r¡sco – Que riscos acha que um professor corre na
escola?
M.F.P. – O principal parece-me ser o esvaziamento da
sua dignidade, pessoal e profissional. Não é bem da
sociedade que isso vem. Não é bem dos alunos que isso
vem. A sociedade quer respeitar o professor. É uma
forma de se respeitar a si própria. Os alunos querem respeitar
o professor. É uma forma de se respeitarem a si
próprios. É no plano superior do Ministério da Educação
que mora a hidra de sete cabeças que desama o professor.
O professor é frágil. O professor tem muitos defeitos
e muitas deficiências. Com certeza. Mas o professor é,
dentro desta família que é o mundo da educação, o correspondente
ao pai. A imagem do professor foi gradual e
aceleradamente abandalhada. Ele foi nisso e deixou-se
abandalhar e até se foi abandalhando a si próprio. Foi
proletarizado e deixou-se proletarizar. Agora, só com
uma revolução. Para o pôr no seu lugar. Que tem de ser
o lugar da sua dignidade, de que todos precisamos.
Todos os riscos que dizem que o professor corre na
escola manam desta fonte maligna.
A maioria dos colocados viram renovados os seus contratos. Pois… aqueles que não foram traídos pelos seus pares, diria. Outros ainda que o foram tiver até melhor sorte, mesmo sem asteriscos a dar um empurrãozito.
há de facto um conjunto de equívocos nesta história dos concursos de professores, nomeadamente aqueles que estão por detrás dos títulos que fazem as notícias. Por exemplo:
1. Dizer que “dos 50000 professores contratados só 19000 é que foram colocados” é propositadamente “enganador” e falso`. A bem da verdade a maior parte dos que não foram colocados têm apenas a qualificação profissional para leccionar(o que é diferente de ser professor) e, muitos, nem sequer estiveram a leccionar no ano lectivo anterior.
2. Dizer que “30 mil professores não foram colocados” é outra falsidade que é transmitida, passando a ideia que houve uma redução do número de professores contratados em relação, por exemplo, ao ano passado. Tal, como sabemos, é falso. A bem da verdade com o aumento do número de aposentações, com o incremento das Novas Oportunidades e com o aumento do nº de alunos, o número de professores contratados nas escolas portuguesas tem vindo a aumentar de ano para ano (infelizmente, digo eu).
Bem e já nem falo dos “espantos” que por aí pupulam sobre as colocações de professores longe das suas residências (e as supostas injustiças e favorecimentos), dando a entender que tal se deve ao sistema de colocação e, em última análise, à incompetência do ME…
P.S. Vi, num comentário num outro post, a prestação do Paulo no noticiário da TVI24 e devo dizer que me pareceu uma intervenção honesta. Isso me chega.
5# O texto de tom meléfico não consegue suavizar as agruras de qualquer professor, quer seja contratado, quer não. A maioria dos “efectivos” também já passou pela situação de professor contratado, sendo colocado a muitas léguas da família e do lar. Em 1984, dei aulas no Torrão do Alentejo. Só viajava para Lisboa no sábado de manhã, pois assegurava com três colegas o Ensino Recorrente leccionado, no turno nocturno, até cerca das 23 horas de sexta-feira. Entrava novamente à segunda-feira, no turno da tarde e também no turno da noite. Em 1995,no dia 20 de Março tive um grave acidente, às 6 horas da manhã de uma segunda-feira, quando me dirigia para dar aulas em Alvalade do Sado. O meu carro foi parar à sucata e ouvi da brigada de transito que teria de agradecer a Deus pelo facto de sair viva de uma colisão terrífica (entre o meu carro e o de um padeiro) no Alto da Guerra (Setúbal). Como podemos nós, professores, nesta vida de saltimbanco, gemendo e escondendo as lágrimas de sangue e suor, aceitar a perda de dois anos de tempo de serviço que nos cerceou a possibilidade de sonhar com a justa progressão na carreira docente?
Agosto 31, 2010 at 10:01 pm
Manuel Ferreira
Patrício, entrevista à Risco
r¡sco – Que riscos acha que um professor corre na
escola?
