Nos últimos meses atravessei um par de vezes o país do litoral para o interior. Esta semana fiz a A23 de uma ponta à outra, ainda toquei na A25 e foi possível fez um país deserto, queimado, em rescaldo ou por queimar. A fica inóspito em termos de Natureza e inabitável para os humanos, por acção de opções políticas para quem as SCUT foram uma forma de ligar cidades e pouco mais. Não é verdade que estejam ao serviço do desenvolvimento seja do que for. é realmente mais fácil e rápido chegar a Castelo Branco, Portalegre ou à Guarda. Mas apenas aí. Tirando estas cidades e as sedes de concelho, o resto vai minguando até à inexistência.

“Já tivemos maternidade. Agora, nem uma farmácia”

Vivem longe de quase tudo, e o pouco que têm  vai desaparecendo – urgências, atendimento 24 horas, médicos  na consulta, enfermeiro a tempo inteiro. E são cada vez maiores  as dificuldades destas populações  no acesso à saúde. São as juntas  de freguesia que tentam minorar os prejuízos, mas o sucesso é relativo. E só ficam os velhos…

O fenómeno não é novo?

Claro que não, mas nos tempos modernos em que é mais fácil levar as coisas aos cidadãos e o país deveria ficar mais próximo e unido é quando se optou por acentuar as clivagens, concentrando tudo nos grandes centros e nas suas periferias imediatas, nas pomposas “zonas indistriais” que em muito caso não passam de abarracamentos para empresas que vivem durante a vigência do subsídio ou médias e grandes superfícies comerciais.