Ouvia há bocado o guru-sénior de Passos Coelho na TSF a repetir pela enésima vez o mantra do actual PSD em matéria de finanças públicas. Nogueira Leite lá repetia que era necessário diminuir a despesa, evitando aumentar impostos. Falo de Nogueira Leite, é claro.
Está no seu papel, mas exigir-se-ia mais.
Acho mesmo que o OE não é documento para ser partilhado, como o foi o PEC.
É ao PS e ao Governo que compete elaborá-lo e apresentá-lo às claras.
Mas também compete à oposição não se limitar a reagir e criticar.
Apresentem as vossas propostas de corte na despesa, mas de forma clara e objectiva. Sem formulações vagas. Percebo que esta estratégia parece colher dividendos, porque se supõe um governo em fogo lento. Mas também há o reverso, que é a notória falta de tintins alaranjados em apresentar no que cortariam, apresentar números e calcular as poupanças que fariam.
Se o governo adoptasse tais medidas, seria óbvio a todos. Não o fazendo, o PSD (e quem diz PSD diz o resto dos partidos parlamentares ou outros) poderia sempre dizer que apresentou soluções.
Assim não sabemos.
O que sabemos é que, no passado, tivemos destes gurus, à época em especial o guru-mirim Miguel Frasquilho a propor soluções à irlandesa, que culminaram com uma situação semelhante ou pior do que a nossa, com a desregulação financeira a fazer todo o sistema bancário entrar em colapso e não só bpp’s e bpn’s. Soluções que nem o José Barroso pré-europeu adoptou.
Percebe-se que agora exista maior prudência, receio em abrir o jogo e revelar que não há trunfos, apenas conversa de café.
Mas então, por caridade, calem-se que, embora Nogueira Leite seja a antítese da estridência, não deixam de só produzir ruído no chilreio trocado com o clone PSP/Sócrates2.
Setembro 24, 2010 at 12:53 pm
Caro Guinote nós vamos-nos abster no Orçamento mas já sabe quem vai votar a favor o CDS e o PCP e O BE contra. Portanto relax.
Setembro 24, 2010 at 1:02 pm
Nada a esperar de gente que tem o cérebro enquistado por cartilhas e a consciência minada pelos bicos de papagaio. Por esse lado também podemos estar descansados. É um problema cultural.
Setembro 24, 2010 at 1:06 pm
#1,
Claro que sabemos todos isso. Até o CDS se pode abster.
Só que esta encenação é velha, velha que já chateia.
Setembro 24, 2010 at 1:22 pm
Andamos a ser gozados a torto e a direito!
Abomino a falta de coragem e de honra daqueles que governam a pensar nos próximos louros: os votos do povo!!!
Setembro 24, 2010 at 2:21 pm
Vai ser preciso cortar 10% nos salários da função pública, pelo menos.
Mas ninguém quer ter o prémio da decisão.
Ainda assim, quem está no governo tem de ter não só os benefícios, mas também os respectivos ónus.
Claro que o Crápula (=Indivíduo sem escrúpulos) prefere distribuir Magalhães.É mais agradável…
Mas se não quer tomar as decisões difíceis, vá para casa, gozar os rendimentos amealhados, algures…
Eu estou a ver a Isabel, alçada a ministra, a dizer, com a cramalheira dental aberta de orelha a orelha: «Vou-vos cortar 10% do salário, mas é para vosso bem»…
Setembro 24, 2010 at 4:33 pm
Os MAgalhães estão sempre avariados… assim se esturra o meu dinheiro!!!
Desde novo que fui habituado à frase … apertar o cinto… já vou quase no meio séc. de idade!!
Cada vez vejo mais desperdícios… então na escola… a papelada cada vez mais aumenta… é uma 2 ou 3 cópias para nada… impressão de folhas só frente… a molhos…
Depois querem portfólios… (mais folhas) relatórios mais tinteiros… PEIS … adendas… relatórios… uma fartasana…
e depois há aqueles que não têm vergonha de pedir ( a dobrar… ) em papel e em formato digital (ihih) o mais curioso é que depois nem lêem o papel nem o digital!!!