M.F.P. – O principal parece-me ser o esvaziamento da
sua dignidade, pessoal e profissional. Não é bem da
sociedade que isso vem. Não é bem dos alunos que isso
vem. A sociedade quer respeitar o professor. É uma
forma de se respeitar a si própria. Os alunos querem respeitar
o professor. É uma forma de se respeitarem a si
próprios. É no plano superior do Ministério da Educação
que mora a hidra de sete cabeças que desama o professor.
O professor é frágil. O professor tem muitos defeitos
e muitas deficiências. Com certeza. Mas o professor é,
dentro desta família que é o mundo da educação, o correspondente
ao pai. A imagem do professor foi gradual e
aceleradamente abandalhada. Ele foi nisso e deixou-se
abandalhar e até se foi abandalhando a si próprio. Foi
proletarizado e deixou-se proletarizar. Agora, só com
uma revolução. Para o pôr no seu lugar. Que tem de ser
o lugar da sua dignidade, de que todos precisamos.
Todos os riscos que dizem que o professor corre na
escola manam desta fonte maligna.
Agosto 31, 2010 at 10:08 pm
#1
Pura (e simples) verdade!!!
Agosto 31, 2010 at 10:09 pm
A maioria dos colocados viram renovados os seus contratos. Pois… aqueles que não foram traídos pelos seus pares, diria. Outros ainda que o foram tiver até melhor sorte, mesmo sem asteriscos a dar um empurrãozito.
Agosto 31, 2010 at 10:16 pm
Agosto 31, 2010 at 10:40 pm
Paulo,
há de facto um conjunto de equívocos nesta história dos concursos de professores, nomeadamente aqueles que estão por detrás dos títulos que fazem as notícias. Por exemplo:
1. Dizer que “dos 50000 professores contratados só 19000 é que foram colocados” é propositadamente “enganador” e falso`. A bem da verdade a maior parte dos que não foram colocados têm apenas a qualificação profissional para leccionar(o que é diferente de ser professor) e, muitos, nem sequer estiveram a leccionar no ano lectivo anterior.
2. Dizer que “30 mil professores não foram colocados” é outra falsidade que é transmitida, passando a ideia que houve uma redução do número de professores contratados em relação, por exemplo, ao ano passado. Tal, como sabemos, é falso. A bem da verdade com o aumento do número de aposentações, com o incremento das Novas Oportunidades e com o aumento do nº de alunos, o número de professores contratados nas escolas portuguesas tem vindo a aumentar de ano para ano (infelizmente, digo eu).
Bem e já nem falo dos “espantos” que por aí pupulam sobre as colocações de professores longe das suas residências (e as supostas injustiças e favorecimentos), dando a entender que tal se deve ao sistema de colocação e, em última análise, à incompetência do ME…
P.S. Vi, num comentário num outro post, a prestação do Paulo no noticiário da TVI24 e devo dizer que me pareceu uma intervenção honesta. Isso me chega.
Agosto 31, 2010 at 11:47 pm
5# O texto de tom meléfico não consegue suavizar as agruras de qualquer professor, quer seja contratado, quer não. A maioria dos “efectivos” também já passou pela situação de professor contratado, sendo colocado a muitas léguas da família e do lar. Em 1984, dei aulas no Torrão do Alentejo. Só viajava para Lisboa no sábado de manhã, pois assegurava com três colegas o Ensino Recorrente leccionado, no turno nocturno, até cerca das 23 horas de sexta-feira. Entrava novamente à segunda-feira, no turno da tarde e também no turno da noite. Em 1995,no dia 20 de Março tive um grave acidente, às 6 horas da manhã de uma segunda-feira, quando me dirigia para dar aulas em Alvalade do Sado. O meu carro foi parar à sucata e ouvi da brigada de transito que teria de agradecer a Deus pelo facto de sair viva de uma colisão terrífica (entre o meu carro e o de um padeiro) no Alto da Guerra (Setúbal). Como podemos nós, professores, nesta vida de saltimbanco, gemendo e escondendo as lágrimas de sangue e suor, aceitar a perda de dois anos de tempo de serviço que nos cerceou a possibilidade de sonhar com a justa progressão na carreira docente?