.. não é, amigo Reitor, o sistema anglo-saxónico, da liberdade de escolha, que é a salvação e o caminho para o Paraíso educacional dos pobrezinhos?
Working-class revolution not reaching ‘posh’ universities
Does your social class decide if you go to university?
Setembro 28, 2010 at 10:49 am
Alguém sabe (ou como procurar) os dados portugueses equivalentes aos do Reino Unido? Aí, os estudantes das classes sócio-económicas 4,5,6 e 7 (genericamente working class) representam 32,3% do total, lê-se no artigo do Guardian.
Setembro 28, 2010 at 11:00 am
Bom dia meu caro.
Acho que já não teremos salvação. Estamos condenados.
Mas há outros que chegam ao paraíso. Tens razão. Vê o caso da Claire Lucas! Pai caminonista e mãe dona de casa. Um caso de sucesso de uma pessoa que escolheu uma das melhores universidades do mundo.
“The only definition of posh where we grew up was being clever. I didn’t even contemplate the impact that [social class] would have when I got here,” says Lucas, who is now a year into her DPhil at St Cross College after completing her degree at Worcester College.
Setembro 28, 2010 at 11:19 am
Sorry but my live is not like you describe, all that is not true. I’m lost I d’ont have money to pay the college. I give up.
Setembro 28, 2010 at 2:55 pm
Desde quando é que os pobres puderam escolher?
Setembro 28, 2010 at 4:22 pm
este post saiu assim um bocado ao estilo BE não?… Relevante no artigo parece-me ser, como diz a Menina da reportagem: “The only definition of posh where we grew up was being clever”
Não foi com o nosso rumo ao socialismo constitucional que evitámos ser um dos Paises mais desiguais da Europa e onde a mobilidade social é das piores da OCDE:
http://www.ionline.pt/conteudo/48975-portugal-os-piores-educacao-dos-pais-limita-salario-dos-filhos
Setembro 28, 2010 at 4:29 pm
O meu filho quer é ir para o licheintein onde com 18 anos e o 12º ano vai ganahr lkimpos 2500 euros e com emprego certo por dois anos, quero lá saber da treta dos estudos superiore;isso é para aqueles que nada sabem fazer nem produzir.
O dono da Microsoft precisou deles, o do Facebook e o Sousa Cintra também?
Os estudos foi algo que os burgueses inventaramm para entreer os putos a ver se os mesmo ficavam domnesticados e mais nada.
Setembro 28, 2010 at 4:35 pm
Não faço a mínima ideia onde o pessoal foi buscar esta da “liberdade de escolha” das escolas. A menos que seja o tipo de “liberdade de escolha” que o nosso sistema de ensino actual permite: dar outra morada, a escola escolher maioritariamente os seus alunos ou os alunos frequentarem colégios ditos privados que são públicos (somos dos países do mundo com mais “privado”!!!).
Setembro 28, 2010 at 4:59 pm
Manyfaces disse:
“Este post saiu assim um bocado ao estilo BE não?…”
Pior. Saiu estilo MRPP. Revolução socialista já!
É por isso que é um prazer ler o Umbigo. O Paulo presenteia-nos com múltiplos pontos de vista. Tanto bate nas teses alegadamente igualitaristas ao nível da educação (não podemos confundir desigualdades de oportunidades com a obrigatoriedade de obtenção de resultados homogéneos no final do processo, não podemos prejudicar duplamente os deserdados do sistema, blá, blá), como hoje se admira que no Reino Unido os filhos das classes trabalhadoras estejam subrepresentados, especialmente nas universidades de maior prestígio. Ó meu caro, mas por onde tem andado? Isto sempre foi assim em todo o mundo, embora com maior prevalência em determinados sistemas sociais do que em outros. Isto sucede tanto em sistemas que em que não existe liberdade de escolha como aqueles em que existe (não sei muito a que se refere quando estamos a falar de ensino superior). O que artigo que linkou não diz é que a Claire Lucas vai andar a pagar o seu curso durante vários anos depois de começar a trabalhar, caso tenha pedido um empréstimo para pagar as propinas que foram substancialmente elevadas no governo de Tony Blair.