País triste…
No tempo da web (quase) 3.0 ou 4.0 ainda se gasta rios de dinheiro em livros de ponto…
Os Moodles servem para Inglês ver… Com o dinheiro que já se gastou em formação TIC com alguns… sempre para os mesmos… não se conseguiu ainda ver nada de realmente diferente na gestão das Escolas…
Eu por mim ia já a VOTOS!!! Mas por favor… que nenhum professor VOTE no Socrates… e que nenhum professor vote no PSD sem saber que modelo de avaliação propõem e que tipo de Gestão querem nas escolas… Se for esta politização da vida pública e da escola pública, os professores têm que ser claros na sua escolha. A Escola não é lugar de política…
Setembro 24, 2010 at 4:46 pm
“Apresentem as vossas propostas de corte na despesa, mas de forma clara e objectiva. Sem formulações vagas”
querias… No way… O PSD parece ter aprendido a lição: antes da apresentação da proposta de revisão constitucional o Passos estava lançado nas sondagens. Bastou a proposta incluir aquela treta da “razão atendivel” para logo ser aproveitada pelos arautos do estado social rumo ao socialismo e pumba, PSD nas lonas. Portanto o camarada Passos ouviu a minha recomendação: nada de anunciar medidas liberias. Isto tem de ir lá à bruta, tipo cavalo de Troia. Ninguem o vai ouvir dizer que é preciso cortar salários, porque se o fizer está frito. Mais inteligente é dizer que não quer aumentar mais os impostos (apoiado!) e o governo (cuja missão é governar), se tem outra forma de reduzir a despesa que não seja cortando salários, pois que se chegue à frente e diga como… Quem tem medo dos duodécimos? Eu não.
PS: O Passo tem uma boa forma de avaliar quando é que o Pais está preparado para um programa liberal – se da proxima vez que o IRS aumentar 1.5% ouver uma manif na Av da Liberdade daquelas mesmo grandes… voila… o Pais está preparado. Até lá que tenha juizinho e não se arme em liberal. Juizinho…
Setembro 24, 2010 at 5:17 pm
#7,
Há uma diferença entre o “brinquedo” do Paulo Teixeira Pinto e isto.
O problema é que, apostando nas “encolhas”, o PSD cairá a pique.
Exactamente porque fez as coisas ao contrário.
Nem digo que concordasse com elas.
Mas a táctica, ou a estratégia, ou lá o que foi, doi das piores.
Eu já teria despedido uns quantos conselheiros.
Ou a mim mesmo, por ter aceite tal coisa.
Mas acho que ele não pode aceitar a sua própria demissão, porque o Correia não deixava e o Salgado até se passava.
Setembro 24, 2010 at 5:25 pm
#7
Nunca irá “aver” uma manif na Av da Liberdade, daquelas mesmo grandes, porque o povo é surdo e cego. Não consegue “ouver” nada!…
Setembro 24, 2010 at 6:05 pm
É hora de juntar umas milenas e esperar os senhores deputados à saída do hemiciclo e aquecer-lhes o pêlo. Só com uma revolta popular é que esta gente abre os olhos.
Setembro 24, 2010 at 6:07 pm
#9 Ó brincalhão, não sei se já ouviu falar numa técnica muito usada na blogosfera para deitar abaixo uma ideia quando não há grande capacidade argumentativa… chama-se “técnica do spelling checker”. Passa-se o texto no corrector e se faltar por lá alguma letrinha, pimba… escreve-se uma piadola à volta do erro e já está…
Setembro 24, 2010 at 6:09 pm
#10 Eu concordo desde que mude uma palavra na sua frase:
“É hora de juntar umas milenas e esperar os senhores Portugueses à saída do hemiciclo e aquecer-lhes o pêlo. Só com uma revolta popular é que esta gente abre os olhos.”
Setembro 24, 2010 at 6:21 pm
#12
Há funcionários no hemiciclo aos quais não imputo responsabilidades no estado das coisas, mas pode ser. Desde que não seja portugueses e portuguesas, como o outro inginheiro.
Setembro 24, 2010 at 7:12 pm
Vou-me repetir:
- Fechar as fundações que ninguém sabe para que servem, mas que absorvem milhões para sustentar quem por lá anda.
- Acabar com os jobs dos boys que, na prática, tanto faz existirem ou não.
- Acabar com as reformas acumuladas de quem trabalhou só meia dúzia de anos aqui e outra meia dúzia ali.
