Quando querem, até que escrevem coisas com sentido sobre Educação. No caso da edição de hoje, também ajuda a ausência de qualquer crónica do MST sobre o assunto.
Agosto 2010
Agosto 21, 2010
O Editorial Do Expresso De Hoje
Posted by Paulo Guinote under Megalomanias, Opiniões, Rede Escolar[10] Comments
Agosto 21, 2010
O Acordo Entre A ANMP E O ME
Posted by Paulo Guinote under Megalomanias, Municipalização, O Acordo, Rede Escolar[3] Comments
Encontra-se disponível aqui. Convém que seja lido, porque quem o evoca em sentido contrário parece ler nele coisas diferentes, apesar do pouco que lá está escrito.
No fundo é um documento vago que, na prática, remete a decisão de encerrar escolas para acordos particulares entre as DRE e as autarquias. Nele nada está acautelado quanto a aspectos específicos relacionados com transportes escolares, refeições, pessoal, etc.
Portanto, quando alguém clama pelo não cumprimento das regras deste protocolo/acordo está a agarrar-se a uma nuvem de algodão doce. O que interessa é saber a que acordos chegaram as autarquias com cada DRE. O que foi assinado. E ou existe ou não existe. E seria interessante que cada autarquia mostrasse a que acordo chegou, porque ficamos sem saber se há filhos, enteados e bastardos…
Agosto 21, 2010
A imprensa regional continua a ser essencial para percebermos (ou não) isto tudo:
Listagem do Ministério da Educação é omissa em relação a três escolas encerradas em Santarém
No concelho de Santarém, há 13 escolas básicas do 1º ciclo que já não vão abrir as portas no ano lectivo 2010 / 2011, mas na listagem oficial que a Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRE-LVT) publicou no seu site da Internet só aparecem 10 estabelecimentos de ensino.
A discrepância está na freguesia de Alcanede, onde encerram todos os estabelecimentos de ensino.
Segundo dados fornecidos ao nosso jornal pela Câmara Municipal de Santarém, às escolas que constam da listagem da DRE-LVT – as EB1’s de Casais da Charneca, Pé da Pedreira, Valverde, Alcanede nº1, Vale do Carro, Viegas e Aldeia da Ribeira – há a acrescentar as escolas primárias de Alqueidão do Mato, Barreirinhas e Aldeia de Além.
As cerca de 200 crianças da freguesia vão começar o ano lectivo no novo Centro Escolar de Alcanede, pronto para começar a funcionar já em Setembro e que vai arrancar já com uma lotação próxima da sua capacidade total.
Agosto 21, 2010
Pode Encomendar-se Às Paletes?
Posted by Paulo Guinote under Estou que nem me posso...., Mais Vale Tarde...[2] Comments
Descoberto efeito neuronal do special-k anti-depressivo
Chama-se special-k quando está na versão pó branco e é consumido nas ruas devido ao efeito alucinogénico, ketamine nos artigos científicos internacionais e cetamina no Portal de Saúde. Apesar de se ter inventado em 1962, só de há 20 anos para cá é que este químico tem sido visto como capaz de revolucionar o tratamento de pessoas deprimidas.
Ninguém percebia qual o processo fisiológico por trás da melhoria quase instantânea dos doentes deprimidos. Mas uma equipa de investigadores conseguiu determinar o efeito que o composto tem nas células do córtex pré-frontal e mostrou que existia uma regeneração das ligações entre os neurónios. O estudo foi publicado agora na revista científica Science.
Agosto 21, 2010
(Quase) Sempre Que Leio Ou Ouço Alguém Em Política Falar Em Paradigma…
Posted by Paulo Guinote under 2011, Paradigmas, Presidenciais, Vazios[22] Comments
… já sei que vem por aí um grosso equívoco ou distorção completa do conceito ou dos factos.
Na entrevista que dá hoje ao Público, Fernando Nobre envereda por esse caminho que vai fazendo escola, mas que não passa de uma desvinculação com a realidade.