Por outro lado, o que o Many faces diz é absolutamente verdadeiro: não só somos um dos países mais desiguais da Europa, como somos um dos que limita mais a ascensão social. Como se resolve este problema não sei. O que sei é que o actual sistema não resolve. E a escola é um dos principais veículos onde as desigualdades sociais se fazem mais sentir. Se não podemos pedir à escola que resolva problemas estruturais da sociedade, nomeadamente os da desigualdade social, talvez possamos pedir-lhe que não os agrave ou mantenha. Mas nem isso ela faz. Tanto aqui como nas terras de sua majestade.
Setembro 28, 2010 at 5:33 pm
…
Afinal não são treinadores de bancada.
São barómetros políticos portatels.
Setembro 28, 2010 at 6:33 pm
#5 Manyfaces
Não foi com o nosso rumo ao socialismo constitucional…
Caríssimo Amigo
Já parece a Joana com medo do papão. Então vê o PPD/PSD ou o PS ou o CDS, partidos que têm ocupado o poder desde 1976 a fazer avançar Portugal para o socialismo rapidamente e em força? Não estará a ver o filme ao contrário. Se há uma direcção do movimento, essa é rumo ao capitalismo (ou à desordem capitalista, se preferir). Respeito opções ideológicas, mesmo essa manta rota que dá pelo nome de liberalismo, mas ligeireza nas palavras, caracterizando a realidade de forma propositadamente adulterada, isso é uma coisa diferente, que não estava nas minhas contas que Manyfaces fosse capaz de fazer.
Setembro 28, 2010 at 6:37 pm
Mas mesmo não havendo a liberdade de escolha se constata o mesmo. Segundo o estudo “Estudantes à Entrada do Secundário” elaborado pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação Ministério da Educação “a análise do impacto das origens sociais dos alunos no seu percurso escolar é uma vertente de pesquisa que há muito tem ocupado a sociologia e as ciências da educação. Diferentes são os autores que de uma forma ou outra analisaram esta questão, chegando à conclusão que tende a existir uma relação estreita entre, por exemplo, o desempenho escolar dos alunos e o capital escolar ou estatuto profissional das famílias”.
Ver em:
http://www.gepe.min-edu.pt/np4/?newsId=364&fileName=estudantes_entrada_secundario.pdf
Setembro 28, 2010 at 6:50 pm
#10 caro António, quando falo em socialismo não falo só do PS. O PSD de liberal tem tido pouco ou nada desde 74. Quando falo de socialismo falo das grandes e falidas criações como o SNS e o pensionismo geral do estado (criações conjuntas do PS+PSD), aquilo que agora se decidiu chamar de “estado social” e que hoje se vem demonstrar que não serve para igualizar socialmente nem para melhorar a mobilidade social. E como sabe eu defendo um estado que tenha preocupações sociais mas essas não passam por assegurar reformas acima de 2kEUR que serão pagas pelos meus filhos, subsidios de desemprego quase iguais ao salário mínimo, e outras mordomias do género. Isso não é o um estado social que se preocupe com quem de facto precisa, isso é a mama nacional em toda linha…
Setembro 28, 2010 at 7:20 pm
#8,
Admirado?
Eu?
Pelo contrário…
O que sei é que quanto mais “liberal” o sistema, mais livres são as práticas discriminatórias e de restrições ao acesso a certos ambientes.
Quanto mais “estatista”, mais dele fogem muitos dos seus defensores teóricos mas que são “posh” na alma.
Até podia aqui incluir detalhes autobiográficos e tal, mas depois era obrigado a descrever as práticas inquisitoriais de um certo vulto da “esquerda” igualitarista sobre a origem social dos seus alunos e como depois os dividia por “categorias”, favorecendo – hélas! – de preferência as garinas de apelido sonate ou família abastada.
Enfim…
Isto não tem cura, mas não é por causa de nenhum “ismo” que não seja o egoísmo.
Setembro 28, 2010 at 7:22 pm
#2
1.Reitor, estamos condenados, em grande medida, por estarmos a pagar as facturas das receitas neoliberais, sócretinas ou outras.
2.Defender uma tese a partir da generalização de um caso – nem chega a ser um argumento…
Não consegue melhor?
