Setembro 2010


Nas Cartas ao Director do Público de hoje:

Oferta dos livros escolares no 1.º ciclo

Não quero que a câmara municipal me pague os livros escolares do meu filho. Num período de início do ano lectivo, os srs. presidentes ainda não se aperceberam do ridículo em que caem ao oferecerem livros do 1.º ciclo aos miúdos na presença dos órgãos de informação. com o esbanjamento do dinheiro do Estado um papel de magnânimos do sistema de ensino. Mas nós não queremos que nos paguem os livros. Queremos um sistema de solidariedade social em que o nosso dinheiro seja gasto com critério e em que os livros sejam oferecidos, semipagos ou pagos na íntegra pelos pais consoante os rendimentos familiares. Processo simples de verificar pelas câmaras, uma vez que elas sabem os rendimentos das famílias dos seus concelhos, mediante os pagamentos que os seus cidadãos fazem do almoço escolar. Num período de préentrada do FMI no nosso país, as câmaras parecem que têm dinheiro em excesso e muita falta de racionalidade. Pelo que sr. primeiro ministro pode cortar ainda mais no dinheiro que envia para as câmaras municipais de Portugal.
O que nós queremos das câmaras municipais é que proporcionem escolas aquecidas, alimentação condigna e com apertada vigilância às empresas que as confeccionam.
Queremos, igualmente, um número suficiente de funcionários nas escolas e que só sejam integrados nas escolas após frequentarem acções de formação de educação de crianças e queremos espaços escolares desafogados e com condições para os alunos brincarem em dias de chuva, sem ser nos corredores. Isto é o que queremos no imediato das câmaras municipais. Posto isto, resta o desejo do envio de menos dinheiro para as câmaras e menos olhares para o umbigo dos respectivos presidentes, com discursos redondos em que proclamam, sem reflectir, que as escolas de hoje são muito melhores do que as do tempo deles.

Carlos Augusto M. Ferreira, Cinfães

Embora eu ouse dizer que as coisas andam melhor do que já andaram… Há uns anos atrás havia uns esquemas estranhos entre quem tratava das encomendas de manuais e material escolar com verbas da ASE. Há coisa de uma década ou mais, lembro-me bem de uns problemas, pois numa certa e determinada zona, chegaram a não me aceitar uma encomenda só porque…

À época inquiri a direcção da escola a esse respeito e disseram que iriam investigar. Alguns meses depois saí de lá, não sabendo se chegaram a algumas conclusões…

Desvio de 100 mil € em escola

Caso foi descoberto em Março de 2009 mas as investigações ainda decorrem.

No Correio da Manhã de hoje, Miguel Sousa Tavares faz as declarações que a seguir reproduzo com digitalização do exemplar em papel, para mais tarde recordar:

Notícia completa aqui.

Alguns reparos:

  • MST afirma manter o que afirmou, o que significa que mantém a mentira.
  • Em seguida, MST não parece entender que ofendeu todos os professores e não os seus representantes, que ele abomina, minoritários ou maioritários. Pior do que isso, ele ofendeu em especial aqueles que não se sentem com meios para se defender da ofensa, no mesmo plano que ele dispõe para dizer o que lhe apetece, sem qualquer contraditório.
  • Pela parte que me toca, não quero silenciar MST ou queimar livros, coisa que acho abominável, seja em que termos for. Se tivessem livros de MST para guilhotinar, eu aceitava-os de bom grado. O que detesto é que MST minta e, mesmo quando chamado a atenção, prefira manter a mentira. Que fale á vontade mas, se possível que se informe e não diga falsidades.
  • É minha opinião, e aqui baseio-me na minha intuição, alicerçada nos anos de leituras das crónicas de MST, que ele tem mesmo um problema de base com os professores e não meramente com a sua avaliação, que ele pensa ser feita por testes (outro disparate). Aliás, a avaliar pelas suas afirmações, o problema dele é com os salários dos professores, muitos dos quais ganham uma pequena parte do que MST ganha, mas para ensinar, não para perorar semanalmente sobre o que não entende, nem se informa.

… pois já dominam o F*** You e o Suck My D*** (ou T****, que as miúdas também não se acanham) a caminho das aulas e ou se finge que não é nada (entre 93,4% e 98,7% do pessoal docente) ou então fazemos parte da minoria que ainda os espanta por reagir.

Crianças dizem mais palavrões cada vez mais cedo

Tomar Uma Vida, O Que Resta Dela

Eels, That Look You Give That Guy

Segundo Isabel Alçada “pessoas qualificadas” consideram que a formação nas Novas Oportunidades é equivalente ao ensino regular. A Ministra da Educação garante que as Novas Oportunidades são uma “oferta de qualidade”.
Ah! Pois é!
.
RTP- Isabel Alçada garante que a falta de funcionários (Assistentes Operacionais) será resolvida.
0:44 TVI- Estado vai pagar 3 Euros brutos por hora a funcionários a contrato a prazo, não podendo exceder as 4 horas de trabalho por dia.
Isto vai ser uma correria aos lugares…

Repescando este comentário:

