A língua portuguesa é de “acentuação grave” pelo que, nas palavras com sílaba tónica na penúltima, não há necessidade de acento ( salvo em alguns casos: terminadas em l, r, s ou z, ou ditongos).
As medidas que o Estado português se prepara para tomar não servem para nada. Passaremos anos a trabalhar para pagar a dívida, é só. Acresce que a dívida é o menor dos nossos problemas. Portugal, a Grécia, a Irlanda são apenas o elo mais fraco da cadeia, aquele que parte mais depressa. É a Europa inteira que vai entrar em crise.
O capitalismo global localiza parte da sua produção no antigo Terceiro Mundo e este exporta para a Europa mercadorias e serviços, criados lá pelos capitalistas de lá ou pelos capitalistas de cá, que são muito mais baratos do que os europeus, porque a mão-de-obra longínqua não custa nada. À medida que países como a China refinarem os seus recursos produtivos, menos viável será este modelo e ainda menos competitiva a Europa. Os capitalistas e os seus lacaios de luxo (os governos) sabem isso muito bem. O seu objectivo principal não é salvar a Europa, mas os seus investimentos e o seu alvo principal são os trabalhadores europeus com os quais querem despender o mínimo possível para poderem ganhar mais na batalha global. É por isso que o “modelo social europeu” está ameaçado, não essencialmente por causa das pirâmides etárias e outras desculpas de mau pagador.
Posto isto, tenho a seguinte declaração a fazer:
Sou professor há mais de 30 anos, 15 dos quais na universidade. Sou dos melhores da minha profissão e um investigador de topo na minha área. Emigraria amanhã, se não fosse velho de mais, ou reformar-me-ia imediatamente, se o Estado não me tivesse já defraudado desse direito duas vezes, rompendo contratos que tinha comigo, bem como com todos os funcionários públicos. Não tenho muito mais rendimentos para além do meu salário. Depois de contas rigorosamente feitas, percebi que vou ficar desprovido de 25% do meu rendimento mensal e vou provavelmente perder o único luxo que tenho, a casa que construí e onde pensei viver o resto da minha vida. Nunca fiz férias se não na Europa próxima ou na Índia (quando trabalhava lá), e sempre por pouco tempo. Há muito que não tenho outros luxos. Por exemplo: há muito que deixei de comprar livros.
Deste modo, declaro: 1) o Estado deixou de poder contar comigo para trabalhar para além dos mínimos indispensáveis. Estou doravante em greve de zelo e em greve a todos os trabalhos extraordinários; 2) estou disponível para ajudar a construir e para integrar as redes e programas de auxílio mútuo que possam surgir no meu concelho; 3) enquanto parte de movimentos organizados colectivamente, estou pronto para deixar de pagar as dívidas à banca, fazer não um, mas vários dias de greve (desde que acompanhados pela ocupação das instalações de trabalho), ajudar a bloquear estradas, pontes, linhas de caminho-de-ferro, refinarias, cercar os edifícios representativos do Estado e as residências pessoais dos governantes, e resistir pacificamente (mas resistir) à violência do Estado.
Gostaria de ver dezenas de milhares de compatriotas meus a fazer declarações semelhantes.
* Sobre Paulo Varela Gomes:
Licenciado em história pela Universidade Clássica de Lisboa (1978), mestre em história da arte pela Universidade Nova de Lisboa (1988), doutorado em história da arquitectura pela Universidade de Coimbra (1999). Docente do DARQ desde 1991, professor convidado do Dep. Autónomo de Arquitectura da Universidade do Minho desde 2001, docente convidado de outras universidades portuguesas e estrangeiras. A principal área de investigação e publicação tem sido a história da arquitectura e da cultura arquitectónica portuguesa dos séculos XVII e XVIII.
Mais um esforço! O Pinocrates!? Só se for para não se cagar mais… Que é o mais tem feito com toda a oposição que o tem apoiado! E só por uma razão: salvarem a pele desta cagadeira toda após “revolução” peidal! Foi mesmo… a dos engravatados que já teimam em a deixar de usar! Com receio de que a “guilhotina” as estrague! Pois…
80% dos portugueses diz que governação é “má” ou “muito má”
A contribuir para a queda do PS no Barómetro de Outubro está a análise que é feita da actuação do Governo. Isto porque 80% dos inquiridos definiu como “má” ou “muito má” a governação socialista.