Citou Barack Obama e tem o livro dele em cima da secretária. É uma das suas referências políticas?
Sem dúvida que sim. O Presidente Barack Obama representa a mudança no paradigma da governação do primeiro império da actualidade. Se nós tivéssemos tido uma outra presidência semelhante à de George Bush por mais oito anos, assistiríamos à implosão do planeta em conflitos diversos. É um homem que demonstra particular solidariedade com os mais desfavorecidos, daí o seu programa de saúde. Demonstra vontade de terminar guerras que herdou, em melhorar o conflito no Médio Oriente entre Israel e a Palestina, apetência e alto interesse pelo que está a acontecer no continente mais desfavorecido que é a África. É um homem que voltou a recolocar os Estados Unidos no multilateralismo, que já não se isola sendo o único império, que dialoga. Por outro lado, é um homem que demonstrou que, com todas as diferenças que ele tinha – gostam de dizer que ele é negro, mas ele não é negro, é mulato -, é possível, numa sociedade como a norte-americana, um cidadão com o seu percurso de vida muito próprio mas com ideias humanísticas bem vincadas poder chegar onde chegou. Acredito que ele é apenas o primeiro de muitos que vão chegar a lugares essenciais para conseguirem uma mudança global porque uma mudança global de paradigma é absolutamente essencial. Eu alinho-me na mudança desse paradigma.
Vá lá… não usemos o paradigma Obama por dá cá aquela palha. Barack Obama foi eleito não por ser um outsider do sistema político americano, mas sim por tê-lo sabido usar, e muito bem, para a sua ascensão, conseguindo nesse particular derrotar as máquinas internas do Partido Democrata (em especial a dos Clinton) através do estabelecimento de laços e alianças de diversos tipo, tudo típico da actividade política tradicional.
Só que, em virtude da combinação de uma forma atraente e carismática de estar e falar com a sua cor de pele, Obama transformou-se em mais do que Obama, em especial na Europa. Porque Obama sucedia a Bush-filho com tudo o que de negativo esteve associado à sua presidência.
E todo o bicho-careta que se acha diferente do sistema, gosta de arengar com o paradigma Obama.
Mas no que é que Fernando Nobre se pode comparar a Obama? Em boa verdade, Fernando Nobre deveria – até certo ponto – achar-se mais outsider do que Obama, pois não tem carreira política e não aparece (numa primeira leitura) como emanação de uma luta partidária interna, como as primárias do sistema partidário americano, mas como um independente (mesmo se secundado por um aparelho semi-oculto com ligações óbvias).
A partir daí não há mais nada a comparar, porque não é comparável.
- Obama é um político profissional, com uma carreira política conhecida e com um trajecto lógico, porventura acelerado nesta fase mais próxima que o levou a Presidente. Fernando Nobre é uma figura da sociedade civil, meritória pela sua conhecida acção humanitária, que decidiu a ceder a uns cantos de sereia e candidatar-se a Presidente com uma plataforma indefinida, híbrida (nem sempre no bom sentido) e que não desperta – nem de perto, nem de longe – os amores e ódios que Obama despertou.
- Obama afastou da corrida à presidência a teórica favorita do Partido Democrata, Hillary Clinton. E no ticket para a presidência cooptou Joseph Biden, um liberal tradicional do Partido Democrata. Já Fernando Nobre apareceu para um grupo ligado ao PS diminuir ou eliminar as hipóteses de Manuel Alegre ser eleito para a Presidência.
- Obama chegou à Presidência para apagar ou limitar os estragos da administração Bush/Cheney. Fernando Nobre conviveu e conviveria (ou conviverá) de modo pacífico com a presidência de Cavaco Silva.
- Obama chegou à Presidência com uma enorme carga de problemas militares e diplomáticos por resolver, mais uma brutal crise financeira que chegou logo a seguir e foi preciso gerir de um ponto de vista executivo. Em portugal, o Presidente, compõe o ramalhete das flores do sistema político, interroga-se sobre os seus poderes, raramente exerce os que tem e faz discursos entre o bonacheirão (Soares) e o incompreensível (sampaio), passando pelo se é assim porque não fazes nada? (Cavaco).