- Acabar com reformas rapidex. Períodos de trabalho em certos e determinados cargos não podem dar origem, por si só, a reformas automaticamente.
Para já.
Setembro 24, 2010 at 10:32 pm
- Fechar fundações e institutos que para nada ou muito pouco servem (para além de engordar quem lá trabalha)
- Despedir todos os boys
- Privatizar a RTP
- Forçar novos salários (escandalosos!) dos gestores públicos ou então, despedi-los
- Vender a frota automóvel dos políticos e gestores públicos. Que andem com o seu carro, como eu, e sem motorista.
- Instituir a reforma única. Quem tem mais do que uma reforma, passava a ter somente uma, com tecto
- Acabar com o desperdício derivado da burocracia, do mau consumo energético, etc. nos edifícios públicos
- Acabar com as obras faraónicas (TGV e aeroporto)
Setembro 24, 2010 at 10:55 pm
Podem vir aqui buscar algumas ideias.
Setembro 26, 2010 at 6:44 pm
Recentemente o PSD tornou pública a sua proposta de alteração à Constituição da República. Muitas vozes se levantaram em relação a um tema que é tabu na nossa sociedade: a privatização da RTP, ou a não existência de meios de comunicação social do Estado. Em vez de olhar para a proposta com preconceitos, vale a pena reflectir um pouco.
No início do séc XIX começou a luta pela liberdade de imprensa, pelo facto de esta servir para contrariar o despotismo dos governos. A imprensa era um meio de fiscalização dos que detinham o poder. Os maiores defensores de uma imprensa livre diziam que ela ajudava a “controlar a auto-preferência habitual de quem governa” e obrigava os poderosos a respeitar e servir o povo.
Estas linhas mestras desaconselham que haja meios de comunicação social tutelados pelo governo. Senão, que é feito da opinião livre que pode fiscalizar o governo? Temos a liberdade de imprensa como dado adquirido em Portugal (desde 25/04/74), mas o facto é que existe auto-censura. São os próprios jornalistas que se censuram a si próprios. A (in)consciência diz-lhes que há muito em jogo: a reputação, a família, o emprego ou o processo judicial iminente. Essa auto-censura obriga-os amiúde a pensar duas vezes.
O dever dos governos é zelar pelo interesse comum, mas o facto é que esse papel tem cabido mais à imprensa. Ela reprova incompetentes, déspotas ou tiranos que tentam asfixiar ou fugir à opinião pública. A imprensa livre expõe publicamente os abusos do poder político. Ao contrário, sabemos como a imprensa que depende do governo pode ser usada como veículo de propaganda de interesses político-partidários que procuram influenciar a opinião pública.
Outra questão que se tem levantado também, é a do princípio da universalidade subjacente ao serviço público. O famoso princípio de que os canais de rádio e TV devem transmitir programas que abranjam uma vasta audiência e satisfaçam todos os gostos. Tem a RTP seguido esse princípio? Ou será que temos hoje uma TV pública que apenas tenta concorrer com as privadas, esbanjando o dinheiro dos nossos impostos.
Se querem manter uma TV do Estado, talvez seja melhor enveredar pelo caminho já sugerido por alguns: TV sem publicidade. Isto porque o que temos visto são os efeitos decadentes que tem o poder da publicidade sobre os programas de TV. A publicidade comercializa a estrutura e o conteúdo dos programas. O êxito é medido em termos de rendimentos publicitários e níveis de audiência.
Isto faz com que aumente o lixo televisivo: programas em que se transformam casos judiciais em peças barrocas de TV; novelas e séries cheias de cenas de sexo, adultério, traição e crime; Reality Shows onde abunda a devassa. E assim sendo perde-se o espaço para programas pedagógicos, cultura nacional, documentários sobre história… enfim, o tal princípio da universalidade.
O que se quer numa TV pública? É um canal que cultive a indústria de massas que produz ilusões e faz prevalecer a satisfação expressa em banalidades, reinar o pseudo-individualismo e encorajar as pessoas a não pensar em termos críticos acerca de coisa nenhuma? Queremos um canal que lute por audiências oferecendo programas de diversidade insuficiente, que duplique inutilmente tipos de programas? (Novelas, Reality Shows…).
