Terça-feira, 3 de Agosto, 2010


Morrissey, The More You Ignore me The Closer I Get

The more you ignore me
The closer I get
You’re wasting your time

I will be
In the bar
With my head
On the bar
I am now
A central part
Of your mind’s landscape
Whether you care
Or do not
Yeah, I’ve made up your mind

Embora a canção pop perfeita (entre as várias cantadas pelo rapaz) também possa se esta:

Morrissey, Alma Matters

Um trabalho que fica (bem) feito:

(clicar na imagem para aceder ao texto do post)

Cuando me pregunto si tuve buenos educadores, los imagino a ellos, a mis educadores, preguntándose si tuvieron buenos alumnos. En general, creo que fuimos muy malos los unos para los otros, pero ya no tiene remedio. Entre los que recuerdo, hay un profesor de Literatura que nos mandaba hacer unas redacciones curiosísimas. Por ejemplo, si una película nos había gustado mucho, teníamos que decir lo contrario, pero argumentándolo de tal manera que ningún lector fuera capaz de descubrir si mentíamos o decíamos la verdad. Haciendo aquellas redacciones, me di cuenta de que muchas películas que creía que me habían gustado me parecían en realidad detestables. También aprendí que con un poco de talento y práctica se pueden defender las posturas más insostenibles. Todavía utilizo el método de aquel profesor, pues muchos de mis artículos están escritos directamente contra mí. Desconfío tanto de lo que pienso que sólo tengo la impresión de acertar cuando me contradigo.

Los objetos nos llamam, p. 63

A Few Good Kids?

How the No Child Left Behind Act allowed military recruiters to collect info on millions of unsuspecting teens.

Michael Gove accused of exaggerating interest in free schools

Education secretary under fire after it emerges there have been just 62 applications for free schools, less than a tenth of the number he said had shown interest.

Michael Gove faced fresh accusations of exaggerating the level of interest in his education reforms yesterday after it emerged there had been just 62 applications for his “free schools” policy.

Before the election the education secretary said he wanted hundreds of parent-and-teacher groups to open their own schools. Once in government he told parliament there had been 700 expressions of interest to the New Schools Network (NSN), a charitable organisation helping to set up the scheme.

But now it has emerged that fewer than one in 10 of those who were said to have expressed interest have applied. The figure was revealed by the Department for Education in a letter responding to a freedom of information request. A civil servant said there had been 62 applications.

David Cameron warns public sector cuts will be permanent

Prime minister tells an audience in Birmingham that cuts need to be ‘sustainable’ and that funding will not be restored once budget deficit is under control.

Nem sequer dá vontade comentar já a absoluta palhaçada do estado da Justiça em Portugal. Que quase todos sabemos que a estrutura (e hierarquia) do sistema judicial português é terreno fértil para coutadas e feudos, onde a lei se submete a grupos de pressão mais ou menos visíveis à luz do dia, é dado adquirido.

Agora o que dá uma certa urticária é sermos obrigados a ler e ou vir, quem sabe muito bem que as coisas são assim, vir queixar-se das coisas serem como são e não de outra maneira. Das duas, três: ou foram para os cargos querendo mudar o que existe e, se acham que não são capazes, devem demitir-se e explicar claramente porquê, ou então pactuam com o que há e deixem-se de conversas e remoques da treta.

Luís Pedro Nunes, o único opinador que dá prazer ver no Eixo do Mal, e tanto mais quanto ele fica com aquele ar sofisticadamente irritado. Esta semana na Única do Expresso (p. 80) tem um naco de prosa absolutamente notável, em que descreve todo aquele provincianismo que eu também encontro em certas saloiadas da naite estival que por cá se tenta fazer passar por movida. Assim já não me sinto sozinho como bota-de-elástico quando observo as fotos (ou ouço, quando não consigo evitar, os relatos) de quanta alegria aos rodos, meu deus como nos divertimos tanto até ao sol raiar graças aos speeds e touros vermelhos.