Não é bem a mesma coisa. Não há por aqui rupturas em nada… excepto na origem política do candidato.
Não chega ler um livro e colocá-lo na cabeceira, para o paradigma coiso e tal.
Se Fernando Nobre dissesse que tinha uma antologia de Robert Crumb na cabeceira ou a obra completa de José Vilhena na estante, isso sim seria uma mudança de paradigma.
Enquanto nos ficarmos pelo discurso fofinho… nada mudou, muda ou mudará.
Agosto 21, 2010
Vem Aí Um Outono Muito Coreográfico
Posted by Paulo Guinote under Futurologia, Penso eu de que..., Política, Ponto da Situação[8] Comments
Ontem o PSD disse que mantinha as suas propostas de revisão constitucional e antes tinha levantado a voz em relação ao Orçamento de 2011. Hoje Sócrates vem no Expresso a bailar em outro sentido, fingindo que há uma dramatização da crise impossível.
Dentro de duas semanas, o Presidente da República deixa de poder fazer aquilo que nunca quis, que é demitir o Governo.
O que quer dizer que do início de Setembro até coisa de meados de 2011 vamos viver uma irrealidade quotidiana de fingimentos e coreografias, em que, na prática, o Governo tem a mão livre para asneirar num, em outro ou em ambos os sentidos, conforme prefira.
Por isso, antecipo para a área da Educação um período muito difícil e para o país uma fantochada completa. Digamos que o cenário ideal para as equipas de trabalho do ministério das Finanças.
O PSD sabe que o PR não pode demitir o Governo e que na Assembleia só com a benção da esquerda o dito cujo pode cair. Ora, o PCP e o Bloco tentarão negociar umas migalhas para não termos de ir a eleições e arriscarem-se a uma vitória do PSD-CDS.
O PS sabe que pode puxar a corda para um lado ou outro porque, agradando ao PCP e ao Bloco fica garantido (e basta pouco, umas promessas de obras públicas, umas cosméticas fiscais) de um lado, enquanto se chegar a acordo com o PSD (e basta outro tipo de cosméticas fiscais e mais uma repartição dos negócios de Estado) fica garantido de outro.
À esquerda do PS há receio de eleições antecipadas. Se Sócrates se inclina para a esquerda para compemnsar as perdas ao centro, PCP e Bloco encolhem. à direita do PSD, o CDS vive em estado de expectativa porque ainda não se percebeu até que ponto o PSD pode crescer mais à direita e pretende-se a ausência e uma maioria absoluta para se ser muleta. E neste momento o cenário está confuso.
Logo… aposta-se numa reentrada outonal um bocado desvairada, com gritaria variada, truques diversos, governação nula e oposição muito vocal mas com poucas consequências.
O melhor, em alguns dias, vai ser mesmo desligar o som das televisões na hpra dos telejornais e programas de debate e ficarmo-nos pelo desgfrute da pantomina.
Agosto 21, 2010
Agosto 21, 2010
O Editorial Do Público De Hoje
Posted by Paulo Guinote under Megalomanias, Opiniões, Posições, Rede Escolar[41] Comments
A face oculta do fecho das escolas
A ministra Isabel Alçada não deve conhecer muito bem as agruras do Inverno de Trás-os-Montes.
A ministra da Educação está convencida de que, quando os pais dos alunos das escolas que vão fechar em Setembro descobrirem as maravilhas dos centros que passarão a frequentar ou as comodidades dos autocarros que os hão-de transportar, abraçarão sem equívocos a estratégia do Governo. Os autarcas estão convencidos de que, na sua essência, a ideia de encerrar 701 escolas do ensino básico até nem é má de todo, desde que o Governo aumente a verba destinada a financiar os custos dos transportes. Nestas duas posições não há apenas uma visão estreita da realidade; há também a preocupação em viver o curto prazo sem olhar para os custos que, no futuro, estas medidas vão ter nas zonas mais vulneráveis do território nacional.
