À conta dos resultados do PISA 2009, aquela parte do Expresso que humedecia cada vez que Rodrigues, Lemos & Pedreira zurziam nos profes está de volta.
Um conselho, em especial àqueles colunistas que foram mesmo jornalistas há muito tempo e que há muito tempo confundem jornalismo com telefonemas, almoços e jantares: façam algum trabalho de campo… descubram que escolas participaram no PISA 2009, comparem com as de 2006 e 2003 e depois digam-me lá se desta vez o ranking médio das escolas não foi mais elevado. Não sou dos que acham que a amostra foi maltratada; pelo contrário, acho que desta vez é que a coisa foi tratada com o devido cuidado. Não são estes resultados que são uma enorme surpresa, talvez os anteriores é que tenham sido abaixo do possível.
Será que Fernando Madrinha, com toda a sua expertise e contactos, não consegue libertar-nos as listas de escolas envolvidas nos últimos PISA? Era um serviço que fazia para conhecermos a sério o que se passa na nossa Educação. Sempre mais útil do que lamentar as perdas simbólicas dos titulares que fez em tempos.
Dezembro 11, 2010 at 12:19 pm
E quem me garante que foram mesmo feitos? Que não foram treinados?
Ler….com muita atenção…fui vou aproveitar o sol morno de Braga..20 graus…
A crítica aos sistemas de avaliação educacionais
Enviado por luisnassif, seg, 02/08/2010 – 08:50
Do Estadão
‘Nota mais alta não é educação melhor’
Diane Ravitch, ex-secretária-adjunta de Educação dos EUA
Simone Iwasso – O Estado de S.Paulo
Uma das principais defensoras da reforma educacional americana ? baseada em metas, testes padronizados, responsabilização do professor pelo desempenho do aluno e fechamento de escolas mal avaliadas ? mudou de ideia. Após 20 anos defendendo um modelo que serviu de inspiração para outros países, entre eles o Brasil, Diane Ravitch diz que, em vez de melhorar a educação, o sistema em vigor nos Estados Unidos está formando apenas alunos treinados para fazer uma avaliação.
Secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação na administração de George Bush, Diane foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para assumir o National Assessment Governing Board, instituto responsável pelos testes federais. Ajudou a implementar os programas No Child Left Behind e Accountability, que tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas em medição e mérito, para melhorar a educação.
Suas revisão de conceitos foi apresentada no livro The Death and Life of the Great American School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), lançado no mês passado nos EUA. O livro, sem previsão de edição no Brasil, tem provocado intensos debates entre especialistas e gestores americanos. Leia entrevista concedida por Diane ao Estado.
Por que a senhora mudou de ideia sobre a reforma educacional americana?
Eu apoiei as avaliações, o sistema de accountability (responsabilização de professores e gestores pelo desempenho dos estudantes) e o programa de escolha por muitos anos, mas as evidências acumuladas nesse período sobre os efeitos de todas essas políticas me fizeram repensar. Não podia mais continuar apoiando essas abordagens. O ensino não melhorou e identificamos apenas muitas fraudes no processo.
Em sua opinião, o que deu errado com os programas No Child Left Behind e Accountability?
O No Child Left Behind não funcionou por muitos motivos. Primeiro, porque ele estabeleceu um objetivo utópico de ter 100% dos estudantes com proficiência até 2014. Qualquer professor poderia dizer que isso não aconteceria ? e não aconteceu. Segundo, os Estados acabaram diminuindo suas exigências e rebaixando seus padrões para tentar atingir esse objetivo utópico. O terceiro ponto é que escolas estão sendo fechadas porque não atingiram a meta. Então, a legislação estava errada, porque apostou numa estratégia de avaliações e responsabilização, que levou a alguns tipos de trapaças, manobras para driblar o sistema e outros tipos de esforços duvidosos para alcançar um objetivo que jamais seria atingido. Isso também levou a uma redução do currículo, associado a recompensas e punições em avaliações de habilidades básicas em leitura e matemática. No fim, essa mistura resultou numa lei ruim, porque pune escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações mínimas.
Qual é o papel das avaliações na educação? Em que elas contribuem? Quais são as limitações?
Avaliações padronizadas dão uma fotografia instantânea do desempenho. Elas são úteis como informação, mas não devem ser usadas para recompensas e punições, porque, quando as metas são altas, educadores vão encontrar um jeito de aumentar artificialmente as pontuações. Muitos vão passar horas preparando seus alunos para responderem a esses testes, e os alunos não vão aprender os conteúdos exigidos nas disciplinas, eles vão apenas aprender a fazer essas avaliações. Testes devem ser usados com sabedoria, apenas para dar um retrato da educação, para dar uma informação. Qualquer medição fica corrompida quando se envolve outras coisas num teste.