Passo a transcrever:

Dance Party na praia do Carvalhal. Toda a noite! Coisa de Ibiza? Milhares de pessoas no areal. Mais ao perto percebe-se que é o equivalente a um baile de bombeiros de aldeia versão 2010, agora na praia, em vez do grupo, um DJ e adicionaram umas pastilhas às cervejas e charros deixando um imenso chavascal na praia. Mas a dinâmica de expectativas, a interacção entre adolescentes era a mesma do velho baile na Casa do Povo agora com ecstasy na carola.

O único senão à prosa, mesmo se justificável a acção pelo interesse da observação socio-antropológica, é que LPN refere que mais ao perto, o que indicia que se aproximou do evento.

Apre… nessa eu já não caio… basta observar os crianços que para lá se deslocam e o(a)s mega-bronzeado(a)s de meia idade que se julgam sempiternamente jovens que tomam o mesmo caminho…

Protestos em Poiares pela deslocação das crianças para a Régua. A escola tem cerca de 40 alunos. O presidente da Câmara expõe os seus argumentos… mas… de acordo com eles poderíamos criar mega-giga-centros escolares e acabar com todas as escolas até 100, que tal 200 alunos?

Recolha e edição do Calimero Sousa.

… mas o que mais me comove é o conhecimento do sistema de ensino indiano! Já agora porque não importarmos o modelo social das castas e aqueles hábitos que eles têm de tratar as mulheres com ácido quando…

Eu reformularia a parte final assim: de que adianta falar seja do que for de Educação, em qualquer época do ano, com quem dela não percebe mais do que ser um escadote para a tentativa de trepar socialmente?

Realmente há coisa d’O Diabo!

(agradeço ao Telmo Bértolo o oportuno recorte)

… da última caracolada do patrão Rola. A imagem vai pequena para não ferir a sensibilidade dos não-mouros.

Para além dos países da Europa do Norte, Isabel Alçada nomeou outros países como exemplares no combate ao abandono e insucesso na entrevista que deu à SIC no fim de semana. Especificou, por exemplo, a Austrália e o Canadá.

Sobre a Austrália, só um pequeno detalhe (a medida data de há 2 anos e já é posterior a esta outra, draconiana, de prender os pais que, repetidamente, não assegurassem a ida à escola dos filhos):

On August 27, education minister Julia Gillard tabled legislation enabling welfare recipients’ payments to be denied for up to three months if their children were regularly absent from school.

“The key thing for us is to make the education revolution real for all kids, including those kids where school attendance is a real problem”, Prime Minister Kevin Rudd told the August 25 Daily Telegraph. “Obviously there can’t be an education revolution for kids if they’re not at school, and we are determined to make sure across Australia that they are attending schools properly.”

The proposed scheme will be trialled in eight areas: six Northern Territory communities, the Perth suburb of Cannington and one more metropolitan area that is as yet undecided.

Under the legislation, proving that children are regularly attending school would be a condition for receiving all Centrelink-based payments except the Family Tax Benefit. Instances in which children were absent from school without good reason would result in a 13-week suspension of welfare payments, with reinstated payments and back-pay conditional on “parents [meeting] their responsibilities relating to enrolment and attendance within 13 weeks”, the August 26 Age reported.

E para debate:

Tackling truancy – is cutting welfare payments an effective method?

Dois anos depois, parece que as coisas ainda andam complicadas:

Will tracking truants up attendance?

Por lá, parece que os sindicatos apoiam esta linha dura:

Union backs school truancy crackdown

Por entre as declarações confusas e atabalhoadas de Isabel Alçada durante o fim de semana acerca da proposta do fim das retenções no Ensino Básico e de controlar os danos que causou a sua entrevista ao Expresso, foi possível perceber que a ministra considera que já existem entre nós medidas de apoio destinadas a “ajudar os que têm um ritmo diferenciado” de aprendizagem.

Embora as formulações tenham variado de ocasião para ocasião, acho que será pacífico identificar que a ministra se referiu, pelo menos, às seguintes: aulas de apoio, estudo acompanhado e pedagogias diferenciadas na sala de aula. Estranhamente, ignorou os planos de recuperação e acompanhamento.