Apetece-me partilhar o que sinto.
Será que as aulas introduzidas este ano de enriquecimento curricular,no meio das aulas curriculares, estarão a decorrer bem de norte a sul?
Que cansaço!..
Que tortura!..
Que inferno!..
Mas a OCDE não pode cá mandar uns rapazes ou raparigas para ver o estado em que a coisa chegou?..
Ando com vontade de fazer um filmezinho sobre um dia de aulas num TEIP, com o novo modelo de AECS pelo meio das aulas, e espetar com ele no Youtub.
Um TEIP que tem na escola mais problemática do 1º ciclo apenas 1 prof de apoio. Prof de ensino especial, é uma miragem. Ou não chegam, ou adoecem.. Tudo para os titulares de turma.
A rapazeada não pode ver o trabalho à frente. Tento convencê-los o dia inteiro da importância de saberem mais, mas não resulta muito.
Quando os tento acalmar e fazer um trabalho sério, lá se vai tudo. Acabou de chegar o prof de hip-hop.. Berros espojamentos no chão…
Eu tento retirar-me para um canto da escola para esperar e entrar novamente em cena,e acabar uma aula de matemática que tinha iniciado pela manhã, e eis que me deparo com uma luta de um jovem de 9 anos que já tinha batido numa empregada e tinha acabado de atirar ao chão 4 ou 5 cadeiras.
Chamada a polícia, esta coincidiu com a entrada dos meus infantes que regressavam da sua aula de hip-hop. Fascinados pelo cenário tb quiseram assistir. Difícil, foi convencê-los que tinham que subir para a sala, para concluir a aula anterior.
Mas, eis que chega a professora de dança, que só hoje se apresentou e leva-os, para terem a sua primeira aula. Hoje não dançaram, foi apenas apresentação.
Eu humildemente, retirei-me e procurei o cantinho da escola que tinha procurado, na aula anterior, quando do hip-hop.
Mas esta aula de dança, como a aula de teatro, como a de expressões fazem parte de um outro projecto da escola, e os professores são obrigados a estarem presentes e a interagir. Subi e instalei-me na minha cadeira, a tentar descansar um pouco, visto ser apresentação. A aula de dança acabou, mas tinha o Apoio ao Estudo. A hora ia avançada, e aqui a rapazeada olhou-me, implorou-me: _Professora, nós estamos cansados. Eu li nos olhos deles, que aquela hora não podiam estar de outra maneira. Eu tb estava estourada. Não conseguia fazer mais nada!
Quanto ao que devia ter feito e não fiz, o problema não é meu. Dos alunos tb não.
Foi pouquíssimo o que consegui fazer hoje.
Quem sabe se amanhã não consigo acabar a aula de hoje…
Se não acabar ficará para o próximo dia. Eu irei lá estar todos os dias em príncipio..
Horas de apoio na sala? 2h 50 m semanais.
De referir que estou a falar de uma turma de 4º ano, com níveis de aprendizagem que passam pelo 1º, 2º, 3º e 4ºanos. Dois dos alunos são de Ensino Especial.
Possivelmente, quem ler isto, pensará que estou a inventar. É pura verdade e passa-se numa escola portuguesa.
Amanhã há outro dia e o sol nascerá de novo.
Só peço que o possa ver nascer. Isso será o mais importante.
Quanto a fazer coisas sérias e com alguma qualidade, faz parte do passado. Esse já não volta..

Luana

Enquanto uma certa aliança entre encavalitados e distraídos faz que não vê TV, ainda há quem reaja:

Miguel Sousa Tavares mentiu! Há jornalistas na SIC? E direcção de informação?

No caso dos distraídos até se compreende: afinal as conquistas foram tantas que agora é difícil não se envaidecerem quando um dos maiores pitonisos da Nação fala em capitulação do ME perante os sindicatos e até nomeia a alma-mater e pater.

Talvez por aqui, e que se lixe se estou enviesado, se nota quem sente as dores como suas e quem apenas reage de forma instrumental ou encavalitada.

Irish Government Faces Test

As it faces mounting challenges in the banking system, the economy at large and international bond markets, Ireland’s government faces a struggle for its own survival when parliament reconvenes Wednesday after a 12-week summer break.

While struggling to retain the confidence of bond investors, the government in the days to come will receive the Central Bank of Ireland’s most recent estimate of the cost of restructuring nationalized Anglo Irish Bank Corp.

But the government faces another battle: to maintain its majority in the Dail, the nation’s parliament, as it prepares for further budget cuts that it plans to announce in its Dec. 7 budget. It seems increasingly likely that the government will lose its majority in the early months of next year, and that voters will have to choose a new administration.

(continua…)

Numa revisão rápida dos debates-conversa de ontem e noticiários de hoje sobre os problemas financeiros cá do burgo, ouvi declarações especializadas e muito importantes de gente como Eduardo Catroga, Ernâni Lopes, Mira Amaral, Miguel Frasquilho, Miguel Beleza, Miguel Cadilhe (ena, tanto Miguel… mais o outro), etc, etc, etc, tudo gente sem qualquer responsabilidade em nada neste país, que nunca exerceram cargos na área da Economia e Finanças, que nunca tiveram a ver com nada de nada, que sempre lutaram contra os défices, as despesas públicas e os bichos-papões.