Setembro 28, 2010 at 7:46 pm
#12 Manyfaces
Por aquilo que já afirmou, por já ter estado próximo de uma formação política que se apresentou como marxista em Portugal em anos passados, sou levado a crer que não ignora a pedra de toque de qualquer regime que se reclame do socialismo: exercer o controlo da produção nacional, se for necessário apropriando-se dos meios de produção, a começar pelos meios financeiros, isto é, a banca. Parece, contudo, ter relaxado os seus critérios, preferindo catalogar agora como socialista iniciativas do estado voltadas para a garantia da saúde, da segurança social e da educação. Por esta nova óptica, todo e qualquer país social-democrata também seria socialista. Deixa cuidadosamente na sombra a privatização das empresas que já foram públicas e rentáveis para o estado, que continuam a ser rentáveis, mas para os privados. Peço desculpa, mas não consigo incluí-lo na categoria dos comentadores distraídos que dão provas de desconhecerem os limites dos conceitos e se divertem a esticá-los conforme o que for mais ajustado às opções do momento. Nesta matéria, não lhe concedo, pela cultura geral de que já deu provas, o direito ao desconhecimento. Daí a minha perplexidade.
Setembro 28, 2010 at 7:58 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2010/09/28/a-musica-ideal-para-os-manys-reitores-ultraliberais-e-tais/
Setembro 28, 2010 at 7:59 pm
“Os dados do PISA parecem assim indicar que, dentro dos condicionalismos sócio-económico-culturais existentes em Portugal, a escola portuguesa realiza uma acção meritória, designadamente na sua capacidade de valorizar a aprendizagem dos alunos, sobretudo quando estes têm um ESEC mais desfavorável. O PISA 2006 apresenta um quadro comparativo entre 4 países onde estes factores estão sintetizados (gráfico 8).
Setembro 28, 2010 at 7:59 pm
Isto porque no fundo estes ditos superultraliberais denotam todos um..
http://bulimunda.wordpress.com/2010/09/28/o-vazio-da-pressa-e-do-dinamismo-2/
Setembro 28, 2010 at 8:05 pm
(cont. de #8)
Se Portugal tivesse um desnível na relação entre resultados e o meio socio-económico-cultural (inclinação do traço preto) como, por exemplo a Inglaterra, os resultados finais seriam seguramente bastante piores. Parece admissível considerar que, neste caso, a escola portuguesa intervém bastante melhor do que a sua congénere inglesa.”
http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/rle/n13/13a04.pdf
Setembro 28, 2010 at 8:06 pm
ESEC (Estatuto Sócio-Económico e Cultural)
Setembro 28, 2010 at 8:10 pm
#1 (Resposta parcial ao meu comentário)
Embora a nível diferente, o documento linkado no comentário #11,
“Estudantes à entrada do nível secundário de ensino”
http://www.gepe.min-edu.pt/np4/?newsId=364&fileName=estudantes_entrada_secundario.pdf
diz na página 30:
«Por profissão (Gráfico 1.12), constata-se que os familiares/responsáveis dos alunos pertencem sobretudo ao Grande grupo de Profissões “Operários, Artífices e Trabalhadores Similares” (23,9%), “Pessoal dos Serviços e Vendedores” (16,2%), “Especialistas das Profissões Intelectuais e Científicas” (15,1%), “Quadros Superiores da Administração Pública, Dirigentes e Quadros Superiores de Empresas” (12,3%) e “Técnicos e Profissionais de Nível Intermédio” (10,6%).»
Setembro 28, 2010 at 8:13 pm
Há coisas que irritam mesmo.
Mas qual é o espanto da menina Claire ter tido sucesso com pai camionista e mãe dona de casa??
Quantos portugueses não andam aí que vieram de famílias humildes e conseguiram prosseguir estudos e ter outro tipo de vida?
E não o conseguiram por terem escolhido a escola onde andaram, pois não?
Caramba, cambada de gente ignorante.
Setembro 28, 2010 at 8:14 pm
Mas, apesar da “escola portuguesa realizar uma acção meritória, designadamente na sua capacidade de valorizar a aprendizagem dos alunos, sobretudo quando estes têm um ESEC mais desfavorável”, mantem-se na sociedade portuguesa uma discriminação na fase do acesso ao mercado trabalho, pelas razões que sobejamente conhecemos.
Setembro 28, 2010 at 8:30 pm
Corrijo.