Não sendo todas elas medidas erradas na sua concepção, a sua aplicação prática está longe de ser satisfatória ou de corresponder ao que é necessário para combater, de forma séria, os défices de aprendizagem dos alunos ou a sua menor apetência pelo envolvimento nas tarefas escolares.

Vamos lá por partes:

  • Aulas de Apoio: existem quase exclusivamente em Língua Portuguesa, Matemática e Línguas Estrangeiras. Só excepcionalmente em outras disciplinas. O que significa que o seu alcance é limitado. Com o tempo, em vez de aulas destinadas a um apoio individualizado a alunos com dificuldades ou então a pequenos grupos com alunos com um perfil semelhante de dificuldades, tornaram-se uma espécie de estratégia defensiva dos professores quando dão uma classificação negativa a dado aluno. É uma forma de declarar que se preocupou e propôs apoio para o aluno. Consequência: atendendo à escassez de crédito horário para estas aulas não é raro que, em muitas escolas, as aulas de apoio se tornem aulas semanais de 45 minutos com mini-turmas tão ou mais heterogéneas dos que a de origem. Com a agravante de ser perfeitamente impossível dar um apoio adequado e individualizado quando se têm 6, 8, 10 alunos e 45 minutos semanais. Há uma meia dúzia de anos cheguei a ter APA de LP com 12 alunos, nenhum deles meu, muitos estando lá pelo simples facto de terem tido 2 no 1º período e ser melhor começar a prevenir a fundamentação de uma possível repetência. Pior ainda quando o professor de apoio nem é o professor da disciplina e precisa de se aperceber das situações em presença, algo que não se resolve com um pequeno relatório ou uma folha com cruzinhas. Este tipo de apoio deveria ser sempre atribuído com critério, individualmente ou em pequenos grupos (3-4 alunos, no máximo dos máximos), ao professor da disciplina que propôs o referido apoio e com mais de 45 minutos semanais quando os défices são mais acentuados. Ahhh… e quando os problemas exigem um apoio mais técnico (dislexia, disfazia, disortografia…), não chega esperar que o professor de apoio faça milagres, sem um diagnóstico capaz e um apoio específico por técnico qualificado para o efeito. Que quase nunca existe… ou existindo não tem tempo para isso, porque está assoberbado(a) pela imensa burocracia dos PIA, dos POA, dos PUA e dos P-qualquer coisa que agora existem por tudo e nada…
  • Estudo Acompanhado: quando surgiu, integrado nas ACND, pareceu ser a área menos supérflua de todas, porque parecia destinar-se inicialmente a funcionar como espaço para aprendizagem e desenvolvimento de técnicas de estudo, de organização dos materiais e de apoio à realização de trabalhos de casa e outras tarefas solicitadas para realização fora das aulas regulares das diversas disciplinas. Nesses moldes, e com a presença de dois professores de áreas curriculares diversas (um de letras, outros de ciências ou matemática), pensou-se que talvez resultasse daí algo útil. Mas isso não passou de mera ilusão porque, perante a pressão dos maus resultados nos exames PISA e nos exames e provas de aferição a nível interno, desviou-se o objectivo central do Estudo Acompanhado para uma espécie de aulas suplementares de Matemática e Língua Portguguesa. E não se pense que isso foi algo que as escolas inventaram, pois existiram directrizes claras do ME ou dos seus serviços para esse efeito, mesmo antes das que explicitamente aqui se assumiram. Mas mesmo assim as coisas poderiam fazer ainda sentido, caso não se tivesse optado por manter nessas aulas todos os alunos das turmas e não apenas os que precisassem das actividades propostas para apoio aos alunos e para o combate às suas dificuldades. Se tivesse sido possível manter nas aulas apenas os alunos com maiores dificuldades – sem a necessidade de entreter todos os outros com actividades redundantes ou desnecessárias – as coisas poderiam ter ganho eficácia, mas não. Optou-se por uma solução que não adianta a quem não tem problemas e que de pouco vale a quem os tem. Nos anúncios variados que foram feitos ao longo deste ano lectivo, surgiu a ideia de tornar o EA opcional ou apenas obrigatório para os alunos com dificuldades maiores de aprendizagem, estudo e organização dos materiais. Era uma boa ideia que generalidade da classe docente apoiaria. Só que… infelizmente… ou foi abandonada ou está em banho-maria. Como está a funcionar actualmente, o Estudo Acompanhado é muito pouco rentável para os alunos, em especial para os que dele mais precisariam.
  • Pedagogia Diferenciada: esta é uma das coisas mais divertidas ao cimo da terra pedagógica em que nos movemos, uma matéria que está plasmada (como é giro dizer) em imensos discursos, artigos e livros. Por cá, em termos discursivos funciona como panaceia retórica global e, para alguns eleitos (leia-se escola da Ponte e outros projectos que abandonaram os referenciais de espaço e tempo em que a maioria dos comuns mortais docentes vivem e ai deles se os desrespeitarem…), é a fórmula garantida do sucesso, para que todos o atinjam ao seu ritmo e pelos caminhos mais adequados. O problema… pois, o problema é que entre 95 a 99% das escolas e agrupamentos não funcionam assim, porque as directrizes superiores o não permitem e obrigam um professor a estar 90 minutos numa aula com 24, 26 ou 28 alunos e a diferenciar estratégias nessas condições, o que só no Absurdistão é possível como regra. Saberão os expertos que diferenciar pedagogias não se limita a dar fichas diferentes aos alunos? Que implica explicações e demonstrações individualizadas, conforme as necessidades de cada um? Acham que isso é possível em aulas, onde as regras básicas de civismo não são cumpridas e basta um(a) professor(a) virar as costas para o circo completo se instalar? Acham mesmo que se tivermos 1 ou 2 alunos a quem é necessário dar um acompanhamento indicidualizado na aula, em regra, os outros 25 vão ficar sossegadinhos à espera, enquanto fazem pacificamente a sua tarefa? A sério? Acham que não aparecem logo uns focos de agitação, uns sms, umas fotos e filmes pelo telemóvel no youtube a servirem de argumento para as câncios, os daniéisoliveiras e os emeéssetês começarem a desancar nos profes que nem sabem controlar uma sala de aula? Mas em que mundo vive todas esta gente? Quem acha que é possível diferenciar pedagogias e metodologias numa sala de 25 ou 28 alunos, de modo a integrar 4 ou 5 com problemas de aprendizagem específicos, ou não sabe o que é pedagogia diferenciada ou não coloca os pés em nenhuma sala de aula do mundo real há muitos anos…