Outubro 12, 2010 at 1:53 pm
Are last 5 minutes in (…)
Camarada, …amigo… ,
Estava para apanhar outro barco sem me despedir de ti, mas resolvi deixar-te esta mensagem de desilusão, pelo passado recente vivido nesta casa. Aqui encontrei de tudo um pouco, os seres racionais e os irracionais. Para vós racionais que me mereceram e merecem o maior respeito, transmito a minha desilusão.
O que vou contar foi um pesadelo vivido em determinado Departamento com responsabilidades, designado por (…).
Nesse Departamento fiz de tudo um pouco, coisa que anteriormente alguém se deu ao cuidado de o desempenhar, no seu todo:
-Carregador; mecânico; electricista; motorista, carteiro, latoeiro, operador de reprografia, etc.
Claro que consegui «arrastar» colegas para a colaboração, pois sozinho não poderia levar o barco a bom porto, o que lamento é que ao fim deste tempo no sector a dirigente do departamento não tenha reconhecido nem aproveitado as capacidades dos funcionários sob as suas ordens, o que me deixa muito preocupado, tal o estado de falência profissional do patrão «Estado» que não deve esbanjar a matéria prima ao seu alcance.
Não foi fácil a vida na (…), mas na desportiva tudo se foi resolvendo com maior ou menor brio profissional ao cabo de dois anos.
Para mim, os problemas seguintes surgiram porque teriam forçosamente de surgir e até digo que o problema foi premeditado. Ainda há rastos – as ameaças a quem trabalha subsistem
Depois do trabalho executado nas anteriores instalações e instalados neste « edifício », aconteceram coisas que só ao diabo lembra e que só a um dirigente sem responsabilidades, é que pode criar a tal instabilidade, por falta de comunicação com os seus subordinados.
Que reacção esperam de um sector quando à boca cheia a sua Directora afirmou não ter outro lugar para instalar determinado «chefe de secção» e também quando essa mesma Directora se não dá ao cuidado de ouvir os verdadeiros interlocutores da (…)? A quem pensava ela que estava a atestar a incompetência ? A mim e a aos meus colegas de secção que com o sacrifício deram muito ao departamento naqueles dois, ou a do dito «chefe de secção» que apenas sabe desembolsar dos cofre do Estado ?
Vocês melhor que eu conhecem o avivado « chefe de secção».Em termos de trabalho conjunto, não tive um metro de trabalho a seu lado, mas também não adormeci à sombra dos dois anos que passei no edifício de Alcântara.
Seleccionei as suas atitudes «dele», a forma de tratamento e vivência para com os colegas, o constante mudar de secção e a instabilidade de adaptação nos locais de trabalho, foram suficiente para que um «colega » desta natureza fosse bem recebido, e ainda mais grave , para chefiar a secção onde eu trabalhe.
Mas a culpa até lha não direcciono – há o exemplo da frase «não tenho onde o meter»-estava tudo dito.
Ainda não me tinha apercebido que a tramóia da directora de serviços estava lançada, para denotar que algo estranho estava acontecendo de anormal na secção, quando regressei de férias.
Tendo trabalhado à porta aberta durante o período de tempo que tinha passado em (…), denotei nestas instalações «…»e já com o cujo a tomar folgo para a tomada de posse da secção, que havia um reboliço nos materiais à minha guarda.
Não é que o tipo escondia as coisas e depois vinha-me perguntar por elas?
Pois é meus amigos, a partir do momento em que fez isso, instalou-se o caos na secção, pois não lhe aparei mais o jogo. As pedras estavam lançadas e não tive dúvidas para confirmar o anteriormente ditado por outros colegas mais antigos.
Outros casos graves se seguiram e viriam a suceder, levando-me a não estar interessado em colaborar com aquele departamento nem com a sua Directora.
Se o desaparecimento da viatura da (…), me ficou na garganta, o desaparecimento dos telemóveis, veio-me até ao estômago.
Camaradas, amigos, colegas (…) – Vocês acreditam na versão de um indivíduo que ao afirmar que é o último a sair das instalações da «…» e o primeiro a entrar, e que guardando determinado número de telemóveis onde ninguém sabe, que estes desaparecem por mero acaso?