Para começar, a ministra Isabel Alçada não deve conhecer muito bem as agruras do Inverno, por exemplo, de Trás-os-Montes. Se conhecesse, dificilmente poderia acreditar que um pai ou uma mãe ficariam felizes ao saber que, para irem à escola, os seus filhos deixarão de simplesmente atravessar a rua para terem de percorrer de madrugada 20 ou 30 quilómetros em estradas geladas.
Da mesma forma, os autarcas das zonas mais deprimidas que encolhem os ombros e estão dispostos a trocar a prazo professores por subsídios não percebem que, com estas medidas, estão a acabar a prazo com a vida nas comunidades mais pequenas. Em muitas localidades, a última figura que resta a representar o Estado é o professor; no interior profundo, a sobrevivência económica depende do emprego público. Ao dispensar a prazo os professores, os autarcas, sabem ou deviam saber o risco que correm: o de acelerarem o fim do mundo rural português.
Agosto 21, 2010
Contra O Mega-Agrupamento Em Carregal Do Sal
Posted by Paulo Guinote under Megalomanias, Rede Escolar, Resistência?[12] Comments
Agosto 21, 2010
Só quem não fez visitas de estudo com transporte de crianças pode esquecer-se que não basta encaixotar crianças num qualquer velho autocarro, comprado em 4ª mão aos alvados de uma empresa qualquer que os importou da Alemanha.
Há autarquias que adquiriram e apostaram em frotas próprias para este efeito, mas há aquelas que não têm meios ou fazem por os não ter para… E há que ter um mínimo de cuidado na selecção de quem vai fazer este transporte… não chega colocar o tipo que costuma carregar o cascalho e as ferramentas para as obras.
Segurança do transporte escolar em causa por falhas na lei e na vigilância
Acidentes são a primeira causa da morte de crianças. Associação pede revisão da lei actual e as autarquias recusam assumir custos do transporte de alunos.
É preciso rever a legislação que regula o transporte colectivo de crianças, porque a actual lei contém várias lacunas. A reivindicação, da Associação Para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), agudiza-se numa altura em que mais cerca de dez mil alunos vão ser transportados todos os dias, na sequência do encerramento de centenas de escolas do 1.º ciclo.
“Os acidentes rodoviários ainda são a primeira causa de morte das crianças em Portugal”, sublinha Helena Botte, secretária-geral da APSI. A lei que regula o transporte colectivo de crianças até aos 16 anos tem apenas quatro anos, mas, segundo aquela responsável, peca, por exemplo, por não considerar obrigatória a formação dos vigilantes, ou seja, dos adultos que circulam no interior dos autocarros e a quem compete, entre outras coisas, auxiliar as crianças no atravessamento das vias. “Os vigilantes têm que assegurar que as crianças vão devidamente sentadas e com os cintos apertados, mas já soube de uma que foi multada porque as crianças nem sequer levavam cadeirinhas”.
Agosto 21, 2010
No DN de hoje:
Contactada pelo DN, fonte do Ministério da Educação (ME) sustentou – ao contrário do que defendem as autarquias -, que no protocolo sobre reorganização da rede escolar, assinado a 28 de Junho com a Associação Nacional de Municípios (ANMP), “não está previsto apoio para alimentação”. Porém, assegurou que “os pais não terão despesas acrescidas”, sem esclarecer se com isso se compromete a assumir os gastos.
Oferecer refeições escolares a alunos deslocados – segundo estimativas feitas pelo DN, com base em dados divulgados há dois anos pelo ME, quando foi alargada a Acção Social Escolar (ASE) – custaria à tutela menos de 110 euros anuais por criança. Ou seja: mesmo que cerca de 10 mil alunos deslocados das 7100 escolas a fechar recebessem todo esse apoio, o custo total seria pouco superior a um milhão de euros por ano. Mas os números reais deveriam rondar metade desse valor.