Vão-se catar.

… graças a muita gente…

(c) Maurício Brito

Amigo, talvez vá a Viana a não muito longo prazo… Tudo depende do endurance

Chavistas com mais deputados no Parlamento mas com menos votos

(…)

Àquela hora, a aliança formada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), pelo Partido Comunista e pela União Popular contavam 95 deputados. A Mesa da Unidade Democrática (MUD), que agrega 32 partidos da direita à esquerda, somava 61. E o Pátria Para Todos (PPT), aspirante a terceira via, dois. Os resultados finais haveriam de ficar nos 98-65-2.

“Foi uma longa jornada e obtivemos uma sólida vitória”, escrevia Hugo Chávez, na sua conta de Twitter @chavezcandanga. “O suficiente para continuar a aprofundar o socialismo bolivariano e democrático.”

Um tanto eufórica, a oposição exigia ao Conselho Nacional Eleitoral que divulgasse o números de votos de cada um dos blocos. Na mesma sintonia, diversos analistas questionavam: “Afinal, quem ganha as eleições?; Quem obtém mais votos ou quem obtém mais deputados?” Já durante o dia, jornais como El Universal pegavam nas listas de voto para anunciar que a MUD somara 5.448.864 votos válidos, a aliança PSUV, Partido Comunista e União Popular 5.259.998 e o PPT 330.260.

Isabel Alçada chamada a explicar arranque do ano lectivo

A Comissão Parlamentar de Educação aprovou, com os votos favoráveis da oposição e a abstenção do PS, a audição da ministra da Educação, para que explique os problemas registados no arranque do ano lectivo.

Silva Pereira acredita na viabilização do Orçamento para 2011 com o PSD como “parceiro natural”

E volta o tango?

Graças ao Arlindovsky:

Ponto de Situação da Oferta de Escola

Pena que o ideólogo da coisa tenha mandado fazer 16, mas depois eu fotografo a minha. Isto é que era capaz de dar um happening engraçado:

Olá Paulo,

Mandei fazer umas T-shirts pretas com letras brancas “PODEM LIMPAR AS MÃOS À PAREDE”.

No 5 de Outubro, pelo menos com um dos meus filhos, vou passar pela Praça do Município de Lisboa, com elas vestidas. A mensagem é suficientemente neutra para não ser tida como a favor desta ou daquela facção.

Pensei que poderias querer uma T-shirt dessas. Como nunca te ofereci nada, indica uma morada, ou apartado para te enviar um exemplar.

Até pode ser utilizada noutro contexto qualquer (Sporting, autarquia, selecção nacional, ministros, sindicatos…).

Abraço

Helder C.

Até porque o interesse dos fenómenos é inversamente proporcional entre si.

Ex-ministra troca inflação por felação

Durante um programa de televisão emitido no sábado pelo Canal+, a ex-ministra da Justiça francesa Rachida Dati trocou acidentalmente a palavra “inflação” por “felação”. Ontem, em declarações à rádio RTL, a eurodeputada justificou-se dizendo que “falou um pouco depressa de mais”. Dati não perdeu o sentido de humor e afirmou que, pelo menos, o engano serviu para “fazer rir toda a gente”.

A MENTIRA (é uma) CONSTANTE DE (em) MIGUEL SOUSA TAVARES

M.S.Tavares pronunciou-se na SIC, no dia 27 de Setembro, sobre o “acordo de princípios” assinado, em Janeiro, entre os professores e o Ministério da Educação. Sousa Tavares está no direito de emitir os juízos que bem entender. Não devia porém, pelo respeito à sua deontologia profissional, recorrer a mentiras – talvez resultantes da preguiça de não recolher informação fidedigna.

De facto, no processo de avaliação de desempenho que o ME impôs às escolas – e que continua a merecer o desacordo da FENPROF – os docentes (professores e educadores) não terão todos “muito bom e óptimo” (sic!). Como em todos os serviços da Administração Pública, 5% terão Excelente e 20% Muito Bom. Bastaria que o M.S. Tavares, no respeito pela profissão de jornalista, se desse ao trabalho de ler a legislação que, alegadamente, pretende combater.

Também é falsa a sua afirmação de que “passam a ganhar todos mais automaticamente”! Decorrente daquele acordo por que os professores muito lutaram, todos poderão atingir o topo da carreira – e essa foi uma importante vitória dos professores –, mas tal acontecerá com ritmos diferenciados e excessivamente lentos: demorarão, regra geral, 36 anos a atingi-lo! (Recorde-se que, pelo estatuto de 1998, o topo se atingia com 26 anos de serviço e que a média, na OCDE, é de 24 anos). Não é, de resto, verdade que tenham passado todos a ganhar mais, para além de não serem automáticas as progressões na carreira, pois dependem de avaliação e formação contínua.

Como todas as discussões, também esta só faz sentido se os interlocutores assumirem uma atitude séria e intelectualmente honesta. Sempre que fala de professores, M.S.Tavares revela-se incapaz de assumir tal atitude. O que é lamentável…

O Secretariado Nacional da FENPROF
28/09/2010

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