Deste “bolo”, 41% definem mesmo como “muito má” a actuação do Executivo liderado por José Sócrates, um valor que aumentou em 11% relativamente a Junho.
Relevante é que nenhum dos inquiridos avaliou como “muito bom” o trabalho do Governo. Já o “bom” foi apenas dado por 12 % dos inquiridos, o que, mesmo assim, significa uma queda de 8% relativamente à última sondagem. http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1697650
E ele é tão mentiroso e trapaceiro… Mas sem tabus! Mais um esforço… O Pinocrates!? Só se for para não se cagar mais! Que é o mais tem feito com toda a oposição que o tem apoiado! E só por uma razão: salvarem a pele desta cagadeira toda após “revolução” peidal! Foi mesmo… a dos engravatados que já teimam em a deixar de usar! Com receio de que a “guilhotina” as estrague! Pois…
Outubro 29, 2010 at 1:18 pm
“…em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana, e entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram…”
Outubro 29, 2010 at 1:31 pm
…de esforço… em esforço…não é esforço a mais???…
Outubro 29, 2010 at 1:41 pm
#1.
Boa, brincalhão!
Outubro 29, 2010 at 1:42 pm
Gostei mesmo do boneco, Paulo. De quem é?
Outubro 29, 2010 at 3:01 pm
O boneco é o máximo!
Mas tira lá o acento em Sócras ou Socas.
A língua portuguesa é de “acentuação grave” pelo que, nas palavras com sílaba tónica na penúltima, não há necessidade de acento ( salvo em alguns casos: terminadas em l, r, s ou z, ou ditongos).
Sorry.
Outubro 29, 2010 at 3:10 pm
será desta que ele se c_ga?
Outubro 29, 2010 at 3:12 pm
Socras faz muitas promessas.
Socras tem um nariz muito grande…
Se puderem dêem uma olhada no blog dos meus cartoons:
http://cartunesblog.blogspot.com
http://www.zazzle.com/cartune
Obrigado e um abraço.
Outubro 29, 2010 at 3:16 pm
Precisam-se com urgência…
http://porquemedizem.blogspot.com/2010/10/precisam-se-de-3-buicas-com-urgencia.html
Outubro 29, 2010 at 3:20 pm
#7, muito giro!
Podes desenhar uma morcega ?
Outubro 29, 2010 at 3:34 pm
Cartas do Interior, de Paulo Varela Gomes *
No Público
Declaração
As medidas que o Estado português se prepara para tomar não servem para nada. Passaremos anos a trabalhar para pagar a dívida, é só. Acresce que a dívida é o menor dos nossos problemas. Portugal, a Grécia, a Irlanda são apenas o elo mais fraco da cadeia, aquele que parte mais depressa. É a Europa inteira que vai entrar em crise.
O capitalismo global localiza parte da sua produção no antigo Terceiro Mundo e este exporta para a Europa mercadorias e serviços, criados lá pelos capitalistas de lá ou pelos capitalistas de cá, que são muito mais baratos do que os europeus, porque a mão-de-obra longínqua não custa nada. À medida que países como a China refinarem os seus recursos produtivos, menos viável será este modelo e ainda menos competitiva a Europa. Os capitalistas e os seus lacaios de luxo (os governos) sabem isso muito bem. O seu objectivo principal não é salvar a Europa, mas os seus investimentos e o seu alvo principal são os trabalhadores europeus com os quais querem despender o mínimo possível para poderem ganhar mais na batalha global. É por isso que o “modelo social europeu” está ameaçado, não essencialmente por causa das pirâmides etárias e outras desculpas de mau pagador.
Posto isto, tenho a seguinte declaração a fazer:
Sou professor há mais de 30 anos, 15 dos quais na universidade. Sou dos melhores da minha profissão e um investigador de topo na minha área. Emigraria amanhã, se não fosse velho de mais, ou reformar-me-ia imediatamente, se o Estado não me tivesse já defraudado desse direito duas vezes, rompendo contratos que tinha comigo, bem como com todos os funcionários públicos. Não tenho muito mais rendimentos para além do meu salário. Depois de contas rigorosamente feitas, percebi que vou ficar desprovido de 25% do meu rendimento mensal e vou provavelmente perder o único luxo que tenho, a casa que construí e onde pensei viver o resto da minha vida. Nunca fiz férias se não na Europa próxima ou na Índia (quando trabalhava lá), e sempre por pouco tempo. Há muito que não tenho outros luxos. Por exemplo: há muito que deixei de comprar livros.