O mesmo possa afirmar quanto ao desaparecimento da viatura do parque da (…). Se eu chegasse junto de vocês e vos perguntasse qual o estado da viatura e outras coisas mais e passados três ou quatro dias «período que planeava para o meter na garagem» este desaparecesse, qual a vossa reacção?
Foi a que eu tive. Não retiro uma linha e está escrita a minha versão no inquérito levantado para o efeito. Desconheço o resultado final do inquérito.
Fui ameaçado com um processo disciplinar, pela senhora Directora de Serviços da (…).
Foi a primeira e «pouco corajosa» ameaça não concretizada « que ao longo de 32 anos de serviço efectivo ao serviço do Estado», ouvi. Nem na tropa « entre 1973/75 e na guerra colonial» alguém ousou contra a minha pessoa utilizar a versão vocal de tal palavrão.
Saí do Departamento e outros colegas me desejariam seguir o caminho, por enjoo.
Os que não o podem fazer «pessoas com capacidades extraordinárias de trabalho, não reconhecido» vêm sendo ameaçados e perseguidos.
Não nasci para ser escravo de ninguém, muito menos numa instituição onde há dirigentes que não dão valor ao trabalho desenvolvido pelos seus funcionários, -será por falta de conhecimento da matéria o mesmo leiguismo?
A forma como se continua a gastar dinheiro na secção do dito « chefe de secção», faz bem da prova do muito desperdício a que estamos sujeitos.
Querem uma ou mais provas? Aqui vai.
1 – Troca de secretárias da sala «…» , quando as anteriores serviram os anteriores locatários.
2 – A troca dos chaveiro artesanais fabricados nas instalações e os vindo das anteriores instalações, foram deitados ao lixo e trocados por novos chaveiros.
3- A destruição das estantes em cantoneira, e substituídas por armários novos para colocar em locais sujeitos a humidades elevadas e a inundações « garagem» caso o responsável não atendesse convenientemente ao bom funcionamento do equipamento instalado. Relembro que o anteriores mobiliário foi instalado pelos funcionários antigos e a custo zero, enquanto a recente instalação de novos recorreram à ajuda de pessoal especializado para o efeito.
Meus amigos, eu não vim para a (…) para servir de cobaia a certos dirigentes, totalmente leigos nas matérias da minha formação. Não vim para aqui mostrar papéis ou diplomas de dois meses « comprados na feira-da-ladra» mas sim de 14 anos de estudo e formação profissional, não cobrados o quanto baste ao «Estado» como patrão, para me tomarem como um inútil e servidor de uns incapazes. Propus à senhora Directora da (…) para me deixar ficar com as tarefas adstritas às empresas que fazem manutenção às instalações da (…) e dar-lhe o desenvolvimento «adequado», não aceitando
É verdade que as pessoas não nascem ensinadas e foi para o alargamento dessa valorização profissional que foram criadas as escolas e os centros de formação.
Outra das desgraças, vista a olho nu a simples mortal:
-Quem nesta casa ainda não se apercebeu que sempre que haja uma inundação as pessoas envolvidas nas tarefas de limpeza, ficam completamente sujeitáveis ao perigo eminente?
Para que servem as normas vigentes da «Higiene e Segurança no Trabalho » se os ditos e intitulados responsáveis desconhecem as essas normas?
Abençoada a hora em que abandonei a (…).
Nestes anos consequentes, fiz os possíveis para me reabilitar e adaptar às novas tarefas « na desportiva» mas não consegui pelo anteriormente sucedido; a minha forma de estar na vida não é esta e mesmo conversando com os perceve, com os mexilhões, com as ostras e com os novos companheiros de sala, não consegui desligar o cérebro – uma ameaça com processo disciplinar, depois de tanto esforço dispendido na (…) não me é um bem digestivo.
A escravatura passada na “…” jamais esquecerei – e tu camarada de trabalho, sentistes-te agraciado?. O equipamento que vi atirar pela porta fora, para o lixo e ainda em estado funcional é outra azia vivida e problema a resolver me deixa triste, tal a falta de dinheiro «dizem uns, gastam outros».
Vi desperdiçar mobiliário em madeira, em nogueira em mogno (…), senti a compra por outro muito pior. Vi deitar mobiliário em estado razoável ao lixo, e comprar novo da mesma matéria prima, quando dizem não haver dinheiro. Será esta uma boa gestão financeira?
