Nas Cartas ao Director do Público de hoje:

Oferta dos livros escolares no 1.º ciclo

Não quero que a câmara municipal me pague os livros escolares do meu filho. Num período de início do ano lectivo, os srs. presidentes ainda não se aperceberam do ridículo em que caem ao oferecerem livros do 1.º ciclo aos miúdos na presença dos órgãos de informação. com o esbanjamento do dinheiro do Estado um papel de magnânimos do sistema de ensino. Mas nós não queremos que nos paguem os livros. Queremos um sistema de solidariedade social em que o nosso dinheiro seja gasto com critério e em que os livros sejam oferecidos, semipagos ou pagos na íntegra pelos pais consoante os rendimentos familiares. Processo simples de verificar pelas câmaras, uma vez que elas sabem os rendimentos das famílias dos seus concelhos, mediante os pagamentos que os seus cidadãos fazem do almoço escolar. Num período de préentrada do FMI no nosso país, as câmaras parecem que têm dinheiro em excesso e muita falta de racionalidade. Pelo que sr. primeiro ministro pode cortar ainda mais no dinheiro que envia para as câmaras municipais de Portugal.
O que nós queremos das câmaras municipais é que proporcionem escolas aquecidas, alimentação condigna e com apertada vigilância às empresas que as confeccionam.
Queremos, igualmente, um número suficiente de funcionários nas escolas e que só sejam integrados nas escolas após frequentarem acções de formação de educação de crianças e queremos espaços escolares desafogados e com condições para os alunos brincarem em dias de chuva, sem ser nos corredores. Isto é o que queremos no imediato das câmaras municipais. Posto isto, resta o desejo do envio de menos dinheiro para as câmaras e menos olhares para o umbigo dos respectivos presidentes, com discursos redondos em que proclamam, sem reflectir, que as escolas de hoje são muito melhores do que as do tempo deles.

Carlos Augusto M. Ferreira, Cinfães