Em #19 queria dizer … # 17 (e não #8)
Setembro 28, 2010 at 8:36 pm
Se, como o PG diz “quanto mais “liberal” o sistema, mais livres são as práticas discriminatórias e de restrições ao acesso a certos ambientes”, imagine-se o Ensino em Portugal com uma cultura instalada de feudos & famíglias Ldas (…)
Setembro 28, 2010 at 8:39 pm
Nem mais Desvio a minha mulher é professora associada em Química e a mãe é analfabeta e o pai tem a 4ª classe..e eu tinha os pais com a 4ªclasee licencie-me…na escola pública..tretas…agora que o ensino antigamente era outra coisa..lá isso era…público era sinónimo de bom…e nunca o escondo…tenho aliás orgulho em o dizer…!
Setembro 28, 2010 at 8:40 pm
Digo..e os meus pais têm a 4ª classe e eu licenciei-me…
Setembro 28, 2010 at 11:21 pm
#15 Caro António, sem querer fazer o histórico do socialismo, reconhecerá que esse socialismo do controlo completo do estado e da produção já está fora da equação de todos os actuais partidos socialistas Europeus. Era um socialismo marcadamente marxista que hoje ainda resiste na orbita do BE, PC e pouco mais…. Esse socialismo está já tão distante de qualquer realidade actual que é até curioso notar o desinteresse pelo real exercício do poder que esses partidos demonstram. Eles são marxistas de coração (e não o admitem abertamente) mas sabem que o Marxismo falhou o teste da realidade (sintomático o incómodo sentido pelo BE quando teve de admitir que defendia a re-nacionalização de várias empresas)… O socialismo original como que entrou na clandestinidade e hoje já nem se assume como ideologia de poder (o que não deixa de ser lamentavel quando em Portugal ainda representa quase 20% dos eleitores). Quando falo de socialismo refiro-me obviamente aquele que tolerou o capitalismo na esfera privada, por lhe ser conveniente o crescimento económico que ele proporcionou na segunda metade do sec XX, mas que continua a achar que o estado tem o direito e dever de consumir grande parte dos recursos da economia, de regular e cobrar impostos sobre tudo o que se mexa, de cuidar da saude e da educação de todos, até daqueles que não precisariam desse cuidado paternalista para nada… enfim, é essencialmente o que temos em Portugal após 35 anos de democracia e que convenhamos é hoje em dia completamente impossivel de distinguir duma social-democracia. Por isso quando falo de socialismo é disto que falo: da sua versão light…
Setembro 29, 2010 at 7:41 am
…esse socialismo do controlo completo da produção pelo estado…
A palavra “completo” está a mais (esticando o conceito).
O argumento da “moda”, ainda que na sua forma negativa, “fora de moda”, serve para todas as “maria vai co’ as outras”. A produção definha, os campos ficam desertos de agricultores, as pescas entregues a frotas espanholas, a indústria fecha as portas: estas são as questões por resolver.
Setembro 29, 2010 at 10:09 am
Os meus pais tinham a escolaridade obrigatória. Eu licenciei-me. Gostei muito do liceu, especialmente do 6.º e 7.º anos.
Setembro 29, 2010 at 10:11 am
#21 (continuação)
São estes os dados essenciais da tabela 12 de
http://www.gpeari.mctes.pt/archive/doc/Inscritos_InformacaoSocioEconomica_vf.pdf
“Tabela 12: Alunos inscritos no 1ºano pela 1ªvez e total de alunos inscritos por profissão dos pais”
(Percentagens do total de alunos por profissão do pai e da mãe)
- Quadros superiores da Administração Pública, dirigentes e quadros superiores de empresa 2,9% (pai), 1% (mãe)
- Especialistas das profissões intelectuais e científicas 2,6%,1%
- Técnicos e profissionais de nível intermédio 3,2%, 3%
- Pessoal administrativo e similares 1,8%, 1%
- Pessoal dos serviços e vendedores 3,2%, 2,9%
- Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas 0,8%, 4%
- Operários, artífices e trabalhadores similares 3,4%, 1,7%
- Operários de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem 1,1%, 0,3%
- Trabalhadores não qualificados 3,5%, 5,0%
- Membros das Forças Armadas 0,7%, 0,0%
- Outra situação 8,2%, 9,3%
- Desconhecida / Não Responde 7%, 9%
- Total 100,0%, 100,0%
Setembro 29, 2010 at 10:16 am
Correcção:
Desconhecida / Não Responde 68,7%, 69,9%