Já agora fica por aqui a metade de um outro post que escrevi há dias.

Ando ansioso ao ver, em termos pessoais, profissionais, políticos, gente a querer levar – seja de que maneira for – a água ao moinho que querem seu. E para isso têm diversas modalidades possíveis.

  • Há os que conseguem contorcer-se dos modos mais divertidos, quase espetando o dedo grande do pé no próprio olho, tentando manter o equilíbrio ao mesmo tempo, quando quem olhar com atenção já percebeu que se esparramaram por completo. O que interessa é chegar ao moinho, mesmo que os baldes já estejam vazios desde meio do caminho para gáudio geral. Por vezes são compensados, outras vezes não. Sabem disso e ficam inseguros. E olham para o relógio, o calendário e os ciclos solares em desespero quando o moinho parece ficar cada vez mais longe.
  • Outro género é o dos que fazem tudo por aparecer, mas mexendo-se e comprometendo-se o mínimo possível com qualquer ideia clara ou evitando agir seja de que forma for para evitar dissabores. Fazem parte daquela escola que conheci há 25 anos e carreirou na academia e na política sendo mero eco do patrono escolhido. Aparecer no local certo, à hora conveniente, com a boca em movimento apenas para a platitude que não desperte qualquer tipo de fricção. Querem levar a água, sem nada derramar pelo caminho. São os tais que se diz de águas profundas, mas que boiariam à primeira vez que lhes cortassem o fio que os liga ao cimento que têm na cabeça.
  • Mas ainda há os esganiçados. Aqueles que barafustam muito por fazer-se notar, radicalizando ao extremo posições centrais, hiperbolizando a potência zero das suas convicções, as quais mudam conforme aquilo que adivinham estar a ser escrito nas estrelas ou chegar pela correia de transmissão. Na falta de levarem logo a sua água, desatam a gritar para abrir caminho para que os acima deles levem a sua para criar espaço. E assim se fazem notar. São os operacionais.