Ahhh… já agora… perguntem aos iluminados dos projectos de sucesso da pedagogia diferenciada quais são os critérios de ingresso nas suas escolas… se entra qualquer um… ou se neste momento não há um apertado processo de selecção e controle das admissões… por causa do excesso de procura e tal mas que…. na prática… funciona como útil mecanismo para só entrarem aqueles alunos cujas famílias e contextos garantem que, mesmo com problemas e dificuldades, o sucesso tem uma rectaguarda onde se basear… Não nos gozem, por favor!

Chumbos potenciam abandono escolar

Isabel Alçada lançou debate sobre eliminação de chumbos, que Conselho de Escolas também propôs.

À primeira reprovação de um aluno, seguem-se muitas vezes novas retenções ou até o abandono escolar. A constatação é de Álvaro dos Santos, presidente cessante do Conselho de Escolas, e é um dos argumentos que levou este órgão consultivo do Ministério da Educação a defender, antes mesmo da ministra lançar o debate, que “em regra não deve haver retenção de alunos” no ensino primário nem secundário geral. Com excepção para os 6º e 8º anos, mas apenas quando “se verifique uma atraso significativo nos domínios considerados essenciais” e sempre com a “concordância do encarregado de educação”.

A proposta do Conselho de Escolas para a revisão curricular deverá ser entregue em breve à ministra da Educação, mas antes disso Isabel Alçada decidiu lançar o debate que promete dividir todos os envolvidos, com sindicatos, partidos políticos e associações de país a mostrarem muitas reservas quanto à eliminação das reprovações.

