Menos 701 escolas Menos 701 escolas
A crer no Ministério da Educação, é para garantir “igualdade de oportunidades” a todos os alunos que, “em estreita colaboração com associações de pais (…) e autarquias”, irão ser encerradas a partir de Setembro mais 701 escolas do 1º Ciclo, a juntar às 5 172 encerradas desde 2000.
Apesar de o anúncio ter sido feito com meio país a banhos, sucedem-se, de Norte a Sul, os protestos das associações de pais e autarquias “em estreita colaboração” com as quais o ME teria preparado a coisa.
A seguir a centros de saúde, maternidades, urgências e estações de CTT, 701 pequenas comunidades rurais do desertificado interior ficarão agora sem escola e 10 mil crianças dos 6 aos 10 anos serão forçadas a percorrer todos os dias dezenas de quilómetros até chegarem, exaustas e sonolentas, às indiferenciadas linhas de produção educativa que são as “mega-escolas” dos centros urbanos.
O presidente da Câmara de Bragança fala de casos, no concelho, em que as crianças terão que fazer diariamente duas viagens de mais de hora e meia para ir à escola. Só por humor negro alguém pode chamar a isso “igualdade de oportunidades”.
Julho 28, 2010
Opiniões – Manuel António Pina
Posted by Paulo Guinote under Megalomanias, Opiniões, Rede Escolar[8] Comments
Julho 28, 2010 at 11:27 am
A igualdade na perspectiva desta escumalha tem apenas uma intenção e essa é oposta à qualidade!
Gostei de ler António Pina, pq disse tudo em poucas palavras.
Julho 28, 2010 at 11:38 am
“A terra das oportunidades cria-se através do filtro da educação. E é esta que permite a ascensão social ou o sucesso, como hoje a designamos.
A educação fortalece o crescimento económico e cimenta a democracia. Muito do Estado Social, fruto ideológico de um político extremamente conservador, Bismarck, está hoje em cacos. Por falta de dinheiro, mas também por falta de vontade política. É por isso que não deixa de ser interessante ver como o debate político nacional, normalmente muito pobre, se começa a centrar numa guerra de trincheiras. De um lado, aparentemente, estão os liberais que querem destruir o Estado Social.
Do outro, diz-se, estão os defensores das suas chamadas conquistas. Para simplificar a confusão, alguém inventou uma fórmula simplex para o problema: o PS é o defensor do Estado Social, o PSD é contra. Trata-se, claro, de uma visão absurda, porque o próprio PSD é em larga medida um filho do Estado Social, como explicou João Jardim. Mesmo que agora tenha, entre os seus ideólogos, alguns que o desprezem. Mas o mais divertido é que Sócrates já vestiu o fato de Batman do Estado Social. É, claro, uma anedota. Ele só defende o Estado Social desde que exerça o poder. Como se vê na política de Educação, o Estado Social para Sócrates é um Estado de Sítio. Fechar milhares de escolas e fazer com que crianças de 7 ou 8 anos andem por dia 50 quilómetros de autocarro para ter aulas é a sonegação perfeita do Estado Social.
É fazê-los odiar a educação.
E é encerrar o País real.
O contrário do que este Governo diz defender.”
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=436783
Julho 28, 2010 at 12:54 pm
Subscrevo as palavras de Manuel António Pina.
Todavia, quando ele escrever uma crónica a dizer bem de qualquer coisa abro uma garrafa de champagne.
Julho 28, 2010 at 1:17 pm
Há uma coisa chamada desobediência.
Esses pais só têm de recusar enviar os seus filhos para a escola. Depois, a GNR que vá lá buscá-los, ou CPCJ que os retire às suas famílias.
Julho 28, 2010 at 3:02 pm
As crianças vão ter oportunidade de ganhar pontos pelos milhares de quilómetros (assim género frequent flyer)?
Concordo com a ncessidade da desobediência civil. Está no artigo 21º da Constituição:
Artigo 21º (direito de resistência)
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.
Julho 28, 2010 at 3:07 pm
Já agora, esta trapalhada toda vai contra a alínea f do artigo 74º da Constituição que diz:
f) Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e
das actividades económicas, sociais e culturais;
Portanto desobediência é o caminho para parar este desgoverno. A não ser que o nosso Sókas já esteja a contar em retirar esta alínea da Constituição e esteja a actuar avant la lettre.
Julho 28, 2010 at 3:15 pm
#3,
Neste nosso mundo há que haver lugar para quem olha o que está mal…
Há tantos a endeusaram as maiores asneiras…
Julho 28, 2010 at 10:37 pm
E o Sr. Albino da CONFAP não diz nada ? Não seria esta uma ocasião de falar alto e bom som ?
Que estranha Confederação de Associações de Pais é esta ?