Desculpa lá Buli, que eu sei que contigo até é sincero. Mas se há algo que me deixa assim a modos que urticário é toda aquela gente que por nada e por tudo, saca do motto do carpe diem, como se isso fosse uma enorme verdade e uma prática efectiva de vida. Nas redes sociais é do que há mais quando alguém se quer armar em grande despreocupado(a), gajo(a) todo(a) liberal e dado(a) a tudo e mais alguma coisa.
É tudo treta porque, se fosse mesmo assim, não precisavam de o anunciar e inscrever na badana do perfil. Em boa verdade, nem estariam a perder tempo com isso. Quem evoca muito carpe diem é porque está a desperdiçar tempo.
Há de dois tipos: a jubentude que só ouviu falar na frase e acha bué giro dizer ou escrever qualquer coisa em estrangeiro antigo, como poderiam dizer uma frase qualquer dos Morangos com Açúcar ou de um filme do Vin Diesel com carros, e os papás da jubentude que viram em seu tempo O Clube dos Poetas Mortos e pensaram que aquilo era mesmo a sério e o Robin Williams seria feliz para sempre. E agora acham que, só por evocar a máxima, se tornam uns rebeldes sem calças. Mas lá estão todos a picar o ponto na segunda-feira de manhã, achando que é o máximo fazerem uma tatuagem que lhes dizem ter um significado místico no braço, ombro ou canela, beberem umas margaritas ou umas caipirinhas à noite num bar perto de uma qualquer praia de veraneio.
Só que eu, por aquela altura e por muito estimável que tenham vindo a ser o Ethan Hawke ou o Robert Sean Leonard (afinal é o melhor amigo do Hugh Laurie) já tinha ficado encravado com o andróide reflexivo do Blade Runner quando dizia:
I’ve done . . . questionable things. Nothing the God of biomechanics wouldn’t let you into heaven for.
ou
All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.
Agosto 23, 2010 at 3:54 pm
“…os papás da jubentude que viram em seu tempo O Clube dos Poetas Mortos e pensaram que aquilo era mesmo a sério e o Robin Williams seria feliz para sempre…”
Eheheh…lembro-me muito bem dessa época do Clube dos Poetas Mortos e dessa descontextualizada moda pedagógica…Muitos colegas emprenharam com esse filme, julgando que a realidade é um mundo de poetas.
Bem… é melhor estar calado. Agora é só lamúrias. Como diz um colega meu já reformado: essa gente julgava que nunca chegaria o dia em que eles próprios levariam nas fuças do sistema com o qaual partilhavam e colaboravam!
Agosto 23, 2010 at 3:57 pm
#1,
Eu acho que estou em fase de desvinculação de paradigma.
Estou a começar a fartar-me mais do que a média da enxurrada de clichés de esplanada que por aí andam…
Agosto 23, 2010 at 4:20 pm
Blade Runner, claramente na minha lista dos meus 10 filmes favoritos.
Agosto 23, 2010 at 4:32 pm
Então deixe “desvincular o paradigma”! Refina ainda mais a já habitual e excelente ironia na escrita.
“Estrangeiro antigo”. Vou adoptar essa. As citações do Blade Runner são poderosas.
Agosto 23, 2010 at 4:55 pm
Blade Runner… acho que já o vi umas dez vezes. “Ganda” filme.
Agosto 23, 2010 at 4:57 pm
Essa do “estrageiro antigo” fez-me lembrar a informação de uma colega nossa – já reformada – que paga a mensalidade do neto numa escola privada bem cotada no ranking e onde indisciplina é sinónimo de convite para o “olho da rua”. O filho e nora dessa colega são da geração esquerda sem limites, sem trabalho fixo porque é uma monotonia, adoradores do PC´e fãs do avante e todos os festivais de verão. Mas quando o filho entrou na escola, esperem lá, a escola pública é uma porcaria, não se aprende nada e a “escola antiga” é que é boa. E lá conseguiram que a avozinha prescinda todos os meses de parte da reforma e pague religiosamente a “escola antiga” que os pais politicamente desdenham!!! Devem ter visto o filme… a revolta dos mortos vivos!
Eu ainda disse a essa colega que a “escola antiga” é a melhor herança que ela pode dar ao neto…
Agosto 23, 2010 at 5:15 pm
Numa onda de pesca frutífera de carpas e de outros escamosos foi-se pelo ralo a trampa na floresta. Sinónimo de lavagem que nunca mais chegava, fartou-se de monólogos úteis para gente inútil. Há muitas outras ocupações de igual ou até mais gratificantes… há só que escolher o lago certo e esperar que as ditas piquem o isco. Mas nos entretantos, saboreie-se a brisa que sopra, desde este lugar onde se assentam muitos cargueiros.