Em regra, protocolocos, entendimentos e acordos assinados por quem não depende directamente do que é protocolado, entendido ou acordado correm o risco de diversas falhas, lacunas e esquecimentos.
Neste caso, há uma parte em que a argumentação do ME se volta contra si mesma: se as escolas a encerrar nem tinham condições para fornecer refeições é porque as crianças iriam comer a casa… logo… agora terão de pagar refeições fora que antes não pagavam, pois comeriam com a família… logo…
Agosto 21, 2010
“O Corolário Lógico Do Eduquês”
Posted by Fafe under (In)Competência, Coreografia, Negociatas | Etiquetas: Espionagem Industrial |[10] Comments
O corolário lógico do eduquês
O corolário lógico do eduquês (2)
O corolário lógico do eduquês (3)
O corolário lógico do eduquês (4)
A ver vamos, dizia o manquinho.
Agosto 21, 2010
Objectos – O Que É Isto?
Posted by Fafe under Curiosidades, Utilidades | Etiquetas: Objectos |[14] Comments

Agosto 20, 2010
The Smiths, Ask
Sempre…
Agosto 20, 2010
Já agora, a parte do paradigma… era de evitar… por tantas razões.
O Presidente “tem que participar na procura de uma solução” para a Justiça
Quando faz seis meses que se candidatou a Presidente da República, Fernando Nobre explica ao PÚBLICO a sua disponibilidade para ajudar a colocar Portugal no campo favorável à mudança de paradigma a nível mundial que foi iniciada com Obama. E defende um papel mais interveniente do Presidente na solução da crise da Justiça em Portugal. Entrevista na íntegra sábado no PÚBLICO.
Agosto 20, 2010
Alegremente Em Direcção A…?
Posted by Paulo Guinote under Coerências, Constituição, Reformas1 Comment
PSD rejeita recuos na proposta de revisão constitucional
O líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, rejeitou hoje qualquer “recuo ou passo atrás” na proposta de revisão constitucional e afirmou que o partido vai manter as propostas no âmbito das políticas sociais.
É sempre bonito ver uma asneira ser assumida até ao fim… Pelo menos há coerência, convicção… ou não, sei lá.
Agosto 20, 2010
As Actualidades Televisivas Do Umbigo
Posted by Paulo Guinote under Actualidades, Megalomanias, Ponto da Situação, Rede Escolar, TV[5] Comments
Agora parece que as novidades enxameiam em pleno Estio. Engraçado mesmo é que as escolas que não tinham condições, nem crianças para funcionarem, agora já têm tudo enquanto ATL, como no caso de Barcelos:
Escola de Coimbra a ser recuperada pelos pais dos alunos:
As escolas listadas que não fecham em Vinhais:
Encerramento em Ferreira do Alentejo sem anuência da autarquia:
Recolha, tratamento e edição do Calimero Sousa.
Agosto 20, 2010
… que se ouve ao carregar o Umbigo é de Isabel Alçada num post em que o vídeo foi carregado pelo Vodpod e no qual eu não consegui desactivar a opção de reprodução automática.
Quem se sentir agredido ou vulnerável a lesões de algum tipo, faça o favor de descer até ao ponto certo e carregar na pausa porque eu só volto daqui a bocado.
Agosto 20, 2010
Um País Em Forma De L Ou De Pente Desdentado? – Pensamentos Neodecandentistas
Posted by Paulo Guinote under Decadentismo, Portugal Profundo[39] Comments
A questão do encerramento de escolas do 1º CEB é apenas mais um elo no processo de transformação de Portugal numa espécie de deserto geral com uma rede de oásis no litoral que avança timidamente – via SCUT a pagantes ou não, logo se vê – em direcção a alguns pólos aglutinadores no interior. Como se a descrição tradicional do povoamento do território com a oposição entre povoamento disperso a norte e concentrado a sul (matéria do 6º ano de HGP) passasse a ter uma nova formulação no sentido vertical: povoamento moderadamente disperso no litoral a norte de Lisboa e concentrado no resto do país.