Se a destruição da riqueza mobiliária contida nas antigas instalações desta Direcção-Geral foi vivida com uma grande azia e jamais esquecida, porque me fazia crer que a abundância monetária era muita na (…) –e agora saio desta confrontado com a falta de dinheiro para papel.
Outra da imagem que levo destas instalações é de que os seus funcionários estão superiormente vigiados, com câmaras de vídeo por tudo quanto é sítio. Com certeza que uma prisão «em Portugal» não terá tão forte dispositivo de segurança como esta (…). Será que os seus funcionários são cadastrados? Sempre tive a minha secretária aberta e curiosamente ninguém se deu à ousadia de lá colocar ou retirar algo.
Mas não foi sob tanta vigilância que as coisas desviadas, «as poucas coisas desaparecidas» foram-se nas barbas das câmaras e não mais voltaram ao lugar do dono, sem que se instigasse o assunto?.
A constante ondulação da húmida brisa instalada na (…) não serve os meus planos por isso vou-me embora. Ao partir, levo em mente que esta embarcação tem um Comandante que mereceu a minha confiança e com a ajuda em mais meia dúzia de marinheiros de qualidade que a bordo detêm a navegabilidade, complementar-se-ia com o apoio de um ou dois bons Imediatos.
As «Alka-Seltzer» de Natal, nunca me fizeram esquecer os restantes 364/5 dias.
Escreveram nos dicionários que o significado de «EXCELENTE» é – Muito bom; – Distinto; -Magnífico; -Aquele que se eleva acima de.
Como estes termos não me complementam porque sempre me considerei um funcionário »suficientemente capaz », a minha missão chegou ao fim – talvez, não como o desejaria, mas pela obrigatoriedade a que fui sujeito.
Camaradas e amigos (…) o meu desejo é que fiquem e sejam muito felizes, porque a vida neste país está-se tornando muito difícil e eu não contribui para tal…
Obrigado por me terdes aturado neste período de tempo.
(…)
Este texto de indignação, valeu-me:
O acima descrito é bem a demonstração de como certos sectores públicos desperdiçam o nosso dinheiro, mas pouco vale, um mero funcionário, contrariar tal despesismo.
A Entidade Patronal – o Estado, na caneta de um Director-Geral, achou que me devia penalisar com suspensão, demissão ou coisas afins, pelas verdades descritas. Por fim, ficou-se com a aplicação da pena de inactividade profissional, durante um ano.
Mas o caso não se ficou por aqui.
Um dos visados, levou este caso a TRibunal.
O MP, indiciou o e-mail como se de um crime cometido- o da Difamação agravada.
Em audiência de julgamento o crime caiu mas ficaram-se pela pena de multa por ter escrito um mail o que me valeu a quantia de 10 euros/dia num total de 150 dias, o que prefaz com impostos ao Tribunal num total de 2200€.
Mas o mais caricato nesta questão é que eu, em primeiro lugar sou supostamente um criminoso declarado pelo MP. Depois e já em Tribunal, perguntam-se se não quero chegar a um entendimento, com o queixoso, o que recusara e por fim penalisam-me só por ter enviado o e-mail – o e-mail da indignação.
Sobre o que se passou comigo, com a tomada de posição em Tribunal, fiquei a saber que no século XXI, em Portugal, é proibido ao cidadão comum colocar reservas e discordar da má gestão dos dinheiros públicos por gente que nem a própria casa conseguem gerir quanto mais uma instituição pública – os ditos directores de serviços ou directores de departmento estatal.
Portanto, aqui fica a minha crítica, aquilo, que no dia-a-dia deparamos, quer na via pública onde os candeeiros públicos ficam ligados dia e noite; a água a jorrar nos espaços verdes faça sol ou chuva, mas que tudo recairá, cedo ou tarde no aumento dos nossos impostos, para equilibrar a carga fiscal; onde se arranjam tachos para os amigos sem que haja utilidade alguma nos departamentos do Estado, mas depois coloca um grupo de ditos excedentários sem a tutela se ter preocupado dos motivos a que no local x; y; Z; exista em meios humanos tanto desperdício.
Com os meus cumprimentos,
Ribas