Agosto 23, 2010 at 6:14 pm
É isso e a pretensa frase do Pessoa, das “pedras da calçada”.
Agosto 23, 2010 at 6:16 pm
Ou “pedras no caminho”, ou lá o que não é, com as quais ele construiria um castelo.
Agosto 23, 2010 at 7:11 pm
Tenho alguns alunos do 11 e 12 que repetem muito essa frase.
Ja os avisei dos perigos dessa mentalidade.
E aconselhei-os a ler a introducao ( e o livro, e claro) do “A scanner darkly” do Dick.
Agosto 23, 2010 at 7:57 pm
Eu cá sou bué fofinha….
http://gataescondida.wordpress.com/2010/08/23/calma-voce-acabou-de-entrar-num-blog-fofinho/
Agosto 23, 2010 at 7:59 pm
#8,
Pois, isso não é do Pessoa. Vês como sou esperta!!
Agosto 23, 2010 at 8:00 pm
Ó Paulo, diz me-lá como é que se se suspendem os posts todos que estão para trás e se deixam só 2 ou 3 visíveis????? ummmh?
Isto na wordpress, of course.
Agosto 23, 2010 at 8:02 pm
Falta aquele, o “Rumble Fish”. Esse tb é fixe!!
Agosto 23, 2010 at 8:02 pm
Ya, tipo isso, mêmo.
Se é desvinculação de paradigmas ou paradigmatização do desvínculo, ou uma hibernação estiada ou uma estivação hibernada, há cerca de 1 ano a esta parte, não sei bem.
Ou mesmo a velhice a chegar, não batendo assim tão levemente quanto isso.
Mas é por aí que também estou.
Em estrangeiro moderno: ran* out of patience.
* to run, ran, run/ran ?
Agosto 23, 2010 at 8:05 pm
To run.
Agosto 23, 2010 at 8:06 pm
Eu, por acaso, já bati no fundo. Acho que não foi levemente….
Agosto 23, 2010 at 8:08 pm
#16, obgd
)
mas queria o imperfeito ( já esgotou, continuando esgotada)
Agosto 23, 2010 at 8:16 pm
I’ve run out…
Agosto 23, 2010 at 8:23 pm
É intenção deste post fazer com que alguém deixe de beber caipirinhas?
- No puedo creer!!!
Aliás, consta que o andróide do Blade Runner adorava beber uma “CaipiCastrol” antes das filmagens e…
…
…
…
Agosto 23, 2010 at 8:24 pm
Ó Maurício, anda cá abaixo beber umas caipiroskas com a malta!
Agosto 23, 2010 at 8:40 pm
#20,
De modo algum…
By no means…
Agosto 23, 2010 at 8:41 pm
#13,
Vais a cada um deles e usas a opção de post privado.
Agosto 23, 2010 at 8:55 pm
motto do carpe diem
neste momento é a sexta entrada do google e vai ter a este blog. Das duas uma ou o blog está grande ou a internet está pequena.
Agosto 23, 2010 at 9:00 pm
ou ainda o Kurt Russell (fuga de Los Angeles): larga a bomba faz o mundo perder qualquer tipo de energia elecrica (largando a bomba) e diz: “welcome to human race”.
Agosto 23, 2010 at 9:00 pm
#24,
A Internet está em expansão exponencial, ainda.
Este blog está obeso como o fundador.
Daí eu estar a desvincular, para ver se emagreço.
Agosto 23, 2010 at 9:02 pm
#25
Can’t beat this!
Agosto 23, 2010 at 9:07 pm
Do melhor…
Agosto 23, 2010 at 9:13 pm
Agosto 23, 2010 at 9:14 pm
Agosto 23, 2010 at 9:18 pm
Agosto 23, 2010 at 9:19 pm
Agosto 23, 2010 at 9:59 pm
#1,
Que aspereza, Anti!
Agosto 23, 2010 at 10:03 pm
#6,
O problema é da vóvó!
Agosto 23, 2010 at 10:35 pm
#21, Gata,
Quem me dera…
- Fica para o próximo “cumbíbio”-umbiguista!
#22, Paulo,
Eu “i”ntendi.
Só que, como ia na terceira capirinha, achei melhor confirmar…
( Hic! )
Agosto 23, 2010 at 10:41 pm
#23,
Portantes, isso quer dizer que terei de fazer isso a 1.043 posts, individualmente!?
Vou ali tomar uma caipiroska, já venho….
(Obrigada, Paulo. Não sabia. Sempre a aprender.)
Agosto 24, 2010 at 12:06 am
As palavras de Horácio são frequentemente mal interpretadas, servidas e utilizadas à toutes les sauces…
Carpe diem
“L’avenir nous tourmente, le passé nous retient, c’est pour ça que le présent nous échappe.” Gustave Flaubert