Ouvia há bocado o guru-sénior de Passos Coelho na TSF a repetir pela enésima vez o mantra do actual PSD em matéria de finanças públicas. Nogueira Leite lá repetia que era necessário diminuir a despesa, evitando aumentar impostos. Falo de Nogueira Leite, é claro.

Está no seu papel, mas exigir-se-ia mais.

Acho mesmo que o OE não é documento para ser partilhado, como o foi o PEC.

É ao PS e ao Governo que compete elaborá-lo e apresentá-lo às claras.

Mas também compete à oposição não se limitar a reagir e criticar.

Apresentem as vossas propostas de corte na despesa, mas de forma clara e objectiva. Sem formulações vagas. Percebo que esta estratégia parece colher dividendos, porque se supõe um governo em fogo lento. Mas também há o reverso, que é a notória falta de tintins alaranjados em apresentar no que cortariam, apresentar números e calcular as poupanças que fariam.

Se o governo adoptasse tais medidas, seria óbvio a todos. Não o fazendo, o PSD (e quem diz PSD diz o resto dos partidos parlamentares ou outros) poderia sempre dizer que apresentou soluções.

Assim não sabemos.

O que sabemos é que, no passado, tivemos destes gurus, à época em especial o guru-mirim Miguel Frasquilho a propor soluções à irlandesa, que culminaram com uma situação semelhante ou pior do que a nossa, com a desregulação financeira a fazer todo o sistema bancário entrar em colapso e não só bpp’s e bpn’s. Soluções que  nem o José Barroso pré-europeu adoptou.

Percebe-se que agora exista maior prudência, receio em abrir o jogo e revelar que não há trunfos, apenas conversa de café.

Mas então, por caridade, calem-se que, embora Nogueira Leite seja a antítese da estridência, não deixam de só produzir ruído no chilreio trocado com o clone PSP/Sócrates2.