, essencialmente, de acordo com critérios de qualidade! Prefiro gastar o dinheiro em bons hospitais, sejam privados ou não, do que em hospitais menos bons só porque são públicos.
Dezembro 22, 2010 at 12:14 am
De acordo com um relatório da Inspecção-Geral de Educação, no ano lectivo de 2009/2010 foram avaliados 233 agrupamentos e 67 escolas não agrupadas, tendo em conta cinco parâmetros: “resultados”, “prestação de serviço educativo”, “organização e gestão escolar”, “liderança” e “capacidade de auto-regulação e melhoria”.
Questionado pela agência Lusa, o Ministério da Educação revelou que quatro unidades de gestão alcançaram a classificação de “muito bom” nos cinco domínios: Agrupamento de Escolas de Minde (Alcanena), Agrupamento de Escolas D. João II (Santarém), Agrupamento de Escolas Joaquim Inácio da Cruz Sobral (Sobral de Monte Agraço) e Agrupamento de Escolas Grão Vasco (Viseu).
Os resultados da avaliação externa determinam as percentagens de classificações de “muito bom” e “excelente” que cada escola poderá atribuir aos seus professores no âmbito da avaliação de desempenho.
Em termos globais, as escolas sujeitas a avaliação externa em 2009/2010 revelam mais dificuldades na “capacidade de autorregulação e melhoria”, sendo que quase metade das 300 avaliadas não foram além de uma classificação de “suficiente” neste domínio.
Neste último domínio, 3% dos estabelecimentos obtiveram “insuficiente”, 47% “suficiente”, 46% “bom” e 4% “muito bom”.