As retenções “não têm contribuído para a qualidade do sistema” educativo defendeu, em entrevista ao Expresso, Isabel Alçada, dando como exemplo os países nórdicos que implementaram esta política (ver caixa) e salientando que o objectivo será sempre o de “melhorar o desempenho dos alunos” e encontrar “novas formas de combater o insucesso escolar”.

No mesmo sentido, Álvaro dos Santos explicou ao Diário Económico que, através de um estudo realizado no concelho de Vila Nova de Gaia sobre o abandono precoce no ensino secundário, concluiu que “na origem do abandono estava sempre uma desvinculação cognitiva, que muitas vezes acontecia numa reprovação. E depois da primeira seguiam-se outras”.

Ahhhh…. doces oásis estes onde o abandono escolar resulta de desvincuações cognitivas... no meu infeliz mundo real há causas nem mais prosaicas…

Mas no Brasil não é Verão, o sol não deve estar a provocar insolações…

Lula da Silva agiu “sob emoção e ignorância”

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, agiu “sob emoção e ignorância” quando ofereceu asilo à mulher iraniana condenada à lapidação, disse hoje fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.

Mas então Lula da Silva, quando informado, concorda que a mulher seja lapidada por ter tido relações sexuais depois de enviuvar?

“Lula da Silva tem um temperamento muito humano e emotivo (…) e, sem dúvida, que não foi bem informado sobre este caso”, disse o porta-voz do Ministério Ramin Mehmanparast.

“O que podemos fazer é informá-lo dos detalhes do caso desta pessoa que cometeu um crime, para que ele o possa perceber”, acrescentou.

O Presidente do Brasil propôs no sábado que o seu país acolha Sakineh Ashtiani-Mohammadi, 43 anos, mãe de dois filhos e condenada em 2006 à morte por lapidação por ter tido “relações ilícitas” com dois homens depois da morte do marido.

Refiro-me, no fundo, ao duo Francisco Santos-Miguel Pinto, insignes representantes das posições pró-sindicais (leia-se pró-Fenprof) no que vai restando da blogosfera docente.

Veteranos de imensas refregas, para eles a proposta de Isabel Alçada nem merece comentários de maior. Francisco Santos é cândido o suficiente para confessar que prefere o branco velho e o tinto nesta altura, enquanto o Miguel é mais sibilino, dando a entender que quem reagiu é pacóvio [sic] e o que escrevi nos dois últimos dias é para não perder audiências [deve existir alguma confusão, eu não tenho publicidade no blogue, não perco nada se descerem as entradas...]. Claro que, com a frontalidade habitual, não me nomeia directamente, mas é algo já habitual.

Tudo o que se disse e escreveu sobre as matérias em apreço teve apenas o mérito de suscitar a exorcização de alguns fantasmas ideológicos e, reconheçamos, até permitiu alimentar boas conversas de “silly season”.

É por isso que sinto uma espécie de formigueiro quando leio ou ouço dizer que os autores das propostas recuaram com o rabo entre as pernas logo que soaram as trombetas da contestação. É que só cai no engodo quem quer ou quem não pode dar-se ao luxo de perder clientela. Pensava eu que escrever mais do que meia dúzia de parágrafos sobre o assunto seria suficiente para colocar os pontos nos iis e dizer que o rei vai nu. Certo? Errado!

Balha-me Deus!

Mas, ao fazerem isso, o que evitam é pronunciar-se sobre o âmago do assunto. E porquê? Porque ambos, o Miguel desde sempre e o Francisco desde que começou a ler umas coisas, adoptaram um discurso fofinho, delicodoce, parente muito próximo do eduquês, só que ligeiramente disfarçado, por embaraço. Se criticassem a proposta de Isabel Alçada seria fácil encontrar textos ou comentários onde defenderam posições similares. Assim, é mais fácil fingir que não se passa nada.

Porque também não é nada difícil fazer a ligação entre a produção eduquesa na sua vertente pseudo-emancipatória e um núcleo de (ex-)sindicalistas de esquerda que transitaram para a vida académica ou para grupos de trabalho dependentes do ME.