Na sua avaliação, professores também devem ser avaliados?
Professores devem ser testados quando ingressam na carreira, para o gestor saber se ele tem as habilidades e os conhecimentos necessários para ensinar o que deverá ensinar. Eles também devem ser periodicamente avaliados por seus supervisores para garantir que estão fazendo seu trabalho.
E o que ajudaria a melhorar a qualidade dos professores?
Isso depende do tipo de professor. Escolas precisam de administradores experientes, que sejam professores também, mais qualificados. Esses profissionais devem ajudar professores com mais dificuldades.
Com base nos resultados da política educacional americana, o que realmente ajuda a melhorar a educação?
As melhores escolas têm alunos que nasceram em famílias que apoiam e estimulam a educação. Isso já ajuda muito a escola e o estudante. Toda escola precisa de um currículo muito sólido, bastante definido, em todas as disciplinas ensinadas, leitura, matemática, ciências, história, artes. Sem essa ênfase em um currículo básico e bem estruturado, todo o resto vai se resumir a desenvolver habilidades para realizar testes. Qualquer ênfase exagerada em processos de responsabilização é danosa para a educação. Isso leva apenas a um esforço grande em ensinar a responder testes, a diminuir as exigências e outras maneiras de melhorar a nota dos estudantes sem, necessariamente, melhorar a educação.
O que se pode aprender da reforma educacional americana?
A reforma americana continua na direção errada. A administração do presidente Obama continua aceitando a abordagem punitiva que começamos no governo Bush. Privatizações de escolas afetam negativamente o sistema público de ensino, com poucos avanços de maneira geral. E a responsabilização dos professores está sendo usada de maneira a destruí-los.
Quais são os conceitos que devem ser mantidos e quais devem ser revistos?
A lição mais importante que podemos tirar do que foi feito nos Estados Unidos é que o foco deve ser sempre em melhorar a educação e não simplesmente aumentar as pontuações nas provas de avaliação. Ficou claro para nós que elas não são necessariamente a mesma coisa. Precisamos de jovens que estudaram história, ciência, geografia, matemática, leitura, mas o que estamos formando é uma geração que aprendeu a responder testes de múltipla escolha. Para ter uma boa educação, precisamos saber o que é uma boa educação. E é muito mais que saber fazer uma prova. Precisamos nos preocupar com as necessidades dos estudantes, para que eles aproveitem a educação.
http://advivo.com.br/blog/luisnassif/a-critica-aos-sistemas-de-avaliacao-educacionais?page=1
Dezembro 11, 2010 at 12:27 pm
Refluxo deste género?
Dezembro 11, 2010 at 12:32 pm
Dezembro 11, 2010 at 12:34 pm
http://exposureroom.com/members/hancock/4286e981db0849e2aadafd63987dfde0/
Dezembro 11, 2010 at 12:37 pm
Antes de ir..vejam e ouçam..os tais que defendem este modelos que esta senhora defendeu e agora chega a interessante conclusão..
http://bulimunda.wordpress.com/2010/12/11/oucam-esta-senhora-city-talk-diane-ravitch-part-1-of-2/
Dezembro 11, 2010 at 12:53 pm
Tal e qual, caro Paulo.
Dezembro 11, 2010 at 1:06 pm
Com a Oposição que se vê (como ontem, p. ex.), com os jornalistas que se lêem, não podemos esperar daí reflexão ou opinão crítica que valha a pena.
Madrinhas, Monteiros e outros que tais, têm uma linha argumentativa já gasta, da qual dificilmente conseguem sair, ou não tivesse sido ela formada, ao longo dos anos, por simples acumulação de lugares e senso comuns.
Para já não falar dos comentadeiros (mais ou menos “reputados” ou “especializados”) que estão em subliminares comissões de spin…
Dezembro 11, 2010 at 1:25 pm
“Não sou dos que acham que a amostra foi maltratada; pelo contrário, acho que desta vez é que a coisa foi tratada com o devido cuidado.”
Discordo total e frontalmente. Mas também acho que para a OP e CS acéfala de sempre, pouca diferença irá fazer a demonstração de que nem tudo o que luz é ouro. E que o mal está feito, agora é aguentar o impactto.
Dezembro 11, 2010 at 4:42 pm
Realmente, é preciso descaramento. Até já atribuem a MLR os exames nacionais e as provas de aferição. Ou alguns jornalistas estão parvos, ou querem fazer-nos de parvos.
Dezembro 11, 2010 at 9:10 pm
Mas o Madrinho é casada com a Madrinha que é uma das girls conhecidíssimas …
COMO É POSSÍVEL UM JORNAL O pERMITIR, estando todos avisados!? Jornalismo de sarjeta.
Dezembro 11, 2010 at 9:17 pm
Pois é!