E passa a ser redundante apresentar a clivagem entre espaço urbano e espaço rural em termos humanos, porque a partir de agora existe espaço urbano habitado e espaço rural para coutadas, incêndios e fotos de paisagens.
Há quem diga que o país está inclinado em direcção ao Atlântico.
Concordo mas acrescentaria outro tipo de imagens: Portugal regressou a uma espécie de L (de litoral) que o marcou durante séculos, com a macrocefalia das grandes cidades e, como no século XIX, exigindo que quem quisesse fazer algo fosse obrigado a deslocar-se às sedes de distrito e concelho.
Aliás, em matéria de Educação e não só, é isso mesmo que está a acontecer: o retrocesso em relação à extensão dos serviços básicos (se excluirmos a fiscalidade) do Estado a todo o território, indo em busca dos cidadãos. Fecharam esquadras (e a segurança, função básica do Estado Moderno a par da Defesa) que ficou em causa. Fecharam estações de correios, antes e depois da transformação dos CTT numa coisa empresarial, enquanto outros meios de comunicação rápida demoravam a chegar (desde logo a afamada banda larga). Fecharam linhas de comboio e racionalizaram a oferta de transportes rodoviários, isolando cada vez mais localidades. A seguir foram os centros de saúde e as escolas.
O interior do país, mesmo o interior que não passa do hinterland de municípios não muito distantes de grandes cidades e do litoral, tornou-se incómodo, um sinal de atraso. Um pouco como as gerações de analfabetos, espera-se que morra de morte mais ou menos natural, secando-lhe parte da seiva que poderia servir para manter alguma vida. Querem-nos modernaços, mas como são incapazes de o fazer fora dos centros comerciais e esses precisam de população para serem rentáveis, fazem os possíveis por apagar o país que fica caro por unidade.
Vamos lá ser sinceros: assegurar aos cidadãos de pequenas localidades encravadas nas serranias do centro e norte do país ou nas planícies do sul serviços equivalentes aos das grandes cidades sai muito caro. O custo por cidadão da extensão da banda larga ou dos balcões do Estado é incomportável com a compra de submarinos ou a alimentação regular das empresas e escritórios de estudos e pareceres do regime.
O custo por aluno de uma escola de 20 alunos é naturalmente mais elevado do que o dos alunos de escolas com 200 ou 400, tal como sai mais barato vender embalagens de 3 quilos de corn flakes do que pacotes de 100 gramas.
É uma questão de racionalidade económica.
As pessoas interessam aqui muito pouco.
Falam em assegurar a igualdade de oportunidades. É mentira. Isto é exactamente o inverso.
Ver pessoas que eu até considero intelectualmente (caso de Roberto Carneiro no DN de hoje) a confundir (deliberadamente?) escolas com 2-3 alunos com escolas de 15-20 alunos, defendendo a sua extinção em nome da socialização e do contacto com os amigos é algo que me faz repensar se o humanismo que proclamam é o humanismo que praticam.
Qual é a solução certa para a eucaliptização humana do país? É reflorestá-lo ou é acentuar os traços de aridez, mandando toda a gente para os pseudo-oásis?
Não é esta uma forma de centralismo intermédio que desumaniza tanto como o centralismo lisboeta?
Estamos todos condenados a viver em grandes vilas ou cidades se não queremos ter de nos deslocar dezenas de quilómetros para resolver a mais pequena questão como há 100 e 150 anos atrás?
Fechar escolas – dizem – é uma consequência e não uma causa da desertificação e o mesmo argumento foi antes usado para fechar correios, esquadras, centros de saúde, urgências.
Mas não será um catalisador para que o país se torne uma espécie de esqueleto, em virtude da não opção por inverter o processo?
