anda preocupada com o António Maria Lisboa. Tenho uma morcega hipocondríaca!
| As cinco letras em vidro |
É um estilete de luz
a imensidade de que és feita
e contorna um azul-sonho-neve
igual aos cabelos que descobri a saírem da tua boca
- dos teus olhos de imaginação
- dos teus lábios curvos de aurora.
Saímos
enquanto as pessoas olhavam admiradas o Arco do Triunfo
deixando escorrer dos bolsos fitas e serpentinas
para tudo se passar como no pássaro
para deixar objectivamente escrito
nas margens do rio
do Mar
- o continente submerso
- o navio de todos os amantes
por onde rola a carruagem em que viajamos
pintada de Liberdade e de Poesia
contigo a dormir sobre o meu peito.
POR ISSO EU SENTI SER FÁCIL O SUICÍDIO
FÁCIL E POSSÍVEL.
Fixou-se no muro da tua residência
sobre a porta que se abre ao visitante
um símbolo mágico e de cabala
- a oportunidade do meu regresso
- a história maravilhosa que te direi na viagem.
Procurei
nas folhas espalhadas pelo nosso leito
a recordação do que há-de vir
- apenas no esparso
- no diverso
- no acto simultâneo de defesa
- no viajar de aeróstato incógnito de distância
- na noite mágica
NA PRIMEIRA GRANDE NOITE MÁGICA QUE NÓS
TIVEMOS.
Abriu-se a janela que caminhava sozinha
e saiu um sonho simples de criança:
O METEORO DA TRANSFORMAÇÃO
pousado a um canto o meu Jogo de Cabala
(um montinho de quadrados,
de círculos, de triângulos,
dispostos geometricamente
sobre um tabuleiro grande)
o meu Tratado de Magia Humana
(um caminho de ogivas, um
relógio a dar horas sobre
um túmulo em pé, os postes
magnéticos, os cordões da angústia)
FALO - no Laboratório Mágico ao dar-se a aparição espon-
tânea de Lautréamont e Freud que traziam sobre as
sobrancelhas um corte fino a atravessá-Ias lado a
lado: -
Ao aparecer a mulher escandalosamente
vestida de vermelho
ele dirige-se para a jovem
e os outros passeiam sobre as rochas
onde fica oculto o corpo do homem que chega continuamente
MUDO APONTA O HORIZONTE.
[aml]
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Outubro 26, 2010 at 11:57 pm
Pronto, agora é que ele me apanhou desprevenido.
Eu a poesia, só mesmo com rimas…
Outubro 27, 2010 at 12:03 am
Tem a sua graça …
António Borges nomeado director do Departamento Europeu do FMI
O Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional vai passar a ser dirigido, a partir de Novembro, por António Borges. O antigo vice-presidente do PSD vai substituir no cargo Marek Belka, agora governador do Banco Central da Polónia.
«António Borges oferece uma excelente combinação de sector público, sector privado e experiência académica e provou que tem capacidades de liderança estratégica e organizacional», lê-se numa nota de Dominique Strauss-Kahn.
«Nesta altura crítica, é a pessoa ideal para assumir o trabalho do FMI na Europa», acrescenta ainda o director-geral do fundo, em comunicado citado pelo Jornal de Negócios. 21:59 – 26-10-2010
http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=228344
Outubro 27, 2010 at 12:11 am
“Assim é porventura a sabedoria: vil, esmagadora. O único tempo que lhe pertene deve ser a idade, mas quando dela se aproxima um jovem fascinado que a si mesmo impôs a condição de mensageiro, como se quisesse tocar no gelo, convencido – ele! – de que o calor dos poucos anos poderá fundir o gelo, então o gelo agarra a idiota mão quente, e queima-a.” Herberto Hélder, Equação.
Outubro 27, 2010 at 12:14 am
#2
Também gostei desse poema. De quem é?
Outubro 27, 2010 at 12:28 am
Lindo.
O Poema.
Outubro 27, 2010 at 12:34 am
Não tenho ninguém que faça (assim) Poesia …
É do saturno na Casa V!!! Malvado, o saturno.
Estou lixada.
Outubro 27, 2010 at 1:11 am
#0
toma lá o original:
http://purl.pt/13858/1/imagens/a2c/190_n3-76_0001.jpg
Outubro 27, 2010 at 1:12 am
e gosto mais deste (diz lá à tua morcega…;)
Vírgula
Eu menino às onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que não te fale
feito de resistências e ameaças — Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.
A experiência o contrário da raiz originária aliás
demasiado formal para que se possa acreditar
no mais rigoroso sentido da palavra.
Tanta metafísica eu e tu
que já não acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filósofos
— constitui uma realidade
que não consegue dominar (nem ele próprio)
as forças primitivas
quando já se tem pretendido ordens à vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos Oásis Perdidos.
E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo
e a custo na imensidão da desordem
a que terão de ser constantemente arrancadas
— são da máxima importância as Velhas Concepções pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.
Resulta isto dum olhar rápido sobre a cidade desconhecida.
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como o frágil véu que nos separa vedados e proibidos.
António Maria Lisboa, in “Ossóptico e Outros Poemas”
Outubro 27, 2010 at 10:12 pm
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