Deste modo, declaro: 1) o Estado deixou de poder contar comigo para trabalhar para além dos mínimos indispensáveis. Estou doravante em greve de zelo e em greve a todos os trabalhos extraordinários; 2) estou disponível para ajudar a construir e para integrar as redes e programas de auxílio mútuo que possam surgir no meu concelho; 3) enquanto parte de movimentos organizados colectivamente, estou pronto para deixar de pagar as dívidas à banca, fazer não um, mas vários dias de greve (desde que acompanhados pela ocupação das instalações de trabalho), ajudar a bloquear estradas, pontes, linhas de caminho-de-ferro, refinarias, cercar os edifícios representativos do Estado e as residências pessoais dos governantes, e resistir pacificamente (mas resistir) à violência do Estado.
Gostaria de ver dezenas de milhares de compatriotas meus a fazer declarações semelhantes.
* Sobre Paulo Varela Gomes:
Licenciado em história pela Universidade Clássica de Lisboa (1978), mestre em história da arte pela Universidade Nova de Lisboa (1988), doutorado em história da arquitectura pela Universidade de Coimbra (1999). Docente do DARQ desde 1991, professor convidado do Dep. Autónomo de Arquitectura da Universidade do Minho desde 2001, docente convidado de outras universidades portuguesas e estrangeiras. A principal área de investigação e publicação tem sido a história da arquitectura e da cultura arquitectónica portuguesa dos séculos XVII e XVIII.
Outubro 29, 2010 at 3:49 pm
Mais um esforço! O Pinocrates!? Só se for para não se cagar mais… Que é o mais tem feito com toda a oposição que o tem apoiado! E só por uma razão: salvarem a pele desta cagadeira toda após “revolução” peidal! Foi mesmo… a dos engravatados que já teimam em a deixar de usar! Com receio de que a “guilhotina” as estrague! Pois…
Outubro 29, 2010 at 3:49 pm
Sondagem
80% dos portugueses diz que governação é “má” ou “muito má”
A contribuir para a queda do PS no Barómetro de Outubro está a análise que é feita da actuação do Governo. Isto porque 80% dos inquiridos definiu como “má” ou “muito má” a governação socialista.
Deste “bolo”, 41% definem mesmo como “muito má” a actuação do Executivo liderado por José Sócrates, um valor que aumentou em 11% relativamente a Junho.
Relevante é que nenhum dos inquiridos avaliou como “muito bom” o trabalho do Governo. Já o “bom” foi apenas dado por 12 % dos inquiridos, o que, mesmo assim, significa uma queda de 8% relativamente à última sondagem.
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1697650
Outubro 29, 2010 at 3:57 pm
Pois, mas o povo acredita que o PSD vai ser melhor!
ashahahahahah
Outubro 29, 2010 at 3:58 pm
Isto é tudo uma injustiça.
Ele governa tão bem!
Ele veste-se tão bem!
Ele é tão jeitozinho!
E depois o Mundo muda numa semana e volta-se contra ele!
Acho isto profundamente lamentável!
Outubro 29, 2010 at 4:02 pm
E ele é tão mentiroso e trapaceiro… Mas sem tabus! Mais um esforço… O Pinocrates!? Só se for para não se cagar mais! Que é o mais tem feito com toda a oposição que o tem apoiado! E só por uma razão: salvarem a pele desta cagadeira toda após “revolução” peidal! Foi mesmo… a dos engravatados que já teimam em a deixar de usar! Com receio de que a “guilhotina” as estrague! Pois…
Outubro 29, 2010 at 4:30 pm
…promete que se vai embora para nunca mais voltar e deixa o recheio das suas contas bancárias para a AMI, Banco Alimentar entre outros.
Que o diabo o carregue!
Outubro 29, 2010 at 4:56 pm
O governo é bom.
Outubro 29, 2010 at 6:39 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2010/10/29/todos-os-homens-sao-proprietarios-para-ler-e-pensar/
Outubro 29, 2010 at 7:47 pm
#9 Muito obrigado pelo elogio
Acho que sim