Desculpa lá Buli, que eu sei que contigo até é sincero. Mas se há algo que me deixa assim a modos que urticário é toda aquela gente que por nada e por tudo, saca do motto do carpe diem, como se isso fosse uma enorme verdade e uma prática efectiva de vida. Nas redes sociais é do que há mais quando alguém se quer armar em grande despreocupado(a), gajo(a) todo(a) liberal e dado(a) a tudo e mais alguma coisa.

É tudo treta porque, se fosse mesmo assim, não precisavam de o anunciar e inscrever na badana do perfil. Em boa verdade, nem estariam a perder tempo com isso. Quem evoca muito carpe diem é porque está a desperdiçar tempo.

Há de dois tipos: a jubentude que só ouviu falar na frase e acha bué giro dizer ou escrever qualquer coisa em estrangeiro antigo, como poderiam dizer uma frase qualquer dos Morangos com Açúcar ou de um filme do Vin Diesel com carros, e os papás da jubentude que viram em seu tempo O Clube dos Poetas Mortos e pensaram que aquilo era mesmo a sério e o Robin Williams seria feliz para sempre. E agora acham que, só por evocar a máxima, se tornam uns rebeldes sem calças. Mas lá estão todos a picar o ponto na segunda-feira de manhã, achando que é o máximo fazerem uma tatuagem que lhes dizem ter um significado místico no braço, ombro ou canela, beberem umas margaritas ou umas caipirinhas à noite num bar perto de uma qualquer praia de veraneio.

Só que eu, por aquela altura e por muito estimável que tenham vindo a ser o Ethan Hawke ou o  Robert Sean Leonard (afinal é o melhor amigo do Hugh Laurie) já tinha ficado encravado com o andróide reflexivo do Blade Runner quando dizia:

I’ve done . . . questionable things. Nothing the God of biomechanics wouldn’t let you into heaven for.

ou

All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.