Outra coisa que tão dilectos defensores da classe docente – numa postura esclarecida, entenda-se – não comentam é o facto de desde ontem estarem em funções dezenas de CAP pelo país em mega-agrupamentos criados de forma ilegal, mas sobre os quais, tal como com a aprovação do 75/2008, se faz alarido inicial, mas depois se entra numa estratégia de compromisso. Aliás, seria muito interessante, fazer um inventário de quem aceitou entrar para estas CAP e perceber se também por aqui, embotra em menor grau, não terá havido a deriva pela tomada de posições.

Isto não é uma questão de utilização certa ou errada do tempo – cada um faz com o seu o que entender e com o prazer que disso retira – é uma questão de opção por ignorar certos assuntos como se fossem secundários, enquanto se arma alarido em torno de epifenómenos ou se fazem queixinhas poeque não houve pow-how para tratar de agulhas e alfinetes.

Sendo assim, ME e alguns sectores sindicais confluem – de novo – na tentativa de abafar um assunto incómodo. Para ambos…

Boa noite,

Não sei se já sabem mas continuamos a ter que levar com o Valter Lemos, com a Isabel Alçada a assinar de cruz…Efectivamente, para quem conhece a legislação dos CEF, e o que se vinha fazendo pelas escolas, que até levavam esta oferta formativa a sério, como tem sido o caso da minha, desde a sua implementação, ao contrário do que se tem passado noutras escolas, este Despacho que envio em Anexo, é absurdo e vem no mesmo sentido do reordenamento escolar, isto é, poupar não interessa com que consequências.

Por exemplo, na minha Escola, este Despacho tem claras implicações nos horários de muitos colegas, que já tinham apalavrado com a Directora, e comigo Director de 2 CEF´s, o prosseguimento das equipas pedagógicas, para o próximo ano lectivo. No meu caso, que só tenho tido CEF´s e que estava previsto continuar a ter dois novos cursos, na continuidade de outros que terminaram este ano lectivo, as implicações, são obviamente, também gritantes. O mesmo acontecerá noutras escolas e com outros colegas.

Assim, e mais uma vez, de forma cobarde, em pleno período de férias, o ME avança em parceria com o Ministério do Trabalho, ou melhor, sob a batuta de VALTER LEMOS e do seu ódio de estimação aos Profs., para um Despacho absurdo, que apenas prevê reduzir horas ao Directores de CEF, para além de lhes atribuir mais trabalho do que já tinham, retirando horas entretanto a outros colegas, de forma a poupar mais uns cêntimos. Até as reuniões semanais, que na minha opinião, dado as características de muitos dos alunos que integram estas turmas de CEF, antes previstas nos horários, ao que parece, passam a ter que se realizar não se sabe bem a que horas e com que
periodicidade…Continua a saga de exigir cada vez mais trabalho, e por menos dinheiro…numa clara proletarização do trabalho docente…

Fui hoje, em férias, confrontado via mail, com este Despacho, pela minha Directora, a qual também ficou abismada com tal conteúdo e nas implicações que o mesmo terá na organização do serviço e na atribuição de horas e cargos para o próximo ano lectivo.

E os Sindicatos onde andam, mais uma vez? De férias? Mas isso não andam já o ano todo?

A continuarmos assim, não sei de facto onde isto vai parar… quando será que também teremos outras tarefas, em substituição dos auxiliares de acção educativa? Sempre se poupavam mais uns trocos, no combate ao défice…

Há 4 anos atrás, deu-lhes a louca com os CEF, oferta formativa que considero importante, mas mal estruturada, como tudo o que vinha da Maria de Lurdes Rodrigues. Agora, devem ter chegado à conclusão que saem caros e o que interessa é poupar. Não interessa a esta gente, onde, nem como…em cima do joelho, lá vai Despacho….leiam a quantidade de legislação que este Despacho revoga…é mesmo incrível…

Abraço
José António Farinha

Anexo: despacho_conjunto_CEF.

Ainda estão verdes e picam…

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