Haveria medidas simples para atrair gente a algumas zonas do país, mas não são interessantes para os interesses, porque diminuiriam os lucros directos de algumas actividades. A que pt interessa levar a banda semilarga a uma aldeia serrana ou aos montes alentejanos não povoados semanalmente por socialaites?
Assim prefere-se que o Estado poupe nos encargos por cidadão na prestação dos seus serviços, fazendo com que seja o cidadão - em especial os que não podem tornear a tributação graças a habilidades técnicas – a pagar por viver fora dos grandes centros.
Que tudo isto seja encoberto com conversa fiada de tipo sociotecnológico (há mais computadores, há mais gente, há mais socialização) que só disfarça a estratégia de homogeneização e indiferenciação do país onde a todos é servido o mesmo cardápio cultural e comercial, não me espanta vindo de quem vem, gente que após duas viagens à Europa e uns abraços e beijinhos às merkeles, blaires, schroederes ou sarkozis fica com enjoo do antigo país real (e então se vislumbram a pernilonguice de uma bruni já nem sabem onde nasceram, de tão salivados que ficam, pobres coitados… piores mesmo que um pinto apanhado por brasileirinha flexível). Tipo vitorino ou barroso, na senda de um deusdopinheiro, dando o benefício da dúvida ao guterrão, que enfim, ainda aguentou uns anitos antes de se afundar. Mas todos eles assegurando que é no interesse do país!
Os passos necessários para nos tornarmos um destino golfista very typical para escandinavo ver já são poucos. A estratégia é limar as arestas, eliminar as diferenças e criar um modelo de país servido por uma população homogeneizada, pasteurizada e certificada em novas oportunidades e subserviência, com a mão estendida à gorja alheia.
Entretanto, os mentores de tal estratégia terão feito o trajecto inverso e estarão alojados lá por fora em capitais culturais da Europa, perorando de quando em quando para a imprensa nacional. E por lá ficarão tanto mais tempo quanto os pergaminhos de pensamento alternativo. Londres, Paris, Bruxelas, Nova Iorque estão cheias de velhas oportunidades, onus, ocdes, unescos, bancosmundias ou europeus, agênciasdisto e daquilo e outras colocações óptimas para final de percurso na paz das almas.
Os indígenas que se desenrasquem.
A culpa deste país sempre foi da arraia-miúda acanalhada que só sabe trabalhar nos luxemburgos, nos joanesburgos e nos bidonvilles de outrora, encerrado que foi o ciclo das padarias e talhos nos brasis, que agora só se visitam para fazer um par de semanas em rizortes.
Ahhh… e não me venham com a conversa de ser um velhodorestelo porque, se formos ver bem as coisas, o raio do homem até que tinha razão a médio-longo prazo. Afinal, pouco depois das primeiras páginas nas gazetas europeias de inícios de quinhentos, não contando com os castelhanos que nos nacionalizaram o país, já os italianos e flamengos nos ficavam com os juros e os ingleses e holandeses com as especiarias no regresso.
Nós só ficámos com as flores e as palmas internas para glória de manuais e lugares-comuns em discursos políticos futuros.
Nota final: ao contrário de outros arautos da decadência nacional, não encontro qualquer visão de um sebastião salvador, nem acho que uma revisão constitucional seja o graal da regeneração nacional. E tão pouco acredito em regionalizações feita à medida de candidatos a super-autarcas modernaços, escolhidos por fidelidades partidárias conforme as regiões e tão centralistas quanto os ministros que já foram ou aspiram a ser. No que acredito? Cada vez mais acredito em menos…
Agosto 20, 2010
Reacções Partidárias Ao Encerramento De Escolas
Posted by Paulo Guinote under Megalomanias, Posições, Rede Escolar1 Comment
Como em outros momentos, a aparente unanimidade crítica esconde estratégias diversas.
Bloco
CDS-PP
PCP
PSD
Recolha do Livresco, upload por conta da casa.




















