Existem. Borbulham. Chegam à superfície, porque os ar as impele. Apercebemo-nos dos contornos. Questionamos. É necessário o silêncio. Estratégia, mas não só. Agora anoitece mais cedo e os gatos, mais do que pardos, movem-se com rapidez na escuridão. Ouvem à distância.. Nada é seguro até (o) ser.
Outubro 31, 2010

Outubro 31, 2010 at 8:32 pm
Pois..excelente texto este…coaduna-se..quiçá..
Gritar
Aqui a acção simplifica-se
Derrubei a paisagem inexplicável da mentira
Derrubei os gestos sem luz e os dias impotentes
Lancei por terra os propósitos lidos e ouvidos
Ponho-me a gritar
Todos falavam demasiado baixo falavam e
[escreviam
Demasiado baixo
Fiz retroceder os limites do grito
A acção simplifica-se
Porque eu arrebato à morte essa visão da vida
Que lhe destinava um lugar perante mim
Com um grito
Tantas coisas desapareceram
Que nunca mais voltará a desaparecer
Nada do que merece viver
Estou perfeitamente seguro agora que o Verão
Canta debaixo das portas frias
Sob armaduras opostas
Ardem no meu coração as estações
As estações dos homens os seus astros
Trémulos de tão semelhantes serem
E o meu grito nu sobe um degrau
Da escadaria imensa da alegria
E esse fogo nu que me pesa
Torna a minha força suave e dura
Eis aqui a amadurecer um fruto
Ardendo de frio orvalhado de suor
Eis aqui o lugar generoso
Onde só dormem os que sonham
O tempo está bom gritemos com mais força
Para que os sonhadores durmam melhor
Envoltos em palavras
Que põem o bom tempo nos meus olhos
Estou seguro de que a todo o momento
Filha e avó dos meus amores
Da minha esperança
A felicidade jorra do meu grito
Para a mais alta busca
Um grito de que o meu seja o eco.
Paul Eluard
Outubro 31, 2010 at 8:33 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2010/10/31/a-interpretacao-das-nossas-capacidades/
Porque ás vezes o que parece não é..e ás vezes nem parece nem é…fui..
Outubro 31, 2010 at 8:34 pm
Não há gato que meta medo quando se trata da defesa da liberdade ou da razão.
Outubro 31, 2010 at 8:48 pm
O Paulo aprecia o estilo de Samuel Beckett, não é? Já leu o Molloy?
Outubro 31, 2010 at 8:57 pm
já sei! são os boys!!!
Outubro 31, 2010 at 9:00 pm
Ouvem e lêem.
Outubro 31, 2010 at 9:15 pm
Segundo fontes de alimentação anonimamente identificadas o orçamento está apavorado!
Outubro 31, 2010 at 9:19 pm
“Porque ás vezes o que parece não é..e ás vezes nem parece nem é…fui..”, mas, na maior parte das vezes, o que parece é.
Outubro 31, 2010 at 9:42 pm
Boa prosa. Só falta a parte dos gatos telepatas.
Outubro 31, 2010 at 9:50 pm
O gato é um símbolo de liberdade e de insubmissão
Outubro 31, 2010 at 9:56 pm
Generosidade!
Estou a ver o telejornal na SIC.
Passou uma reportagem a propósito do peditório para a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Já é habitual nesta época do ano. O Dia de Todos os Santos não teria o mesmo significado sem esta angariação de fundos…
Sensibilizou-me a gratidão com que falam os voluntários como se para eles se tratasse. Sensibilizou-me a postura de quem se predispõe a ouvir muitos ‘nãos’. Uns sinceros, outros menos.
Sensibilizou-me a generosidade de quem doou seis cêntimos.
Uma pessoa que dá seis cêntimos, seria capaz de dar seis milhões de euros, se os tivesse.
Uma pessoa que dá seis cêntimos, daria tudo para ver todos felizes.
Uma pessoa que dá seis cêntimos tem a generosidade guardada no coração.
Uma pessoa que dá seis cêntimos é um Anjo na Terra! Bem haja!
É obrigatório colaborar.
Nem que seja com seis cêntimos.
Outubro 31, 2010 at 9:56 pm
Outubro 31, 2010 at 9:57 pm
Consta que os ratos perseguem os gatos.
Outubro 31, 2010 at 10:00 pm
Não sei se esses ratos são mesmo ratos, ou se os gatos não passam de outros ratos.
Outubro 31, 2010 at 10:03 pm
Gato escaldado deveria ter medo de ser escalfado.
Gato escondido com rabo de fora.
A farsa matou o gato.
Outubro 31, 2010 at 10:34 pm
A não perder…
No De Rerum Natura.
Outubro 31, 2010 at 10:45 pm
#4,
Li pouco Beckett.
Ou Ionesco.
Consigo não fazer sentido quase sem inspiração externa.
Novembro 1, 2010 at 12:32 am
Beckett não é para ler.
Novembro 1, 2010 at 12:55 am
Podemos ver as peças de teátro e ficamos com a noção do sentido do absurdo do autor, que é sensível ao viver na solidão. Por exemplo: “En attendant Godot”.
Novembro 1, 2010 at 2:23 am
Beckett ou Ionesco ou os dois juntos são meninos de coro ao pé de Francisco Assis: “Passos Coelho e Sócrates deviam falar mais vezes”.